Cinéfilos Eternos

domingo, 3 de junho de 2018

13 DE NOVEMBRO: TERROR EM PARIS



Estreou na Netflix, em três episódios, a série-documentário 13 de Novembro: Terror em Paris. Dos mesmos realizadores de 9/11, Jules e Gédéon Naudet, a série reúne depoimentos de sobreviventes da tragédia, relatando toda a tensão, medo, suas histórias pessoais e mesmo o estado traumático em que eles ficaram.
Os Naudet, que residem em Nova Iorque e são conhecidos por várias reportagens sobre política americana.
Os acontecimentos são relatados em ordem cronológica. O ataque começou no Stade de France, seguiu em alguns bares e culminou no ataque à casa de shows Bataclan, onde havia a maior concentração de pessoas e consequentemente, onde o número de vítimas foi maior.
Além dos sobreviventes, bombeiros que prestaram socorro e até líderes do governo, como a autarca de Paris, Anne Hidalgo, e François Hollande, presidente da França, foram entrevistados.

A GOOD RAIN KNOWS



O filme, mais que a história de Dong Ha e May, é uma viagem ao passado da China, mais especificamente à província de Sichuan, cuja capital é Chengdu. É lá que se encontra um parque de bambus, parte do que ficou das florestas de bambu da China onde vivem também os pandas que restaram. É a floresta que fornece o alimento desses animais, que são o símbolo da luta mundial pela preservação das espécies. Até que a nova floresta de bambus renasça novamente dos restos da antiga, os pandas, cerca de mil somente, vão enfrentar muitas dificuldades para sobreviver. E foi lá em Sichuan que houve também um grande terremoto em 2008, onde morreram mais de 85 mil pessoas.
É nesse parque de bambus que trabalha May como guia turístico e é lá igualmente que podemos conhecer o chalé, reconstruído em 1811 do famoso poeta chinês Du Fu, considerado, ao lado de Li Bai, o maior poeta chinês. Du Fu deixou 1.400 poemas, um dos maiores tesouros da poesia chinesa e continua, há muitos séculos, a ser lido e estudado por centenas de milhões de chineses. O seu legado faz parte da herança cultural dos povos do mundo.
Sua cabana ao lado do Rio das Cem Flores é cercada por pessegueiros, que ele apreciava muito e ele fez inúmeros poemas sobre os bambus. É dele o poema "Chuva boa numa noite de primavera", que dá nome ao filme.

Dong Ha vai para China a trabalho mas a lembrança de sua amiga da faculdade nos Estados Unidos, por quem ele esteve apaixonado, o atrai também. May o reconhece e parece ficar feliz ao vê-lo mas é bem reticente quanto à sua vida e parece surpresa quando Dong Ha lhe lembra alguns episódios do relacionamento deles.
O filme é bem delicado, assim como o tratamento que Dong Ha dá a May, se declarando aos poucos, tentando a aproximação, mas também lhe dando espaço. A trilha sonora é simplesmente encantadora e só pela cena onde as pessoas dançam na rua já vale à pena ver o filme.
O romance de Dong Ha e May é permeado pela poesia de Du Fu, tem uma cena em que eles pegam uma chuva, a chuva boa que vem abençoá-los, a chuva boa numa noite de primavera.
Tem uma passagem que ela pergunta pra ele:

"As flores florescem porque a primavera chega ou a primavera chega quando as flores florescem?"
Mas May tem um segredo, algo em sua vida que a impede de se entregar. Algo que impede as flores da primavera se abrirem em seu coração.

Deixo aqui o link da trilha sonora, composta por Jae-Jin Lee, muito linda!


IMDB: 6,5- 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Ho Woo Shi Jul (Howoosijeol)
Outros nomes: Season of Good Rain, 호우시절 
País: China/ Coréia do Sul
Ano:  2009
Direção: Jin-ho Hur.

Roteiro: Han-yeol Lee, Jin-ho Hur

Elenco: Jung Woo-sung. Yuanyuan Gao, Kim Sang Ho.

A CRIADA



Só vendo o filme para entender tanto alvoroço em torno dele. 
O filme mescla fotografias de tirar o fôlego com atrizes de beleza estontante, figurinos e cenários espetaculares, além de um roteiro que surpreende o tempo todo, tudo isso aliado a um erotismo como há muito tempo eu não via. Cenas de sexo explicitas mas misturadas com uma delicadeza sem igual.

A história de Hideko, uma jovem herdeira nipônica, promete com certeza te emocionar e te surpreender. Orfã, a mãe morreu logo depois que ela nasceu, foi criada pelos tios, mas a tia se suicidou e o tio pretende casar com ela por causa de sua fortuna.
É nesse contexto que entra em cena "a criada", uma jovem contratada para trabalhar direto com ela, mas que (coitada da Hideko) também não tem boas intenções, porque na verdade está ali para convencê-la a se apaixonar pelo Conde Fujiwara e fugir com ele, escapando assim do tio, só que o conde é outro vigarista que só quer seu dinheiro também.

O que o diretor da Trilogia da Vingança (Senhor Vingança, Oldboy, Lady Vingança) pretende na verdade com essa obra onde não sabemos quem manipula quem? Talvez nos manipular também?

Vencedor do Prêmio do Público de melhor filme internacional na 40ª Mostra de SP, The Handmaiden é um filme sobre a arte das simulações. Estreou no Festival de Cannes 2016, onde foi muito bem recebido pela crítica e chegou a receber um prémio de Melhor Direção Artística. 
Baseado no livro “Fingersmith”, um suspense e romance de Sarah Waters.

IMDB: 8,1 - 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Ah-ga-ssi
Outros nomes: The Handmaiden
País: Coréia do Sul
Ano: 2016
Direção: Park Chan-wook
Roteiro: Park Chan-wook, Sarah Waters
Com: Kim Min Hee, Kim Tae-ri, Jung-woo Ha.


SILÊNCIO



A história se passa no século XVII. O Padre Ferreira (Liam Neeson) vai para o Japão catequizar e nunca mais dá notícias. Há rumores que ele tornou-se um apóstata, isto é, que renunciou à sua fé.


Os padres jesuítas Rodrigues e Garupe resolvem ir procurá-lo. Eles o têm em grande conceito e custam a crer nessa história e se for verdade, pensam que é mais um motivo para encontrá-lo e salvarem sua alma.

Em um Japão de paisagens deslumbrantes e grandiosas, vamos presenciar quase o filme todo o sofrimento dos cristãos e ficamos na expectativa, assim como os dois jesuítas, de encontrarmos o Padre Ferreira.

Baseado na principal obra do escritor japonês Shusaku Endo, que por sua vez é baseada em fatos reais, o filme com um orçamento de quase 50 milhões de dólares tem quase três horas de duração, onde são questionadas profundamente a fé e a vida. O Padre Rodrigues é o personagem principal e é a expressão da luta interior. Como saber até onde deve ir sua missão ou até mesmo qual é ela de verdade?

Para ajudá-los a entender o seu papel, os atores, principalmente Andrew Garfield, trabalharam durante meses os chamados ‘Exercícios Espirituais’, uma prática de oração criada por Santo Inácio de Loiola, o fundador da Companhia de Jesus.

O filme, do grande diretor Martin Scorsese está concorrendo ao Oscar na categoria Melhor Fotografia e Andrew Garfield como Melhor Ator.

IMDB: 7,2- 10
Minha nota: 4/ 5



Ficha técnica:

Nome original: Silence
País:  EUA, Japão, outros
Ano: 2016
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Martin Scorsese, Jay Cocks, Shusaku Endo
Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Issei Ogata, Kubozuka Yosuke. E Liam Neeson.

sábado, 2 de junho de 2018

BASEADO EM FATOS REAIS



Pode até ser que eu esteja sendo parcial, porque realmente Polanski é um dos diretores que mais me fascinam, mas achei as opiniões que li sobre o filme muito severas.. O problema de um diretor que faz obras-primas é que a expectativa é sempre muito alta. Puxa, eles podem fazer filmes excelentes e outros apenas bons. Faz parte.
Mas vou te falar que gostei de cada minutinho do filme. Primeiro que as duas atrizes, a Seigner, como a Delphine e a Green, como a Elle, estavam fantásticas. Fiquei com a respiração suspensa o tempo todo. O trabalho cuidadoso do Polanski, com cada pormenor, os penteados iguais, os detalhes em vermelho, mostrando a paixão, as lembranças latentes, os desejos, fogo, ira, e por aí vai... tudo acompanhado pelo fundo musical composto por Alexandre Desplat, perfeito! Mais uma vez, uma trilha sen-sa-cio-nal. Penso que Polanski soube também explorar bem o psicológico das duas personagens, criando uma tensão e um clima sufocante. E imprimindo sim o seu estilo.

O roteiro, que tem a assinatura de Olivier Assayas, leva à construção das personagens, em um crescente que vai nos envolvendo e absorvendo totalmente, e depois a desconstrução, no final. Nada demais, eu sei, é a fórmula de muito filme. Mas isso não tira o mérito.


Não li ainda a obra de Delphine de Vigan, em português A Partir de Uma História Real, de forma que não posso opinar se o filme fica muito aquém do livro, mas não vamos entrar nessa velha discussão. Filme é filme, livro é livro. Talvez a minha maior crítica seja essa: Polanski não ter trabalhado com um roteiro original. Está certo que lá pelo meio, o filme ficou previsível, mas nem por isso desinteressante. A história me lembrou de outra, a do filme Mulher Solteira Procura. E de um outro que vi, recentemente, sobre um escritor que procura na vida real a matéria para o seu livro, chegando a trágicas consequências.

Gostei muito de ver no elenco Vincent Pérez. Esse ator suiço ficou marcado em mim, desde o filme Trazido pelo Mar, em que ele contracena com Raquel Weizs e também pelo A Rainha Margot.
Vamos, vejam com mais boa vontade, vão gostar. Não é o melhor filme dele, é claro. Mas é um polanski!
IMDB: 5,6- 10
Minha nota: 3,7- 5

Ficha técnica: 
Nome original: D'après une Histoire Vraie
Outros nomes: Based on a True History
País: França.
Ano: 2017
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski, Olivier Assayas, adaptado do livro escrito por Delphine
Elenco: Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Pérez, Dominique Pinon

O ator Vincent Pérez com as atrizes Emmanuelle Seigner
e Eva Green


sexta-feira, 1 de junho de 2018

NÃO ESTOU LOUCA



Até que foi uma boa surpresa esse filme. Com jeito de comédia, mas com ênfase no drama. A atriz Paz Bascuñan, a mesma que fez Sin Filtro, do mesmo diretor, é Carola, uma mulher que surta porque, no mesmo dia que sabe que é infértil, recebe também a notícia que seu marido e sua melhor amiga estão juntos e que a "amiga" ainda por cima está grávida.
Depois de uma tentativa de suicídio, Carola vai parar na Clínica Psiquiátrica Eden, onde, embora explique a todos que não está louca, ela vai passar por um grande processo de recuperação.
O filme alterna alguns clichês, mas nem por isso perde o seu valor. Até porquê ele levanta a questão de que vivermos também alguns clichês em nossas vidas, sofremos muitas vezes por querermos alguma coisa que a sociedade ou nossa família nos impõe como padrão de sucesso e felicidade. E nos libertarmos dessas ambições é que dará algum sentido à nossa vida.
No seu filme anterior, Sem Filtro (Sin Filtro), Pia, após anos tomando remédios para ataques de pânico, é incentivada por um acupunturista chinês a botar pra fora absolutamente tudo o que pensa, sem censura, para desbloquear suas emoções.
Mais ou menos com a mesma proposta, o filme Não Estou Louca vai mostrar que na maioria das vezes o problema não está em nós, mas nas pessoas que nos cercam.


O filme foi o maior sucesso de bilheteria no Chile. Já tem um remake mexicano: Hazlo como Hombre.  Não vi ainda, mas pelo trailer e pelo que li, nessa o protagonista é Santiago, um homem e é bem comédia. Foi o filme mais visto no México em 2017. Vou procurar, rir é sempre muito bom! 



IMDB: 5,4- 10
Minha nota: 3,3-5


Ficha técnica:
Nome original: No Estoy Loca
Outros nomes: I'm Not Crazy
País: Chile
Ano: 2016
Direção: Nicolás López.
Roteiro: Nicolás López, Guillermo Amoedo.
Elenco: Paz Bascuñan, Fernanda Urrejola, Marcial Tagle, Gabriela Hernández, Antonia Zeggers.



A equipe do filme.



quinta-feira, 31 de maio de 2018

GRITOS E SUSSURROS



Quem sou eu para fazer uma resenha de um filme como esse? nossa!

Então vou resumir aqui um pouco do que eu entendi.
Fiquem à vontade para me corrigir.

Gritos e sussurros é um filme sobre a morte e sobre o tempo, não somente a morte física, mas sobre a morte de tudo o que fomos e vivemos um dia, porque o tempo inexoravelmente levou.
O filme começa focando em um relógio de parede, o tempo que não perdoa, que só anda para a frente.
Agnes (Harriet Anderson) é a irmã enferma que está morrendo. Ela acorda, levanta-se, escreve no seu diário: "Hoje é segunda-feira e eu acordei com dor." Em seguida, volta a deitar, mas não sem antes ir até um relógio e alterar a hora, como se pudesse adiantar (ou atrasar, não tenho certeza) a sua morte.
Todas as paredes da casa e também as cortinas são vermelhas, como a revelar todos os sentimentos latentes.

Sentimentos que não são falados em voz alta, apenas em sussurros, todos os gritos estão na alma.
O confinamento das quatro mulheres, as três irmãs e mais a criada, faz com que elas se confrontem com um passado que foi feliz, mas que elas preferem não lembrar mais, porque a lembrança do que foram só faz realçar mais o que são no presente, com suas vidas reprimidas e infelizes.
E com os seus segredos, que não conheceremos, porque são só sussurrados.
Agnes morre, mas o filme não acaba aí, ela mesmo morta quer as irmãs, que se horrorizam com aquilo tudo. Eu também!

Somente Anna, a criada, que perdeu uma filha e parece ter transferido toda sua devoção pra Agnes, não tem medo e a pega no colo, com os seios de fora, como se com esse ato pudesse aproximar Agnes dos seios da mãe e de toda a proteção que uma mãe representa. Essa cena foi apelidada de "A Pietá de Bergman".

Enfim, Agnes é enterrada e a família, toda de preto, se despede de Anna, dão um tempo para ela sair da casa e pedem para ela escolher algum objeto da irmã.
Ela diz que não quer nada, mas vemos no final do filme ela abrindo uma gaveta e retirando o diário de Agnes.
Abre na página em que que Agnes lembra de um dia feliz, dela com as irmãs e com Anna, todas de branco, lindas, como se o tempo e a morte não existissem.

Com um elenco de tirar o fôlego, esse filme não pode faltar no curriculo de nenhum cinéfilo.

IMDB: 8,1- 10
Minha nota: 4,7- 5

Ficha técnica:
Nome original: Viskningar Och Rop
Outros nomes: Cries & Whispers
País: Suécia
Ano: 1972
Direção: Ingmar Bergman.
Roteiro: Ingmar Bergman, Marik Vos-Lundh, Sven Nykvist
Elenco: Liv Ullmann, Harriet Andersson, Kari Sylwan, Ingrid Thulin, Erland Josephson.