agosto 2018 - Cinéfilos Eternos

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

PASAJE DE VIDA




Uma boa surpresa esse filme. Escrito e dirigido por Diego Corsini, é baseado nas histórias que seus pais contavam sobre a luta armada na Argentina, na época da ditadura militar.
Miguel está perdendo o que tem de mais precioso: sua memória. Mario, seu filho, não sabia que ele estava tão mal assim. Miguel tem alta no hospital e Mario o leva para sua casa, em um povoado no interior da Espanha. Mario não lembra de sua mãe, existe apenas uma foto, mas seu pai sempre se negou a falar dela e nunca o levou para conhecer a avó materna. Agora, doente, Miguel mal reconhece o filho, passagens de sua vida quando era jovem vem e vão e ele não consegue separar o passado do presente. Algumas coisas que ele diz fazem Mario ter mais vontade de descobrir o que aconteceu com sua mãe. Seus pais eram argentinos. O que os fez virem para a Espanha? Seu pai o chama de nomes que ele nunca ouviu falar. Quem são essas pessoas? Quem principalmente é Diana, que o pai menciona com aflição e diz que precisa encontrá-la. Essa obsessão impulsiona Mario a investigar a misteriosa e complexa história de seu pai.
O Miguel jovem ( Chino Darin) "viveu em um dos períodos mais obscuros da Argentina, que ocorreu na década de 70, denominado Processo de Reorganização Nacional, ou seja, a Ditadura Militar que pôs fim ao governo de Isabelita Perón, através de um golpe de estado.
Como no Brasil, o governo torturava e assassinava opositores, seja de esquerda ou de direita. O protagonista pertencia a uma organização de esquerda, mas não fica claro que tipo de estado ela pretendia implementar." (trecho copiado)

Através de recortes do passado, também nós vamos aos poucos conhecendo a vida de Miguel. Mario precisa ir fundo dessa vez, sua vida é incompleta, ele não tem a memória da mãe, precisa pelo menos saber a história dela.
Diana era de uma abastada família burguesa mas escolheu como propósito de vida defender as classes menos favorecidas. Ela trabalha em uma fábrica, onde tem oportunidade de ver de perto as precárias condições com que são tratados os operários. Para termos uma ideia, morria-se por dia 20 pessoas em acidentes de trabalho em uma única fábrica, além disso, os salários eram péssimos. Sua mãe não a entendia e ela não entendia como a mãe podia viver alheia a tudo isso. É lá que Miguel e Diana se conhecem.
Mas para Miguel, trabalhar na fábrica não era uma opção, mas questão de sobrevivência. A princípio, é mostrado no filme, um conflito ideológico entre eles:
– Espero que não seja um daqueles pseudointelectuais que não querem sujar as mãos.
– Espero que não seja uma daquelas pequeno- burguesas que querem acalmar sua consciência com armas.
Miguel e Diana fizeram parte de uma geração que descobriu que o caminho para a liberdade era cheio de restrições. Eles se juntam a um grupo de ativistas, onde a luta armada estava inserida. Mas os jovens eram completamente despreparados, o inimigo era muito mais forte.
No início dos anos 2000, o cinema argentino começou a ganhar o público brasileiro pela capacidade de contar histórias humanas em narrativas simples e profundas. Essa é uma dessas belas histórias. Tocante e reflexiva, com uma linda fotografia. Um filme melancólico, de aspirações não concretizadas, mas que mostra a importância de seguirmos nossas convicções e de não ficarmos surdos às injustiças. Pasaje de Vida é uma história de luta e de luto. E de amor!
Nosso continente guarda uma história comum de invasões, colonialismo e violências. Também temos as ditaduras em comum. Muitos cineastas latino-americanos têm tentado narrar esses fatos. O jovem diretor argentino nascido na Espanha faz talvez uma homenagem à sua própria história familiar. Sim, talvez o filme tenha traços autobiográficos, mas se não, pelo menos nos permite conhecer a história de outras pessoas da época. Presente e passado, Espanha e Argentina, memórias e esquecimento.

IMDB: 6,6/ 5
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Pasaje de Vida.
País: Argentina.
Ano: 2015
Direção: Diego Corsini.
Roteiro: Diego Corsini, Fran Araujo.
Elenco: Carla Quevedo, Chino Darin, Javier Godino, Miguel Ángel Solá, Alejandro Awada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A MEMÓRIA DA ÁGUA



Elena Anaya protagoniza esse drama sobre o luto. A atriz espanhola, vencedora do Prêmio Goya por sua atuação no filme A Pele que Habito, de Almodóvar, já tinha o seu talento reconhecido com o filme Lucía e o Sexo, de Julio Médem, no qual interpreta Belén, uma babá com jeito de "Lolita". Por esse trabalho, ganhou o prêmio da Unión de Actores de España e uma indicação ao prêmio Goya. Ou talvez vocês lembrem dela como a Doutora Veneno do filme Mulher Maravilha. Com seus lindos olhos expressivos, ela é Amanda no filme dirigido por Matias Bize. Uma mãe que acaba de perder seu filho de quatro anos e que retém na memória sua dor.

Ela era feliz com Javier, o pai de seu filho, mas com a tragédia, não consegue mais viver com ele. Javier (Benjamin Vicuña, A Linha Vermelha do Destino, Netflix) propõe que eles vendam a casa e viajem, mas Amanda está irredutível, quer se separar.
Acontece com muitos casais não conseguirem superar juntos a perda de um filho. Cada um tem uma maneira de reagir, às vezes um quer se apegar às lembranças, outro já quer seguir em frente. O conflito é inevitável. E logo na hora em que um mais deveria apoiar o outro. Javier diz para Amanda:
"Já o perdemos. Não podemos nos perder."
Javier e Amanda se amam, fica evidente, mas esse amor não basta para que sobrevivam juntos à tragédia.
Cada cena é o retrato do vazio que ficou. Adoro esse tipo de filme melancólico, com cores e belas paisagens melancólicas. Victor Hugo já dizia, "Melancolia é a felicidade de estar triste."
Matías Bize é diretor de cinema, produtor e roteirista chileno. Ele ganhou importantes prêmios de filmes independentes, incluindo o Espigo de Oro para En la Cama, mas ele considera que La Memoria del Agua é o seu melhor trabalho.
Um filme intenso e belo.



IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: La Memoria del Agua.
Outros nomes: The Memory of Water, A Memória da Água.
País: Chile.
Ano: 2015
Direção: Matías Bize.
Roteiro: Matías Bize, Julio Rojas.
Elenco: Elena Anaya, Benjamin Vicuña, Nestor Cantillana, Antonia Zegers, Alba Flores ( a Nairobi de A Casa de Papel).

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

PRETO E BRANCO




O filme não tem nada de extraordinário, mas é uma boa história, com bons atores e boas atuações. Eloise, uma garota muito fofa, perdeu a mãe na hora do parto. Foi uma dor muito grande para a família, a mãe dela tinha apenas dezessete anos e o pai é um viciado em drogas, que nem a procura. Por causa disso, Eloise foi criada com muito amor pelos avós maternos. Mas agora sua avó morre também. É aí que entra em cena a mãe do seu pai: Rowena (Octavia Spencer) acha que é hora de Reggie assumir a filha.

Elliot Anderson (Kevin Costner) e a família de Rowena vão para os tribunais. Lidando com sua dor ainda, Elliot anda bebendo muito e isso é usado contra ele. Aí a história vai descambar para uma discussão racista. O advogado de Rowena alega que Elliot não aceita que sua neta seja criada por negros. Fica claro que a família negra também não acha bom Eloise ser criada por um branco.
Mas o amor tem cor? Eis a questão. Um filme sensível e humano, que aborda esse tema. Há muitos sentimentos a serem superados e entendidos. Rowena quer salvar o filho, Elliot o culpa pela morte precoce da filha.
Nascido em Detroit, Mike Binder cresceu em Birmingham, um dos subúrbios da cidade,começando sua carreira como roteirista e comediante. A estréia de Binder na direção foi com o seu segundo roteiro, Cruzando a Fronteira de 1992. Seu filme independente Criei um Monstro ganhou "Melhor Filme" e Binder ganhou "Melhor Ator" no Comedy Arts Festival de 2001 em Aspen. Binder escreveu e dirigiu três filmes em meados dos anos 2000 em que também interpretou papéis coadjuvantes. O primeiro, A Outra Face da Raiva, estrelado por Joan Allen e Kevin Costner, que estreou no Sundance Film Festival em janeiro de 2005, treze meses depois, Um Cara Quase Perfeito, com Ben Affleck, foi visto pela primeira vez no Santa Barbara International Film Festival em fevereiro de 2006 e, após mais 13 meses, Reine Sobre Mim, com Adam Sandler, foi lançado em março de 2007.

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Black or White.
País: EUA
Ano: 2014
Direção: Mike Binder.
Roteiro: Mike Binder.
Elenco: Kevin Costner, Octavia Spencer, Jillian Estell, Andre Holland.

domingo, 26 de agosto de 2018

REAPRENDENDO A AMAR





Não vejo a Carol como uma pessoa que se fechou no seu mundinho. Aliás, que delícia de mundinho: nenhuma preocupação financeira, saúde, uma linda casa, amigas divertidas, bons vinhos, boa comida e bons livros. OMG, como eu gostaria de poder usufruir dessa "vidinha". Junte a isso bons filmes, de vez em quando uma viagem.
Carol tinha e exata consciência que as coisas passam. Viúva, filha crescida. Como muitas pessoas que tiveram a sorte de ter um bom casamento, ela não pensa em ter outro. Quando o seu cachorro morre, ela também entende como mais uma passagem da vida. Mas a faz se confrontar mais uma vez com a solidão, mas de uma maneira serena, nada de desespero. Eu considero que uma pessoa envelhece de verdade quando começa a correr agoniada atrás do tempo que considera perdido.
É verdade que algumas coisas que nos acontecem nos fazem ficar mais abertas para outras. Ou talvez tenha sido coincidência Carol ter prestado atenção no jovem limpador de piscinas (Martin Starr) e ter se iniciado ali uma amizade improvável. Uma amizade que a levou ao seu passado, quando cantava, e a lembrar de quando era jovem e cheia de vida e a ter vontade de ter momentos como aqueles novamente. Tem uma passagem no filme onde ela canta lindamente num bar de karaokê. O acaso a fez também conhecer outra pessoa. Bill (Sam Elliott) também é viúvo e está claramente flertando com ela.
A verdade é que a vida está cheia de oportunidades de amar, acho que o filme quer mostrar isso. Não necessariamente a pessoa precisa encontrar um novo relacionamento, se acontece é muito bom. Mas saber apreciar o que está em volta é também muito bom. As várias possibilidades de amar e de preencher sua vida. Não ficar presa ao passado, ruim ou bom, mas também não deixar pra trás a sua essência, porque você continua sendo a mesma pessoa, só que em outra fase da vida.
Um filme que faz refletir e bem humorado ao mesmo tempo. "Eu o Verei em Meus Sonhos" é o título original. Sim, sonhar é bom, mas fazer do dia a dia uma continuação dos sonhos é ainda melhor.

IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: I'll See You in My Dreams.
Pais: EUA
Ano: 2015
Direção: Brett Haley.
Roteiro: Brett Haley, Marc Basch.
Elenco: Blythe Danner, Martin Starr, Sam Elliott.

UMA NOVA CHANCE PARA AMAR





Depois de The Chumscrubber (Más Companhias, 2005), o cineasta e roteirista americano nascido em Israel, Arie Posin, arrisca-se no gênero romance. O par romântico é interpretado por Annete Bening e Ed Harris. O Harris faz dois papéis. Sim, ele é o marido de Nikki e eles vivem "felizes para sempre" até o dia em que ele morre afogado em uma praia mexicana. Cinco anos depois, Nikki vê um homem idêntico ao seu marido e, contra todas as improbabilidades, ela procura descobrir tudo sobre ele. Aos poucos, ela vai se envolvendo com Tom, que lhe diz que é viúvo e um outro vizinho e amigo, Roger (Robbin Williams), também viúvo, sente-se enciumado e comenta que achava que a relação dela com o marido era mais forte e que jurava que ela ainda era apaixonada por ele. Nikki lhe responde que nunca deixou de amar Garrett.
"Sempre te amei", diz ela para Tom.
Tom, por sua vez, está cada vez mais apaixonado por Nikki, ela o olha de um jeito especial, ela faz com que ele se sinta especial:
"Posso me banhar no jeito como me olha..."
Em meio a tantos romances adolescentes, um filme sobre o amor maduro. Mas a trama foge do estilo "água com açúcar" quando coloca elementos intrigantes no roteiro. Como assim, uma pessoa idêntica à outra? Nikki tem uma nova chance de amar, mas será que ela aproveita ou apenas revive o seu amor por Garrett? Será que Tom é tão parecido assim mesmo com ele ou é parte do delírio de uma mulher que ainda não superou a morte do marido? Nikki ainda terá que lidar com várias artimanhas para impedir que a filha e o vizinho vejam o Tom. A história promete reviravoltas e um desfecho é imprevisível.
O título original é A Face do Amor. O que me faz pensar: você se apaixonaria por uma pessoa se ela tivesse o mesmo rosto de alguém que você ama? Quero dizer, o quanto é importante o rosto? Estava pensando sobre isso quando vi outro dia uma reportagem sobre uma mulher que sofreu um transplante de rosto. Então, mudando a pergunta, se alguém que você ama, um companheiro (a) ou amigo (a) ou mesmo alguém da família mudasse de rosto, seria a mesma coisa? Até mesmo a própria pessoa que mudou o rosto, se reconheceria ou isso faria mudar sua personalidade?
Vale mais pelos atores do que pelo filme, mas é um bom entretenimento.

IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: The Face of Love.
País: EUA
Ano: 2013
Direção: Arie Posin.
Roteiro: Arie Posin, Matthew McDuffie.
Elenco: Annette Bening, Ed Harris, Robin Williams

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES


ANIVERSARIANTES

Park Chan-wook é um aclamado diretor de dinema, roteirista e produtor cinematográfico sul-coreano. Formado na Sogang University em Filosofia. É famoso por filmes que envolvem, frequentemente, temas como violência e humor negro. Com A Criada (Ah-ga-ss) ele trocou a violência pelo erotismo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

OS AMANTES DO CAFÉ FLORE




Não tenho como não pensar como teria sido a vida de Simone de Beauvoir sem a presença de dois fatores: o primeiro, uma mãe oprimida pelo casamento (pelo menos na visão dela). A mãe (ou o pai, não lembro) chegou a dizer que "uma mulher é o que o marido faz dela". A outra coisa determinante foi a sua melhor amiga ter sido obrigada a fazer um casamento escolhido pela mãe, a perda da liberdade da amiga. Simone não teve o exemplo de um casal harmonioso em casa e tinha problemas com o pai, que a criticava o tempo todo. Ela decide que vai tomar as rédeas da sua vida, que nunca vai se casar, "lavar cuecas" e nem ter filhos. Dedica-se à sua carreira de professora e a escrever. De acordo com seu pai, era o que lhe restava, já que era feia e ninguém ia querer se casar com ela.
Quando ela e o jovem e rebelde Sartre se conhecem, forma-se um pacto aparentemente perfeito. Não, ele não a acha feia, muito pelo contrário, diz que ela é linda, a deseja. Mas, como ela, pretende uma relação baseada na realidade e na verdade. O casamento para eles é uma instituição burguesa, do que eles fogem.
Mas a proposta de Sartre é uma vida em comum onde seriam permitidos outros, outras aventuras amorosas. O importante é que eles contassem a verdade uma ao outro.
O que me parece é que Simone foi presa na própria armadilha. Ela não queria ser feita por marido nenhum! Mas ela também tencionava essa liberdade toda ou apenas a aceitou? Além disso, nem sempre houve verdades. Decepcionada, Simone desabafa com sua mãe:
"Achava que sabia de tudo e me sinto enganada, carente, rejeitada, como todas as mulheres".
A união intelectual, sim, essa era perfeita. Não sei dizer se um existiria sem o outro. Eles se desafiavam mutuamente, complementavam-se de uma maneira única.
Entendo que o filme, apesar do título, é muito mais sobre Simone do que sobre Sartre. O mundo todo conhece a lendária Simone de Beauvoir, uma das maiores intelectuais do século XX, figura de proa do feminismo e companheira de Jean-Paul Sartre. Mas o que sabemos sobre a mulher apaixonada e dividida que se escondia por trás do ícone?
Jean-Paul Sartre não foi o único amor de Simone, como ficaram eternizados. Ela conheceu o verdadeiro amor e até a plenitude sexual com o escritor americano Nelson Algren. Além da paixão arrebatadora, que durou mais de uma década, ele a inspirou a escrever diversos livros. Foi com Algren que Simone encontrou sua verdadeira identidade.
No livro “Beauvoir Apaixonada”, de Irène Frain, ela é apresentada como mulher apaixonada que, igualmente a qualquer outra, soluça e se aflige quando seu amor se despede e sobe em um avião.
Enquanto escrevia O Segundo Sexo, Beauvoir vivia um romance com o “amado homem de Chicago” através de carinhosas e perturbadoras cartas de amor. Primeiro ela nos diz que "a mulher apaixonada vive de joelhos” e "poucos crimes merecem piores punições do que a generosa culpa de se colocar inteiramente nas mãos de outrem”. Aqui nós vemos a luta contra a emoção pura que, de fato, colocou-a de joelhos. Essas cartas, de 1947 a 1964 estão reunidas no livro Cartas a Nelson Algren.

IMDB: 6,6/ 5
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Amants du Flore.
País: França.
Ano: 2006
Direção: Ilan Duran Cohen.
Roteiro: Chantal Derudder, Evelyne Pisier, Suna Syal.

Elenco: Anna Mouglalis, Lòrant Deutsch, Kal Weber, Robert Plagnol, Clémence Poésy, Caroline Sihol, Didier Sandre, Jennifer Decker, Julien Baumgartner, Laetitia Spigarelli.








terça-feira, 21 de agosto de 2018

CAFÉ DE FLORE







O Café de Flore é um café situado na esquina do bulevar Saint-Germain com a rua Saint-Benoît, no bairro de Saint-Germain-des-Prés, na cidade de Paris, na França.É famoso por ter sido frequentado por importantes intelectuais e artistas ao longo de sua história. O café abriu na década de 1880. O seu nome foi retirado de uma estátua da divindade grega Flora situada no lado oposto do bulevar Saint-Germain. Da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) em diante, o café preservou sua decoração art déco com cadeiras vermelhas, mogno e espelhos. Os escritores Joris-Karl Huysmans e Remy de Gourmont foram as primeiras dentre as muitas personalidades célebres que viriam a frequentá-lo: Robert Desnos, Albert Camus, Pablo Picasso, ... Charles Maurras escreveu o livro Au signe de Flore no andar térreo do café. Jean-Paul Sartre era outro frequentador, sua relação amorosa e erótica com a escritora francesa Simone de Beauvois é contada no filme Os Amantes do Café Flore.
Incrível, não é, como um lugar pode reunir tantas histórias? A música também tem esse poder. O de unir lugares, pessoas, sensações, sentimentos, situações, ... passado e presente!
Antoine é um DJ recém divorciado, apaixonado por sua esposa Rose. Sua vida parece perfeita, exceto pelo fato de não conseguir esquecer sua ex-mulher, Carole. Vinte anos juntos, duas filhas. Ela esteve presente ao longo de toda sua carreira, de todos os seus momentos especiais, em quase todas as fotos suas, ela também está. Conheceram-se ainda bem jovens, o primeiro beijo veio natural e inevitavelmente.
"Nesse dia, nesse preciso momento, Antoine e Carole desejaram amar-se para sempre."
Algumas músicas o levam automaticamente à lembrança dela, causando em Antoine uma dor tão forte, uma estranheza tão grande por tê-la deixado.
O filme já valeria a pena ser visto pela excelente trilha sonora, com The Cure, Pink Floyd e outros. Os silêncios, os olhares, falam mais que tudo.
Paralelamente à história de Antoine e Carole e Rose, vamos conhecer a de Jacqueline, que vive em Paris dos Anos 60. Ela dá a luz um filho com Síndrome de Down, o pai da criança acha que eles não são capazes de lidar com isso. Lembrando que naquela época a expectativa de vida de pessoas portadoras com a síndrome era pequena. Jacqueline resolve dedicar sua vida ao amor por seu doce filho e a fazê-lo viver.
Vanessa Chantal Paradis, a Jacqueline do filme, é uma atriz e cantora francesa. Ela se tornou uma das cantoras mais conhecidas de sua geração aos 14 anos com seu primeiro single, "Joe le taxi", e desde então leva uma carreira consistente na música e no cinema.
O filme nos instiga no sentido que ficamos ansiosos para entender a conexão das duas histórias, o roteiro entrega pouco a pouco os detalhes. Para falar a verdade, já quase no final. E aí, quando acaba, dá vontade de ver tudo de novo, saborear cada sensação que o filme nos deixa...
♪♫♪
Respire, inspire o ar
Sem receio de se envolver
Vá, mas não me deixe
Olhe em sua volta e escolha seu próprio chão

Pois você terá uma vida longa e voará alto
E sorrisos você dará e lágrimas você chorará
E tudo que você tocar e tudo que você vir
É tudo que a sua vida sempre será. ♪♫♪


No céu, no céu, ... assim se sentia o pequeno Laurent enquanto sua mãe o empurrava no balanço. Voando alto, como na música de Pink Floyd, Breathe.
Senti como se o filme tivesse exatamente o mesmo ritmo dessa música:
"Respire, inspire, ..."
"A união das almas gêmeas é quando a alma encontra sua outra metade no caminho para casa, à fonte."
Prepare-se para continuar vendo e ouvindo o filme na sua cabeça por um bom tempo. É como se o filme dissesse que nem na música: "Vá, mas não me deixe".
O diretor canadense Jean-Marc Vallée já recebeu vários Prêmios Genie ( premiações entregues pela Academia de Cinema e Televisão do Canadá) pelo seu filme C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor e pelo curta Les Fleurs Magiques, além do Prêmio Emmy de Melhor Direção pela minissérie Big Little Lies. Foram dirigidos por ele também os ótimos Demolition, Livre, Clube de Compras Dallas, A Jovem Rainha Vitória.

IMDB: 7,4/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Café de Flore.
País: Canadá.
Ano: 2011
Direção: Jean-Marc Vallée.
Roteiro: Jean-Marc Vallée.
Elenco: Vanessa Paradis, Kevin Parent, Hélène Florent. Evelyne Brochu, Marin Gerrier, Alice Dubuis, participação de Jean-Marc Valée.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES


CAMINO A MARTE





Emilia (Tessa Ia, de Depois de Lucia) tem uma doença terminal mas não quer acabar sua vida em um hospital. Ajudada pela sua melhor amiga, Violeta (Bad Girls), elas resolvem fazer uma viagem. Não, não é aquele filme apelativo sobre os últimos dias de uma adolescente e as lições de amor que ela deixou, esqueça isso! Um contratempo impedirá talvez as duas amigas de chegarem à Balandra, o local pretendido: um furacão de grandes proporções se aproxima. O road movie ainda contará com um ingrediente inusitado: as meninas acabam conhecendo e dando carona para um cara que se diz um alienígena e que veio com a missão de acabar com a humanidade. Violeta não quer ele perto, acha que ele pode ser um louco perigoso, mas Emilia simpatiza com ele. Elas resolvem chamá-lo de Mark, o mesmo nome da tempestade tropical que se anuncia. "Mark" diz que seu trabalho é estudar a evolução planetária, que o ser humano é uma das poucas espécies inteligentes a experimentar emoções primitivas e que, pelo bem do universo, a humanidade deve desaparecer.
Indo para Marte ou para Balandra, a verdade é que o filme vai nos fazer embarcar juntos em uma agradável aventura. Cada momento da história é marcado pelos lugares mais belos da Península de Baixa Califórnia, situada a oeste do México, graças à fotografia de Guillermo Garza.
Mark verá sua convicção sobre os humanos abalada quando se apaixona por Emilia. Essa, por sua vez, tem a oportunidade de viver um amor antes de morrer.
De qualquer forma, a viagem se tornará uma jornada de auto-conhecimento para os três personagens.
Humberto Hinojosa Ozcariz é um diretor e roteirista mexicano, conhecido pelo seu filme Oveja Negra (2009) e o mais recente Paraiso Perdido (2016). Ele também é responsável pela série Luís Miguel, que virou febre na América Latina, sobre a vida do cantor mexicano com mãe desaparecida e pai vilão.

IMDB: 5,5/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Camino a Marte.
País: México.
Ano: 2017
Direção: Humberto Hinojosa Ozcariz
Roteiro: Anton Goenechea, Humberto Hinojosa Ozcariz.
Elenco: Tessa Ia, Camila Sodi, Luis Gerardo Méndez.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES


MIELE




Filme cheio de camadas...
Primeiro fiquei surpresa ao ver que a protagonista é interpretada pela mesma atriz de Fortunata, do diretor Sergio Castellitto. Ela está completamente diferente. No outro, exuberante, muito maquiada, vestida de maneira vulgar, uma mulher pobre e sofrida. Nesse, magrinha, cabelo curto, vestida elegantemente com roupas estilo masculino mas que, ao contrário, lhe realçam a feminilidade. Mas linda nos dois.

Bem, vamos lá à história. Irene é Irene e também é Miele. Nome duplo, vida dupla. Quem é ela? A Irene é uma ex-estudante de medicina que mora sozinha, numa pequena casa de praia. Adora mergulhar e ouvir rock pesado.
Aliás, as músicas do filme são ótimas. Ela tem um namorado, nada que lhe exija muito compromisso. De vez em quando precisa se ausentar, porque seu trabalho exige. Mas qual é a sua profissão? Durante sua função, ela muda de nome, já que trabalha para uma organização clandestina. Seu namorado (?) não sabe o que ela faz. Nem seu pai (Massimiliano Iacolucci), que ela sempre visita, tem a menor ideia do que ela faz para viver. Irene acredita que ajuda as pessoas.

Sua convicção é abalada quando ela conhece um novo cliente, o engenheiro Carlo Grimaldi (Carlo Cecchi). É no conflito entre os dois que vai se alicerçar uma amizade e muitas dúvidas. Irene ajuda as pessoas, como diz, pelas pessoas ou pelo dinheiro que recebe? Que pessoas devem se utilizar do seu serviço? Quem decide isso? Ela? A organização? Ou as próprias pessoas? Quais as semelhanças e as diferenças entre os outros casos e o do engenheiro?
A atriz Valeria Golino (Respiro) estreia na direção com esse longa, com um tema bem ousado e polêmico. Assina também como co-roteirista, partindo do livro de Mauro Covacich: A Nome tuo.
A ética que Miele (Irene) achava que possuía é testada, a ordem que impôs à sua vida é jogada por terra. A estranha amizade que se forma entre ela e o engenheiro Grimaldi vai fazer com que ela repense em tudo e, certamente, também o espectador. Até onde vai a liberdade de cada um? É uma das perguntas que faremos. Qual o sentido da vida? Toda dor é visível? Quem tem direito de julgar ou opinar sobre a vida do outro? Esses e muito mais questionamentos farão parte dos noventa e seis minutos desse filme intrigante, que deixa sua marca.
Indicações: Prêmio David di Donatello de Melhor Atriz.
Prêmios: Nastro d'Argento de Melhor Atriz, Nastro d'Argento de Melhor Diretor. Foi vencedor também de uma Menção Especial do Júri Ecumênico do Festival de Cannes 2013
O filme evita de forma inteligente qualquer tomada de partido, conveniência política ou religiosa", escreveu Natalia Aspesi.
A nova diretora (e roteirista) italiana já está no seu segundo longa, o filme Euforia, de 2018, sobre dois irmãos de temperamentos completamente diferentes, mas que uma situação difícil vai fazê-los se aproximarem, unidos, num turbilhão de fragilidade e ternura, medo e euforia. Já quero ver!

IMDB: 6,8/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Miele.
Nome no Brasil: Mel.
País: Itália, França.
Ano: 2013
Direção: Valeria Golino.
Roteiro: Valeria Golino, adaptação da obra de Mauro Covacich.
Elenco: Jasmine Trinca, Carlo Cecchi, Libero de Rienzo, Massimiliano Iacolucci.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O BOSQUE




O BOSQUE.
Que bom que os franceses agora resolveram fazer essas séries de uma temporada só. Só acho que poderiam variar um pouco o gênero. São boas, mas sempre sobre crimes a desvendar. A fórmula é colocar a desconfiança em um personagem, mas aí não é aquele o culpado e por aí vai. Mas nem por isso deixam de ser interessantes.

O BOSQUE esconde muitos segredos, crimes e, por trás de tudo dramas familiares. Ambientado em uma pequena cidade francesa, cercada por um bosque, que teria tudo para ser encantadora, se não houvesse um assassino solto por lá.
Com Suzanne Clément (Laurence Anyways) no elenco, uma policial competente, mas que não enxerga o que está embaixo do nariz, na sua casa. A chegada do novo capitão da polícia (Samuel Labarthe) é tumultuada com o desaparecimento de uma adolescente. Forçado a assumir o seu posto antes do tempo, ele não é visto com bons olhos pela policial Virginie Musso, mas vai mostrar sua competência em todo o decorrer dos episódios, que são seis.
O sumiço de Jennifer mexe com toda a cidade. A professora Eve (Alexia Barlier) procura o capitão porque ela recebeu um telefonema da adolescente antes dela desaparecer e Eve vai ser parte importante em toda a investigação. Nada demais, com uma música envolvente e o jeito francês de contar uma história. A série está sendo comparada com Dark e Stranger Things, mas não acho que tenha nada a ver, a ambientação pode ser, mas as outras são ficção, essa é policial. É uma boa distração.

IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Forêt.
Outros nomes: The Forest.
País: França
Ano: 2017
Direção: Julius Berg.
Roteiro: Delinda Jacobs.
Elenco: Samuel Labarthe, Suzanne Clément , Alexia Barlier.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES




ANIVERSARIANTES


A APARIÇÃO




"Coincidências não existem"? Por que Jacques Mayano (Vincent Lindon), que está passando por um drama pessoal por ter perdido tragicamente seu amigo e companheiro de reportagens, foi o escolhido para investigar a veracidade de uma aparição santa em uma pequena vila francesa? Apenas por ser um jornalista talentoso e imparcial? Ou terá a vida o escolhido porque ele precisava passar por uma transformação pessoal? Sempre me pergunto isso: somos nós que fazemos nossas escolhas ou somos escolhidos?
É preciso ressaltar que Jacques não é uma pessoa religiosa, mas também não é um ateu. Ele é apenas alguém que tem como profissão procurar e revelar a verdade. Mas o que é a verdade? Será uma ilusão?
"O real não existe" ..."você sempre pode encontrar a verdade em outro lugar".
Quando comecei a ver esse filme, lembrei-me de outro, O Terceiro Milagre, e achei que podia ter alguma semelhança. Um padre (Ed Harris) é enviado para investigar um milagre. Frank, que é conhecido como "The Miracle Killer", se vê de repente em um conflito, já que percebe sua função de desiludir as pessoas e o quanto isso está fazendo mal para ele também. "Se Deus não existisse, era preciso inventá-lo", disse Voltaire. Substituir a fé à ciência, o sonho à experiência, o fantástico à realidade, pode ser uma coisa perigosa. Mas não, os dois filmes são bem diferentes.
Sim, o filme é bem longo, mas não me entediou em momento algum. Acho até que o diretor Xavier Giannoli conseguiu criar um clima de suspense o tempo todo, o que prende a atenção. Não gosto quando as pessoas resolvem comentar que a duração do filme não se justifica, ou "tal capítulo é mais longo do que deveria", gente, quem determina isso é quem dirige o filme. É se colocar muito acima da competência de um diretor reconhecido.
O filme mostra como a comunidade local se beneficia do suposto milagre, a grande repercussão, a atração de peregrinos, o comércio de lembrancinhas, enfim, a exploração turística.
Anna (Galatéa Belugi) realmente viu a Santa? Mas se não viu, o que ela ganha com isso? Estará ela sendo usada pelo Padre Borrodini e por aquele outro que está sempre ao lado dele? Mas é certo que Anna tem um segredo, embora doce e com respostas para tudo, percebemos que ela tem medo. Um medo que ela busca conforto na sua fé.
"Todos se beneficiam com o mistério. Os que acreditam e os que não acreditam também".
Xavier Giannoli (Marguerite) faz um grande filme, com sobriedade, sem grandes provocações, sobre o mistério, a dúvida e a fé. Uma busca conduzida com competência pelo ator Vincent Lindon. O cineasta, que também é roteirista e produtor francês, foi nomeado em 2010 um Chevalier na Ordem das Artes e das Letras.
O filme não se propõe a defender ou provar coisa nenhuma, mas antes a provocar uma compreensão interna, ao nos confrontar com o fato que não existe uma verdade absoluta, mas que sim, ela pode ser verdadeira se você escolheu assim. E isso é o que realmente importa. A mim causou paz, aquela paz que você encontra quando acredita que não precisa provar nada... só ser!
Enfim, talvez a verdade não seja tão importante assim, o que importa é o que fazemos com o que acreditamos ser verdade.
"Ter fé é uma escolha livre e deliberada".

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: L'Apparition.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Xavier Giannoli.
Roteiro: Xavier Giannoli com a colaboração de Jacques Fieschi.
Elenco: Vincent Lindon, Galatéa Bellugi, Patrick d'Assumçao.

PAIS E FILHAS




Só pelo elenco já vale a pena ver. A Katie, a filha do filme, é lindamente interpretada por Kylie Rogers em criança e por Amanda Seyfried adulta. Jake Davis (Russel Crowe) é o pai, um escritor atormentado pela morte da esposa com quem ele estava discutindo na hora do acidente que a levou.
Jake quer criar a filha, a quem chama carinhosamente de "batatinha". Como diz a música de Michael Bolton: "Fathers and daughters never say goodbye"! Prepare os lençois...
O médico aconselha Jake a se internar por um tempo, para o bem da própria filha. Ele a deixa então com a irmã de sua esposa (Diane Kruger) e o marido (Bruce Greenwood). Ele passa mais tempo que o previsto internado e aproveita para escrever o livro que sua editora e amiga (Jane Fonda) espera.
Mas as coisas não saem como ele previa, a ligação dele com a filha é muito forte, mas parece que tudo e todos querem separá-lo dela.
A Katie adulta guarda sérias sequelas de sua infância. Embora se ocupe tentando ajudar crianças com problemas, ela não consegue resolver os dela. Quando Katie conhece Cameron (Aaron Paul), tem por fim uma chance de se ajudar, mas será que ela vai saber fazer isso?
Gabriele Muccino é um diretor italiano que alterna produções americanas com italianas e que sabe muito bem construir um filme para emocionar. Sim, você pensou que era diretora? Eu também sempre me confundo com esses nomes italianos. Mas não no caso desse, porque já vi vários filmes dirigidos por ele, como Sete Vidas, À Procura da Felicidade. Ah, e um que achei muito delicado e interessante, com o queridinho ator italiano Stefano Accorsi: O Último Beijo. Acho que já postei sobre esse último. Muccino foca sempre nas relações humanas em seus filmes.
O ator Aaron Paul ficou conhecido por estrelar a série Breaking Bad, como Jesse Pinkman. Quem viu, não esquece jamais. Amanda Seyfried, de Cartas para Julieta, Querido John, O Preço da Traição, está de volta também às telas com o filme musical Mamma Mia - Lá Vamos Nós Outra Vez. Teve uma época que parecia que ela estava em todos os filmes, tinha virado a "queridinha" do cinema americano.
Enfim, voltando ao filme Pais & Filhas, é sobre perdas e como elas podem nos afetar. Algumas feridas parecem nunca cicatrizar. Tudo bem, pode ser clichê, concordo, talvez esquecível, mas é um filme que cativa. E apesar do clichê, algumas pessoas continuam não entendendo realmente o que o filme quis dizer. Por exemplo, li comentários sobre a Kate ser ninfomaníaca, que falta de sensibilidade! Principalmente pelo elenco e pelo diretor, eu recomendo Fathers and Daughters.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Fathers and Daughters
Outros títulos : De padres a Hijas, Lo Mejor de Mi Vida.
País: EUA, Itália.
Ano: 2015
Direção: Gabriele Muccino.
Roteiro: Brad Desch.
Elenco: Amanda Seyfried, Kylie Rogers,Russell Crowe, Aaron Paul, Jane Fonda, Diane Kruger, Bruce Greenwood, Octavia Spencer

terça-feira, 14 de agosto de 2018

PERFEITA PRA VOCÊ




Abbie e Sam conheciam-se desde crianças e agora queriam celebrar a união na Igreja e trocar juras de "ficar juntos até que a morte nos separe". O problema é que ela resolveu chegar muito cedo. "Cedo demais?", eles costumavam falar assim um com o outro. Gente, não é spoiler, o filme começa com a Abbie (Gugu Mbatha-Raw) contando o que aconteceu. Então, foge logo daquele tipo de história que a gente fica torcendo pra ela não morrer, porque já sabemos que ela morre.
O Sam (Michiel Huisman) é aquele noivo fofo, meigo, totalmente apaixonado. Abbie acha que ele está totalmente despreparado para seguir com a vida sentimental depois que ela se for, já que ele sempre esteve com ela e se preocupa em achar uma outra mulher que seja perfeita para ele. Mas no grupo de apoio em que ela frequenta ela faz amizade com Myron, interpretado por Christopher Walken, que vai tentar fazê-la entender que não podemos controlar as coisas.
“Eu pensei que se eu planejasse todo o seu futuro, não iria doer tanto que eu não fizesse parte dele”.
A proposta, eu acredito, é ser raso mesmo. Não é aquele filme que pretende te tirar lágrimas. É apenas uma história como tantas outras, mostrando que na vida podemos ter sorte ou azar. Ou as duas coisas. Por causa da sorte de Sam e Abbie terem vivido um amor tão lindo, tão profundo, o azar parece maior. Mas talvez a felicidade ou a falta dela seja aleatória... só isso!
“Você quer que eu fique bem depois que você for embora? Bom, novidades para você. Eu não ficarei bem, não importa o quanto você tente mudar isso. Você não pode me fazer ficar bem sem você.”
Eu tenho uma frase que sempre falo e que acho que se encaixa aqui que é "Ninguém é substituível." É claro que mais dia, menos dia, a vida de Sam vai seguir, mas de uma maneira diferente.
O filme deixa uma reflexão: afinal, o quanto dura o "para sempre"? Mas prefiro deixar para lá essa coisa que todo mundo repete que temos que falar sempre o quanto amamos as pessoas porque não sabemos o dia de amanhã. Você faz o melhor que pode todos os dias, se não vai existir amanhã, fazer o quê? Não sabemos nem se vai existir o minuto seguinte, vamos ficar fazendo juras de amor o tempo todo? A gente só sabe quando acontece, mas eu acho que se eu soubesse quanto tempo de vida eu tenho, continuaria vivendo do mesmo jeito. Porque se fizesse diferente, já não seria eu.
"Bunitinhu".

IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Irreplaceable You
País: EUA
Ano:m 2018
Direção: Stephanie Laing
Roteiro: Bess Wohl.
Elenco: Gugu Mbatha-Raw, Michiel Huisman, Christopher Walken.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA





Imagine um lugar adorável como a Ilha de Guernsey... imagine personagens também adoráveis... junte tudo com uma história encantadora, acompanhada de literatura e uma pitoresca torta de casca de batata...
Um pouco de história sobre a ilha: em outubro de 1855, Victor Hugo chegou a Guernsey, debaixo de chuva e vento, em busca de refúgio. "O exílio não me afastou só da França, mas sim do mundo", ele escreveu numa carta. 
Nesse retiro isolado e selvagem, uma dependência britânica a pouco mais de 40 quilômetros da Normandia, no litoral da França, Hugo passou o período mais produtivo de sua vida... 
Um lugar de contemplação silenciosa, caminhadas vigorosas à beira dos penhascos e baías sedutoras. "Mesmo com chuva e neblina, a chegada a Guernsey é esplêndida", ele escreveu numa carta à mulher. 
Hoje, os viajantes que chegam de balsa, vindos da Inglaterra, de Jersey ou da França, têm a mesma visão do porto, com os barcos pesqueiros balançando gentilmente e as fileiras de casas subindo as encostas das colinas. Hugo se instalou numa delas, na parte alta da cidade: uma mansão chamada Hauteville.

Mas nem tudo é glamour na história, que é adaptada do livro de mesmo nome e que tem tomadas em Londres também. Guernsey é uma das Ilhas do Canal invadidas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.
Juliet Ashton, interpretada por Lily James, que também faz parte do elenco de Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo, é uma escritora que mora em Londres. Seu editor, Sidney, é tipo sua única família. Juliet, mesmo conquistando aos poucos seu espaço no mundo literário, sente um certo desconforto, como se precisasse buscar algum fio solto que desse realmente significado ao seu trabalho.
Um dia, ela recebe uma carta de um tal de Dawsey Adams (o cativante Michiel Huisman de A Incrível História de Adaline e do mais recente Perfeita para Você, também da Netflix), que mora na tal ilha. Pela carta, ela fica sabendo de um clube do livro que foi fundado lá durante a guerra, o que a faz decidir visitar Guernsey. A princípio, pensando em escrever um artigo sobre os membros de A Sociedade Literária e A Torta de Casca de Batata e voltar. Mas Juliet acaba construindo uma forte ligação com eles...
“Acho que é possível pertencermos a uma pessoa antes de a conhecermos.”
...e querendo escrever um livro sobre as experiências deles na guerra. Em especial, Juliet se vê profundamente inspirada pela história de Elizabeth (Jessica Brown Findlay), a fundadora do clube de leitura, a única que não está na ilha. Mas que é cercada de mistérios. Ninguém quer falar sobre Elizabeth e a sua intenção de escrever sobre o clube não é bem-vista e até mesmo hostilizada por Amelia (Penelope Wilton).
Começamos a ver o filme pensando ser apenas mais uma história romântica. Delicadamente encantadora, isso já nos envolve. Mas no desenrolar se mostra muito além disso. A escritora insegura dá lugar a uma mulher que finalmente sabe o que quer, à medida que vai descobrindo a trajetória de Elizabeth. Não só seu lado literário aflora, mas seus verdadeiros sentimentos. O vazio que ficou de seu passado também conturbado é preenchido naquela ilha. Ela volta a sentir uma sensação de pertencimento.
Realmente, os personagens são lindos, até nós espectadores desejamos ficar com eles. Ainda tem as crianças adoráveis. Lily James transmite muita naturalidade no seu papel. O diretor inglês, Mike Newell, também dirigiu um dos meus filmes favoritos: Quatro Casamentos e Um Funeral, pelo qual recebeu o Prêmio Bafta de Melhor Filme e de Melhor Direção e também o César de Melhor Filme Estrangeiro. Além de O Sorriso de Mona Lisa, Harry Potter e O Cálice de Fogo, O Amor nos Tempos do Cólera e muitos mais.
Se você é como eu e gosta de um belo romance e de conhecer lugares encantadores, mesmo que seja na tela de cinema, recomendo fortemente.
IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA.
Ficha técnica:
Nome original: The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society.
País: EUA. Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Ano: 2018
Direção: Mike Newell 
Adaptação do livro de mesmo nome escrito por: Annie Barrows e Mary Ann Shaffer. 
Roteiro: Don Roos,Thomas Bezucha, Kevin Hood.Elenco: Lily James, Matthew Goode, Glen Powell, Michiel Huisman, Jessica Brown Findlay, Katherine Parkinson, Penelope Wilson, Tom Courtenay, Kit Connor.




Lar de Victor Hugo, Guernsey é ilha de baías e penhascos no Canal de Mancha.