Cinéfilos Eternos: Amanda Seyfried
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sábado, 5 de janeiro de 2019

NO CORAÇÃO DA ESCURIDÃO





Ainda digerindo o filme, devagar, como o capelão Toller. O reverendo tinha uma ferida que não fechava, mesmo entregando sua vida a Deus: seu filho, morto numa guerra depois que ele o incentivou a se alistar. Sua mulher não o perdoou. Será que um dia ele se perdoaria? Será que Deus o perdoaria? Será que Deus sempre perdoa nossos pecados?
Toller resolve fazer um diário, escrever todos os dias, durante um ano. Escolhe fazer isso a mão. As frases ou as palavras riscadas possuem significado. Elas precisam estar ali para que ele tenha certeza de que não está enganando a ele mesmo. Ele escreve para ele mesmo. A intenção é essa: uma conversa inadiável com ele mesmo. Porque muitas coisas deixaram de ser ditas. Também eu gosto de escrever, muitas vezes gosto mais de um filme depois que escrevo sobre ele. É como se ele se explicasse para mim. Que impressões retidas na minha mente se revelassem no papel. Desculpem, não no papel, no computador, não tenho mais essa paciência.
Ethan Hawke, assim como seu personagem, em uma entrega poderosa. É como se nós, espectadores, fôssemos seus confessores. Bem, ninguém fala muito, mas eu também adorei a performance dele em Born To Be Blue, em que ele interpreta Chet Baker. Ethan já foi indicado ao Oscar duas vezes na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. Será que vai rolar outra indicação?
A Igreja de Sião (Zion) é uma congregação episcopal inclusiva em Douglaston, Nova York, fundada em 1830, com membros de todo o bairro de Queens e do condado de Nassau . Sião está dentro da Diocese Episcopal de Long Island e é uma das igrejas mais antigas do Queens , no topo da colina com vista para Douglaston e Little Neck. Aqui no filme denominada First Reformed. O auge do filme é a festa de comemoração dos 250 anos da igreja, a festa de congregação. Porque o pastor Toller também está passando por um momento dos mais difíceis. Respostas que ele não encontra. Mais que a dor que o dilacera frente à impotência perante situações que ele entende que precisam mudar, o vazio daquilo tudo. Será que Deus sempre perdoa nossos pecados?
O pastor marca uma conversa com Michael (Philip Ettinger), a pedido da esposa dele, Mary. O diálogo entre os dois é um dos pontos altos do filme porque, longe dele apaziguar Michael, ele mesmo sai daquele embate enfraquecido e confuso. Aliás, o título em português é No Coração da Escuridão, mas deveria ser A Escuridão do Coração. Toller não tem respostas para os questionamentos de Michael, porque não tem nem para ele mesmo. Sua fé e sua moral são mais uma vez testadas. Será que Deus sempre perdoa nossos pecados?
Será que Deus sempre perdoa nossos pecados? Por que repito sempre essa frase? Porque é o "coração da escuridão". Confiando nesse perdão, os homens cometem os maiores pecados. Como crianças bobas que entornam o leite no chão, sabendo que o pai e a mãe vão limpar e desculpar, cometem as maiores atrocidades contra o planeta, contra o chão do lado de fora. Não seria mais convincente para Deus não orar tanto, mais procurar ser uma pessoa melhor?
Toller se vê como uma peça usada na engrenagem de coisas que ele não aprova. Quando ele encorajou o filho a se alistar, achou que estava certo, assim fez seu pai com ele quando era jovem, provavelmente seu avô com seu pai. A repetição de certos comportamentos passados de geração em geração embota a mente dos homens, faz com que aceitem sem pensar ou questionar. E, afinal, certo ou errado, cremos que teremos um Deus para nos perdoar. Não entendemos tudo que fazemos, nem precisamos entender, Deus dará seu jeito, no final. Mas Toller não acredita mais nisso.
No final, bem poético, vem a resposta ou a redenção. É como se Toller finalmente se prostrasse aos pés de Deus e aceitasse sua pequenez, sua falta de respostas, suas fraquezas, sua humanidade. Talvez exista um limite para a fé, mas também devemos aceitar as nossas limitações. Mary representa toda a pureza, a luz no meio da escuridão. Um coração atormentado não ajuda em nada. É o amor (ou Amor) o verdadeiro perdão.
IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: First Reformed.
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Paul Schrader
Roteiro: Paul Schrader
Elenco: Ethan Hawker, Amanda Seyfried.
Zion Episcopal Church






quarta-feira, 15 de agosto de 2018

PAIS E FILHAS




Só pelo elenco já vale a pena ver. A Katie, a filha do filme, é lindamente interpretada por Kylie Rogers em criança e por Amanda Seyfried adulta. Jake Davis (Russel Crowe) é o pai, um escritor atormentado pela morte da esposa com quem ele estava discutindo na hora do acidente que a levou.
Jake quer criar a filha, a quem chama carinhosamente de "batatinha". Como diz a música de Michael Bolton: "Fathers and daughters never say goodbye"! Prepare os lençois...
O médico aconselha Jake a se internar por um tempo, para o bem da própria filha. Ele a deixa então com a irmã de sua esposa (Diane Kruger) e o marido (Bruce Greenwood). Ele passa mais tempo que o previsto internado e aproveita para escrever o livro que sua editora e amiga (Jane Fonda) espera.
Mas as coisas não saem como ele previa, a ligação dele com a filha é muito forte, mas parece que tudo e todos querem separá-lo dela.
A Katie adulta guarda sérias sequelas de sua infância. Embora se ocupe tentando ajudar crianças com problemas, ela não consegue resolver os dela. Quando Katie conhece Cameron (Aaron Paul), tem por fim uma chance de se ajudar, mas será que ela vai saber fazer isso?
Gabriele Muccino é um diretor italiano que alterna produções americanas com italianas e que sabe muito bem construir um filme para emocionar. Sim, você pensou que era diretora? Eu também sempre me confundo com esses nomes italianos. Mas não no caso desse, porque já vi vários filmes dirigidos por ele, como Sete Vidas, À Procura da Felicidade. Ah, e um que achei muito delicado e interessante, com o queridinho ator italiano Stefano Accorsi: O Último Beijo. Acho que já postei sobre esse último. Muccino foca sempre nas relações humanas em seus filmes.
O ator Aaron Paul ficou conhecido por estrelar a série Breaking Bad, como Jesse Pinkman. Quem viu, não esquece jamais. Amanda Seyfried, de Cartas para Julieta, Querido John, O Preço da Traição, está de volta também às telas com o filme musical Mamma Mia - Lá Vamos Nós Outra Vez. Teve uma época que parecia que ela estava em todos os filmes, tinha virado a "queridinha" do cinema americano.
Enfim, voltando ao filme Pais & Filhas, é sobre perdas e como elas podem nos afetar. Algumas feridas parecem nunca cicatrizar. Tudo bem, pode ser clichê, concordo, talvez esquecível, mas é um filme que cativa. E apesar do clichê, algumas pessoas continuam não entendendo realmente o que o filme quis dizer. Por exemplo, li comentários sobre a Kate ser ninfomaníaca, que falta de sensibilidade! Principalmente pelo elenco e pelo diretor, eu recomendo Fathers and Daughters.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Fathers and Daughters
Outros títulos : De padres a Hijas, Lo Mejor de Mi Vida.
País: EUA, Itália.
Ano: 2015
Direção: Gabriele Muccino.
Roteiro: Brad Desch.
Elenco: Amanda Seyfried, Kylie Rogers,Russell Crowe, Aaron Paul, Jane Fonda, Diane Kruger, Bruce Greenwood, Octavia Spencer