Cinéfilos Eternos: Ethan Hawke
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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

JULIET, NUA E CRUA






Sim, não deixa de ser uma comédia romântica. Vi justamente por isso, tem hora que preciso descomplicar. Também pelo Ethan Hawke, ando na cola dele. Tenho visto tantas interpretações ótimas dele, que quero ver tudo o que ele faz. Aqui ele é um roqueiro que fez algum sucesso alguns bons anos atrás. O filme tem outras camadas. Trata também da idealização dos ídolos. De como a paternidade pode ser difícil para alguns homens. Trata da vida escorrendo pelos nossos dedos sem que a gente perceba.
Tucker Crowe tem um fã-clube, não chega a 200 membros, mas tem. Para um cantor desaparecido há 25 anos já é alguma coisa. Ou talvez seja até por isso. O grupo, liderado por Duncan (Chris O'Dowd), cria teorias sobre onde ele possa estar, cada um, principalmente Duncan, querendo mostrar que é mais conhecedor da vida dele. Ausente a realidade, surge o mito.
Annie (Rose Byrne) tinha outros planos para sua vida, queria morar em Londres, mas com a morte do pai, volta para o interior e assume o lugar dele, cuidando da irmã mais nova e na gerência do museu local. Ela conhece Duncan e acabam morando juntos. A princípio, ela achava até charmosa essa paixão dele por Tucker, embora não compartilhe a mesma opinião, mas a dedicação excessiva ao ídolo já começa a entediá-la. A mesma coisa que aproxima duas pessoas pode ser mais tarde exatamente o que as afasta.
A história é a adaptação de um livro homônimo de Nick Hornby. Não é o primeiro livro desse escritor a ser adaptado para o cinema. como exemplo, temos Alta Fidelidade (2000) e Um Grande Garoto (2002). A direção é por conta de Jesse Peretz, irmão da roteirista Evgenia.
Como não podia deixar de ser, o cantor esquecido (Ethan Hawke) aparece para nos mostrar que a realidade dele, nua e crua, não tem nada de charmosa. Sem emprego, mora na garagem da casa de uma das ex-esposas, com quem tem um filho. O pequeno Jackson vai descobrir, ao longo do filme, que tem outros irmãos, todos negligenciados por Tucker. Sem saber conciliar sua carreira com sua vida pessoal, o astro acabou por abandonar as duas coisas.
É nesse contexto em que Tucker passa por um processo de auto-avaliação que, por um acaso, Annie, justamente ela que não tinha nenhuma opinião favorável sobre ele, o conhece. Sempre desconfortável, primeiro naquela vidinha que acabou adotando, depois ao conhecer uma pessoa como Tucker, com uma vida tão diferente, logo ela, sempre tão sensata, sempre tão prática, ...
Quem terá sido Juliet, a musa inspiradora da música que Duncan considera uma obra-prima? Tucker não soube assumir responsabilidades. Mas, e Annie? É responsável também colocar sua vida em segundo plano? Enfim, acho que o filme é mais sobre Annie do que sobre Juliet.

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Juliet, Naked.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Jesse Peretz.
Roteiro: Evgenia Peretz, Jum Taylor, Tamara Jenkins, Nick Homby.
Elenco: Rose Byrne, Ethan Hawke, Chris O'Dowd.

sábado, 5 de janeiro de 2019

NO CORAÇÃO DA ESCURIDÃO





Ainda digerindo o filme, devagar, como o capelão Toller. O reverendo tinha uma ferida que não fechava, mesmo entregando sua vida a Deus: seu filho, morto numa guerra depois que ele o incentivou a se alistar. Sua mulher não o perdoou. Será que um dia ele se perdoaria? Será que Deus o perdoaria? Será que Deus sempre perdoa nossos pecados?
Toller resolve fazer um diário, escrever todos os dias, durante um ano. Escolhe fazer isso a mão. As frases ou as palavras riscadas possuem significado. Elas precisam estar ali para que ele tenha certeza de que não está enganando a ele mesmo. Ele escreve para ele mesmo. A intenção é essa: uma conversa inadiável com ele mesmo. Porque muitas coisas deixaram de ser ditas. Também eu gosto de escrever, muitas vezes gosto mais de um filme depois que escrevo sobre ele. É como se ele se explicasse para mim. Que impressões retidas na minha mente se revelassem no papel. Desculpem, não no papel, no computador, não tenho mais essa paciência.
Ethan Hawke, assim como seu personagem, em uma entrega poderosa. É como se nós, espectadores, fôssemos seus confessores. Bem, ninguém fala muito, mas eu também adorei a performance dele em Born To Be Blue, em que ele interpreta Chet Baker. Ethan já foi indicado ao Oscar duas vezes na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. Será que vai rolar outra indicação?
A Igreja de Sião (Zion) é uma congregação episcopal inclusiva em Douglaston, Nova York, fundada em 1830, com membros de todo o bairro de Queens e do condado de Nassau . Sião está dentro da Diocese Episcopal de Long Island e é uma das igrejas mais antigas do Queens , no topo da colina com vista para Douglaston e Little Neck. Aqui no filme denominada First Reformed. O auge do filme é a festa de comemoração dos 250 anos da igreja, a festa de congregação. Porque o pastor Toller também está passando por um momento dos mais difíceis. Respostas que ele não encontra. Mais que a dor que o dilacera frente à impotência perante situações que ele entende que precisam mudar, o vazio daquilo tudo. Será que Deus sempre perdoa nossos pecados?
O pastor marca uma conversa com Michael (Philip Ettinger), a pedido da esposa dele, Mary. O diálogo entre os dois é um dos pontos altos do filme porque, longe dele apaziguar Michael, ele mesmo sai daquele embate enfraquecido e confuso. Aliás, o título em português é No Coração da Escuridão, mas deveria ser A Escuridão do Coração. Toller não tem respostas para os questionamentos de Michael, porque não tem nem para ele mesmo. Sua fé e sua moral são mais uma vez testadas. Será que Deus sempre perdoa nossos pecados?
Será que Deus sempre perdoa nossos pecados? Por que repito sempre essa frase? Porque é o "coração da escuridão". Confiando nesse perdão, os homens cometem os maiores pecados. Como crianças bobas que entornam o leite no chão, sabendo que o pai e a mãe vão limpar e desculpar, cometem as maiores atrocidades contra o planeta, contra o chão do lado de fora. Não seria mais convincente para Deus não orar tanto, mais procurar ser uma pessoa melhor?
Toller se vê como uma peça usada na engrenagem de coisas que ele não aprova. Quando ele encorajou o filho a se alistar, achou que estava certo, assim fez seu pai com ele quando era jovem, provavelmente seu avô com seu pai. A repetição de certos comportamentos passados de geração em geração embota a mente dos homens, faz com que aceitem sem pensar ou questionar. E, afinal, certo ou errado, cremos que teremos um Deus para nos perdoar. Não entendemos tudo que fazemos, nem precisamos entender, Deus dará seu jeito, no final. Mas Toller não acredita mais nisso.
No final, bem poético, vem a resposta ou a redenção. É como se Toller finalmente se prostrasse aos pés de Deus e aceitasse sua pequenez, sua falta de respostas, suas fraquezas, sua humanidade. Talvez exista um limite para a fé, mas também devemos aceitar as nossas limitações. Mary representa toda a pureza, a luz no meio da escuridão. Um coração atormentado não ajuda em nada. É o amor (ou Amor) o verdadeiro perdão.
IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: First Reformed.
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Paul Schrader
Roteiro: Paul Schrader
Elenco: Ethan Hawker, Amanda Seyfried.
Zion Episcopal Church






terça-feira, 23 de outubro de 2018

CHET BAKER - A LENDA DO JAZZ




Quando conheci o Chet Baker (não pessoalmente!), ele já era feio. Mas como todos que o conheciam, fui envolvida imediatamente pelo som doce do seu trompete e pela sua voz, que parecia sussurrar. Morreu aos 58 anos com a aparência de 80, velho, enrugado, faces encovadas, acabado pelo seu envolvimento com drogas, especialmente a heroína. Mas nem sempre foi assim, na juventude arrebatou corações também pela sua beleza física e era chamado o James Dean do Jazz. Era considerado o gênio branco do jazz.
“Cuidado, há um gato branco e pequeno na Costa Oeste que vai comer você”,
teria dito Charlie Parker, o famoso Bird, acerca de Chet para Dizzy Gillespie. Baker era apenas um jovem de 22 anos que acabara de desertar do exército.
O filme Born To Be Blue, ou Chet Baker - A Lenda do Jazz, foi uma agradável surpresa que encontrei na Netflix. A cinebiografia não mostra a infância de Chet, que foi criado até os dez anos numa quinta em Oklahoma, filho de pai guitarrista e de mãe pianista. Nem o seu final de vida, quando foi encontrado morto após cair ou se jogar pela janela do hotel onde estava hospedado, em Amsterdam. Mas mostra sua vida nômade e desorganizada, sempre precisando de dinheiro e de afeto. Teve muitas mulheres: Charlaine, Halema, Diene, Ruth, Carol, ... O filme optou por sintetizar toda sua vida amorosa em uma personagem só: Jane, interpretada pela atriz Carmen Ejogo.
Chet é magistralmente interpretado por Ethan Hawke. O filme começa com Chet em uma prisão na Itália e depois ele é convidado para fazer um filme, uma cinebiografia, que é quando conhece Jane, que no filme também é sua mulher. Chet Baker, como James Dean, era uma espécie de "bad boy" e Hollywood quis que ele interpretasse ele mesmo. 
Mas aí ele foi preso.e eles mudaram a história um pouco, e colocaram Robert Wagner e Natalie Wood e chamaram o filme de All the Fine Young Cannibals.

Born To Be Blue alterna partes da vida real de Chet com cenas do filme que ele está fazendo, vai para trás e para a frente no tempo, do preto-e-branco para o colorido, então fica um pouco confuso se você não prestar bem a atenção. Há momentos em que não temos certeza de qual realidade estamos vendo, mas ficamos mesmo assim vidrados nas cenas.
Avesso às partituras, Chet preferia tocar de ouvido, um hábito que o acompanhou durante toda a sua carreira. O envolvimento de Chet com as drogas lhe trouxe todos os tipos de problemas familiares e profissionais. Ele foi preso muitas vezes, ficou em condicional. precisando arrumar um emprego fixo, como era a exigência. Passou por várias humilhações e sofrimento, porque era quase impossível tocar, após perder vários dentes em uma briga. Ele teve que acreditar e trabalhar duro. Ainda tinha que enfrentar suas crises de abstinência, que eram monitoradas por médicos e metadona.
A fotografia de Born To be Blue é linda e a forma como o Ethan se entregou ao personagem é comovente. Ele captou perfeitamente os pequenos gestos e sutilezas do grande astro do jazz, seu jeito melancólico e doce de falar e de cantar.
Baker alcançou grande notoriedade com sua primeira versão de My Funny Valentine.
♪ Stay little valentine. Stay. Each day is valentine's day♪
(Fique, namoradinha. Fique. Todo dia é dia dos namorados).

Ele ajudou a estabelecer o que viria a ser identificado como “cool jazz”: uma música econômica, de poucas notas, mais tranquila e fria, oposta ao bebop incendiário de Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bud Powell, cujos temas tinham ritmo veloz e fraseados cheios de notas.
As drogas e os escândalos ajudaram a tornar Chet um mito e também por destruir sua beleza. Mas o seu incrível talento cativou o mundo. Conhecer a vida dele é passar por uma experiência emocionante e devastadora. E certamente inesquecível!
Sofrendo com o medo de subir ao palco, ele tenta, às lágrimas, explicar a relação entre seu vício e tocar seu instrumento: "Isso me dá confiança", ele explica em um sussurro rouco. "O tempo se alarga, se expande, e eu posso entrar em cada nota."
Born To Be Blue é a história de amor que não conseguiu salvar Chet Baker.

IMDB: 6,9/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Born to Be Blue.
País: EUA
Ano: 2016
Direção: Robert Budreau
Roteiro: Robert Budreau

Elenco Ethan Hawke como Chet Baker, Carmen Ejogo, como Jane/ Elaine.
Chet Baker.
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