Cinéfilos Eternos

quarta-feira, 6 de junho de 2018

NEVE NEGRA



Conhecemos primeiro Marcos (Leonardo Sbaraglia), onde parecem cair todos os problemas da família. Tem que se dividir entre sua esposa Laura (Laia Costa), que está grávida e os cuidados e despesas com sua irmã Sabrina, que está internada com problemas psiquiátricos. Seu pai faleceu recentemente e lhe deixou com o encargo de enterrar suas cinzas junto aos restos mortais do outro filho, Juan. 
E lá partem ele e Laura ao encontro de Salvador (Ricardo Darin), que, após a morte de Juan e de ter sido acusado de matá-lo, isso há trinta anos, se isolou na antiga cabana da família. 
Marcos precisa da ajuda de Salvador, porque não lembra onde o irmão mais novo foi enterrado. Mas também deseja convencer o irmão a vender a propriedade herdada por eles. E que por sinal, não se sabe por quê, vale muito mais do que se imaginava. Mas Salvador tornou-se uma pessoa de difícil trato e o dinheiro não lhe interessa. Alega também que não pode sair dali e deixar o irmão enterrado sozinho. Culpa talvez? Mas tudo indica que foi somente um acidente de caça.

O clima é claustrofóbico, o personagem de Darin é um homem envelhecido e amargurado, o cenário são as colinas geladas da Patagônia.
Segunda produção do argentino Martín Hodara para os cinemas. A parceria com Darin teve sua participação como diretor no primeiro filme, "O sinal" e agora como ator, em "Nieve negra".
Quase não vi porque li tantas críticas negativas. "Pretensioso", disse o critico da Folha de São Paulo, por exemplo. Pretensioso é ele , que não poupou adjetivos negativos ao filme e o pior, a quem quer que goste, que ele chamou de "público com síndrome de inferioridade". O filme é bom sim, nada de extraordinário, como acredito que nem era a intenção. E, ao contrário de ser pretensioso, achei que é um filme honesto. Elenco forte, um roteiro instigante e conduzido com habilidade, alternando o reencontro constrangedor entre os dois irmãos com inevitáveis lembranças do passado.
IMDB: 6,2/10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Nieve negra
País: Argentina
Ano: 2017
Direção: Martin Hodara
Roteiro: Martin Hodara/ Leonel D'Agostino
Elenco: Ricardo Darin, Leonardo Sbaraglia, Laia Costa, Federico Luppi.

O SINAL




Quando o diretor argentino Martin Hodara fez o seu segundo longa,foi taxado por alguns de pretensioso,por ter colocado no elenco dois atores de peso, um deles o Ricardo Darin. Lembro que comentei ser normal, já que os dois, Darin e Hodara já tinham um tipo de parceria, quando dez anos antes se juntaram na direção do filme La Señal.
Inicialmente O Sinal seria dirigido por Eduardo Mignogna, que também é o autor do romance adaptado para o filme. Mas ele faleceu faltando um mês apenas para o início das gravações. Darin já vinha recebendo propostas de vários produtores argentinos e espanhóis, interessados em que ele dirigisse os próprios filmes, mas vinha resistindo. Quando resolveu assumir a direção desse, estreando na função, foi como uma forma de prestar uma homenagem ao amigo falecido. A filmagem foi adiada por alguns meses e ele ainda recorreu a outro amigo, o diretor de curtas Martin Hodara, com quem compartilha a realização de O Sinal.

Ontem tive a oportunidade de ver. No filme, Corvalán (Ricardo Darin) e Santana (Diego Peretti) têm um escritório de investigação que, na verdade, não dá nenhuma satisfação pessoal a eles, porque só pegam casos medíocres, o que os deixa bastante frustrados. Quando surge a sedutora Gloria (Julieta Diaz) e entrega a Corvalán um caso que desde o início se mostra instigante, ele não consegue deixar de se sentir atraído pelo caso e principalmente por ela. Apesar das advertências de seu sócio Santana e da própria consciência lhe indicar que está entrando num jogo perigoso, Corválan não consegue recuar e se envolve cada vez mais com Gloria.
Exibido na mostra Première Latina, no Festival do Rio 2007 e grande sucesso nas bilheterias argentinas, o filme arrisca no estilo noir e nos presenteia com uma linda fotografia, de uma Argentina em tons melancólicos. Ambientado em 1952, quando o país está paralisado, aguardando a qualquer momento a morte de sua grande dama, Eva Perón, consumida pelo câncer. O povo reza e agoniza com ela, pois se vai junto o sonho de uma política social, de igualdade e justiça. Essa parte, intercalada com a restante, funciona para dar realismo ao filme.
La Señal não traz nenhuma surpresa no desfecho já que cumpre a função de todo filme noir e, por isso, é uma história de traição. A trama policial tem toques de suspense e romance, com direito a muita fumaça e cigarros acesos no escuro. O longa conta ainda com uma bela coleção de carros antigos desfilando pelas ruas, aparecem todo o tempo e em diversos modelos e cores. Não é um filme espetacular mas, além da sempre boa atuação de Darin, cumpre seu papel, com um bom enquadramento, e uma excelente direção de arte, com os figurinos e a música dando veracidade aos ambientes.

IMDB: 6/ 10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Señal
País: Argentina.
Ano: 2007
Direção: Martin Hodara, Ricardo Darin.
Roteiro: Beatriz De Benedetto e outros.
Elenco: Ricardo Darin, Julieta Diaz, Diego Peretti.

TIEMPO MUERTO




Histórias com viagem no tempo sempre me chamam a atenção, e com os filmes não é diferente. A quantidade de possibilidades que uma história com essa temática abre é incrível!
Sinopse: Franco sofre desesperadamente pela perda de sua esposa, Julia, em um acidente. Um amigo dela, Luis Ayala, marca um encontro com ele, onde sugere que talvez não tenha sido acidente. Franco e Luís resolvem investigar, procurando por pistas nos e-mails e pertences de Julia. 
E o que descobrem é uma coisa muito assustadora. Ao mesmo tempo, libertadora. Franco se aprofunda nas suas pesquisas sem compartilhar mais nada com Luís. As buscam levam a uma misteriosa mulher, que se chama Ada. Mas não será muito perigoso esse caminho?

Pode parecer loucura, mas o que você faria se tivesse a  possibilidade de ver um ser querido que se foi, repentina e inesperadamente? 

Muitas pessoas não gostaram, acharam fraco, mas deixo aqui a minha apreciação positiva por ser um roteiro original, não é uma história fácil de se criar, é preciso imaginação.

No elenco, atores argentinos e colombianos, fazendo um intercâmbio de cultura. Consuelo Luzardo, a atriz colombiana que interpretou a Ada, deve ter se sensibilizado com a história, já que ela mesma passou recentemente pelo luto de sua irmã mais nova, Celmira Luzardo, também famosa atriz de telenovelas e teatro.


IMDB: 6,1/ 10
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Tiempo Muerto
Outros nomes: Time Sweep (Na Netflix, procure por esse nome)
País: Argentina 
Ano: 2016
Direção e roteiro: Victor Postiglione.
Elenco: Guillermo Pfening, Luís Luque, Maria Nela Sinisterra, Consuelo Luzardo.

FAROL DAS ORCAS



Beto é um biólogo solitário que mora na Patagônia e tem como "família" as orcas e os lobos marinhos. Ele esconde um segredo.
O lugar é paradisíaco, as fotografias são de tirar o fôlego, dando uma paz sem fim.
Sua solidão é quebrada com a chegada de Lola, uma espanhola, e seu filho autista de 11 anos.
Lola veio atrás de uma esperança. Seu filho não reage a nada, mas ao ver um documentário sobre Beto e as orcas mostrou pela primeira vez interesse.

A princípio, Beto não os recebe bem, acostumado que estava à sua rotina. Mas aos poucos os três vão se apegando.

Muito se tem falado sobre terapia com os golfinhos e os seus benefícios. Encontros com golfinhos evocam uma profunda resposta emocional e suscitam a libertação de emoções e sentimentos.
Beto, de início relutante, aceita trabalhar com as orcas e o menino. Mais que isso, começa a se criar um tipo de relação pai-filho, de que os dois são carentes.

Lola (Maribel Verdú, de "E sua mãe também") também parece pertencer àquela zona de conforto onde já se acostumou com a solidão e prefere-se não mexer com ela para não sofrer de novo.

O filme é muito lindo e envolvente, mas o final me deixou bem na dúvida, tive que fazer diversas pesquisas sobre o verdadeiro Beto e também foi motivo de diversos debates. Embora eu depois tenha chegado a uma conclusão, já que o filme é baseado em uma história real. Mas se não fosse, digamos que o final não me convenceu muito.
Joaquin Furriel, Maribel Verdúm e Beto Bubas,
durante as filmagens de El Faro de Las Orcas.
IMDB: 6,9/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: El Faro de Las Orcas)
Outros nomes: The Lighthouse of The Whales
País:  Argentina/ Espanha
Ano: 2016
Direção: Gerardo Olivares
Elenco: Joaquin Furriel, Maribel Verdú, Quinchu Rapalini.


O verdadeiro Beto Bubas,:
"Com vinte anos e um sonho em mente, decidi estudar Biologia Marinha".









TRUMAN



"O que você aprendeu comigo?"
Essa parte do filme me emocionou muito, quando o Julián (Ricardo Darin) faz essa pergunta para Tomás (Javier Câmara).

Ele mesmo, o Julián, já havia dito que do Tomás admirava a generosidade, esse dar sem esperar nada em troca. Tomás então lhe responde que admirava a valentia dele, a capacidade de enfrentar as situações. Completa: "como essa que você está enfrentando agora".
É que Julian está enfrentando um câncer terminal.

Nessa altura você deve estar se perguntando quem é Truman. Não é nenhum dos dois, realmente.
Truman é o cachorro de Julián, seu fiel companheiro. E agora Tomás precisa ajudar Julián a encontrar um lar adotivo para ele.

Tomás mora atualmente no Canadá e Julián na Espanha. O filme é sobre os 4 dias que Tomás tira para visitar o amigo. Apesar do tema forte, o filme não apela para o melodrama. Eles saem juntos, bebem juntos, recordam-se dos velhos tempos...mas não dá para ver e não se imaginar na mesma situação. Do Julián ou do Tomás.
Muito bom! O filme conta ainda com o carisma do Darin, mas o Javier também é ótimo, já vi vários filmes com ele.

“Truman” foi o grande vencedor do prêmio Goya 2016, o Oscar espanhol. Indicado em seis categorias, o filme levou cinco prêmios: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Ator e Coadjuvante.

E aqui deixo uma pergunta: o que você aprendeu com seu melhor amigo?

IMDB: 7,3/10
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Truman.
País:  Argentina/ Espanha
Ano:  2015
Direção: Cesc Gay.

Roteiro: Cesc Gay, Tomàs Aragay
Elenco: Ricardo Darin, Javier Câmara, Dolores Fonzi.

SETE MINUTOS DEPOIS DA MEIA-NOITE




Qual é o monstro que te assombra? Uma decisão que tem que tomar? Uma realidade que precisa aceitar? Um vazio que finge que não vê? Uma mentira que precisa esconder? Qual é o monstro que te assombra?

"Conor é muito velho para ser criança. E muito jovem para ser um homem."
E nesse período tão difícil tem que enfrentar a doença da mãe (Felicity Jones), uns colegas do colégio que o assediam, um pai que mora longe e tem outra família e uma avó (Sigourney Weaver) que quer lhe ensinar boas maneiras!
Não bastasse tudo isso, ainda tem o Monstro da Árvore (voz de Liam Neeson), que aparece todas as noites. Sempre sete minutos depois da meia-noite!
Ao longo do filme, não podemos deixar de nos comover com o drama de Conor. É muita coisa que ele precisa lidar. Não dá pra não se identificar com ele também, em algum período de nossas vidas. Qual é o monstro que te assombra?
A solidão de Conor perante às decisões que ele precisa tomar é tão grande, é muita coisa para alguém que é muito velho para ser criança mas que também é muito jovem para ser um homem!

Conor começa a ter reações inesperadas, talvez ele até deseje ser castigado pelo que faz, mas sempre lhe dizem "de que vai adiantar?" Isso só o assusta mais. Do que o protegem? Ele não quer saber! Ele não está pronto para saber! Qual é o monstro que te assombra?
Gostei demais, sabe aquele filme que te surpreende? É uma fábula com lições surpreendentes. Quase não assisti por causa do título, pensei que era um terror bobo. Mas o que posso dizer é que é um filme muito sensível e inteligente. Fiquei pensando em mim, várias vezes que precisei tomar uma decisão. A decisão, por mais difícil que seja e pelo que possa acarretar, não é a pior coisa. A pior coisa é ter que decidir.
J.A.Bayona, diretor espanhol, recebeu por "A monster calls" o Prêmio Goya de Melhor Diretor, em 2017 e em 2013, por "O impossível". Além disso, recebeu por "O orfanato" o Prêmio Goya de Melhor Diretor Revelação.


IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: A Monster Calls
País: Espanha/ EUA/ Grã-Bretanha/ Irlanda do Norte
Ano: 2016
Direção: J. A. Bayona
Roteiro: baseado na obra de Patrick Ness
Elenco: Lewis MacDougall. Felicity Jones, Sigourney Weaver, Liam Neeson.

terça-feira, 5 de junho de 2018

PERFEITOS DESCONHECIDOS


Versão espanhola do italiano Perfetti Sconosciuti, de 2016, 
dirigido por Paolo Genovese.

O filme me lembrou muito Coherence, onde oito amigos se encontram para um jantar, em uma noite onde há rumores sobre a passagem de um cometa que pode afetar o comportamento das pessoas. Em Perfectos Desconocidos, um eclipse, ou uma lua vermelha, ou lua de sangue, vai estar acompanhando o jantar de sete amigos.
Nos dois filmes, o que menos importa são os fenômenos físicos, eles apenas são o palco para a 'lavação de muita roupa suja", ou seja, não é que haja mudanças comportamentais, mas é que cada pessoa tem seus segredos, sua vida íntima, que, quando expostos, podem gerar muita, mas muita confusão. Ainda mais se o que você esconde afeta diretamente o seu amigo, hein!
No filme do diretor Álex de Iglesia, já conhecido por O Dia da Besta (1995), pelo qual recebeu o Prêmio Goya de Melhor Diretor, Crime Perfeito (2003), Balada de Amor e do Ódio (2010), pelo qual recebeu o Leão de Prata de Melhor Diretor e o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza e pelo seu mais recente O Bar (2017), também disponível na Netflix, em um certo momento, em que os amigos estavam se vangloriando de não terem nada a esconder, um deles propõe então que todos coloquem os seus celulares em cima da mesa. A brincadeira será que qualquer ligação ou mensagem recebida deverá ser compartilhada com todos. Vixe, chegou a me passar um frio na espinha. Você teria coragem? Hahaha.
A coisa vai se complicar no decorrer da noite, a tensão e o constrangimento tomam conta de todos.
No elenco, a atriz espanhola Bélen Rueda, de El Cuerpo, Los Ojos de Julia, Orfanato, ...
E a pergunta é: o quanto você conhece seu companheiro, companheira, ou amigos de longa data?
IMDB: 7/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Perfectos Desconocidos
Outros nomes: Perfect Strangers
País: Espanha
Ano: 2017
Direção: Álex de la Iglesia.
Roteiro: Álex de la Iglesia, Jorge Guerricachevarria.
Elenco: Belén Rueda, Dafne Fernandez, Eduard Fernández, Eduardo Noriega, Ernesto Alterio, Juana Acosta, Pepón Nieto.
O elenco do filme com o diretor
Álex de Iglesia.