segunda-feira, 6 de agosto de 2018
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
A PRINCESA DE MONTPENSIER
Filho do escritor e resistente nascido em Lyon, René Tavernier ( autor de escritos clandestinos sobre grandes escritores, como Aragon), Bertrand Tavernier começou sua carreira cinematográfica como assistente de Jean-Pierre Melville, realizando em seguida pequenos documentários, antes de ser encarregado das relações com a imprensa e começar seu trabalho de historiador do cinema. Essas atividades influenciaram profundamente o seu estilo. O diretor francês conta uma história de amor tendo como pano de fundo as guerras entre católicos e protestantes durante o período da Reforma do século XVI.
O filme baseia-se no romance de Madame de La Fayette. A primeira edição de La Princesse de Montpensier foi publicada anonimamente em 1662. Essa obra precede o grande best seller do século XVII escrito por Madame de La Fayette, La Princesse de Clèves, publicado em 1678. Desde que foi publicado, A princesa de Clèves jamais deixou o foco da polêmica.
Ocorrendo durante as guerras religiosas do século anterior, A Princesa de Montpensier é a história dos amores entrelaçados. Antes Marie de Mézières, bela jovem filha de um aristocrata local , a princesa se vê às voltas com um marido arranjado, o Príncipe Philippe de Montpensier, que não lhe dá muita atenção e com o Duque de Guise, um amante não muito confiável. Lutando contra seus próprios desejos para resignar-se e submeter-se ao marido, como devia uma mulher de sua época, Marie acaba despertando a paixão de outros dois homens igualmente próximos ao herdeiro de Charles IX: seu tutor e conselheiro, o Conde de Chabannes, e o também nobre Duque de Anjou, futuro Rei Henri III.
Marie vai assim tornar-se o objeto dessas paixões rivais e arrebatadas. Chabannes talvez seja o único que a conhece de verdade, já que passava muitas horas com ela, na ausência do seu marido, que o instruiu a lhe ensinar poesia e arte. Marie era viva, interessada, queria sempre ir além. Tinha capacidade argumentativa, contestava.
Conde de Chabannes: "A fé dá substância à nossa esperança e nos faz conhecer certas realidades que não podemos ver." (São Paulo, em Hebreus)
Marie de Montpensier: O mesmo poderia ser dito sobre o amor.
Porque para a princesa, o amor era muito importante. Tanto que em uma certa parte do filme ela, infeliz, diz para si própria que se o Conde de Chabannes desistiu da guerra, ela também ia desistir do amor. Quero dizer, ela colocou a satisfação dos seus sentimentos no mesmo patamar que o da guerra. Porque para ela não importava morrer se era para viver sem amor.
Acredito que o conde era o que mais a amava. Apaixonado pela princesa que não se importa com ele, ele perde-se em nome de um ideal ultrapassado. O amor, exaltado em qualquer outro lugar, aqui é descrito como um veneno que revela a hipocrisia social e conduz à tragédia: “aquele que está apaixonado é muito fraco”. E devemos ressaltar o caráter não apenas ingênuo e desprovido de culpa da princesa, porque ela de uma certa maneira é cruel com o conde, colocando-o em situações constrangedoras.
Tavernier optou por uma fotografia que faz o filme parecer pinturas da época, os costumes também foram retratados, inclusive a primeira noite de núpcias do casal sob o olhar atento da família à espera da mancha de sangue no lençol para provar que a moça era, de fato, uma virgem.O figurino de Caroline de Vivaise é impecável!.
Mas o destaque do filme fica mesmo com a atriz Mélanie Thierry, vencedora do Prêmio César de Melhor Atriz Revelação por seu papel em Um Novo Caminho (Le Dernier pour la Route). Com seus lindos olhos azuis e transparentes e os fartos seios, a ex-modelo hipnotiza não só os quatro nobres cavalheiros do filme.
Marie de Montpensier não existiu, é apenas a personagem de um romance. Talvez inspirada na Duquesa de Roquelaure, a Marie de Bourbon. Os outros personagens sim, fazem parte da história francesa, não precisamente nessa ordem. A repressão aos huguenotes, nome dado aos protestantes franceses pelos católicos e os reis eram católicos, culminou na famosa e trágica Noite de São Bartolomeu, um verdadeiro massacre dos protestantes, que aconteceu entre 23 e 24 de agosto de 1572, em Paris, no dia de São Bartolomeu.
Portanto, a linha entre a realidade e a ficção é secundária aqui. Devemos nos prender no conceito de que a personagem principal não é uma pessoa que existiu, mas que poderia ter existido. Uma síntese de possíveis tipos de pessoas que existiram e possíveis tipos de destinos - uma biografia do possível!
"A felicidade é uma perspectiva pouco provável na aventura da dura vida, para uma alma tão orgulhosa como a sua."
Marie é ao mesmo tempo vítima, amante, amada, carrasco, ... ela é a fêmea que sofre, sua grande beleza, realçada pelas suas maneiras, conquistaram muitos homens. Ela é aquela que provocou muito amor, mas sem jamais tê-lo vivido plenamente.
IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 2,9/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Princesse de Montpensier.
País: França.
Ano: 2011
Direção: Bertrand Tavernier.
Roteiro: Bertrand Tavernier, François-Olivier Rousseau, Jean Cosmos.
Elenco: Mélanie Thierry, Gaspard Ulliel, Lambert Wilson, Grégoire Leprince-Ringuet, Raphael Personnaz
![]() |
| A primeira edição do romance foi publicada anonimamente em 1662. |
Marcadores:
Bertrand Tavernier,
Década 2011- 2020,
Drama,
Franceses,
Gaspard Ulliel,
Grégoire Leprince-Ringuet,
História,
Lambert Wilson,
Mélanie Thierry,
Raphael Personnaz,
Romance
terça-feira, 31 de julho de 2018
O CONTO
Diretor: Jennifer Fox, roteiro: Jennifer Fox, personagem: Jennifer Fox. Sim, esta é uma história real, contada aqui corajosamente.
Incrível como a nossa mente cria mecanismos de defesa, eu mesma desenvolvi um quando preciso dormir, mas acordo toda hora preocupada com minha filha que está na rua: passei a sonhar que ela chegou!
Jennifer já está com 48 anos, quando sua mãe encontra um conto que ela escreveu aos treze. Jenny tenta tranquilizar a mãe, que ficou visivelmente perturbada pelo teor do conto. A mãe acredita que ela precisa lembrar e manda o conto para ela. Jenny começa a ler, mesmo convencida que aquilo faz parte do passado e que não teve tanta importância assim.
Mas aos poucos memórias vão surgindo, lembranças que incomodam. As percepções de uma época são traiçoeiras, principalmente as da infância, jamais conseguiremos lembrar e sentir sob a mesma dimensão.
Jenny tinha a Srª G, como um ídolo, para a adolescente ela era enorme, não só de tamanho, como de beleza, de elegância, de charme, impossível não ficar magnetizada ao olhar para ela. Jane Gramercy, a Srª G era sua instrutora de montaria. Depois veio Bill, o outro treinador da equipe. Jane e Bill lhe contaram que tinham um caso e lhe pediram segredo. Confiaram nela! Eles estavam sempre lhe dando atenção e elogiando. Pode ser bobagem, mas para a filha mais velha de uma família de seis filhos que se considerava quase invisível em casa era muito. Os acontecimentos que se seguiram estavam narrados no conto.
A Jenny adulta tenta boicotar a história verdadeira, achei demais quando a diretora coloca no filme as duas cenas, a primeira quando a protagonista se vê aos treze anos como uma moça feita. Na verdade, ela era pequena, pouco desenvolvida, quase uma criança. Como comentaram, chegava a parecer até um menininho!
O filme trata sobre um tema muito perturbador e sobre suas consequências. Jenny achava que não tinha esquecido, mas ela lembrava à sua maneira, romantizava, sentia mesmo um certo orgulho por ter virado a página, por ter transformado tudo em uma carreira brilhante, por ter até escrito um conto!
"Eu não sou uma vítima", ela dizia, "eu sou uma heroína".
Mas a mãe de Jenny, embora arrasada com a descoberta, sabia que ela precisava ir fundo nas suas lembranças para realmente se libertar e poder seguir adiante.
The Tale arrebatou aplausos após sua exibição no Festival de Sundance 2018.
IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: The Tale.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Jennifer Fox
Roteiro: Jennifer Fox
Elenco: Laura Dern, Isabelle Néllise, Ellen Burstyn, Elizabeth Debicki, Jason Ritter, Common.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
AS BOAS MANEIRAS
Nossa, que filme mais louco e mais lindo, mais bizarro e poético ao mesmo tempo...
Fala sobre a solidão...
sobre a rejeição...
a solidão de viver só
a solidão de ser diferente
a solidão de um segredo inconfessável
a solidão de ser abandonado
Fala sobre como as convenções
podem ser colocadas acima dos sentimentos.
Fala sobre o medo.
Sobre o amor, um amor que pode ser tão grande
que transforma o medo em entrega
Um amor tão grande que transforma
seu maior desejo em renúncia
Um amor tão grande
que vira uma dança...
O filme conta a história de Ana que contrata uma pessoa, Clara, para cuidar do bebê que está esperando. Ana vive sozinha e Clara também é uma pessoa solitária, ela está sem emprego e devendo o aluguel do seu quartinho, então o emprego vem a calhar, já que precisa dormir no apartamento. Mesmo antes do filho de Ana nascer, a jovem grávida precisa de cuidados, principalmente de companhia e amor. Clara vai se ver envolvida numa estranha relação, que vai modificar a sua vida para sempre!
Uma espécie de fábula que vai mostrar que "as boas maneiras" passam muito longe pelas regras de etiquetas e são mais ditadas pelo coração.
E eu paro por aqui, porque o filme deve ser uma descoberta do espectador, mas infelizmente a maioria das críticas está entregando a história, o que tira muito do sabor, até o poster é um spoiler.
Os diretores conseguiram com muito talento e criatividade juntar vários gêneros de uma forma muita harmoniosa. Além da direção, ainda são responsáveis pelo roteiro. Uma grata surpresa!
IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: As Boas Maneiras.
Outros títulos: Good Manners, Les Bonnes Manières.
País: Brasil, França.
Ano: 2017
Direção: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Roteiro: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Elenco: Marjorie Estiano, Isabel Zuaa, Miguel Lobo, Cida Moreira.
sábado, 28 de julho de 2018
UMA QUESTÃO PESSOAL
Una questione privata é um romance de Beppe Fenoglio, publicado em abril de 1963, dois meses após a morte do autor. Uma das obras mais importantes da literatura italiana. Giuseppe (Beppe) Fenoglio era filho de um partisan e teve uma vida privilegiada. Desde pequeno mostrou-se um garoto inteligente e aluno modelo. Era apaixonado pela língua inglesa e chegou a traduzir algumas obras para o italiano. Acredito que o personagem Milton tenha a ver com ele, que também era partigiano e também serviu na Divisão de Langhe.
O termo "partisan (a)", em francês e "partigiano (a)", em italiano, refere-se aos membro de uma tropa irregular formada para se opor à ocupação e ao controle estrangeiro de uma determinada área. Os partisans operavam atrás das linhas inimigas. Tinham por objetivo atrapalhar a comunicação, roubar cargas e executar tarefas de sabotagem. O termo ficou conhecido durante a Segunda Guerra Mundial para se referir a determinados movimentos de resistência à dominação alemã.
Paolo e Vittorio Taviani não foram os primeiros a a realizar uma adaptação para o cinema da obra. Antes deles:
Em 1996, direção Giorgio Trentin,
Em 1982, direção Alessandro Cane.
Em 1993, direção Alberto Negrin.
Em 1998, direção Guido Chiesa.
Foi o último filme dos Irmãos Taviani, como são chamados, consagrados internacionalmente ao receberem o Palma de Ouro em 1977 por Padre Padrone e realizadores de outras obras inesquecíveis como César Deve Morrer e A Noite de São Lourenço. Não faltam obras notáveis no cinema simultaneamente político e poético dos irmãos. Vittorio Taviani morreu em abril passado, aos 88 anos, deixando um grande legado.
A história: 1943, durante a guerra de libertação nas Langhe, colinas do sul do Piemonte, o militar Milton encontra-se dividido entre a luta contra os nazi-fascistas, a amizade com os companheiros da brigada e seu amor secreto por Fulvia.
Minhas considerações (ou o que eu percebi do filme):
Milton não caminha só por aquelas colinas. Junto com ele seguem as lembranças da mulher amada, o romance com ela, ele chega a ouvir a música que intitulou como a deles, de tanto que ouviram juntos: Somewhere over the rainbow. Uma massa de neblina o envolve e de repente ele vê, como se fosse um sonho, a casa de Fulvia. Ele, ela e Giorgio, amigos inseparáveis, quantas recordações daquela casa...
Ele tenta se aproximar, olhar mais de perto, ele sabe que Fulvia não está lá, quase todos abandonaram suas casas durante a guerra, mas é uma maneira de se sentir mais perto dela. Uma pessoa o interrompe dos seus devaneios, é a caseira. Ela o reconhece, ele pede para entrar na casa por alguns minutos, ele precisa só de alguns minutos para sentir o perfume do passado. Ela deixa, conversam, sem querer ou não ela dá a entender a Milton que Fulvia e Giorgio podem ter se amado.
Milton é uma boa pessoa, é um bom combatente, mas a partir da visita àquela casa, ele não consegue pensar em outra coisa. Apesar de tanta coisa estar acontecendo, afinal é a guerra, inocentes morrendo, até crianças! Mas ele só pensa nas últimas palavras que ouvia sobre Fulvia. Ele pede licença para ir em outra divisão onde está Giorgio, ele precisa saber do amigo se ele o traiu, ele precisa saber se Fulvia não o amava. como ele pensava. Mas Giorgio foi capturado pelos fascistas. A obsessão dele por Fulvia passa entre tentar resgatar a todo custo o amigo, até porque ele deseja o confronto e o pensamento que o incomoda de que talvez seja melhor deixar o Giorgio para lá. A ideia de que Giorgio possa ter tido um relacionamento com Fúlvia o destrói.
Assim como as colinas, a mente de Milton está nebulosa. Ele luta entre seus ideais humanitários e suas questões pessoais. O mesmo amor que lhe dava coragem para continuar naquela guerra, que lhe dava forças para continuar vivo, agora é um amor perdido.
Milton, como eu mencionei no início, me parece ser um personagem inspirado no próprio autor do livro, o Fenoglio. Ele é o narrador e protagonista ao mesmo tempo. Eu li alguns comentários de pessoas que viram o filme e não gostaram, acharam que não tem história. Porque realmente o filme não entrega nada, percebemos que nem o próprio narrador possui as respostas que nos fazemos: a verdade sobre a Fúlvia, ela amava Milton? ela amava Giorgio? ela não amava nenhum dos dois?, Giorgio traiu o amigo?, o que aconteceu com o Giorgio afinal? O próprio final de Milton fica em aberto.
O título é perfeitamente consistente com o filme, já que é a questão privada de Milton que move todo o romance. Os espaços do filme são todos abertos, assim como todas as verdades e os destinos dos personagens. Por isso, nem todos irão gostar.
IMDB: 5,8/ 10
Filmow: 2,7/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Una Questione Privata
Outros nomes: Rainbow: A Private Affair.
País: Itália/ França.
Ano: 2017
Direção: Paolo e Vittorio Taviani.
Roteiro: Paolo Taviani, Vittorio Taviani, adaptação do livto de Boppe Fenoglio.
Elenco: Luca Marinelli, Valentina Bellè, Lorenzo Richelmy.quinta-feira, 26 de julho de 2018
A NOITE DEVOROU O MUNDO
Quem diria que eu ia ver um filme com zumbis. Pesquisando, descobri que os zumbis não são completamente míticos, olha que assustador! Há rituais necromânticos, em particular ligados à religião do vodu haitiano, com a intenção de invocar os zumbis. Zumbis também são bem reais entre outras espécies animais, cujos comportamentos dos espécimes infectados podem ser drasticamente modificados e controlados por patógenos hospedeiros. A figura dos zumbis humanos ganhou destaque no gênero de filme de terror principalmente graças ao filme de 1968 "Night of the Living Dead", de George A. Romero.
Sam vai até o apartamento de sua ex para reaver umas fitas- cassetes que está precisando, o que ele não sabia é que tinha uma festa lá, com muita bebida. Ela diz pra ele onde está a caixa com as fitas e pede que ele a aguarde lá, mas Sam acaba dormindo. Quando ele acorda e sai do quarto, ele encontra um apartamento vazio, todo quebrado e com sangue por toda parte. Ainda confuso, ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Ele vai se trancar no prédio e começar a criar estratégias para se proteger. Toda a ação desse filme se passa nesse prédio, de onde se vê a Torre Eiffel.
A Noite Devorou o Mundo, embora com o clima de terror, é um filme sobre solidão e escolhas. Será Sam o único sobrevivente dos humanos? E terá sido sorte ele ter um lugar para se proteger, mas somente para isso? A sua vida dessa maneira valerá realmente a pena? Sam descobre que no prédio também ficou um zumbi, ele está preso no elevador, não oferece perigo, mas mesmo assim Sam deveria matá-lo. Mas a solidão é tão grande que ele decide mantê-lo "vivo". Alfred, o zumbi também solitário, todos o abandonaram ali, é interpretado pelo genial ator Denis Lavant. Alfred é diferente dos outros zumbis, ele ainda mantém resquícios de civilidade.
Essa parte me lembrou de um outro filme, macabro por sinal, que vi há muitos anos, tenho quase certeza que é com o ator Sam Neill, mas não encontro mais: uma mulher vai a uma festa e lá pelas tantas, já alcoolizada, sai com um homem que conheceu, que a leva para a sua casa, bem no meio de uma ilha deserta. Ele a mantém refém e ela acaba matando o tal homem e o escondendo em um freezer. Mas ela não sabe sair dali e a solidão começa a consumi-la de tal maneira que faz com que ela veja no desconhecido congelado uma companhia. Lembrei também de Gravidade, já pensou ficar perdida no espaço?
Destaque também para a parte comovente do filme, que tem a participação da iraniana Golshifteh Farahan.
O filme será considerado talvez parado para os que esperam perseguições e cenas sangrentas assustadoras o tempo todo. Mas o foco é o psicológico do protagonista. Até quanto tempo Sam aguentará aquela situação sem enlouquecer? E o quanto ele realmente está seguro ali?
Sam terá que fazer a escolha de ficar ali, onde se sente protegido, catando as comidas que restam dos outros apartamentos, colocando diversas vasilhas no terraço do prédio à espera da água das chuvas, verificando e reforçando as portas e janelas o tempo todo, na mais profunda solidão, ou procurar uma saída, tentar achar um lugar onde talvez não hajam zumbis, mas correndo o risco de vida. É uma alegoria, acredito, à vida de todos nós. Sempre digo que muitas pessoas para não morrerem, deixam de viver. Porque se Sam optar por ficar ali na sua ilusória segurança, ele também não estará praticamente se tornando um zumbi?
Dominique Rocher, que também assina o roteiro, dirige com muita criatividade e sensibilidade esse seu primeiro longa, que é baseado em um livro de mesmo nome e que fez muito sucesso no Festival Varilux 2018.
IMDB: 6/10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Nuit a Dévoré le Monde.
Outros títulos: The Night Eats the World.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Dominique Rocher
Roteiro: Dominique Rocher
Elenco: Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, participação especial de Denis Lavant.
Assinar:
Comentários (Atom)








