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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
AS IRMÃS BRONTË
A história dessas mulheres é admirável e triste. Criadas na aldeia de Thorton, localizada no West Riding of Yorkshire, Inglaterra, cresceram no isolamento e em uma época em que os talentos literários femininos eram vistos com maus olhos. Filhas do reverendo de Haworth, também poeta e escritor, de quem talvez tenham herdado a inclinação. O irmão, Branwell, também escrevia, fazia poesias e pintava. É dele o quadro mais famoso das irmãs, de 1834. Ele pintou-se a si próprio entre as irmãs, mas retirou a imagem mais tarde. Fora a genética, as irmãs Charlotte (1816), Emily (1818) e Anne (1820) e seu irmão Branwell (1817) foram muito afetadas pela morte da mãe e, mais tarde, das suas duas irmãs mais velhas. Para sobreviver à tal situação e à solidão em que viviam, elas e o irmão eram muito próximos na infância e desenvolveram mundos imaginários, com heróis e histórias fictícias, a partir do que ouviam das empregadas.Eles ganharam do pai, na infância, uns soldadinhos de madeira e o brinquedo serviu de base para imaginarem um reino fantástico de Angria, situado no centro da África, lugar de acontecimentos extraordinários, violentos e até escabrosos. Mais tarde, inventaram o reino de Gondal. Eles anotavam tudo em cadernos.
O mundo lúdico foi substituído pelo mundo adulto, as irmãs aparentemente se adaptavam àquela vida quase que monástica, dedicavam-se aos afazeres da casa e a longas horas, escrevendo. As histórias inventadas na infância muitas vezes serviram de base. Chegaram a trabalhar também, dando aulas, ou cuidando de crianças. Já o irmão acabou afogando as frustrações na bebida e também no consumo de ópio. Vivia se metendo em confusões e o pouco dinheiro que a família tinha precisava esconder dele.
Foi da Charlotte a ideia de publicarem suas obras, mesmo sob um pseudônimo masculino (era comum na época), em busca de aprovação literária e também para aumentarem a renda, que era pouca. Os seus livros tiveram bastante sucesso assim que foram publicados. Jane Eyre de Charlotte foi o primeiro romance a ser publicado, seguido de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily e A inquilina de Wildfell Hall de Anne. Havia comentários e desconfianças de que Currer, Ellis e Acton Bell pudessem ser mulheres, mas ao mesmo tempo o caráter ousado das publicações sugeriam que só um homem pudesse ter vivido aquela experiências para escrevê-las.
As famosas charnecas, frias e isoladas, as roupas e os costumes da época, são bem retratados em suas obras.
Infelizmente, não puderam aproveitar o sucesso. Branwell morre em setembro de 1848, aos 31 anos e logo em seguida, apenas três meses depois, Emily também adoece e morre, aos 30 anos. Em janeiro de 1820, Anne, com apenas 29 anos, também se vai. Charlotte é a única dos irmãos que fica, mas em março de 1855, antes de completar 39 anos e nove meses após casar-se, ela também se vai.
A casa onde elas moravam se abria para o cemitério do lugar e a teoria sobre a morte prematura da família é que a água era contaminada.
Mas a paisagem soturna onde vivia a família Brontë e testemunha de tantas mortes levantou a desconfiança de um escritor e criminologista, vejam só! O nome dele é James Tully e no seu livro "Os Crimes de Charlotte Brontë", ele levanta a teoria de que a família teria vivido envolta em assassinatos, traições e vinganças, além de questionar a autoria de algumas obras.
O primeiro filme sobre as Brontë , o francês, foi dirigido por André Techiné. O cineasta e argumentista francês,
antes de passar à realização,fez-se notar como jornalista e crítico nos Cahiers du Cinéma durante a década de sessenta. Iniciou-se em 1969 com Pauline s'en va. Alcançou popularidade internacional com Barocco (1976), filme protagonizado por Gérard Depardieu e Isabelle Adjani.
Recebeu pelo seu filme Rosas Selvagens (Les Roseaux Sauvages) de 1994 o Cesar de Melhor Filme, de Melhor Diretor e de Melhor Roteiro, entre outros.
O filme de 1979 tem um elenco fabuloso: Isabelle Huppert como Anne, Isabelle Adjani como Emily e Marie-France Pisier como Charlotte. No entanto, me pareceu que o Téchiné preferiu focar mais na figura do irmão rebelde, Branwell, interpretado por Pascal Greggory. O filme originalmente tinha 180 minutos, um terço do filme foi cortado e talvez tenham se perdido partes importantes que aprofundariam mais as personagens. Para quem vê o filme, já conhecendo bastante a história das nossas queridas irmãs Brontë, não perceberá talvez nenhuma lacuna.
Existe um documentário sobre o filme. assinado por Dominique Maillet. Les fantômes de Haworth faz uma retrospectiva sobre a gravação de Les soeurs Brontë e conta, inclusive com a participação de Téchiné. O documentário de 58 minutos pode ser visto para quem adquiriu o dvd da Versato.
As duas Isabelles, Huppert e Adjani, eram muito jovens ainda. Adjani estava deslumbrante. A Huppert, embora já com vinte e poucos anos na época, está parecendo não ter mais que dezesseis.
Li alguns comentários sobre o filme não mostrar a vida amorosa das três, mas elas tiveram? Acho que não. Charlotte apaixonou-se por um homem mais velho e casado, que inspirou seu romance O Professor, mas apenas platonicamente e já perto de morrer, casou-se, mas nem foi assim um casamento romântico. Realmente, não sei de onde elas tiraram tanta paixão para colocar nos seus romances.
" Você esta vendo pela aparência.
Um amor que só floresce uma vez...
Eu o desprezo e tenho pena.
Cuspo no o amor e sua vaidade.
O azevinho é como a amizade
e vai durar mais um inverno."
Já o filme de 2016 foca bastante na publicação das obras, explica a dificuldade que era ser uma escritora mulher na época. Emily, mais introspectiva, não queria publicar, não queria nem que ninguém lesse o que escreveu, mas Charlotte quis que elas enviassem juntas suas obras, acreditava que teria mais impacto dessa forma.
“Que autor não gostaria de tirar vantagem de ser invisível? Um que não consiga manter a mente em silêncio”.
A diretora Sally Wainwright também assina o roteiro e através do processo de pesquisa, interpretação de todas as obras e cartas deixadas por cada uma, optou por mostrar uma visão mais pessoal das irmãs. O irmão, aqui interpretado por Adam Nagaitis é um homem desiludido de tentar ganhar a vida através de sua arte, imaturo emocionalmente e que se entrega a uma vida desregrada, principalmente após uma decepção amorosa. Essa versão da vida da família não dá tanto destaque ao Branwell, mas de qualquer maneira mostra como seu comportamento e sua morte prematura afetaram a cada uma das irmãs, interpretadas aqui por Finn Atkins (Charlotte), Chloe Pirrie (Emily) e Charlie Murphy (Anne).
O sucesso dos livros, com pseudônimo, deixou Londres querendo conhecer esses autores, mas elas temiam que ao descobrirem suas identidades, os livros parassem de vender e como mulher, elas sofressem retaliações. Gostei da abordagem feminista, as mulheres da época tinham medo, mas não eram tão passivas assim: Charlotte já tinha em si a revolta de ser considerada inferior por ser mulher.
Admiradora que sou das obras das irmãs e apaixonada por cinebiografias, não poderia deixar de amar os dois filmes. Minha vontade agora é reler seus livros e rever as adaptações para o cinema. Tem uma parte do filme que mostra o museu dedicado às irmãs na Inglaterra, que tem suas roupas e a famosa mesa que elas sentavam para escrever. Quando eu vi fiquei me imaginando visitando esse lugar e não pude deixar de me emocionar. A história sempre me fascinou, saber o que sentiram, como viveram, pessoas de outras épocas me encanta. Ainda mais se são pessoas que ousaram fazer diferente, principalmente quando são mulheres. Como as austeras filhas de um reverendo inglês do começo do século 19 se converteram nas irmãs mais cultuadas da história dos livros?
Preparem-se para entrar em um ambiente melancólico e sonhar, como elas.
AS IRMÃS BRONTË - ANO 1979
IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota:3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Les soeurs Brontë
País: França.
Direção: André Téchiné
Roteiro: André Téchiné, Pascal Bonitzer.
Elenco: Isabelle Huppert, Isabelle Adjani, Marie-France Pisier, Pascal Greggory, Patrick Magee.
AS IRMÃS BRONTË - ANO 2016
IMDB: 7,4/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: To Walk Invisible: The Brontë Sisters
País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Direção: Sally Wainwright.
Roteiro: Sally Wainwright.Elenco: Charlie Murphy, Chloe Pirrie, Finn Atkins, Adam Nagaitis, Jonathan Pryce.
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| A casa que virou museu. |
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segunda-feira, 21 de maio de 2018
HAPPY END
Só o título já nos faz pensar: Happy End... final feliz?
Não sei se eu entendo como uma ironia. Talvez seja esse o final feliz da maioria das vidas e as pessoas não estão nem percebendo...acreditam na felicidade sem perceberem o vazio de suas existências!
Talvez essa seja apenas mais uma história entre tantas.
Ah, o filme é sobre uma família que não se comunicava, dirão muitos. Sem conseguirem perceber os problemas de comunicação em sua própria família.
A incomunicabilidade já começa a ser mostrada em outro núcleo da família, formada pela ex-mulher de Thomas e sua filha Eve.
O filme inicia com Eve se queixando da mãe, filmando seus movimentos e dizendo não suportar as reclamações dela. Dando claramente razão ao pai por a ter deixado e, ao mesmo tempo, ressentida com ele, porque a deixou com ela.
Até uma amiga de Eve percebeu o quanto a mãe é distante, não presta atenção nela. Eve diz que tentou conversar com a mãe sobre isso, mas que ela disse não saber o que ela quer. Mas será que Eve sabe do que a mãe precisa? A mãe de Eve toma antidepressivos, será que ela se importa com a mãe?
A mãe é internada por ter tomado uma overdose de antidepressivos. Com a internação da mãe, que está muito grave, Eve vai morar como pai, na casa em Calais.
Eve agora faz parte do núcleo Laurent:
seu pai, Thomas, é médico. Casado de novo e com um bebê pequeno e tendo que lidar agora também com a filha de 13 anos. Mesmo assim, está tendo um caso com outra mulher, fato que Eve vai descobrir fuxicando no notebook dele;
Anais, a nova esposa de seu pai, e seu irmãozinho;
seu avô, Georges, prestes a fazer 85 anos, é um homem que desistiu de viver, nada mais lhe interessa;
sua tia Anne, irmã de seu pai, parece ser a mais sensata da família, ela que comanda os negócios, uma empreiteira. Está tendo que lidar com um grave acidente, um desmoronamento, e tentando uma solução a fim de evitar demandas judiciais;
seu primo, Pierre, filho de Anne, que parece sempre revoltado com aquela aparente família feliz e não quer seguir os mesmos passos. No noivado de Anne, ele aparece com um grupo de refugiados. Não que Pierre se importe muito com a crise dos refugiados que tomou conta da cidade, mas ele faz isso apenas para incomodar aquela família tão perfeita!
Cinco anos depois de seu último filme, Amor, o diretor austríaco Michael Haneke, que estudou psicologia, filosofia e teatro na Universidade de Viena, nos provoca, como é sua intenção, em mais um filme sobre a natureza humana: o quanto pode haver de perversidade onde nem imaginamos. Os filmes de Haneke sugerem perguntas e não respostas. Happy End estreou no Festival de Cannes 2017 e foi um dos indicados à Palma de Ouro.
O próprio filme é formado por breves conversas, não se aprofunda nos personagens e nem nos diálogos. Como uma família em que todos estão sempre com pressa para viver suas vidas individualmente, ou para voltar para seus relacionamentos com o celular, para seus emails e redes sociais. Não há tempo para o outro.
Eve acusa o pai de não amar ninguém. Mais do que ninguém, ela sabe o que o pai sente, na verdade o que o pai não sente, é como se ela estivesse falando dela mesma. O avô também percebe que com Eve pode se abrir, identifica nela a mesma solidão, a mesma frieza ("como é fácil fazer alguém ficar quieto")... Talvez a genética seja útil para ele realizar seus propósitos...
Afinal, o que é um final feliz?
IMDB: 6,8/ 10
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Happy End
País: França.
Ano: 2017
Direção e roteiro: Michael Haneke
Elenco: Isabelle Huppert, Jean-Louis Trintignant, Mathieu Kassovitz, Fantine Harduin. Toby Jones.
UM AMOR EM PARIS
Só para lembrar, Marc Fitoussi é o mesmo diretor de Copacabana (2010), que também traz no elenco Isabelle Huppert.
Os títulos em português geralmente não correspondem à essência dos filmes, é lamentável isso. Um Amor em Paris? Não vejo assim. Talvez Uma aventura em Paris seja mais adequado. Brigitte e Xavier são casados há bastante tempo, normal que a rotina os consuma, ainda mais levando uma pacata vida na fazenda. O filho estuda acrobacia em Paris, o que não é muito considerado por Xavier. Já Brigitte é da opinião de que temos que seguir nossos sonhos. Uma festa de jovens na casa vizinha desperta nela a vontade de também ir a Paris, com a desculpa de consultar um médico.
Tudo pode acontecer então...
♪♪♪
Ah, nada mudará meu amor por você
Eu quero passar a minha vida com você
Então nós faremos amor na grama sob a lua
Ninguém pode dizer, azar se eu disser
Jornadas eternas em avenidas douradas
Estou à deriva nos seus olhos desde que te amo
Eu tenho esse ritmo em minhas veias como uma regra
Amor é pra compartilhar, o meu é pra você. ♪♪♪
(Tradução da música La Ritournelle , de Sébastien Tellier)
Uma comédia leve e gostosa, com as excelentes contribuições de Huppert e de Jean Pierre Darroussin. O filme ainda conta no elenco com Michael Nykvist, o protagonista da trilogia sueca Millennium que, infelizmente, faleceu em 2017, aos 56. anos.
IMDB: 6,3/ 10
Minha nota: 3,3/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Ritournelle
Outros nomes: Paris Follies
País: França.
Ano: 2014
Direção e roteiro: Marc Fitoussi.
Elenco: Isabelle Huppert, Jean Pierre Darroussin, Pio Marmai, Michael Nykvist.
quarta-feira, 16 de maio de 2018
O QUE ESTÁ POR VIR
Nathalie é uma professora de filosofia apaixonada pelo trabalho. Percebe-se que ela consegue transmitir essa paixão para os seus alunos. Fabien, um ex-aluno, tem uma admiração especial por ela e ela por ele. Eles estão sempre trocando livros e ideias. Seu marido e seus dois filhos divertem-se um pouco com esse entusiasmo dela e dizem que Fabien é o filho que ela queria ter. Nathalie orgulha-se de estar sempre aberta às mudanças, enquanto Heinz, também professor, é muito conservador. Mas tudo caminha em harmonia, trabalho e família, a não ser pela mãe, que sofre de depressão e está sempre dando trabalho.
Mas um dia, para seu espanto, o aparentemente moderado marido lhe comunica que conheceu outra pessoa e que vai sair de casa.
“Eu imaginei que você ia me amar para sempre", ela diz.
Depois de 25 anos de casada, os filhos já com suas vidas, Nathalie vai perceber que sua liberdade sempre foi teórica e que agora dispõe dela na prática e precisa saber o que fazer com ela. Pela primeira vez, ela não tem que cuidar de ninguém e pensar só em si própria pode não ser uma tarefa fácil.
Nathalie é confrontada com várias provas, além do divórcio. Em meio a tantas coisas se desmoronando ao mesmo tempo, Nathalie terá que procurar um abrigo dentro de si mesma. O que ela consegue fazer corajosamente. Em nenhum momento o filme é piegas ou desalentador. A nossa personagem mostra que é preciso seguir em frente. Ela não sabe se o que está por vir será melhor ou pior. A perda de laços e o confronto com o tempo de validade das coisas, dos sentimentos, não são fáceis de encarar. E ela não finge isso. Mas a forçam a se reinventar.
O longa foi premiado com o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim de 2016. O cinema de Mia é aquele que dá a impressão que nada está acontecendo na história, ela não se preocupa com o ritmo, passeia tranquilamente pelas suas tomadas, sem pressa, captando com naturalidade o dia a dia dos personagens, ao ponto de nos sentirmos íntimos deles, parece que acordamos com eles, tomamos café com eles, ... Também nós, junto com Nathalie, interpretada com grande habilidade pela diva Isabelle Huppert, revisitamos nossas memórias, refletimos sobre nossas perdas e nossos ganhos, filosofamos um pouco com ela, fumamos um cigarro, quem sabe um baseado? Também nós terminamos o filme com um olhar, misto de apreensão e curiosidade, sobre o que está por vir.
IMDB: 7/ 10
Minha nota: 3,9/ 5
Ficha técnica:
Nome original: L'avenir
Minha nota: 3,9/ 5
Ficha técnica:
Nome original: L'avenir
País: França, Alemanha.
Ano: 2016
Direção e roteiro: Mia Hansen-Løve
Elenco: Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka.
Ano: 2016
Direção e roteiro: Mia Hansen-Løve
Elenco: Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka.
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