Cinéfilos Eternos

sábado, 2 de fevereiro de 2019

AMANHÃ E TODOS OS OUTROS DIAS



Amanhã e todos os outros dias, Mathilde (Luce Rodriguez) precisa lidar com a sua mãe. O problema? É que Mathilde tem apenas nove anos e sua mãe é totalmente fora dos padrões. Mathilde precisou amadurecer mais cedo que o normal. Não sabemos exatamente o que tem a mãe dela, é muito amorosa, delicada, mas tem uns esquecimentos. Às vezes sai e não volta, deixando a filha aflita, olhando para o relógio, contando os minutos. Seu pai (Mathieu Amalric) que não mora com elas, procura participar, pergunta se ela está em casa, sente que Mathilde esconde a verdade para proteger a mãe. "Se ela não chegar ate às 21h30, me avise", diz ele. É o horário combinado com a mãe. Às vezes Mathilde força os olhos sobre os ponteiros do relógio para forçá-los a chegar rápido na hora limite e com ela sua mãe chegar também. De vez em quando sua mãe sai e não lembra pra onde tem que voltar. Não são só esquecimentos, ela tem um comportamento estranho também, totalmente inadequado. Vive em uma espécie de fantasia, no "mundo da lua". Quando está bem, pede desculpas à filha. Mathide nunca sabe como vai encontrar a mãe. Como será amanhã e como serão todos os outros dias. Por enquanto, ela segue protegendo-a, numa inversão de papéis, porque ela teme que tirem sua mãe dela ou que a tirem da mãe. E elas têm uma relação muito estreita.
Noémie Lvovsky estudou e se formou em Literatura, e logo em seguida juntou-se ao grupo Les Fémis, em 1988. Lá começou a trabalhar em roteiros de curtas com Emmanuelle Devos e Valeria Bruni Tedeschi, atrizes e cineastas com quem Lvovsky iria firmar parceria em muitos trabalhos no futuro. Juntas, passaram por conceituados festivais de curtas-metragens na Europa antes de começarem a fazer longas. Em 1990, Noémie se formou em especialização em roteiro, área em que se manteve trabalhando no começo da carreira, escrevendo e dirigindo seus projetos.
De fato, foi apenas nos anos 2000 que começou a se aventurar como atriz, estreando nas telonas com Ma Femme Est Une Actrice (2001). Imediatamente foi reconhecida como intérprete e passou a ser recorrentemente indicada ao César, o mais importante prêmio de cinema da França. Enquanto isso, seu filme La Vie ne me Fait pas Peur (1999), premiado no Festival de Cannes, ganhou prestígio e se tornou obrigatório nos currículos das escolas francesas de artes audiovisuais. Hoje Lvovsky já tem passagem e troféus de inúmeros festivais pelo mundo e é especialmente lembrada por Camille Outra Vez (2012), que dirigiu, escreveu e estrelou.
Também nesse, Noémie Lvovsky é diretora, roteirista e atriz. Ela é a mãe de Mathilde. Ela conta que Demain et Tous les Autres Jours é um pouco de sua própria história. Nos créditos finais ela dedica o filme a Geneviève Lvovsky. Pelo pouco que pude descobrir, sua mãe era bem frágil e teve que ser internada em um hospital psiquiátrico quando Noémie tinha apenas nove anos. A diretora prefere dizer que é um filme pessoal e não autobiográfico. Ela se reconhece em Mathilde, mas diz que deixou de contar muitas cenas de sua infância. Como Mathilde, Noémie diz que sentia-se muito preocupada e o mundo lhe parecia muito perigoso.
O filme, contado do ponto de vista da criança, é uma história de amor entre mãe e filha. O primeiro amor da filha é o amor da mãe. Muitas vezes é também o primeiro ódio, mostrando laços que podem ser problemáticos entre mulheres que se conectam de uma forma tão primordial.
"Je ne suis pas une bonne mère" (eu não sou uma boa mãe), diz ela para a psicóloga da escola da filha, quando ela vai encontrá-la, mas não se lembra pra quê.
Um dia sua mãe lhe dá uma coruja de presente. Para proteger essa mãe instável, Mathilde prepara suas refeições, mente para seu pai e precisa usar da imaginação e da fábula para poder lidar com ela. Faz tudo para essa mãe que ama e também é amada infinitamente por ela. Vai bem na escola, mas não é de fazer amigos. A vida que leva a impede de ser como as outras crianças. No seu universo infantil e na sua solidão de não poder desabafar com ninguém, Mathilde passa a conversar com a coruja.
"Sua mãe é um pouco louca", diz a coruja. 
É um drama extremamente comovente e poético. É com imensa doçura que a mãe de Mathilde lhe promete "Amanhã vou começar com o pé direito". Tanta ternura nos leva a perguntar se o filme não é uma declaração de amor de Noémie para a mãe.

Demain et Tous les Autres Jours abriu o Festival de Locarno e foi criticado pela fantasia, mas é justamente ela que permeia a empatia que temos, principalmente com a doença mental da mãe de Mathilde. O filme de Noémie Lvovsky retrata a solidão de seus personagens com gestos e ações que se revelam como tantas carícias gentis e doces. Como uma história para dormir, significa manter as sombras afastadas e dar as boas-vindas à noite vindoura enquanto espera com confiança pelo amanhã. E  pelo depois de amanhã, e por todos os dias seguintes, ...

IMDB: 5,9/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

*Disponível no My French Film Festival até o dia 18 de fevereiro.

Ficha técnica:
Nome original: Demain et Tous les Autres Jours
Outros títulos: Tomorrow and Thereafter.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Noémie Lvovsky
Roteiro: Noémie Lvovsky, Florence Seyvos.
Elenco: Luce Rodriguez, Noémie Lvovsky, Mathieu Amalric, Anais Demostieur.

(Por: Cecilia Peixoto)


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

HOTEL JUDITH





Nem sempre os curtas recebem destaque em alguns festivais. Eu mesma acabo não vendo. Assim como gosto de livros grossos, onde eu acabe me envolvendo com os personagens, também gosto de filmes que me façam sentir uma espécie de imersão. É claro que um curta não tem nem tempo de produzir isso. Mas pensem em quanto pode ser criativo e difícil contar uma história inteira em poucos minutos! Postei outro dia um que não tinha nem 7 minutos. O My French Film Festival 2019 selecionou diversos curtas e dessa vez estou aproveitando para ver todos e me surpreendendo. Principalmente quando já está quase na hora que eu preciso dormir e não dá tempo de ver um longa, nada melhor que um rapidinho, não é?

O Judith Hotel é super badalado, dificílimo conseguir uma vaga. Antes de se alojar, a pessoa precisa responder um questionário sobre suas preferências, tipo que horas deseja jantar, o que deseja jantar e outras perguntas que a princípio o espectador não entende. Por que será que é tão procurado aquele hotel? Os hóspedes são bizarros, aliás você vai ver que o filme é bem bizarro também. Rémi, o personagem principal, foi para lá porque não consegue dormir, coitado. Oito anos sem dormir. Mas o Judith Hotel garante que tem uma solução para o caso dele.

"Seus problemas acabaram!"

*Disponível no My French Film Festival até o dia 18 de fevereiro.


IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Judith Hotel.
País: França.
Ano 2018
Direção: Charlotte Le Bon.
Roteiro: Charlotte Le Bon, Timothée Hochet .
Elenco: Sarah Calcine, Guillaume Kerbusch, Suzanne Rault-Balet.

(Por: Cecilia Peixoto)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O PODER DE DIANE





O filme trata de uma maneira bem-humorada e agradável um assunto importante: ser barriga de aluguel.
Na trama, é Diane (Clotilde Hesme) quem decidiu oferecer seu corpo para abrigar o filho do seu grande amigo Thomas com seu parceiro. Aparentemente, Diane é uma mulher muito bem resolvida na vida, leve, alegre, descomplicada. Diane acredita no seu poder de decidir sobre seu corpo. sobre não precisar dar satisfações a ninguém. Ela resolve se mudar, durante a gestação, para uma casa de campo que era dos seus avós. Tudo ia bem, até que ela conhece Fabrizio. Acostumada a relacionamentos não duradouros, Diane acreditava que era feliz assim. Mas aos poucos vai se envolvendo com Fabrizio e sua maneira desprendida de ver as coisas vai se modificando.

Clotilde Hesme é uma atriz francesa conhecida por protagonizar os filmes Les amants réguliers, de Philippe Garrel e Les Chansons d'amour de Christophe Honoré. Fabien Gorgeart é roteirista e diretor dos curtas-metragens Un homme à la mer (2009), Le sens de l´orientation (2012) e Le diable est dans les détails (2016). Diane a les épaules é seu primeiro longa-metragem.
"Sem tentar ser moralista ou proselitista, o diretor usa o pretexto da barriga de aluguel para falar dos novos códigos de casais e da ruptura dos modelos familiares. Picante, emocionante, sexy, irritante, a brilhante Clotilde Hesme tem força para encenar todas essas emoções".
Barbara Théate, Le Journal du Dimanche.

O diretor consegue imprimir bastante naturalismo ao filme, é quase como se Diane. Fabrizio, Thomas e Jacques fossem também nossos amigos. Clotilde tem grande responsabilidade nessa sensação de familiaridade que o filme passa com a sua convincente interpretação. A questão que se propõe é até onde uma barriga pode ser considerada somente de aluguel? Dá para separar todos os sentimentos e sensações de ter um bebê, um ser humaninho, crescendo dentro de você, sem criar nenhum elo? E para a criança? Será que a criança sente a separação depois que nasce, depois que sai da "casinha"?
Curiosidade: Gorgeart aproveitou a gravidez real de Clotilde para os momentos em que ela exibe seu barrigão. Nada mais perfeito!
Diane a Les Épaules foi uma das atrações do Festival de Varilux 2018.
*Disponível no My French Film Festival 2019 até o dia 18/02.

IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2 / 5

Ficha técnica:
Nome original: Diane a Les Épaules.
Outros nomes: Diane Has The Right Shape.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Fabien Gorgeart
Roteiro: Fabien Gorgeart.
Elenco: Clotilde Hesme, Fabrizio Rongione, Thomas Suire, Grégory Montel.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

PODERIA ME PERDOAR?





Quando a desbocada, antissocial e turrona escritora decadente, Lee Israel (Melissa McCarthy), é demitida por ser pega bebendo no jornal onde trabalhava, ela descobre uma forma criativa de usar seus dons e habilidades literários para manter as contas em dia: a mulher passa a falsificar cartas de personalidades famosas e falecidas, vendendo-as em seguida por um valor alto a colecionadores ou intermediários dos mesmos. 

Outrora com dificuldades para escrever, a escritora quebra o bloqueio e passa a exprimir todo o seu talento em cartas convincentes e escandalosas. Afinal, ela não não tinha que lidar com a ansiedade da crítica por seu trabalho, já que a verdadeira autora das cartas era desconhecida. Quando autenticadores e o próprio FBI começam a desconfiar das atividades ilícitas de Lee, ela decide roubar cartas reais e revendê-las.
O filme é baseado em um crime real. A verdadeira Lee Israel (Leonore Carol Israel), uma biógrafa novaiorquina, roubou, alterou ou escreveu por volta de 400 cartas de personalidades como Louise Brooks, Dorothy Parker e Ernest Hemingway e foi sentenciada a 6 meses de prisão domiciliar, mais 5 anos de liberdade condicional. Seus primeiros grandes sucessos publicados foram as biografias da atriz Tallulah Bankhead e da jornalista Dorothy Kilgallen. Seu terceiro livro, uma biografia não autorizada de Estée Lauder, infelizmente não teve o retorno esperado. Contudo, o maior sucesso de Lee aconteceu após seus crimes, com o livro em que ela narra sua própria história: "Can You Ever Forgive Me?: Memoirs of a Literary Forger" (Poderia me perdoar?: Memórias de uma falsificadora literária). A escritora morreu em 2014 e era tão talentosa que suas cartas se passavam perfeitamente como se fossem reais. Ela incorporava à maneira de escrever de cada personalidade de tal forma que o FBI revelou em 2015 para a Times que é provável que ainda existam cartas falsificadas por Lee circulando por ai.
O longa é profundo, divertido de um modo sutil e sensível (até mesmo bondoso) ao expor uma Lee mais que criminosa, humana. Não é de se admirar que o espectador se pegue torcendo para que dê certo para a personagem e ela não seja pega. Lee é ranzinza e de poucos amigos, ainda sim cativa com seu jeito peculiar e em especial através da atuação visceral de Melissa McCarthy, a qual está em um dos melhores papéis de sua carreira. Em uma cena em especial, a atriz consegue arrancar uma lágrima (ou um balde delas) da pessoa mais dura na platéia. Melissa merece sim todo o holofote e indicação a prêmios que tem recebido nessa temporada e merece ainda mais personagens mais interessantes e cheias de nuances como essa.
A história acontece em Nova York, com locações que já garantem certo charme ao longa. E a trilha sonora impecável e cheia de músicas de Jazz completam a beleza e delícia que é essa história.

IMDB: 7,4/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 4/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Can you ever forgive me?
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Marielle Heller
Roteiro: Nicole Holofcener, Jeff Whitty.
Elenco: Melissa McCarthy, Richard E. Grant, Dolly Wells, entre outros.



(Por: Tom Carneiro)

WILD LOVE





Hum, pra quem gosta do gênero,...

Acho que esse é curta mais curtinho do festival, mas são 7 minutos de puro horror, mesmo sendo uma animação.
Coitados de Alan e Beverly, que em um encontro tão romântico, sem querer, provocam um acidente fatal. Mas esse crime não ficará impune...
Divertidamente macabro.

Filmow: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Wild Love.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Paul Autric e outros.
Animação, curta.

* Disponível no My French Film Festival 2019, até o dia 18 de fevereiro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

CÃO AZUL






Emile tem medo do mundo. Ele não sai mais de sua casa e pinta tudo de azul.

Bem, não vou falar muito sobre o filme, porque é um curta, senão conto tudo em poucas palavras.

Mas como sempre gosto de pesquisar e é isso que é interessante, como vou, através dos filmes que vejo, estendendo minha curiosidade e aprendendo sobre tantos assuntos, descobri que existe uma patologia que se chama Cromofobia. Quem tem medo de cores, tem o que se chama de Cromofobia. Uma aversão a cores, um medo mórbido de ser corrompido ou contaminado pelas cores. Esse medo irracional pode provocar reações hormonais e psicológicas.

A personagem Marnie, do filme de Hitchcock, tem aversão à cor vermelha, provocada por um trauma que teve durante a infância.
No curta dirigido por Fanny Llatard, Emile só sente-se seguro com a cor azul. Sabemos que essa cor transmite tranquilidade, serenidade e harmonia. Simboliza a água, o céu e o infinito.
Mas a cor azul também está associada à frieza, monotonia e depressão. Principalmente para Yoan, filho de Emile, que fica desolado ao chegar em casa e encontrar o pai "preso" no azul.

Um filme que, em poucos minutos, passa muita sensibilidade.


IMDB: 6,8/10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Chien Bleu.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Fanny Llatard.
Elenco: Michel Pichon, Rod Paradot, Mariam Makalou

*Disponível no My French Film Festival 2019.
(Por: Cecilia Peixoto)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE GASPARD




Uma agradável surpresa esse filme. Gaspard conhece Laura e, a caminho do casamento de seu pai, propõe a ela que o acompanhe fingindo que é a namorada dele. O que parecia ser apenas uma comédia romântica, não que eu não goste, nos faz fazer algumas reflexões. Primeiro, a família excêntrica de Gaspard. Aliada com muito amor entre eles, nos faz questionar que a nossa "normalidade" também possa ser estranha para eles.
Gaspard e os dois irmãos cresceram em um ambiente pitoresco: um zoológico. Daí já podemos considerar que o ambiente em que eles viveram já lhes proporcionou uma "normalidade" diferente da nossa. A mãe morreu cedo e Gaspard e a irmã caçula tinham uma ligação muito forte. Ele é tipo um ídolo para Coline.Tanto que ela fica enciumada com a presença de Laura e vai demonstrar isso, implicando com ela.
A Excêntrica Família de Gaspard ou, no original, Gaspard Va Au Mariage, foi visto no Varillux 2018 e é o terceiro filme do diretor Antony Cordier. Seu primeiro longa-metragem, À Flor da Pele (2005), foi indicado ao César (o Oscar francês) de Melhor Primeiro Filme.
Cordier (que também assina o roteiro) disse que teve a ideia de fazer o filme inspirado num livro que ele tinha quando criança. A publicação contava a história de um homem que criou um zoológico na década de 1950. Uma das coisas que lhe chamou a atenção foram as fotos do livro, que mostravam ele e sua família convivendo com animais.
O patriarca da família, Max, é interpretado por Johan Heldenbergh e é um mulherengo inveterado, mas está realmente interessado em casar com Peggy (Marina Fois).
Entre os personagens exóticos do filme, quem mais se destaca é Coline, interpretada por Christa Théret, já que ela anda pelo zoológico com uma pele de urso. Cordier disse que se inspirou, para criar o personagem, em um conto italiano do século XV, e que também deu origem a Pele de Asno, filme de 1970 estrelado por Catherine Deneuve. Laura diz para Gaspard que será difícil enganar Coline, porque ela tem uma sensibilidade de um animal.
O outro irmão de Gaspard, Virgile, parece ser o mais sensato da família. Gaspard estava afastado de casa há bastante tempo. Percebe-se que ele não está muito à vontade de volta. Com o afastamento do irmão, Virgile precisou assumir a gerência dos negócios e preocupa-se com a situação financeira do zoológico. Afinal, e essa é outra questão do filme, quase ninguém hoje em dia quer ver mais animais enjaulados.
Para Cordier, os zoológicos estão obrigados a se reinventar. "Quando era criança, a gente ia ao zoológico e achava normal ver animais em gaiolas. Mas agora o público questiona isso. Os zoológicos têm que assumir uma nova função de preservar as espécies". Mais uma reflexão para a "normalidade", ela pode depender do contexto ou da época.
Gaspard (Félix Moati) tem um jeito doce e apaixonante. Foi, desde criança, o inventor da família. Sua invenção nº 1 era uma rolha de champanhe em que abria um paraquedas, quando impulsionada. Inúltil? Talvez, mas lindo. É a parte poética do filme.
O local agradável rende boas cenas e mesmo a família nos cativa, ainda mais quando vamos conhecendo a história deles na infância. A crítica ao filme (não minha) é ter escolhido a leveza em vez de se aprofundar nas discussões, em vez de ousar mais. Não vejo assim, acredito que não era a intenção de Cardier. O diretor já admitiu que se interessa mais por comédia do que por outros gêneros cinematográficos.
Há momentos muito bons, com toques dramáticos e românticos. O quanto a perda precoce da mãe fez os irmãos se apegarem ao lugar que lembrava a infância e, consequentemente, dela? O quanto a forte ligação entre eles também se originou dessa perda e o quanto tudo isso estava impedindo a todos de terem uma vida? Uma vida talvez "normal"?
Muita nudez, mas nenhuma cena sexual forte. Sempre a preferência pela leveza e o humor.
Disponível no My French Film Festival 2019 até o dia 18 de fevereiro.
IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Gaspard Va Au Mariage.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Antony Cordier.
Roteiro: Antony Cordier.
Elenco: Félix Moati, Laetitia Dosch, Christa Théret, Marina Fois, Johan Heldenbergh, Guillaume Gouix.


(Por: Cecilia Peixoto)