Cinéfilos Eternos

segunda-feira, 28 de maio de 2018

THI MAI



Carmen (Carmen Machi) acaba de receber a notícia de que sua filha morreu em um acidente. Depois de algum tempo, ela fica sabendo que o maior desejo de Maria, que era adotar uma menina vietnamita, acaba de ser aprovado. Carmen decide esconder da agência a morte da filha e partir para o Vietnã em busca de Thi Mai. Para isso ela não conta com o apoio do marido, mas em compensação suas duas amigas, Elvira e Rosa, embarcam nessa aventura inusitada para Hanói, elas que nunca haviam saído da Espanha. Chegando lá, elas conhecem Andrés (Dani Rovira) e os destinos dos quatro dará, com certeza, uma reviravolta!
Carmen Machi e Dani Rovira já atuaram juntos nas comédias espanholas Ocho Apellidos Vascos e Ocho Apellidos Catalanes. Carmen também atuou em Os Amantes Passageiros e Abraços Partidos, do diretor Almodóvar e também vi um drama ótimo com ela, A Porta Aberta, pelo qual ela foi indicada ao Prêmio Goya. Já o engraçado Dani Rovira, o primeiro filme que vi com ele e que fiquei fã, foi a comédia também espanhola Agora ou Nunca, de Maria Ripoli. Muito engraçada!
Thi Mai pode-se dizer que é um drama, já que trata sobre perda, sobre a tentativa de encontrar uma motivação para sobreviver após a perda. Mas a história é contada de uma maneira muito leve e gostosa, com boas tiradas, que nos levam a dar boas risadas, das três amigas e suas dificuldades em uma cidade com uma cultura totalmente diferente. Também é muito bom passearmos pela bela Hanói e suas paisagens deslumbrantes. A canção original do filme El Camino dá mais um toque agradável. A menina, Thi Mai, é um encanto e nos faz ter vontade de adotar uma criança vietnamita.
Um filme sensível e adorável. Uma história simples, mas um passatempo divertido, mesclando perfeitamente o drama com a comédia.
IMDB: 6,1/ 10
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Thi Mai, Rumbo a Vietnam
País: Espanha
Ano: 2017
Direção: Patricia Ferreira.
Roteiro: Martha Sánchez.
Elenco: Carmen Machi, Dani Rovira, Adriana Ozores, Aitana Sánchez-Gijón.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

SOB O OLHAR DO MAR



Último romance escrito pelo diretor Akira Kurosawa.

"É impossível viver sem algo que nos dê animo."

Um bordel numa cidade à beira-mar. O século: XIX. Uma prostituta que ainda conserva a pureza dos sentimentos e apaixona-se pelos clientes. Quando um samurai (Hidetaka Yoshioka, de Rapsódia em Agosto) vai parar lá, fugindo de uma briga na qual se metera e em que tem lembrança de ter ferido alguém, apesar de muito bêbado, O-Shin (a linda Nagiko Tohno) o ajuda. Fusanosuke, esse é o nome dele, fica muito agradecido e passa a procurar O-Shin. Ela, alertada pelas outras, principalmente por Kikuno, tenta evitar de vê-lo. A diferença de classe é muito grande entre eles, o que aquele jovem bem-nascido vai querer com uma moça como ela? Mas isso não impede que O-Shin se apaixone pelo jovem samurai. 
Fusanosuke lhe diz que ela não tem que ter vergonha do que é, que ela apenas teve menos sorte que ele e que acredita que se ela deixar de exercer a profissão, voltará a ser pura. Isso acalenta a esperança não só nela quanto nas amigas do bordel, que se dispõem a atender os clientes dela para livrá-la do pecado, enquanto Fusanosuke faz uma viagem. 

Como não se encantar com essas mulheres? As gueixas, retratadas sem vulgaridade, muito pelo contrário, elas eram de uma beleza, sempre com seus lindos quimonos e penteados, mostrando cuidado e empatia umas com as outras. Uma história simples e sensível, onde os sonhos de cada uma são revelados quando elas ajudam O-Shin. Porque embora elas temessem por O-Shin, por ela se envolver emocionalmente, quando elas resolvem ajudá-la a se casar com um samurai, elas também estão realizando o lado romântico escondido delas.

Um outro jovem rapaz (Masatoshi Nagase de Trem Mistério) aparece e se apaixona por O-Shin,
Um temporal avassalador atinge o vilarejo, provocando a fúria do mar e o transbordamento dos rios. Um velho cliente aparece para resgatar Kikuno, ele quer que ela fuja com ele, mas ela não quer, o que provoca uma outra briga no filme. 
O mar, que testemunhou todos os dramas daquele bordel e das gueixas, vem agora mudar toda a vida delas. A cena de O-Shin e Kikuno no telhado, quase tocando as estrelas, é de uma beleza ímpar.

Akira Kurosawa escreveu esse roteiro que deixou inédito em 1993. Adaptou dois contos: "O Cheiro de uma Flor Desconhecida" e "Antes que o Orvalho Seque", de Syugoro Yamamoto. Sua intenção era desmentir os críticos que diziam que não sabia escrever personagens femininos. O filme procurou seguir todas as anotações (desenhos, sketches e até mesmo o desenho de produção de Kurosawa), inclusive com determinados detalhes, por exemplo, a heroína é a única a usar quimono vermelho. Foi o filho de Kurosawa quem escolheu o diretor Kei Kumai para dirigi-lo. Assim, ele contou esta história delicada, sobre gueixas em busca do amor, que foi muito bem fotografada e encenada.

IMDB: 7,1- 10
Minha nota: 3,9-5

Ficha técnica:
Nome original: Umi Wa Miteita
País: Japão
Ano: 2002
Direção: Kei Kumai.
Roteiro: Akira Kurosawa, Kei Kumai, Shugoro Yamamoto.
Elenco: Nagiko Tôno, Hidetaka Yoshioka, Masatoshi Nagase, Misa Shimizu.

DESEJO E PERIGO



São mais de duas horas e meia de duração. Mas que nem de longe são cansativas.Tecnicamente impecável, com fotografia e direção de arte magníficas, brincando com o tema noir, músicas de Alexandre Desplat, a trama é tensa e angustiante e prende a atenção do início ao desfecho final. A história é ambientada na China ocupada pelo Japão nos anos 40 e deu a Ang Lee o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2007.

Adaptação da obra literária de Eileen Chang, uma escritora muito popular na comunidade sino-americana. A autora do livro levou mais de 30 anos para finalizar a obra, ela começou a escrever nos anos 50. Eileen tem muito em comum com a obra, já que viveu na China ocupada pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, foi casada com um colaborador do governo japonês, sofreu com a infidelidade do marido e interrompeu seus estudos na Universidade de Hong Kong para voltar a Xangai, temas vistos em seu livro.

Um grupo de artistas, estudantes universitários, em meio às efervescências políticas, resolvem usar a arte como forma de protesto e conscientização. É nesse contexto que entra a jovem Wong Chia Chi (Wei Tang). Wong nunca tinha participado de teatro e sua estreia é um sucesso, provocando uma onda de nacionalismo na plateia. O grupo é tomado pela euforia de poder transformar na realidade a situação em que vivem e resolvem usar os seus dons artísticos para revolucionar de verdade. A jovem Wong infiltra-se com outro nome na família do perigoso Sr Yee (Tony Leung Chiu Wai), chefe da polícia de Xangai, tornando-se amiga da esposa dele, com o objetivo de atraí-lo para que seja eliminado. Retraída e simples, ela tem que interpretar uma mulher casada com um empresário, sedutora e confiante. Os riscos são enormes, qualquer desconfiança e ela pode morrer.

Por que terá Wong aceito participar desse perigoso jogo? Órfã de mãe, com a guerra seu pai vai para a Inglaterra e leva com ele o seu irmão. Relegada a segundo plano por sua condição feminina, Wong vê finalmente uma chance de participar da história de seu país e não vai poupar esforços para isso. Ela sabe que pode ter que ser amante do Sr. Yee mas o seu ideal vai além da preocupação com o próprio corpo.
Tem início um jogo de política e paixão pontuado com cenas de sexo e violência. 

As polêmicas cenas de sexo custaram à atriz Tang Way o banimento da China por protagonizá-las. Filmadas em 11 dias em um set fechado, somente com a presença do cinegrafista e da equipe de som, as cenas são descritas por Ang Lee como “apenas gráficas, e não pornográficas”. Já Tang Wei comenta que as tomadas foram delicadamente ensaiadas antes das gravações. Quando lhe perguntaram pelo erotismo do filme, Lee respondeu de modo significativo: “Quis falar não tanto de sexo, mas da ambivalência fundamental do ser humano.”

As cenas não são gratuitas. O caráter do desejo é fundamental para o encadeamento da história. Desejos incontroláveis e transformadores. A jovem Wong representa não só a China submetida como todas as mulheres. Mas ela também usa seu poder. Dominação e submissão se alternam, entre Yee e Wong, entre Japão e China.

Criticado muitas vezes por "americanizar" seus filmes, o que posso dizer é que achei "Desejo e Perigo" fantástico. Perturbador e ao mesmo tempo encantador. Daqueles inesquecíveis. Lembra a fábula de "O Escorpião e o Sapo", mas de maneira contrária. Quem conhece, vai entender.

IMDB: 7,6- 10
Minha nota: 4,2- 5

Filcha técnica:
Nome original: Se, Jie
Outros nomes: Lust, Caution
País: China, EUA, Taiwan
Ano: 2007
Direção: Ang Lee
Roteiro: Eileen Chang, Hui-Ling Wang, James Schamus.
Elenco: Wei Tang, Tony Leung.

AS COISAS SIMPLES DA VIDA



No dia do casamento do cunhado com a noiva já em avançado estado de gestação, porque o noivo ficou esperando o "dia da sorte" para casar, a sogra de NJ tem um derrame e entra em estado de coma. NJ está passando por dificuldades na firma em que é sócio e, tudo na mesma época, ele reencontra com uma ex-namorada, que foi o seu primeiro amor. 
Todos se revezam na casa para dar atenção à matriarca, mas isso desperta alguns sentimentos. A esposa de NJ entra em depressão quando ao resolver relatar os seus dias para a mãe, constata que eles são todos iguais e desinteressantes. A filha adolescente de NJ está tomada de culpa, porque a avó foi encontrada embaixo do prédio ao lado do lixo que ela deveria ter levado, mas não se lembra se levou, e suplica para a avó acordar se a perdoa. O filho de 8 anos de NJ diz que não tem nada pra falar com a avó, mas porque falar não é a forma dele se expressar.
NJ tem que ir a Tóquio e marca um encontro com a ex-namorada, Sherry. É uma viagem de volta ao passado que lhe traz muitas reflexões. O que ele perdeu? O que ele ganhou?
Quando eu era criança, não tinha muitas opções de lojas e nem tantas facilidades. Já me diverti muito com bem pouco dinheiro. Hoje somos engolidos pelo consumismo desenfreado. Mal compramos um celular novo e já vem outro modelo que oferece muito mais recursos. Isso gera uma insatisfação muito grande. A sociedade de consumo nos vende a imagem de que ter muitas coisas é essencial e para isso trabalhamos que nem uns loucos para podermos nos cercar de tudo aquilo que passamos a julgar importante. Aos poucos, perdemos o prazer de tomar um café sem pressa com um amigo, de apreciar o pôr do sol e sentir o toque de uma borboleta.
E o pior é que por mais que tenhamos, temos sempre a sensação recorrente de que estamos perdendo algo. Nunca houve antes tantos casos de depressão e ansiedade. 
O grande desafio atual é nos conectarmos com o que é fundamental, nos desapegarmos de tudo o que no final está nos gerando angústia.
Yang-Yang, o menino, parece ser o único no meio daquela família que presta atenção nas coisas, nas coisas simples da vida, que estão à nossa frente e não conseguimos ver. Quieto, retraído, ele não consegue muitas vezes explicar o que é óbvio para ele e é constantemente repreendido no colégio e também motivo de riso dos colegas. Ele gosta de captar as coisas fotografando e ninguém entende aquele monte de fotos de nada, mas que na verdade são de mosquitos, isto é, detalhes. Ou outras de diversas pessoas de costas. Para Yang-Yang, a verdade nunca é inteira, porque só vemos a frente delas, 50% delas. Um lindinho, um filósofo mirim. Ele representa o pensamento ainda inocente, livre dos condicionamentos, que nos farão mais tarde deixar de olhar de forma simples as coisas da vida.

Acredito que Edward Yang, que morreu em 2007 aos sessenta anos de idade e que recebeu por "Yi Yi" o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes quis antes de tudo, usando uma típica família de classe média, refletir a sociedade onde vive, de mostrar o outro lado, as costas, a outra parte da verdade.

Mas não penso que "Yi Yi" pretenda ensinar a adquirir sabedoria. É mais sobre mostrar que errar é humano, que é inevitável errar, não existe nenhum tratado que se adapte a todas as pessoas, isso é bom, isso é ruim. Somos diferentes, únicos e o que precisamos fazer apenas é aprender com os erros que se repetem, é prestar atenção.

IMDB: 8,1- 10
Minha nota: 4,2- 5


Ficha técnica:
Nome original: Yi Yi


País: Taiwan.
Ano: 2000
Direção: Edward Yang.
Roteiro: Edward Yang, Wei-han Yang.
Elenco: Wu Nien-Jen, Kelly Lee van, Jonathan Chang, Gilst, Adriene Lin, Elaine Jin, Hsi-Sheng Chen, Issei Ogata, Su-Yun Ko, Ru-Yun Tang e participação de Edward Yang.

NÃO SE MOVA



O que eu vou falar desse filme? Bem, a verdade, não é? E a verdade é que achei o filme bem cafona, aquele dramalhão tipo novela mexicana... sim, com a trilha sonora forçando pra nos emocionar (e consegue!) ... mas que trilha sonora! Daquelas que se a gente está acompanhada, quer dar um beijo na boca, ou se não está, já olha para os lados, procurando o seu "grande amor à primeira vista". As atuações são belíssimas. A Penélope consegue ficar feia e nos passa um desalento que nos toca até o fundo da alma. Sua personagem, a Italia, é uma pobre e coitada camareira, que não tem ninguém, mora em uma casa horrível, que assim mesmo vai ter que entregar. Porque era do avô que, antes de morrer, fez o favor de vender a casa. Não se preocupou com ela, ninguém se preocupa com ela. Acostumada a sofrer, sofreu abusos e aprendeu que para sobreviver precisava ficar quieta, parada. "Não se mova", ela aprendeu a dizer para ela mesma...
Com Timóteo, interpretado pelo próprio diretor do filme, não foi muito diferente. Ela aprendeu a ficar parada, a evitar qualquer movimento. Primeiro, por medo que ele não fosse embora, depois por medo que ele fosse. Ele, cirurgião bem-sucedido, foi parar naquele lugar porque teve um problema com o carro. Conheceu Italia. O lugar e ela o repugnavam, acostumado que estava com a linda esposa e sua casa ensolarada. Ao mesmo tempo, o lugar, e ela, o atraíam... era como se estivesse resgatando suas raízes, o mundo a que realmente pertencia. Aquela vida de luxos e as festas que era obrigado a frequentar com Elsa não lhe eram familiares. Era como se Timóteo estivesse no corpo de outra pessoa.
Ele conta para Italia que é casado. Mas ela, além de estar acostumada a não se mover, também estava acostumada com migalhas. O pouco que ele lhe dava era muito. O pouco era muito para quem nada tinha. E ela lhe pediu: "venha me ver uma vez por mês, uma vez por ano, mas não me deixes...". É como se ela lhe implorasse: "não se mova", "não mude o que existe entre nós", ...
O filme começa com um acidente sério com uma adolescente de moto. Timóteo vai descobrir que é sua filha, Angela. Enquanto luta pela vida dela, ao mesmo tempo que teme pela sua morte, ele vai se recordar do seu caso com a sofrida Italia, desde que a conheceu.
Baseado no romance de Margaret Mazzantini, que é a esposa na vida real de Sergio Castellitto e com quem tem quatro filhos. Em 2012, Castellitto dirigiu o premiado Venuto al Mondo (Prova de Redenção), que também foi adaptado de uma obra de Margaret. O estilo de Venuto al Mondo é também de rasgar o coração. E igualmente protagonizado por Penélope Cruz e com Sergio Castellitto no elenco.
Então, enquanto Angela está lá, entre a vida e a morte, enquanto a aflita Elsa não chega, Timóteo está lá, sozinho com suas recordações. Com suas reflexões. E percebe que também ele ficou preso no emaranhado de sua história. Ficou imóvel. Não se moveu!
E nós lá, os espectadores, chorando e roendo as unhas. desesperados com essa história avassaladora. Tristes com esse mundo injusto.
Agora, só um aparte, imaginem que eu estava vendo o filme e no meio da reprodução, deu problema. Aliás, pra contar tudo, primeiro o filme não estava reproduzindo a legenda. Depois, consegui a legenda, mas não estava sincronizada. Consegui outra legenda e o filme para no meio! Consegui a outra parte do filme, só que a legenda começava do princípio e o filme, do meio para o fim. E tive que ver o restante só com o áudio em italiano! É muita agonia, não é? Mas eu sei que eu queria porque queria saber o que acontecia com a Italia, Timóteo, Elsa e Angela.
Um filme poderoso e doloroso, mostrando a vida, inflexível, a manipular as pessoas, como marionetes. Essa vida que muitas vezes nos paralisa, que não permite que corramos atrás do que queremos de verdade, essa vida que parece às vezes sussurrar como o vento em nossos ouvidos, implacável: "NÃO SE MOVA"...
Enfim, imperdível!
IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Non ti Muovera
Outros nomes: Don't Move, No te Muevas
País: Itália, outros
Ano: 2004
Direção: Sergio Castellito
Roteiro: Sergio Castellito, Margaret Mazzantini
Elenco: Penélope Cruz, Sergio Castellitto, Claudia Gerini.

Sergio Castellitto, Penélope Cruz e Margaret Mazzantini



quinta-feira, 24 de maio de 2018

THE ALIENIST



Se o mundo investigativo e viceral de Mindhunter colidisse com a sombria e misteriosa névoa de Sherlock Holmes, o resultado seria algo próximo da nova série do canal TNT "The Alienist". Mas não se engane, caro Watson, a nova produção não é uma reportagem de crimes repetida. A adaptação americana do romance de mesmo nome, escrito por Caleb Carr, tem seu charme e seus pontos originais, mesmo considerando que ainda é cedo para fazer qualquer julgamento.


Como o título sugere, alienista nada mais é do que o termo usado no passado para denominar psiquiatras. O médico em questão é o Dr. Laszlo Kreizler (Daniel Brühl), que após o assassinato brutal de um jovem garoto prostituto na Nova York de 1896, passa a investigar o crime junto do jornalista e desenhista John Moore (Luke Evans), o qual fez os desenhos do corpo da vítima. Contrariando a crença da polícia, Laszlo acredita que havia ligação daquele assassinato com um antigo caso de seus pacientes. Só que o xerife o impede de prosseguir com suas investigações. É aí que entra Sara Howard (Dakota Fanning), um dos tiros certeiros da série, pois a personagem é uma secretaria de polícia, título bastante incomum (talvez até impossível) para a época. Sara é uma peça fundamental para ajudar os dois homens a investigarem o caso e não é de se duvidar que ela vai se juntar a eles nessa jornada perigosa e intrigante nos próximos episódios.


O roteiro é bem construído, envolto em um mistério que prende o espectador e em momento algum se torna pedante. As atuações são todas excelentes e convincentes, bem como a recriação de Nova York, dos figurinos, automóveis e utensílios. O ótimo tom de mistério da trilha contribui para mergulhar o espectador nessa trama sombria como um convite a esse imperdível jogo de caça a um assassino macabro que vale cada segundo.


(Comentários: Tom Carneiro)


IMDB: 7,8/ 10
Nota ( Tom Carneiro): 8,0/ 10

(Comentários: Tom Carneiro)

Ficha técnica: 
Nome original: The Alienist
País: EUA
1ª Temporada
Ano: 2018
Direção: Jakob Verbruggen
Elenco: Dakota Fanning, Daniel Bruhl, Luke Evans


MUDBOUND: LÁGRIMAS SOBRE O MISSISSIPI



O filme te deixa com um gosto amargo na boca. Conta a história de duas famílias no Mississipi, uma de negros e uma de brancos, na época que ainda (ainda?) se estabeleciam limites entre as duas raças. Muito estranho falar assim, "entre as duas raças"! Pressupõe mesmo que há diferenças.
A família McAllan é composta pelos irmãos James e Henry, o pai deles, Laura, que é casada com Henry e as duas filhas.
A saga começa com os dois irmãos, cavando uma cova para enterrar o pai (o Mike de Breaking Bad). Quando estão tentando descer o caixão, só os dois, com muita dificuldade, passa a carroça com a família Jackson, a de negros. Henry pede ajuda e Hap hesita. A um aceno de Florence, a indicada ao Oscar 2018 como atriz coadjuvante, ele concorda.
James McAllan e Ronsel Jackson voltaram recentemente da guerra, da Segunda Guerra Mundial. O que era para ser um alívio, já que estão vivos e inteiros passa a ser motivo de frustração. James pensa nas pessoas inocentes que bombardeou de seu avião, nos alemães jovens que morreram, que talvez tivessem família, filhos, enquanto ele se considera um homem inútil, de quem ninguém sente falta. Ronsel, o negro, durante a guerra era como todos os soldados, era reconhecido e elogiado, era alguém! E agora de volta a essa cidade depois de tantos anos ele encontra o mesmo preconceito, as portas dos fundos sendo apontadas para os negros. Trabalhar, trabalhar, sabendo que nunca terão direito a nada.
A vida da família McAllen também não era nada fácil. James não suportava o pai. Henry era um bom marido e bom filho, mas o pai também o humilhava. A esposa também não era feliz no meio daquela lama toda que era a fazenda. Na verdade, a família estava totalmente despreparada para aquela vida no campo.
Os destinos dessas duas famílias se cruzam de uma maneira trágica e, ao mesmo tempo comovente. Um filme bem pesado, de doer a alma e com ótimas atuações. São 134 minutos, é realmente longo, mas não consegui pensar em nenhuma parte que eu tiraria, todas as cenas foram necessárias, todos os diálogos foram tocantes, impecáveis. Um retrato do desalento!
Baseado no livro de Hillary Jordan, o filme produzido pela Netflix também concorre ao Oscar na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Recebeu o prêmio de melhor elenco no Gotham Awards.


IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 4/ 5



Ficha técnica:
Nome original: Mudbound
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Dee Rees.
Roteiro: Virgil Williams.
Elenco: Carey Mulligan, Mary J Blige, Garrett Hedlung, Jason Clarke, Jason Mitchell, Jonathan Banks, Rob Morgan.