Cinéfilos Eternos: Sergio Castellitto
Mostrando postagens com marcador Sergio Castellitto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sergio Castellitto. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de maio de 2018

NÃO SE MOVA



O que eu vou falar desse filme? Bem, a verdade, não é? E a verdade é que achei o filme bem cafona, aquele dramalhão tipo novela mexicana... sim, com a trilha sonora forçando pra nos emocionar (e consegue!) ... mas que trilha sonora! Daquelas que se a gente está acompanhada, quer dar um beijo na boca, ou se não está, já olha para os lados, procurando o seu "grande amor à primeira vista". As atuações são belíssimas. A Penélope consegue ficar feia e nos passa um desalento que nos toca até o fundo da alma. Sua personagem, a Italia, é uma pobre e coitada camareira, que não tem ninguém, mora em uma casa horrível, que assim mesmo vai ter que entregar. Porque era do avô que, antes de morrer, fez o favor de vender a casa. Não se preocupou com ela, ninguém se preocupa com ela. Acostumada a sofrer, sofreu abusos e aprendeu que para sobreviver precisava ficar quieta, parada. "Não se mova", ela aprendeu a dizer para ela mesma...
Com Timóteo, interpretado pelo próprio diretor do filme, não foi muito diferente. Ela aprendeu a ficar parada, a evitar qualquer movimento. Primeiro, por medo que ele não fosse embora, depois por medo que ele fosse. Ele, cirurgião bem-sucedido, foi parar naquele lugar porque teve um problema com o carro. Conheceu Italia. O lugar e ela o repugnavam, acostumado que estava com a linda esposa e sua casa ensolarada. Ao mesmo tempo, o lugar, e ela, o atraíam... era como se estivesse resgatando suas raízes, o mundo a que realmente pertencia. Aquela vida de luxos e as festas que era obrigado a frequentar com Elsa não lhe eram familiares. Era como se Timóteo estivesse no corpo de outra pessoa.
Ele conta para Italia que é casado. Mas ela, além de estar acostumada a não se mover, também estava acostumada com migalhas. O pouco que ele lhe dava era muito. O pouco era muito para quem nada tinha. E ela lhe pediu: "venha me ver uma vez por mês, uma vez por ano, mas não me deixes...". É como se ela lhe implorasse: "não se mova", "não mude o que existe entre nós", ...
O filme começa com um acidente sério com uma adolescente de moto. Timóteo vai descobrir que é sua filha, Angela. Enquanto luta pela vida dela, ao mesmo tempo que teme pela sua morte, ele vai se recordar do seu caso com a sofrida Italia, desde que a conheceu.
Baseado no romance de Margaret Mazzantini, que é a esposa na vida real de Sergio Castellitto e com quem tem quatro filhos. Em 2012, Castellitto dirigiu o premiado Venuto al Mondo (Prova de Redenção), que também foi adaptado de uma obra de Margaret. O estilo de Venuto al Mondo é também de rasgar o coração. E igualmente protagonizado por Penélope Cruz e com Sergio Castellitto no elenco.
Então, enquanto Angela está lá, entre a vida e a morte, enquanto a aflita Elsa não chega, Timóteo está lá, sozinho com suas recordações. Com suas reflexões. E percebe que também ele ficou preso no emaranhado de sua história. Ficou imóvel. Não se moveu!
E nós lá, os espectadores, chorando e roendo as unhas. desesperados com essa história avassaladora. Tristes com esse mundo injusto.
Agora, só um aparte, imaginem que eu estava vendo o filme e no meio da reprodução, deu problema. Aliás, pra contar tudo, primeiro o filme não estava reproduzindo a legenda. Depois, consegui a legenda, mas não estava sincronizada. Consegui outra legenda e o filme para no meio! Consegui a outra parte do filme, só que a legenda começava do princípio e o filme, do meio para o fim. E tive que ver o restante só com o áudio em italiano! É muita agonia, não é? Mas eu sei que eu queria porque queria saber o que acontecia com a Italia, Timóteo, Elsa e Angela.
Um filme poderoso e doloroso, mostrando a vida, inflexível, a manipular as pessoas, como marionetes. Essa vida que muitas vezes nos paralisa, que não permite que corramos atrás do que queremos de verdade, essa vida que parece às vezes sussurrar como o vento em nossos ouvidos, implacável: "NÃO SE MOVA"...
Enfim, imperdível!
IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Non ti Muovera
Outros nomes: Don't Move, No te Muevas
País: Itália, outros
Ano: 2004
Direção: Sergio Castellito
Roteiro: Sergio Castellito, Margaret Mazzantini
Elenco: Penélope Cruz, Sergio Castellitto, Claudia Gerini.

Sergio Castellitto, Penélope Cruz e Margaret Mazzantini



quarta-feira, 16 de maio de 2018

FORTUNATA



Haja coração para conhecer a história de Fortunata, interpretada por Jasmine Trinca. A romana virou a musa em Cannes pelo seu trabalho no filme. Recebeu o prêmio de Melhor Atriz na amostra Un Certain Regard 2017.

Além disso, Fortunata recebeu os prêmios Nastro d'Argento de Melhor Ator (Alessandro Borghi) , Melhor Som (Alessandro Rolla) e novamente Melhor Atriz (Jasmine Trinca).
O filme tem seus clichês, aquelas musiquinhas enfeitando as cenas, essas coisas. Mas nos conquista. Fortunata, recém separada de um marido violento, luta para sobreviver, trabalhando a domicílio como cabeleireira. Sempre correndo, quase não sobra tempo para a filha de 8 anos, que se queixa e está ficando agressiva. Seu sonho é abrir seu próprio salão, com seu amigo tatuador Chicano (Alessandro Borghi), em uma tentativa de um futuro diferente. Mas não consegue financiamento. Agora, ainda está sendo obrigada a levar a filha para fazer acompanhamento psicológico. A filha adora o psicólogo (Stefano Accorsi). Fortunata, sempre com pressa, às vezes suada, despenteada, mesmo assim é de uma sensualidade só e o psicólogo fica interessado nela.
Ela não é uma mãe perfeita mas transmite uma força, é uma mulher que vibra, obstinada em mudar de vida e dar uma vida melhor à filha. Mesmo sendo de uma classe social desprivilegiada, moradora na periferia de Roma, Fortunata anda sempre de cabeça erguida, acredita no seu valor e no seu direito de ser feliz. Mas a vida dela tem sorte apenas no nome, é selada por um difícil destino.
Um filme realista, realista de doer, mas que deixa uma certa poesia no ar.
Às vezes podemos ter atitudes condenáveis, mas por puro amor. O nome Fortunata talvez faça juz a alguém que tem capacidade de lutar, de acreditar, mesmo frente às adversidades.
Margaret Mazzantini, escritora e esposa de Sergio Castellito (diretor em Prova de Redenção, Não se Mova), é também filha do escritor Carlo Mazzantini. Seu primeiro romance, Il cantino di zinco (Marsílio, 1994) se transformou num sucesso de público e crítica. Para o teatro, escreveu a peça Manola (Mondadori, 1998) e o monólogo Zorro (2000). Não se mexa venceu o Prêmio Strega 2002 de melhor romance.


IMDB: 6,4/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Fortunata
Outros nomes: Lucky
País: Itália
Ano: 2017
Direção: Sergio Castellitto.
Roteiro: Margaret Mazzantini.
Elenco: Jasmine Trinca, Alessandro Borghi, Stefano Accorsi, Edoardo Pesce,