Cinéfilos Eternos: Stefano Accorsi
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sexta-feira, 8 de março de 2019

MADE IN ITALY





Uma vez vi um filme em que a história se resumia em: "o importante não é para onde se vai, mas para onde se volta". 
"Made in Italy" é um filme que nos remete a recordações: amigos que perdemos, família, amores, desgastados porque estamos desgastados, períodos que parecem ser uma vida inteira, onde não vemos saída para nossas mazelas, apenas sobrevivemos, ...
... a busca de um sentido, ...será que é só isso?

"Cosa ci faccio qui?!" (O que estou fazendo aqui?)
Você já se perguntou isso? Teve a resposta?
Costumo me perguntar se somos nós que fazemos nossas escolhas ou se somos escolhidos.
Uma amiga me disse essa semana que tem preferência pelos filmes italianos, por serem românticos e passionais.
Riko vive em uma pequena cidade na Itália em uma casa construída pelo seu avô, ampliada pelo seu pai e que ele, com o seu insignificante emprego há 30 anos em uma fábrica de embutidos (mortadelas "made in Italy") mal tem condições de manter. A situação da Itália não vai nada bem e o fantasma do desemprego assoma a todos. Ricco aconselha seu filho a sair da cidade, procurar outros ares, oportunidades diferentes da dele. A vida com sua mulher também não vai nada bem, ele desconfia que ela o esteja traindo. E Ricco vai seguindo assim, bebendo e jogando com seus amigos, uma aventura aqui, outra ali, para ele é só sexo. "Empurrando a vida com a barriga", como se diz no popular. 
Às vezes ele se pergunta: "Cosa ci faccio qui?!"

Uma vez ele se mete em uma confusão e leva uma cacetada na cabeça e desmaia. Perguntam-lhe o que ele pensou antes de desmaiar, ele diz que pensou que queria não pensar em nada.
Made in Italy recebeu o Nastro d’Argento de melhor história, mas não é filme que vá agradar às feministas. Porque Riko é o verdadeiro macho italiano. Ele tem amante, mas seu brio é afetado só de pensar que a sua mulher possa ter. A mulher com quem ele mal fala, mal dá atenção. Claro, como um bebezão, ele se queixa que a culpa é dela. A mulher é cabeleireira e o salão vai bem, mesmo que ele perca o emprego, o problema não chega a ser o dinheiro, mas sua autoestima de macho. E o filme todo é contado sob o ponto de vista de Riko. Não que a história em algum ponto o defenda, mas o carisma do ator (Stefano Accorsi) faz com que o vejamos com mais indulgência. Afinal, ele é o produto do meio cultural. E aqui fico me perguntando se os filmes italianos estão mais propensos a propagarem esse tipo de cultura. Se esse modelo de homem não é "made in Italy".
Sobre o diretor: Luciano Ligabue é um cantor e compositor italiano, além de escritor e diretor filmográfico. Ligabue nasceu na província de Reggio Emilia. Antes de tornar-se um cantor bem-sucedido, Luciano sustentou vários empregos, trabalhando com agricultura e em empresas.
Bem, mas é um filme que nos envolve: com suas belas músicas, mostra também vários lugares lindos da Itália. A queixa é sobre o que estão fazendo com a terra tão amada. É também uma bela história também sobre amizades e uma reflexão sobre afinal o que importa. Meio piegas? Sim, talvez. Como a paixão italiana.
"Cosa ci faccio qui?!"

"É necessário se ter uma aldeia,
nem que seja apenas
pelo prazer de abandoná-la.
Uma aldeia significa
não estar sozinho,
saber que nas pessoas,
nas plantas,
na terra,
há alguma coisa de nós,
que, mesmo quando
não se está presente,
continua a nossa espera." 
(Cesare Pavese).

O filme foi exibido durante o Festival de Cinema Italiano 2018. O festival começou em Lisboa, em 2008, e já tem 10 anos de sucesso passando por dezenas de cidades lusófonas e em três continentes diferentes. No Brasil, em 2017, os filmes foram exibidos em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e em 2018 Vitória, Goiânia, Belém e Florianópolis passaram a integrar o circuito.
IMDB: 5,9/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Made in Italy.
País: Itália.
Direção: Luciano Ligabue.
Roteiro: Luciano Ligabue.
Elenco: Stefano Accorsi, Kasia Smutniak, Fausto Maria Sciarappa, Walter Leonardi.


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

AQUI EM CASA TUDO BEM




Quem não amaria comprar uma casa numa linda ilha na Itália? Alba (Stefania Sandrelli) e Pietro (Ivano Marescotti) puderam realizar esse desejo e seus filhos guardam uma boa recordação de Ischia: uma bela casa em um lugar encantador, cheio de ruelas românticas e com o mar maravilhoso como vista. Aposentados e já morando na ilha, o casal quer realizar outro sonho: reunir a família toda para comemorar suas Bodas de Ouro. A princípio, como toda reunião familiar, tudo são flores. O evento é marcado ainda com a volta de Paolo (Stefano Accorsi), um dos filhos, escritor reconhecido, que estava há muito tempo morando fora.

A balsa chega com os convidados, não falta alegria e coisas para lembrar e comemorar. Chegam os filhos, Paolo solteiro, Carlo (Pier Francesco Favino) com sua esposa e sua filha mais nova e Sara (Sabrina Impacciatori) com seu marido e filho também. A ex de Carlo também foi convidada e vem com a filha mais velha dele e um amigo da filha. Tios, tias, primos e primas, uma festa só.
O clima fica meio tenso quando acabam as comemorações e todos se encaminham para o cais para voltar para suas casas mas são surpreendidos com a notícia de que não haverá balsa, devido ao mau tempo.
É certo que sempre em meio aos parentes existem alguns que não são muito desejáveis, dá para se tolerar em um encontro familiar, mas agora, devido ao imprevisto, todos terão que ficar mais tempo na ilha napolitana. Há que se acomodar todos na casa, providenciar lençóis, comida, bebida e se preparar para lidar com os desconfortos e pior: os prováveis conflitos. A mulher atual de Carlo, por exemplo, não entende porque a ex dele foi convidada e não poupa alfinetadas e agressões. Não deixa nem mesmo ele se aproximar da filha adolescente. Um parente apresenta a mulher grávida e tem a visível pretensão de resolver seus problemas financeiros naquela reunião.
O cinema italiano gosta muito de se utilizar de questões familiares. Gabriele Muccino é um diretor italiano que também faz filmes americanos: À Procura da Felicidade, Sete Vidas, Pais e Filhas, entre outros. Stefania Sandrelli é uma atriz italiana que fez vários filmes dirigidos por Bertolucci, Ettore Scola, Mario Monicelli, muitos diretores famosos. Atuou em O Último Beijo, também dirigido por Gabriele Muccino, onde Stefano Accorsi era o protagonista. Gostei muito da atuação de Pierfrancesco Favino (As Crônicas de Nárnia).
Apesar dos "barracos", um filme agradável, tenso em alguns momentos, divertido em outros. E vamos ver que as adversidades e as verdades reveladas talvez tenham servido para consertar algumas coisas. Será? Eu sei que fiquei só imaginando dar uma festa e os convidados não poderem ir embora depois. Cheguei até a me arrepiar, hahaha.

IMDB: 6,1/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: A Casa Tutti Bene.
Outros títulos: There Is No Place Like Home.
País: Itália. 
Ano: 2018
Direção: Gabriele Muccino.
Roteiro: Paola Mammini, Paolo Costella, Paolo Genovese.
Elenco: Stefano Accorsi, Stefania Sandrelli, Pierfrancesco Favino, Carolina Crescentini, Elena Cucci, Claudia Gerini, Gianpaolo Morelli, Valeria Solarino, Gianmarcco Tognazzi.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

FORTUNATA



Haja coração para conhecer a história de Fortunata, interpretada por Jasmine Trinca. A romana virou a musa em Cannes pelo seu trabalho no filme. Recebeu o prêmio de Melhor Atriz na amostra Un Certain Regard 2017.

Além disso, Fortunata recebeu os prêmios Nastro d'Argento de Melhor Ator (Alessandro Borghi) , Melhor Som (Alessandro Rolla) e novamente Melhor Atriz (Jasmine Trinca).
O filme tem seus clichês, aquelas musiquinhas enfeitando as cenas, essas coisas. Mas nos conquista. Fortunata, recém separada de um marido violento, luta para sobreviver, trabalhando a domicílio como cabeleireira. Sempre correndo, quase não sobra tempo para a filha de 8 anos, que se queixa e está ficando agressiva. Seu sonho é abrir seu próprio salão, com seu amigo tatuador Chicano (Alessandro Borghi), em uma tentativa de um futuro diferente. Mas não consegue financiamento. Agora, ainda está sendo obrigada a levar a filha para fazer acompanhamento psicológico. A filha adora o psicólogo (Stefano Accorsi). Fortunata, sempre com pressa, às vezes suada, despenteada, mesmo assim é de uma sensualidade só e o psicólogo fica interessado nela.
Ela não é uma mãe perfeita mas transmite uma força, é uma mulher que vibra, obstinada em mudar de vida e dar uma vida melhor à filha. Mesmo sendo de uma classe social desprivilegiada, moradora na periferia de Roma, Fortunata anda sempre de cabeça erguida, acredita no seu valor e no seu direito de ser feliz. Mas a vida dela tem sorte apenas no nome, é selada por um difícil destino.
Um filme realista, realista de doer, mas que deixa uma certa poesia no ar.
Às vezes podemos ter atitudes condenáveis, mas por puro amor. O nome Fortunata talvez faça juz a alguém que tem capacidade de lutar, de acreditar, mesmo frente às adversidades.
Margaret Mazzantini, escritora e esposa de Sergio Castellito (diretor em Prova de Redenção, Não se Mova), é também filha do escritor Carlo Mazzantini. Seu primeiro romance, Il cantino di zinco (Marsílio, 1994) se transformou num sucesso de público e crítica. Para o teatro, escreveu a peça Manola (Mondadori, 1998) e o monólogo Zorro (2000). Não se mexa venceu o Prêmio Strega 2002 de melhor romance.


IMDB: 6,4/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Fortunata
Outros nomes: Lucky
País: Itália
Ano: 2017
Direção: Sergio Castellitto.
Roteiro: Margaret Mazzantini.
Elenco: Jasmine Trinca, Alessandro Borghi, Stefano Accorsi, Edoardo Pesce,