Cinéfilos Eternos: Alessandro Borghi
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quarta-feira, 11 de julho de 2018

THE PLACE



Gentem, eu adorei esse filme. Ele se passa inteiro em um café - The Place - mais propriamente em uma mesa do café, mas você vai ficar hipnotizado. Nessa mesa, um homem misterioso (Valerio Mastandrea) passa seus dias, toma vários cafés, almoça, bebe, enquanto atende várias pessoas. Seus visitantes chegam e saem, contam-lhe o inconfessável, seus segredos mais ocultos ou seus desejos mais latentes. O objetivo é conseguir sua ajuda. O homem, de aparência sempre cansada, não julga e nem aconselha, anota tudo em uma grossa agenda e lhes propõe um acordo. Ninguém é obrigado a aceitar, ele deixa isso bem claro, mas as tarefas que essas pessoas terão que realizar em troca dos seus pedidos são além dos seus limites. "Quem é você?", eles se perguntam, muito embora prefiram não saber a resposta. "Como eu sei se você não é o Diabo?", arrisca alguém. "Não sabe", ele responde.
O filme é uma adaptação cinematográfica da série Booth at the End, que consiste em 5 episódios curtos dirigidos por Jessica Landaw, escrito por Christopher Kubasik e estrelado por Xander Berkeley e Kate Maberly. A série faz ao espectador uma pergunta: "quão longe você iria para conseguir o que quer?"
As espinhosas tarefas irão mexer com o valor moral de cada um. De fora todos nós praticamente iremos condenar quem as pratica ou que pelo menos cogita em praticar. Mas será que se estivéssemos na mesma situação, o que sentiríamos? O filme busca exatamente isso, nos questionar. Paolo Genovese quer testar não só os seus personagens, mas também o espectador. O filme propõe uma reflexão emocional e tão envolvente quanto possível sobre a natureza humana.
Os personagens revezam-se pelo café, cada um com seus dramas, com suas histórias, com seus desesperados anseios. Cada desejo revela alguma coisa de quem deseja. Alguns com propósitos mais simples, mas talvez não menos importantes para eles, quem somos nós para avaliar? O preço a pagar é proporcional e pode ser absurdamente alto. Algumas tarefas parecem não ter sentido algum.
Não se tratam de pactos para toda a vida ou para toda a existência. Cumpriu o acordo, o desejo é realizado. Podendo também desistir a qualquer momento. Exatamente nessa não obrigatoriedade está a questão, o tal homem funciona como um espelho de cada um, confrontando-os com seus valores e com suas reais necessidades.
Na verdade, a tarefa maior parece ser exatamente a dele, obrigado a testemunhar diariamente todas as mazelas humanas. Todos querem alguma coisa dele. A única pessoa que não pede nada e na verdade parece ter interesse em ouvi-lo, em conhecê-lo melhor, é Angela, a atendente do café.
The Place participou da 11ª Festa do Cinema Italiano. The Place é o primeiro longa do diretor Paolo Genovese depois do grande sucesso com Perfetti Sconosciuti, vencedor do prêmio David Di Donatello (considerado como sendo o Oscar italiano) e que tem uma versão espanhola na Netflix, dirigida por Álex de Iglesia.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 4,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Place.
País: Itália.
Ano: 2017
Direção: Paolo Genovese.
Roteiro: Isabella Aguilar, Paolo Genovese.
Elenco: Valerio Mastandrea, Sabrina Ferilli, Alessandro Borghi, Alba Rohrwacher, Marco Giallini, Giulia Lazzarini, Rocco Papaleo, Silvio Muccino, Silvia D'Amico. Vitoria Puccini, Vinicio Marchioni,

quarta-feira, 16 de maio de 2018

FORTUNATA



Haja coração para conhecer a história de Fortunata, interpretada por Jasmine Trinca. A romana virou a musa em Cannes pelo seu trabalho no filme. Recebeu o prêmio de Melhor Atriz na amostra Un Certain Regard 2017.

Além disso, Fortunata recebeu os prêmios Nastro d'Argento de Melhor Ator (Alessandro Borghi) , Melhor Som (Alessandro Rolla) e novamente Melhor Atriz (Jasmine Trinca).
O filme tem seus clichês, aquelas musiquinhas enfeitando as cenas, essas coisas. Mas nos conquista. Fortunata, recém separada de um marido violento, luta para sobreviver, trabalhando a domicílio como cabeleireira. Sempre correndo, quase não sobra tempo para a filha de 8 anos, que se queixa e está ficando agressiva. Seu sonho é abrir seu próprio salão, com seu amigo tatuador Chicano (Alessandro Borghi), em uma tentativa de um futuro diferente. Mas não consegue financiamento. Agora, ainda está sendo obrigada a levar a filha para fazer acompanhamento psicológico. A filha adora o psicólogo (Stefano Accorsi). Fortunata, sempre com pressa, às vezes suada, despenteada, mesmo assim é de uma sensualidade só e o psicólogo fica interessado nela.
Ela não é uma mãe perfeita mas transmite uma força, é uma mulher que vibra, obstinada em mudar de vida e dar uma vida melhor à filha. Mesmo sendo de uma classe social desprivilegiada, moradora na periferia de Roma, Fortunata anda sempre de cabeça erguida, acredita no seu valor e no seu direito de ser feliz. Mas a vida dela tem sorte apenas no nome, é selada por um difícil destino.
Um filme realista, realista de doer, mas que deixa uma certa poesia no ar.
Às vezes podemos ter atitudes condenáveis, mas por puro amor. O nome Fortunata talvez faça juz a alguém que tem capacidade de lutar, de acreditar, mesmo frente às adversidades.
Margaret Mazzantini, escritora e esposa de Sergio Castellito (diretor em Prova de Redenção, Não se Mova), é também filha do escritor Carlo Mazzantini. Seu primeiro romance, Il cantino di zinco (Marsílio, 1994) se transformou num sucesso de público e crítica. Para o teatro, escreveu a peça Manola (Mondadori, 1998) e o monólogo Zorro (2000). Não se mexa venceu o Prêmio Strega 2002 de melhor romance.


IMDB: 6,4/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Fortunata
Outros nomes: Lucky
País: Itália
Ano: 2017
Direção: Sergio Castellitto.
Roteiro: Margaret Mazzantini.
Elenco: Jasmine Trinca, Alessandro Borghi, Stefano Accorsi, Edoardo Pesce,