Cinéfilos Eternos: Carey Mulligan
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

VIDA SELVAGEM




Em um melancólico e real retrato de uma dona de casa, vivendo em uma época em que mulheres nem ao menos tinham voz, o estreante Paul Dano insere a personagem da talentosíssima Carey Mulligan em uma família suburbana e pobre cujo o marido (Jake Gyllenhaal), não diferente de muitos da época, coloca suas frustrações e problemas acima da própria esposa e do filho (Ed Oxenbould). 


O marido é demitido e, por orgulho, recusa todo e qualquer tipo de trabalho na cidade. Então, ele decide se juntar a um grupo de homens e partir para a floresta onde havia um grande incêndio, deixando para trás sua família. 

Desamparada e sozinha, a dona de casa começa a trabalhar para prover a si mesma e ao filho. O peso em seus ombros se torna ainda pior com as estradas nebulosas que ela percorre, destruindo ainda mais o filho, que tenta manter uma ponta de esperança de que a família ficaria bem. 

Eu sinto que eu preciso acordar, mas eu não sei de que ou para que...”, diz a mãe para o filho em um total momento de desespero e desnorteamento. 

Dano consegue fotografar perfeitamente uma família se despedaçando. Ele não só tem as mãos habilidosas para o triste projeto, como tem a sorte de ter três atores incríveis envolvidos e que tornam este longa ainda mais tocante e real. 

Em uma das cenas em que a mãe já está em total aceitação de sua situação, ela faz uma comparação do estado das árvores no grande incêndio com seu próprio estado após a partida do marido: 

“Você sabe como eles chamam as árvores em um incêndio florestal? Combustível. Você sabe como eles chamam as árvores depois que o incêndio passa? Eles as chamam de mortos em pé”. 

Talvez donas de casa sejam uma das parcelas da sociedade que mais sofreram caladas no passado (em países como o Brasil até hoje). Muitas infelizmente viraram cinzas, mas elas, como pilares das famílias, resistiram de pé, mesmo mortas por dentro.

Comentários e sinopse: Tom Carneiro.


IMDB: 7,2/ 10
Filmow: 3,7/ 5

Nota (Tom Carneiro): 4,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Wildlife 
País: EUA
Ano: 2018, EUA


Direção: Paul Dano
Roteiro: Paul Dano, Richard Ford, Zoe Kazan.
Elenco: Carey Mulligan, Jake Gyllenhaal, Ed Oxenbould.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

NÃO ME ABANDONE JAMAIS




Se em um futuro próximo criassem clones dos seres humanos? Eles seriam menos humanos? Não somos de certa maneira "clones" de nossos pais? Por mais que a rebeldia nos faça lutar contra isso, somos sempre geneticamente ou moldados pelo ambiente e pela sociedade clones uns dos outros. Isso nos faz menos humanos? Não temos todos os mesmos direitos de viver e amar?
Kathy (Carey Mulligan), Ruth (Keira Knightley) e Tommy (Garfield) são amigos íntimos que cresceram juntos num internato inglês. Em um lindo e melancólico cenário, vamos acompanhar suas vidas, seus anseios, seus medos e ansiedades. Eles têm conforto, boa alimentação e boa educação, no internato dirigido com mãos de ferro por Miss Emily (Charlotte Rampling). 
Rivalidades ameaçam acabar com a amizade entre os três amigos mas a vida mostrará que eles têm muito mais motivos para se apoiarem, para não se abandonarem jamais.
Kathy, Ruth e Tommy foram criados sem nenhum contato com o mundo exterior na adorável, porém misteriosa escola. Será que já vimos de tudo?

Baseado em um livro escrito por Kazuo Ishiguro, o drama nos faz pensar até que ponto a humanidade pode assumir escolhas que possam ser consideradas questionáveis em prol da sua própria salvação.
O diretor, Mark Romanek, é conhecido por dirigir videoclipes de Madonna, Fiona Apple, Beck e Sonic Youth, entre outros, além do longa Retratos de uma obsessão.
O filme, a princípio, parece ser uma história sobre amor, amizade, mas vai muito além disso. É uma história sobre destinos, sobre aceitar o destino. Em vários momentos, a câmera focaliza um pássaro. O pássaro, que é o símbolo da liberdade. Temos escolhas? Que liberdade será essa? A liberdade do corpo de seguir para onde quiser? Ou a liberdade da alma que sabe que cumpriu seu propósito?
IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,8/ 5


Ficha técnica: 

Nome original: Never Let Me Go
País: EUA, Reino Unida da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2010
Direção: Mark Romanek.
Roteiro: Alex Garland, Kazuo Ishiguro.
Elenco: Carey Mulligan, Keira Knightley, Andrew Garfield, Charlotte Rampling.

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO




Carey Mulligan interpreta Bathsheba Everdene, uma jovem independente e determinada, órfã de pai e mãe e que herda a fazenda do tio. 

Três homens querem casar com ela:

Gabriel Oak (Matthias Schoenaerts) foi o primeiro a se apaixonar por ela e a fazer o pedido. Na época ela ainda não tinha herdado nada e ele tinha uma pequena propriedade hipotecada e 200 ovelhas.
Bonito e divertido, ele promete cuidar dela e lhe dar um piano,flores, pássaros, ...

William Boldwood (Michael Sheen), fazendeiro e seu vizinho, rico, almejado pela maioria das moças casadoiras.

O sargento Troy (Tom Sturridge), desinibido e sedutor.

A nossa protagonista precisa resolver esse dilema e também outras questões de sobrevivência.
Gabriel perde suas ovelhas e por consequência as suas terras e acaba trabalhando na fazenda de Bathsheba. Se torna o braço direito dela, sempre atento e eficiente no trabalho.
Enquanto isso, o até então reservado Boldwood, que no passado teve alguma desilusão amorosa e até então não se interessava por mulher nenhuma, vê em Everdene a esperança de ser feliz.
O Sargento Troy tinha uma noiva, mas no dia do casamento ela não apareceu. Ele também vai parar na fazenda e esbarra com Bathsheba.
Atrevido, ele a elogia, ela o manda embora, mas percebe-se que ficou perturbada.
Num outro encontro,ele se exibe pra ela num jogo com sua espada e lhe pede que não se mova. A espada passa rente a ela várias vezes, 50 tons de farda vermelha, é evidente a excitação dela. Ele a beija e depois se vai. Que mulher resistiria a isso?

Romance em dose tripla, ambientado na Dorset de 1870, em um tempo em que as pessoas se apaixonavam com apenas um olhar e que era diferente uma moça que não queria se casar e que administrava uma fazenda. O filme precisa ser visto como uma produção de época que é, com uma encantadora fotografia e uma ótima interpretação da Carey Mulligan,

Adaptação do romance de Thomas Hardy, ao estilo Orgulho e Preconceito, é para os fãs de filmes de época e de bons romances clássicos. Corajoso o Vinterberg por se aventurar por esse gênero também.

Curiosidades:

1 - A obra já foi adaptada no longa Longe Deste Insensato Mundo (1967), com Julie Christie, e no telefilme Far from the Madding Crowd (1998);
2 - A atriz Carey Mulligan canta uma das canções da trilha sonora, "Let No Man Steal Your Thyme".


IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Far From the Madding Crowd
País, EUA, Irlanda do Norte, Reino Unido da Grã-Bretanha.
Ano: 2015
Direção: Thomas Vinterberg.
Roteiro: Thomas Hardy, David Nicholls.
Elenco: Carey Mulligan, Matthias Schoenaerts, Michael Sheen, Tom Sturridge.

Outra adaptação, de 1967, com a
atriz Julie Christie.





quinta-feira, 24 de maio de 2018

MUDBOUND: LÁGRIMAS SOBRE O MISSISSIPI



O filme te deixa com um gosto amargo na boca. Conta a história de duas famílias no Mississipi, uma de negros e uma de brancos, na época que ainda (ainda?) se estabeleciam limites entre as duas raças. Muito estranho falar assim, "entre as duas raças"! Pressupõe mesmo que há diferenças.
A família McAllan é composta pelos irmãos James e Henry, o pai deles, Laura, que é casada com Henry e as duas filhas.
A saga começa com os dois irmãos, cavando uma cova para enterrar o pai (o Mike de Breaking Bad). Quando estão tentando descer o caixão, só os dois, com muita dificuldade, passa a carroça com a família Jackson, a de negros. Henry pede ajuda e Hap hesita. A um aceno de Florence, a indicada ao Oscar 2018 como atriz coadjuvante, ele concorda.
James McAllan e Ronsel Jackson voltaram recentemente da guerra, da Segunda Guerra Mundial. O que era para ser um alívio, já que estão vivos e inteiros passa a ser motivo de frustração. James pensa nas pessoas inocentes que bombardeou de seu avião, nos alemães jovens que morreram, que talvez tivessem família, filhos, enquanto ele se considera um homem inútil, de quem ninguém sente falta. Ronsel, o negro, durante a guerra era como todos os soldados, era reconhecido e elogiado, era alguém! E agora de volta a essa cidade depois de tantos anos ele encontra o mesmo preconceito, as portas dos fundos sendo apontadas para os negros. Trabalhar, trabalhar, sabendo que nunca terão direito a nada.
A vida da família McAllen também não era nada fácil. James não suportava o pai. Henry era um bom marido e bom filho, mas o pai também o humilhava. A esposa também não era feliz no meio daquela lama toda que era a fazenda. Na verdade, a família estava totalmente despreparada para aquela vida no campo.
Os destinos dessas duas famílias se cruzam de uma maneira trágica e, ao mesmo tempo comovente. Um filme bem pesado, de doer a alma e com ótimas atuações. São 134 minutos, é realmente longo, mas não consegui pensar em nenhuma parte que eu tiraria, todas as cenas foram necessárias, todos os diálogos foram tocantes, impecáveis. Um retrato do desalento!
Baseado no livro de Hillary Jordan, o filme produzido pela Netflix também concorre ao Oscar na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Recebeu o prêmio de melhor elenco no Gotham Awards.


IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 4/ 5



Ficha técnica:
Nome original: Mudbound
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Dee Rees.
Roteiro: Virgil Williams.
Elenco: Carey Mulligan, Mary J Blige, Garrett Hedlung, Jason Clarke, Jason Mitchell, Jonathan Banks, Rob Morgan.