Cinéfilos Eternos

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A OUTRA TERRA



Não sei nem por onde começo, há tantas coisas a se dizer sobre esse filme...
Só a parte ficcional já é super interessante e envolve também a metafísica, que considero apaixonante. Um novo planeta é descoberto, ele estava escondido atrás do sol e finalmente pode ser visto. Acontece que ele é exatamente igual ao Planeta Terra, seria um segundo Planeta Terra, e aqui começamos a chamá-lo de Terra 2. Percebem a subjetividade? Para nós ele é o segundo planeta, mas se ele é visto aqui, também somos vistos de lá e certamente "eles" considerarão que são o planeta 1. E quem serão "eles"? Várias teorias começam a surgir, se ele tem as mesmas condições, então também há vida nele. Surge até uma teoria assustadora. Se ele é um duplo do nosso planeta, será que também tudo que há nele não é a duplicata daqui. Até mesmo as pessoas? E uma questão é colocada: você se reconheceria se confrontado com seu duplo? Uau, achei isso o máximo! Essa parte do filme me lembrou um outro, o Coherence.
Mas o filme não fica por aí. No mesmo dia que o tal planeta ficou visível, um trágico acidente entrelaça a vida de duas pessoas. Ela é Rhoda Williams, uma jovem brilhante recentemente aceita no programa de astrofísica do MIT e que pretende explorar o cosmos. Ele é John Burroughs, um compositor no auge de sua carreira e que encontra-se também na vida pessoal em uma fase muito boa, casado, sua mulher está prestes a ter o segundo filho. Rhoda perde o controle de seu carro, que colide com o de John. A partir daí, a vida dos dois vai mudar, irremediavelmente. Todos os sonhos escorrerão pelos ralos.
O que eu posso dizer é que você vai ficar com vontade de conhecer o tal planeta, mas o foco do filme é o drama que envolve a vida de Rhoda e John. Ela precisa fazer qualquer coisa por ele para se redimir, nem que seja um pouco. Ele não a conhece, mas a odeia, tentou descobrir na época quem ela era, tinha vontade de matá-la, mas como ela era menor, a lei a protegeu. Duas vidas marcadas por um sofrimento sem fim.
Que fotografia linda, que músicas encantadoras, o filme tem aquele clima melancólico que eu adoro. Conseguimos quase que apalpar a dor dos dois personagens.
Não conhecia essa atriz, muito bonita e talentosa. Ou melhor, depois lembrei dela, da séria The OA, aliás, que fim levou essa série? Ela também assina o roteiro e a produção. Brit Marling conheceu Mike Cahill, de quem também foi namorada e posteriormente fez com ele o documentário Boxers and Ballerinas, que foi quando ganhou reconhecimento pelo seu trabalho. Ela chegou a participar de audições nas quais foram oferecidos papéis em filmes de terror, mas rejeitou todos. Numa entrevista ao The Daily Beast, ela declarou que "queria ser capaz de escalar a si própria para papéis que não exigissem que ela fizesse as partes típicas oferecidas a jovens atrizes, como a namorada superficial ou uma vítima de crime". Mais tarde, se tornou uma estrela no Festival Sundance de Cinema, com os filmes Sound of My Voice (2011), Another Earth (2011) e The East (2013), tanto protagonizando quanto co-escrevendo em todos eles.
Já William Mapother é um antigo professor, graduado pela Universidade de Notre Dame. Ele lecionou em uma escola no Leste de Los Angeles por três anos antes de tornar-se ator. Ele é primo de Tom Cruise e foi assistente de produção em muitos de seus filmes, olhem que interessante!
Another Earth é um filme que vai te deixar reflexivo, só pela possibilidade de não estarmos sós no universo. Acreditamos estar observando mas e se na verdade estamos sendo observados? Todos nós cometemos erros, quem não erra, uns mais que os outros, mas se existisse uma Terra 2 realmente, isso significaria dizer que também existiria uma segunda chance, uma segunda oportunidade? Buscamos o perdão, mas se fossemos colocados frente a frente com nós mesmos,seríamos capazes de nos perdoar?
Aos 21 anos o diretor Mike Cahill teve um estranho sonho e quando acordou sentiu a necessidade de escrever a seguinte frase: “Os olhos dos mortos retornam nos recém-nascidos”. Catorze anos depois tornou-se interessado no tema da biometria através da íris. Junto com a lembrança da misteriosa frase do passado, Cahill escreveu o argumento do roteiro do filme I Origins (O Universo no Olhar). A produção independente estreou no Festival Sundance de Cinema de 2014 e ganhou o Prêmio Alfred P. Sloan Prize do festival, que reconhece os filmes que retratam ciência e tecnologia. A vitória foi a segunda de Cahill; seu filme Another Earth também ganhou o prêmio em 2011.
A Outra Terra pode ser considerado por muitos mais um filme sobre o tema do perdão e de segundas chances. Metaforicamente, as realidades paralelas existem, são espelhos de nós mesmos. Mas a direção sai do convencional, inserindo elementos que despertam a estranheza e nos seduzem. Como na lenda da sereia, o planeta 2 se aproximando cada vez mais nos deixa curiosos e perplexos, nos proporcionando uma experiência sutil e transformadora. E mostrando que Brit Marling é uma realizadora criativa e que pode nos surpreender com trabalhos futuros.

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Another Earth
País: EUA
Ano: 2011
Direção: Mike Cahill
Roteiro: Brit Marling, Mike Cahill
Elenco: Brit Marling, William Mapother.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

RICKY





Katie é a mãe solteira de Lisa e trabalha numa fábrica, onde conhece Paco, que passa a morar com elas no apartamento de baixa renda.
Katie engravida de Paco e nasce Ricky.
O bebê transforma toda a rotina da família.
A pequena Lisa, de 6 anos, está amuada, porque não é mais o centro das atenções.
Ricky chora dia e noite, afetando o relacionamento do casal.

Até aí, nada demais, não é? Não poderia haver história mais comum.
Mas de comum não há nada em Ricky, o bebê e mais novo membro da família.
É aí que esse diretor, que está se tornando um dos meus prediletos, nos surpreende.

A loucura do filme cresce pouco a pouco e, ao mesmo tempo, qual é a diferença entre um filho normal e um filho diferente? O amor de mãe será menor ou maior?
Ou talvez uma mãe se sinta especial por ter um filho especial?

O foco todo do filme, na verdade, está em Lisa, que se sente em segundo plano por um irmão que chama cada vez mais atenção.
Vemos nas cenas finais, ao som da bela canção The Greatest, de Cat Power, o sorriso voltar a surgir no rosto dela.
Você precisa ver esse filme com a mente aberta e dar asas à sua imaginação.
IMDB: 5,8/ 10
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Ricky.
País: França.
Ano: 2009
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Elenco: Alexandra Lamy, Sergi López, Mélusine Mayance

ANIVERSARIANTES


ANIVERSARIANTES


quarta-feira, 18 de julho de 2018

ANIVERSARIANTES


ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS



Vi ontem esse filme e confesso que me incomodou, tenso praticamente o tempo todo. Fui dormir com aquele mal-estar, com aquela sensação ruim, tentando entender o que realmente aconteceu, como se fosse possível, já que a própria polícia não conseguiu provar nada.
Saber que um criminoso desse tipo continua vivo, levando uma vida normal, se é que foi ele, não é?, porque também se não foi, estamos cometendo uma grande injustiça.
O filme começa com um romance maravilhoso entre David (Ryan Gosling) e Katie (Kirsten Dunst), ele, um milionário herdeiro de um império imobiliário, embora de negócios escusos, ela, uma moça simples e sensível. 
Eles se casam e aos poucos, o que parecia ser um conto de fadas se torna um pesadelo para Katie, devido à alma doentia de David.

O filme é baseado em fatos reais e é isso que impressiona mais! Eles se conheceram em 1971 e em 1982 Katie desapareceu e nunca mais foi encontrada. Não é spoiler, gente, é um filme sobre um acontecimento real.
Jarecki fez mais de 100 horas de entrevistas com pessoas próximas ao empresário, que na vida real se chama Robert Durst, para fazer o filme.
A fotografia é cheia de contrastes, porque embora de cores frias a maior parte do tempo, nos presenteia com a beleza do lago onde eles têm uma casa para o fim-de-semana.
Entre Segredos e Mentiras é baseado em fatos reais, mas vai além deles, ao exibir a sua versão sobre essa poderosa família nova-iorquina.
O resultado é um filme intenso, com poderosas atuações e uma bela trilha sonora.
Mas que, como disse no início, incomoda.


IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,4/ 5


Ficha técnica:
Nome original: All Good Things
País: EUA
Ano: 2011 
Direção: Andrew Jarecki
Roteiro: Marc Smerling, Marcus HincheyElenco: Ryan Gosling, Kirsten Dunst, Frank Langella

Robert Durst e Kathleen Durst





SENTIDOS DO AMOR



Como acontece a interação humana? Respondemos e agimos em decorrência de ações da natureza ou de simples situações cotidianas? Já parou para pensar que, por mais simples que seja, cada ruído, gosto ou sombra de algo são extremamente importantes para nossa vida?
Cientificamente, nosso corpo é composto por cinco sentidos: olfato, paladar, audição, visão e tato. São essas cinco capacidades que nos permitem apreciar praticamente qualquer coisa que exista. Mas o que dizer dos sentimentos? Seriam eles algo acima desse aspecto? Pois nós não precisamos sentir o gosto, ouvir o som, apreciar o cheiro ou enxergar alguma luz para amar ou odiar algo. Apenas precisamos ''sentir''. Seria o amor também um sentido humano?
'Sentidos do Amor, tradução um tanto comercial (mas se encaixa bem) para Perfect Sense (Sentido Perfeito), é um filme que faz o mesmo questionamento.
Na trama, Michael (Ewan McGregor) é chef de um restaurante ao lado do prédio onde mora a epidemiologista Susan (Eva Green). O casal se conhece casualmente e, enquanto uma espécie de doença totalmente desconhecida começa a propagar-se, os dois sentem a necessidade de estarem juntos. 
Iniciando um romance mesmo com suas diferenças, eles passam juntos pelo primeiro sintoma da doença: são tomados por uma forte depressão, lembrando de pessoas que morreram, amizades que se perderam e conflitos não resolvidos. Terminando esse ciclo, eles perdem completamente o olfato. Há um desespero inicial, as pessoas não entendem o que se passa e os médicos não sabem o que fazer. Transmite-se pelo ar? É vírus? Uma bactéria?

Os dias passam e a vida segue. As pessoas habituam-se, essa é uma qualidade humana. Aos poucos, a sociedade volta ao normal. Aliás, pra que serve o olfato? Podemos viver sem isso...
É quando o próximo sintoma vem e as pessoas perdem mais um sentido que vemos a dúvida e o desespero florescerem nos semblantes do casal. O que será daqui pra frente? Até onde essa ''doença'' irá levar a espécie humana? A partir daí, qualquer outro detalhe que eu descrever aqui poderá estragar a experiência única de assistir ao filme. Para quem viu Ensaio sobre a Cegueira (2008), trama que parte de premissa parecida, prepare-se para ver algo um pouco semelhante, porém de um ponto de vista diferente. Em Sentidos do Amor, há momentos de incrível tensão e desespero, mas a mensagem é mais otimista e até bonita, para ser sincero.
Tenho certeza que depois de assistir ao filme, você se perguntará se o amor é ou não é um Sentido Perfeito.

Texto e avaliação: Marcos Poli
IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 
Nota (Marcos Poli): 10/10

Ficha técnica:
Nome original: Perfect Sense.
País: Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2011
Direção: David Mackenzie
Roteiro: Kim Fupz Aakeson
Elenco: Ewan McGregor e Eva Green