Cinéfilos Eternos

sexta-feira, 29 de junho de 2018

EU MATEI MINHA MÃE



Nossa, dirigir um filme deve ser fácil demais. Não? Então como esse rapaz com apenas 19 anos conseguiu fazer essa beleza de trabalho já no seu primeiro longa?
Além da direção, Xavier é o produtor e ainda assina o roteiro, que escreveu aos 16 anos e é semi autobiográfico.
Ele também é o protagonista, Hubert Minel, um adolescente em conflito, por achar que odeia a mãe.

Chantale (Anne Dorval), como muitas mães que criam o filho sozinhas, precisa se dividir entre o trabalho que dá o sustento à família e os serviços de casa, além de dar atenção a Hubert.
Que além de tudo só sabe criticá-la ou então nem conversa com ela. Onde terá ido parar aquele menino com quem tinha tantas afinidades, com quem dividiu tantas coisas, tantos sonhos?

Hubert também sente falta daquela época, mas atualmente a mãe só o irrita, o constrange. Ele tem vontade de matá-la às vezes.

Uma história normal, mas é contada de uma maneira tão intensa, tão visceral. 
Me identifiquei diversas vezes com Chantale ao mesmo tempo que me coloquei no lugar de Hubert e entendi a raiva dele. O amor, principalmente o familiar, é complexo, porque envolve culpa. 
E no caso dos adolescentes, cada frustração, cada não recebido da mãe, é entendido como uma grande maldade, tudo vira um drama colossal.

A história de Hubert se complica porque ele é homossexual e a mãe do seu namorado Antonin (François Arnaud) é totalmente liberal, o que o faz inevitavelmente comparar a mãe com ela.

Não se preocupe com o título, "Eu matei minha mãe" não é literal, na verdade é uma declaração de amor entre mãe e filho.

Há muita coisa envolvida, Chantale tem medo de errar na disciplina com Hubert, ela também se ressente com ele, nem sempre tem paciência, talvez a vida a tenha endurecido, talvez não esteja sabendo mais demonstrar pra ele o quanto o ama.
Talvez nem soubesse mais o quanto o ama.
Tanto que quando ele revoltado lhe pergunta "Se eu morresse hoje, o que você faria?", ela para pra pensar e o ônibus vem e ele vai embora sem escutar a resposta dela: "Eu morreria amanhã".

A história é simples, mas é contada com grande eloquência, é um filme intimista e envolvente. Eu diria ainda genial!



IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 3,9 / 5

Ficha técnica:
Nome original: J'ai Tué Ma Mère
Outros nomes: I Killed My Mother
País: Canadá
Ano: 2009
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Xavier Dolan, Anne Dorval.


PRIMAVERA



Um idílico vilarejo na costa italiana... uma jovem bonita e interessante que o seduz... um emprego em uma fazenda...
Nada mal para quem precisava recomeçar sua vida. Evan é americano e acaba de perder sua mãe e, além da tristeza, um sentimento de abandono toma posse dele, porque ela era toda a sua família, ele está só no mundo. No dia do seu funeral, ele se mete em uma briga e fica também sem o emprego. Ele conhece uns caras que o convidam para dividir a gasolina e fazer turismo da Itália. É quando conhece Louise, uma estudante de Ciências, sensual, mas também muito misteriosa. O dono da fazenda gosta dele, é um outro solitário. O emprego propicia a Evan um lugar para dormir, aprender a língua e a oportunidade de se aproximar de Louise.
Um romance começa a florescer entre os dois, Louise é divertida, meiga, inteligente, a lua e o mar azul, azul, azul, ajudam, e os lugares incríveis, praças enormes, cafés e bares em locais que parecem escavados nas pedras, basílicas, museus e igrejas antigas, universidades onde estudaram poetas italianos famosos, um forte contexto histórico e cultural que remete ao passado, ... 
Um amor que desabrocha como a primavera... 
Mas Evan não demora a perceber que ela esconde um segredo.

O filme mescla comédia romântica com horror. A linda fotografia e a bela trilha sonora, composta por Jimmy LaValle encantam os sentidos, mas coisas estranhas começam a acontecer. Coisas bem estranhas...
Sim, é claro que a condução de algumas cenas levam ao velho clichê de que devemos aceitar as diferenças, à reflexão que também temos as nossas bizarrices, mas nem por isso as cenas de terror deixam de ser competentes e originais.
IMDB: 6,7/ 10
Minha nota:

Ficha técnica:
Nome original: Spring.
País: EUA
Ano: 2014
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson
Roteiro: Justin Benson
Elenco: Lou Taylor Pucci, Nadia Hilker, Francesco Carnelutti

quinta-feira, 28 de junho de 2018

ANIVERSARIANTES

Sabe aquele momento da vida que você tem a oportunidade de fazer parte da história de um produto de sucesso, mas simplesmente recusa? Foi exatamente o que aconteceu com o ator americano John Cusack quando recebeu um telefonema por parte de Steve Jobs. Jobs explicou que tinha intenção de fazer um comercial para um novo produto, usando o personagem do filme. Este novo produto era o iPod.
"Eu simplesmente disse “Eu não quero fazer um comercial”. Mas agora que eu penso em tudo isso, se eu tivesse feito, ele poderia ser “o” comercial. "

ANIVERSARIANTES

O papel que ela interpreta em Misery, película baseada no livro de Stephen King, como Annie Wilkes, é considerado como uma das melhores interpretações femininas da história do cinema e deu a ela o Oscar de 1990.

SIMPLESMENTE MARTHA



Bella Martha, nome original do filme da diretora Sandra Nettelbeck, é uma produção alemã, lançada em 2001, que conta a história de Martha Klein, a obstinada e perfeccionista chef de cozinha de um refinado restaurante de Hamburgo.
Prepare seus sentidos. A fotografia inspirada de Michael Berthl nos coloca no clima de uma cozinha de primeira linha, com os ingredientes sendo cortados e preparados com enorme capricho. Dá quase para sentir o cheirinho das deliciosas iguarias preparadas por Martha e por seus auxiliares.
"Não se pode pensar direito, amar direito, dormir direito, se não se jantar direito", observou uma vez a escritora Virginia Woolf.
Ao longo do filme, a relação entre saborear a vida e os alimentos vai se tornando cada vez mais clara. Martha se agarra no concreto das receitas, no sensorial dos gostos e cheiros, da limpeza e ordem externa. Quem sabe se para não olhar para sua vida pessoal, que é sem graça e solitária. Séria e compenetrada, ela cobra de sua equipe a mesma dedicação e, consciente do seu trabalho, não admite nenhuma crítica por parte dos clientes. O que causa alguns problemas para a dona do restaurante, que faz um acordo com ela: se ela quiser manter o emprego, tem que concordar em fazer terapia.
Mas Martha não se desliga de suas receitas e combinações nem durante suas sessões com o terapeuta:
"As trufas são perfeitas com qualquer prato com pombo, pois o delicado sabor da ave…"
Ele lhe pergunta o que a levou lá, ela responde que foi sua patroa que mandou. "E por quê ela te mandou fazer terapia?", pergunta ele. "Não faço a menor ideia", responde ela. A nossa Chef acaba ensinando receitas para ele. Ao provar um doce que ele fez, ela diz que está diferente e lhe explica que ela fica atenta ao ingrediente que ele não usou. O que seria uma boa dica para esse terapeuta, não é? Que tal ele prestar mais atenção ao que ela não fala?
Quando um acidente leva sua irmã, Martha se vê com a difícil tarefa de cuidar de sua sobrinha de oito anos. Não vai ser nada fácil, porque além dela ser totalmente envolvida com o trabalho, ela não sabe lidar com Lina. A única coisa que ela sabe fazer é cozinhar e a sobrinha se recusa a comer.
A entrada de Mario (Sergio Castellito) na história e na cozinha de Martha, já que a dona do restaurante está preocupada com o andamento das coisas vai trazer desconfiança por parte de Martha e descontração para a equipe. O Sou Chef é um extrovertido cozinheiro italiano, que coloca músicas e faz todo mundo dançar.
O filme consegue dosar drama e comédia na medida certa e é obrigatório para os amantes de "food movies". Está bem que é meio clichê, mas isso não tira o seu "sabor". Conquistou 14 prêmios e outras cinco nomeações e teve um remake americano, o filme Sem Reservas, com Catherina Zeta-Jones e Aaron Eckart.
IMDB: 7,3/ 10
Minha nota: 3,5/ 5.

Ficha técnica:
Nome original: Bella Martha.
Outros nomes: Mostly Martha.
País: Alemanha/ Itália.
Ano: 2001
Direção: Sandra Nettelbeck
Roteiro: Sandra Nettelbeck, Bettina Helmi, Michael Berti,
Elenco: Martina Gedeck, Sergio Castellito, Maxine Foerste, Ulrich Thomsen, August Zirner, Diego Ribon. Participação de Sandra Nettelbeck.

Cena do filme Sem Reservas,
com Catherina Zeta-Jones e Aaron Eckart.

A GAROTA NO TREM



Três mulheres: uma, a Anna, é casada com Tom e tem uma filha. Megan também é casada, ela e Luke moram numa linda casa próxima a de Anna. Luke quer muito ter filhos mas Megan não quer. Megan trabalha na casa de Anna e cuida do seu bebê. A terceira chama-se Rachel e não tem nada: nem casa, nem marido e nem filhos. Também perdeu seu emprego. Mora na casa de uma amiga, que pensa que ela ainda trabalha, porque sai todos os dias cedo e volta horas depois.
A amiga não sabe, mas Rachel passa seus dias viajando em um trem, todos os dias passa pelos mesmos lugares. Passa pela casa de Megan e de Anna. Rachel fantasia que é Megan, que mora naquela linda casa, que é feliz com o marido, que daqui a pouco terão um filho, um lindo filho. Seu pensamento percorre o jardim da casa de Megan, sua varanda, os aposentos de sua casa, dorme abraçada com seu marido...
Seus devaneios são interrompidos quando o trem passa pela casa de Anna. Ela não quer olhar, mas não resiste. É mais forte que ela.
Na verdade Rachel é a ex-mulher de Tom. Aquela casa já foi dela. 
Rachel escolheu cada móvel daquela casa. Da janela do trem ela os observa, felizes, com a filha nos braços. Pensa que aquela vida deveria ser a dela.
Rachel Watson sofre de depressão e alcoolismo. E não lida nada bem com o seu divórcio. Ronda a casa do ex, liga insistentemente pra casa dele e para o celular dele. Uma vez, enquanto Anna dormia, Rachel entrou na casa e pegou o bebê. Ela disse que só queria segurar. Mas Anna sente-se ameaçada.
Um dia Rachel acorda em casa toda suja de lama e de sangue e toda machucada, mas não se lembra de nada. Ela já teve várias vezes essas ausências quando bebia demais. Mas agora está chocada com seu estado. 
Ao mesmo tempo uma mulher desaparece perto de onde ela foi vista bêbada. 
E ela se vê totalmente envolvida na situação.
A história dessas três mulheres vai com certeza se entrelaçar.

O filme nos faz refletir o quanto é tolice desejarmos ter a vida dos outros. Por trás das aparências, nunca sabemos realmente o que se passa nas vidas e nas mentes deles. Além do mais, mesmo se alguém é muito feliz hoje não sabemos sua vida de amanhã. Por isso é sempre melhor ficarmos com nossa própria vida e tentar vivê-la da melhor forma.
O começo do filme é meio confuso, mas depois vai tomando forma.
É uma pena que não foi dirigido por um diretor mais experiente, seria um filme e tanto. Mas mesmo assim, vale à pena.

O roteiro é adaptado do livro de mesmo nome, da escritora Paula Hawkins, que foi um fenômeno editorial. Eu não li o livro, o que ajuda a gostar mais do filme.



IMDB: 6,5/ 10
Minha nota: 3,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Girl on The Train
País: EUA
Ano: 2016
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Erin Cressida, baseado na novela de Paula Hawkins.
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson, Justin Theroux, Luke Evans, Edgar Ramirez.

A GAROTA DO LIVRO





Alice sempre quis ser escritora, mas o seu instinto criativo parece estar bloqueado por um segredo do passado. Nem tão segredo assim, bem que ela tentou contar, mas seus pais não acreditaram nela. Ela sempre se sentiu ignorada e invisível. Mesmo sendo filha de um poderoso agente literário, tudo o que ela conseguiu nos seus 29 anos de vida foi procurar novos talentos para uma editora.
Quando ela é convocada para trabalhar no relançamento do livro de Milan Deneker, grande amigo de seu pai, ela é envolvida no turbilhão de lembranças que lhe provoca a história, porque simplesmente, embora todos os mais próximos finjam ignorar, ela é a garota do livro.
Alice precisará enfrentar seus demônios para finalmente poder se reencontrar.

Emily VanCamp ficou conhecida por seu trabalho em duas séries conhecidas: Everwood e Revenge. 
Michael Nyqvist, lembram dele? Era o jornalista Mikael Blomkvist na versão original e sueca "Os homens que não amavam as mulheres", aliás, de toda a trilogia Millennium, de Stieg Larsson.

Quanto à Marya Cohn, é sua estréia como roteirista/ diretora.
É óbvio desde o princípio que Alice é a garota do livro, não vejo o porquê da crítica pois não creio que a diretora quis criar nenhum suspense com isso. 
É mais uma reconstrução dos fatos e para mostrar a densidade psicológica da protagonista. Mas a narrativa é feita de uma forma bem interessante e as interpretações são muito boas. Recomendo sim.


IMDB: 6,2/ 10
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: The Girl in the Book
País: EUA
Ano: 2015
Direção: Marya Cohn
Roteiro: Marya Cohn
Elenco: Emily VanCamp, Michael Nyqvist, Ana Mulvoy, David Call.