quarta-feira, 4 de julho de 2018
MATE-ME POR FAVOR
Sob uma perspectiva adolescente, a história mergulha em um mundo quase isolado de adultos, e isso acontece de modo proposital, pois uma de suas críticas é justamente a ausência dos pais na vida dos filhos.
Embebido de alegorias e simbologismos, o filme acompanha a vida de Bia (Valentina Herszage), uma estudante de classe média que mora na Barra da Tijuca, RJ, com sua mãe e o irmão. Assassinatos estão acontecendo pela redondeza e a menina fica obcecada com aquilo enquanto a comunidade parece se apavorar e busca conforto em cultos e vigílias religiosos.
O ostracismo da juventude atual é traduzido por Bia com perfeição na medida em que ela se distrai e se atrai com facilidade pelo oculto e mórbido. A mortes a seduzem, em contrapartida suas atitudes são de indiferença a cada minuto da projeção. Inclusive essas mortes refletem com perícia a contagem de corpos na cidade maravilhosa, promovida fatalmente por uma violência indiferente às autoridades.
O interessante do longa, é também a abordagem com que os jovens e seus mundos são retratados. Por momentos isso é feito de maneira bem crua e perversa, além de um humor bem ácido.
A direção estilosa, com a ajuda da belíssima fotografia garantem um charme ao filme. E a trilha é bem característica do público abordado na história, bem como da cidade do Rio de Janeiro.
Infelizmente o filme foi vendido como um terror e, apesar da trama flertar com o gênero, em especial pela primeira cena, o pêndulo recai para o lado do drama. Inclusive o frio desfecho é tão triste quanto pesado.
(Comentários: Tom Carneiro)
*Telecine Play
IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 4/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Mate-me Por Favor.
País: Brasil e Argentina.
Ano: 2015
Direção: Anita Rocha da Silveira
Roteiro: Anita Rocha da Silveira
Elenco: Valentina Herszage, Dora Freind, Mariana Oliveira
Marcadores:
Anita Rocha da Silveira,
Argentina,
Brasil,
Década 2011- 2020,
Dora Freind,
Drama,
Latinos,
Mariana Oliveira,
Suspense,
Valentina Herszage
terça-feira, 3 de julho de 2018
ANIVERSARIANTES
O VAZIO DO DOMINGO
Quem espera ver um filme movimentado, não veja esse. É uma história de silêncios, de lacunas, de palavras não ditas, ... de vazios, não só de domingos vazios, de olhares vazios, sem esperança, o retrato do desalento. Um silêncio ensurdecedor, que fala por ele mesmo. Que desabafa, que pergunta, ... também não espere respostas, o autor não oferece esse caminho fácil, talvez não hajam, ... será que existem mesmo respostas para tudo?
Agora prepare-se para se deslumbrar com as interpretações e com as fotografias, não só da imponente casa e do luxo do princípio do filme, mas também do vilarejo entre a Espanha e a França, para onde vai Chiara com Anabel passar uns dias.
Dez dias. É o que Chiara pede à mãe que a abandonou aos oito anos de idade. "Como você sabe que ela é mesmo a sua filha?", perguntam à Anabel. "Eu me vejo nela", responde. Só isso que ela quer da mãe: dez dias, que ela bem sabe nunca irão preencher todos os domingos que ela passou à janela de sua casa, à janela de sua alma, a esperar que a mãe voltasse.
"Por que meu nome é Chiara?"
"Por causa de um famoso ator italiano, que não lembro o nome, que tinha uma filha com esse nome."
Algumas perguntas simples, que remetem ao passado, à intimidade.
O filme é intenso, também nós buscamos verdades, também nós queremos entender. Fomos condicionadas a não dar muita importância quando um pai vai embora. Mas uma mãe?Chiara nunca entendeu, a sensação de abandono esteve sempre presente em sua vida. Anabel também não entende o que a filha quer dela agora, depois de mais de trinta anos. Não parece ser uma aproximação. Chiara quase não fica com ela, quase não fala com ela. Os silêncios são devastadores. A raiva e a tristeza estão presentes, é fato. Será que Chiara quer justificativas? Mas ela não parece querer ouvir. E, como já disse, algumas coisas não têm explicações. Acontecem, como se tomassem um corpo próprio e sem nosso consentimento ou recusa, seguissem seu destino.
Drama pesado, desconfortável. Doloroso e tocante, ao mesmo tempo. Um rancor que precisava ser vomitado. Uma dívida de amor que precisava ser paga... um drama delicado, construído aos poucos pela visão do cineasta Ramón Salazar. Um filme que vai te deixar talvez também sem palavras...
Ramón Salazar é também diretor do filme 20 Centímetros, uma comédia musical adaptada do livro escrito por ele. O filme gerou diversas polêmicas quando o autor denunciou o Metrô municipal de ter se recusado a permitir as filmagens das cenas finais no local, alegando que um transexual jamais trabalharia nas bilheteria de lá e que a sequência causaria uma imagem errada da empresa e poderia ferir a suscetibilidade de seus trabalhadores. Só rindo, a gente vê cada coisa, em pleno século XXI.
Bárbara Lennie deslumbrou no Festival de Málaga, com sua beleza e frescor, recebendo o Prêmio Belleza Comprometida, dado no ano anterior à atriz Maribel Verdú. Adepta da beleza "de cara lavada", além de ter se tornado uma das atrizes com mais talento e mais solicitadas pela indústria cinematográfica espanhola, a naturalidade de Lennie tem chamado a atenção dos amantes do mundo da moda e da beleza. Pelo filme A Garota de Fogo, de Carlos Vermut, Bárbara Lennie recebeu o Prêmio Goya de Melhor Atriz.
Susi Sánchez é uma atriz espanhola que já participou de inúmeras produções, tanto de teatro, televisão quanto de cinema, trabalhando com os principais diretores espanhóis. Fez vários filmes com Almodóvar.
Quero deixar aqui, não tem legenda, mas para quem se interessar, até porque as imagens falam mais que os diálogos, o link do curta de Ramón Salazar, disponível no youtube, que é o prólogo de La Enfermedad del Domingo, vale a pena, também é de uma beleza...
IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Enfermedad del Domingo
Outros nomes: Sunday's Illness
País: Espanha
Ano: 2018
Direção: Ramón Salazar.
Roteiro: Ramón Salazar.
Elenco: Bárbara Lennie, Susi Sánchez,
segunda-feira, 2 de julho de 2018
CALLAS FOREVER
A maravilhosa Fanny Ardant interpreta aqui Maria Callas aos 53 anos, uma mulher deprimida e que vive do passado já que perdeu sua voz e também o grande amor de sua vida: Onassis.
Larry Kelly (Jeremy Irons), seu grande amigo e antigo produtor, vai tentar convencê-la que ela é para sempre uma grande artista e ele quer que ela interprete uma de suas grandes peças de novo. Com os novos recursos, Callas pode dublar ela mesma, dando oportunidade ao público jovem de conhecer o seu trabalho. Após muita insistência de Larry, Callas aceita interpretar Carmen e surpreende ao trocar todo o seu abatimento por uma grande energia.
É realmente encantador ver Fanny Ardant interpretando Maria Callas que interpreta Carmen.
Maria Kalogeropoulou, americana de origem grega, tornou-se Maria Callas e é considerada a maior celebridade da ópera do séc XX e a maior cantora de todos os tempos. Era saudada como La Divina. Morreu em Paris aos 53 anos.
Franco Zeffirelli herdou o amor por Shakespeare e pela ópera de uma tia que o criou. Mais tarde teve a oportunidade de trabalhar como assistente de Luchino Visconti, um dos maiores diretores de filmes, óperas e teatro do século, o que o impulsionou em suas escolhas artísticas, sempre salientadas com uma constante devoção aos clássicos e que ele constantemente transpôs ao cinema.
IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Callas Forever
País: Itália
Ano: 2002
Direção: Franco Zeffirelli
Roteiro: Franco Zeffirelli e outros.
Elenco: Fanny Ardant, Jeremy Irons.
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