sexta-feira, 29 de junho de 2018
LAURENCE ANYWAYS
Novamente a temática do AMOR nos filmes do Dolan.
Em "Eu Matei Minha Mãe" e "Mommy" é o amor entre mãe e filho.
Mesmo o primeiro falando sobre o homossexualidade e o segundo sobre transtorno de personalidade, o foco é o amor. Sempre o amor, em todas as suas formas.
Em, Laurence Anyways, o personagem (Melvil Poupaud) é um transsexual, mas o tema é apenas o pano de fundo para uma história de amor quase que visceral entre ele e sua mulher Fred (Suzanne Clément).
Os personagens dos filmes que Dolan dirige são complexos, é sofrido amá-los. Mas é justamente aí é que está toda a beleza. Amar o simples é fácil. Ser calmo quando não existem problemas é fácil. Mas os amores dos filmes do Dolan beiram ao ódio. É como se ele buscasse a verdade sobre o amor incondicional. É como se ele próprio precisasse provar que esse tipo de amor existe. Ou que deseje atrair esse tipo de amor para ele. Se amamos os personagens dele, podemos amá-lo também.
A história: é aniversário de Laurence e Fred resolve presenteá-lo com uma viagem a NY, achando que o deixaria feliz com essa surpresa. Mas quem ficará surpreendida é ela. Laurence diz que não quer fazer viagem nenhuma, que ele está sufocado, que precisa falar, que não pode deixar passar mais nenhum dia sem lhe revelar que deseja se tornar mulher.
Fred fica chocadíssima mas o seu amor por ele é tanto que resolve ajudá-lo. Tudo, menos ficar longe dele.
Será possível viver um amor assim, ao mesmo tempo tão intenso quando complicado?
Profissionalmente, Laurence, que era um respeitado e admirado professor, tinha a ilusão que o fato de se vestir de mulher não mudaria a forma como era visto. Mas se enganou.
Também não será fácil com relação aos seus pais e amigos.
Pra piorar, Fred, por mais que deseje, não segura a onda e entra em depressão. A vida do casal toma rumos inesperados, mesmo com a dimensão do amor deles.
Fora o drama, o filme usa uns efeitos estéticos muito interessantes, como a cena em que o casal está jantando e os figurinos deles estão em total harmonia com as paredes que estão atrás de cada um.
E a cena em que ela recebe o livro de poesias que ele escreveu e, à medida que lê, sentada no sofá de sua sala, é como se estivesse chovendo muito, uma tempestade de lágrimas, uma explosão de sentimentos, inundando todo o ambiente.
Os anjinhos barrocos mais uma vez aparecem aqui e ali, penso que são a assinatura do Xavier Dolan. E também as borboletas. Tem uma cena em que sai uma delas da boca do Laurence. As borboletas, que são símbolos de transformação e da liberdade. Linda a cena em que parecem voar um monte de peças de roupas, lembrando a cumplicidade que ele tinham
O filme deixa uma questão: o preço que pagamos para sermos autênticos, olharmos no espelho e nos reconhecermos, vale a pena? Com quem deve ser o nosso maior compromisso?
Sendo que mudanças pessoais podem influenciar mudanças sociais. Se ninguém tiver coragem, os paradigmas não serão alterados, nunca. Então, quando temos um compromisso de sermos verdadeiros com nós mesmos, assumimos ao mesmo tempo com a humanidade.
"- É uma revolta?
- Não, é uma revolução."
Aos impacientes, aviso que o filme tem quase 3 horas de duração, 168 min, mas para os que decidirem embarcar nessa aventura com o sentimento, acredito que amarão.
IMDB: 7,6/ 10
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Laurence Anyways
País: Canadá/ França
Ano: 2012
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Melvil Poupaud, Suzanne Clément, Emmanuel Schwartz
AMORES IMAGINÁRIOS
Não pude deixar de comparar o Nicolas (Niels Schneider) com o Tadzio, personagem do filme Morte em Veneza, de Luchino Visconti. Achei-os inclusive parecidos fisicamente, aquele jeito de anjo louro sedutor. Em Morte em Veneza, Gustav é um compositor austríaco que vai para Veneza, buscando repouso, porém não encontra a paz desejada porque desenvolve uma paixão doentia pelo jovem Tadzio, que incorpora o ideal de beleza que ele sempre imaginou.
Em Amores imaginários, Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri) são amigos inseparáveis e conhecem ao mesmo tempo Nicolas, que acaba de se mudar para Montreal.
Nicolas passa a representar tudo o que eles imaginaram numa pessoa e eles ficam obsessivamente apaixonados por ele, ao ponto da disputa abalar a antiga amizade.
De uma certa forma, Nicolas alimenta a paixão dos dois, se mostrando sempre encantador e atencioso e deixando dúvidas sobre se é hétero ou homossexual.
O duelo entre os amigos é sugerido pela canção Bang bang quando eles se preparam para ir a um café para encontrarem Nicolas.
Francis e Marie estão sempre tentando se encontrar a sós com o objeto de desejo deles, mas Nicolas acaba sempre convidando os dois, formando-se assim um triângulo amoroso, que embora platônico, é coberto de emoções.
O que podemos dizer do tema do filme? Amores imaginários? Mas não serão todos os amores entre um casal imaginários? Na minha opinião, quando nos interessamos por alguém, vemos nessa pessoa as qualidades que procuramos para amá-la. Eu penso que amamos o amor, não a pessoa. Amamos o que imaginamos. A partir daí, também nos esforçaremos em ser ou fingir ser aquilo que vai agradar à pessoa amada. Porque não queremos decepcioná-la. Mais pra frente, os véus vão caindo e começa a desilusão.
O filme é entremeado de depoimentos de pessoas que sofreram ou estão sofrendo decepções amorosas.
Novamente a temática amor nos filmes do Dolan.
IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Les Amours Imaginaires.
Outros nomes: Hearbeats
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Xavier Dolan, Monia Chokri, Niels Schneider, participação especial no final de Louis Garrel..
EU MATEI MINHA MÃE
Nossa, dirigir um filme deve ser fácil demais. Não? Então como esse rapaz com apenas 19 anos conseguiu fazer essa beleza de trabalho já no seu primeiro longa?
Além da direção, Xavier é o produtor e ainda assina o roteiro, que escreveu aos 16 anos e é semi autobiográfico.
Ele também é o protagonista, Hubert Minel, um adolescente em conflito, por achar que odeia a mãe.
Chantale (Anne Dorval), como muitas mães que criam o filho sozinhas, precisa se dividir entre o trabalho que dá o sustento à família e os serviços de casa, além de dar atenção a Hubert.
Que além de tudo só sabe criticá-la ou então nem conversa com ela. Onde terá ido parar aquele menino com quem tinha tantas afinidades, com quem dividiu tantas coisas, tantos sonhos?
Hubert também sente falta daquela época, mas atualmente a mãe só o irrita, o constrange. Ele tem vontade de matá-la às vezes.
Uma história normal, mas é contada de uma maneira tão intensa, tão visceral.
Me identifiquei diversas vezes com Chantale ao mesmo tempo que me coloquei no lugar de Hubert e entendi a raiva dele. O amor, principalmente o familiar, é complexo, porque envolve culpa.
E no caso dos adolescentes, cada frustração, cada não recebido da mãe, é entendido como uma grande maldade, tudo vira um drama colossal.
A história de Hubert se complica porque ele é homossexual e a mãe do seu namorado Antonin (François Arnaud) é totalmente liberal, o que o faz inevitavelmente comparar a mãe com ela.
Não se preocupe com o título, "Eu matei minha mãe" não é literal, na verdade é uma declaração de amor entre mãe e filho.
Há muita coisa envolvida, Chantale tem medo de errar na disciplina com Hubert, ela também se ressente com ele, nem sempre tem paciência, talvez a vida a tenha endurecido, talvez não esteja sabendo mais demonstrar pra ele o quanto o ama.
Talvez nem soubesse mais o quanto o ama.
Tanto que quando ele revoltado lhe pergunta "Se eu morresse hoje, o que você faria?", ela para pra pensar e o ônibus vem e ele vai embora sem escutar a resposta dela: "Eu morreria amanhã".
A história é simples, mas é contada com grande eloquência, é um filme intimista e envolvente. Eu diria ainda genial!
IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 3,9 / 5
Ficha técnica:
Nome original: J'ai Tué Ma Mère
Outros nomes: I Killed My Mother
País: Canadá
Ano: 2009
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Xavier Dolan, Anne Dorval.
PRIMAVERA
Um idílico vilarejo na costa italiana... uma jovem bonita e interessante que o seduz... um emprego em uma fazenda...
Nada mal para quem precisava recomeçar sua vida. Evan é americano e acaba de perder sua mãe e, além da tristeza, um sentimento de abandono toma posse dele, porque ela era toda a sua família, ele está só no mundo. No dia do seu funeral, ele se mete em uma briga e fica também sem o emprego. Ele conhece uns caras que o convidam para dividir a gasolina e fazer turismo da Itália. É quando conhece Louise, uma estudante de Ciências, sensual, mas também muito misteriosa. O dono da fazenda gosta dele, é um outro solitário. O emprego propicia a Evan um lugar para dormir, aprender a língua e a oportunidade de se aproximar de Louise.
Um romance começa a florescer entre os dois, Louise é divertida, meiga, inteligente, a lua e o mar azul, azul, azul, ajudam, e os lugares incríveis, praças enormes, cafés e bares em locais que parecem escavados nas pedras, basílicas, museus e igrejas antigas, universidades onde estudaram poetas italianos famosos, um forte contexto histórico e cultural que remete ao passado, ...
Um amor que desabrocha como a primavera...
Mas Evan não demora a perceber que ela esconde um segredo.
O filme mescla comédia romântica com horror. A linda fotografia e a bela trilha sonora, composta por Jimmy LaValle encantam os sentidos, mas coisas estranhas começam a acontecer. Coisas bem estranhas...
Sim, é claro que a condução de algumas cenas levam ao velho clichê de que devemos aceitar as diferenças, à reflexão que também temos as nossas bizarrices, mas nem por isso as cenas de terror deixam de ser competentes e originais.
IMDB: 6,7/ 10
Minha nota:
Ficha técnica:
Nome original: Spring.
País: EUA
Ano: 2014
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson
Roteiro: Justin Benson
Elenco: Lou Taylor Pucci, Nadia Hilker, Francesco Carnelutti
quinta-feira, 28 de junho de 2018
ANIVERSARIANTES
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