Cinéfilos Eternos

domingo, 4 de novembro de 2018

INFILTRADO NA KLAN




A extraordinária história verídica do policial negro que se infiltrou na Ku Klux Klan. 
"Em uma fria manhã de novembro de 1978, o jovem policial americano Ron Stallworth deteve seu olhar em um classificado no jornal. "Ku Klux Klan. Para sua informação", dizia o anúncio, seguido de um endereço para envio de cartas.
Ele respondeu ao anúncio, imaginando que isso poderia levá-lo a uma investigação que daria um impulso em sua carreira de detetive.
Mas havia um detalhe: Stallworth, de 25 anos, era um homem negro querendo se infiltrar no grupo mais conhecido de supremacistas brancos dos Estados Unidos, famoso por suas perseguições racistas". (Fonte: BBC News, 14/08/2018)

O premiado filme do diretor Spike Lee baseia-se no livro que Stallworth publicou em 2014, detalhando como foi a operação para sua entrada na KKK e o momento em que conheceu seu polêmico líder, David Duke. 
Ícone do cinema afro-americano, Spike sempre abordou a temática racial abrindo as portas em Hollywood para uma conscientização sobre os problemas sociais do país.

No filme, Ron Stallworth é interpretado pelo ator John David Washington. John é o filho mais velho da atriz Pauletta Washington e do conhecido ator Denzel Washington, que interpretou Malcolm X, no outro filme de Spike Lee, sobre o líder afro-americano que tem o pai assassinado pela Klu Klux Klan e sua mãe internada por insanidade. Também jogador de futebol, John, em 2015, surpreendeu o público ao interpretar Ricky Jerret, no seriado Ballers, transmitido pela HBO.
Continuando: no filme Ron consegue se infiltrar na Ku Klux Klan local, comunicando-se por telefonemas e cartas. Mas havia um detalhe: Stallworth, de 25 anos, era um homem negro e volta e meia solicitavam sua presença física. Para isso, foi montado um esquema em que um outro policial branco, interpretado por Adam Driver, ia no seu lugar e era monitorado por ele. Seu prestígio dentro da seita foi aumentando tanto que tornou-se o líder dela. Um fator que influenciou sua reputação foi o fato de saberem que ele mantinha contato com ninguém menos que David Duke, um polêmico político americano, nacionalista branco, teórico da conspiração antissemita, negador do Holocausto e ex líder da Ku Klux Klan.
Em nome de Deus, os membros da Klan não só odiavam os negros, mas também os judeus e os homossexuais. Assim como eles, existem várias pessoas que defendem os direitos "brancos" até hoje! Em 2017 houve uma manifestação na Virgínia, EUA, que terminou em um conflito, inclusive com uma morte, mas Trump argumentou que o confronto se se deu porque houve violência dos dois lados, que nem todas as pessoas que estavam ali eram supremacistas brancos e nem neonazistas, que ali no meio haviam muitas pessoas DO BEM.
David Duke continua na política: “Trump nos empoderou. Foi o esmagador voto branco que o colocou na Casa Branca, e ele deveria se lembrar disso", diz o supremacista branco em entrevista. Após anos soterrada, a direita racista volta a aflorar nos EUA. Figuras como Duke, profundamente criticado em seu feudo na Louisiana, têm saído da obscuridade.(Fonte: El País, 20/08/2017).
IMDB: 7,7/ 10
Filmow: 4,3/ 5
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: BlacKkKlansman
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Spike Lee
Roteiro: Spile Lee, outros.

Elenco: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier.


Ron Stallworth 




sábado, 3 de novembro de 2018

TRANSIT



Enquanto escrevo sobre um filme, procuro entender suas complexidades. Muitas vezes começo sem ter gostado tanto e acabo adorando. Algumas pessoas comentam que ficaram muito interessadas em ver depois do que eu expus, não sabem elas que eu também convenci a mim mesma da importância, ou da beleza, ou das duas coisas, do filme.
Petzold, Christian Petzold, faz parte dos diretores de cinema vivos por quem tenho admiração. O cineasta e roteirista alemão de 58 anos é considerado um dos principais expoentes do movimento cinematográfico contemporâneo conhecido como Escola de Berlim. Recebeu, entre outros prêmios, o Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim, em 2012, pelo filme Barbara.
Transit estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 17 de fevereiro deste ano.
A primeira coisa que quero entender é porquê ele usou a França da época atual para mostrar a ocupação da Alemanha nazista. Sim, a situação é a mesma, principalmente em Paris, as pessoas precisam fugir, negócios como hotéis são abandonados, famílias são separadas, na rua diversos homens com metralhadoras caçam suas vítimas, o desespero está instaurado! Como sei que é a época atual? Pelos carros modernos e todo o contexto. Talvez o diretor não tenha achado importante esses detalhes? Não creio. Ou talvez ele queira mostrar que a guerra continua, mesmo que invisível. O que vocês acham?
Georg (Franz Rogowski), o nosso personagem principal recebe uma missão de entregar uma carta para um escritor em um hotel próximo. Em troca de dinheiro e de um lugar em um carro para fugir de Paris. Chegando lá, ele toma conhecimento que o tal escritor se suicidou. De posso dos manuscritos e de seus documentos de identidade, ele consegue chegar em Marseille, mas deseja ir para o México.
Em Marseille, uma misteriosa mulher volta e meia passa por ele, chega a abordá-lo, talvez confundindo-o com alguém. Marie, na verdade, é a esposa do escritor e procura por ele. Georg começa a se apaixonar por ela. Quem interpreta Marie é a bela Paula Beer, com seus olhos expressivos, a mesma que fez a Anna, no filme de François Ozon, Frantz, lembram?
Bem, no meio a tantos problemas ocasionados por uma guerra, Petzold desenha esse drama. Marie não sabe que busca um fantasma. Georg está apaixonado por ela e quer tirá-la de lá e é o único que pode fazer isso, como o suposto marido dela. Mas como revelar isso para Marie?
Nem preciso dizer que me encantei com o filme, não é? Quem me conhece sabe que é exatamente esse tipo de história que me atrai, ainda mais feita com esse grau de experimentação. Só um diretor genial para ter essa ideia. Transit é baseada em uma novela de 1942. A história é a mesma da novela, os fascistas ocupando a França, mas não há carros blindados e sim policiais comuns pelas ruas do século XXI.
Uma história de fantasmas, amores, fugas e desencontros.
IMDB: 6,9/ 10
Filmow: ainda sem nota
Minha nota: 4/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Transit.
Pais: Alemanha
Ano: 2018
Direção: Christian Petzold.
Roteiro: Christian Petzold.
Elenco: Franz Rogowski, Paula Beer, Godehard Giese, Alex Brendemuhl (Um Instante de Amor, O Médico Alemão)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

ANIVERSARIANTES

Joyeux anniversaire!Mathieu Amalric (Neuilly-sur-Seine, 25 de outubro de 1965) é um ator e cineasta francês. Recebeu o troféu César de melhor ator coadjuvante em 1997 pelo filme Comment je me suis disputé...(ma vie sexuelle), de Arnaud Desplechin, e depois duas vezes o de melhor ator: em 2005, por Rois et Reine, também de Arnaud Desplechin, e em 2008 por O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

CHET BAKER - A LENDA DO JAZZ




Quando conheci o Chet Baker (não pessoalmente!), ele já era feio. Mas como todos que o conheciam, fui envolvida imediatamente pelo som doce do seu trompete e pela sua voz, que parecia sussurrar. Morreu aos 58 anos com a aparência de 80, velho, enrugado, faces encovadas, acabado pelo seu envolvimento com drogas, especialmente a heroína. Mas nem sempre foi assim, na juventude arrebatou corações também pela sua beleza física e era chamado o James Dean do Jazz. Era considerado o gênio branco do jazz.
“Cuidado, há um gato branco e pequeno na Costa Oeste que vai comer você”,
teria dito Charlie Parker, o famoso Bird, acerca de Chet para Dizzy Gillespie. Baker era apenas um jovem de 22 anos que acabara de desertar do exército.
O filme Born To Be Blue, ou Chet Baker - A Lenda do Jazz, foi uma agradável surpresa que encontrei na Netflix. A cinebiografia não mostra a infância de Chet, que foi criado até os dez anos numa quinta em Oklahoma, filho de pai guitarrista e de mãe pianista. Nem o seu final de vida, quando foi encontrado morto após cair ou se jogar pela janela do hotel onde estava hospedado, em Amsterdam. Mas mostra sua vida nômade e desorganizada, sempre precisando de dinheiro e de afeto. Teve muitas mulheres: Charlaine, Halema, Diene, Ruth, Carol, ... O filme optou por sintetizar toda sua vida amorosa em uma personagem só: Jane, interpretada pela atriz Carmen Ejogo.
Chet é magistralmente interpretado por Ethan Hawke. O filme começa com Chet em uma prisão na Itália e depois ele é convidado para fazer um filme, uma cinebiografia, que é quando conhece Jane, que no filme também é sua mulher. Chet Baker, como James Dean, era uma espécie de "bad boy" e Hollywood quis que ele interpretasse ele mesmo. 
Mas aí ele foi preso.e eles mudaram a história um pouco, e colocaram Robert Wagner e Natalie Wood e chamaram o filme de All the Fine Young Cannibals.

Born To Be Blue alterna partes da vida real de Chet com cenas do filme que ele está fazendo, vai para trás e para a frente no tempo, do preto-e-branco para o colorido, então fica um pouco confuso se você não prestar bem a atenção. Há momentos em que não temos certeza de qual realidade estamos vendo, mas ficamos mesmo assim vidrados nas cenas.
Avesso às partituras, Chet preferia tocar de ouvido, um hábito que o acompanhou durante toda a sua carreira. O envolvimento de Chet com as drogas lhe trouxe todos os tipos de problemas familiares e profissionais. Ele foi preso muitas vezes, ficou em condicional. precisando arrumar um emprego fixo, como era a exigência. Passou por várias humilhações e sofrimento, porque era quase impossível tocar, após perder vários dentes em uma briga. Ele teve que acreditar e trabalhar duro. Ainda tinha que enfrentar suas crises de abstinência, que eram monitoradas por médicos e metadona.
A fotografia de Born To be Blue é linda e a forma como o Ethan se entregou ao personagem é comovente. Ele captou perfeitamente os pequenos gestos e sutilezas do grande astro do jazz, seu jeito melancólico e doce de falar e de cantar.
Baker alcançou grande notoriedade com sua primeira versão de My Funny Valentine.
♪ Stay little valentine. Stay. Each day is valentine's day♪
(Fique, namoradinha. Fique. Todo dia é dia dos namorados).

Ele ajudou a estabelecer o que viria a ser identificado como “cool jazz”: uma música econômica, de poucas notas, mais tranquila e fria, oposta ao bebop incendiário de Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bud Powell, cujos temas tinham ritmo veloz e fraseados cheios de notas.
As drogas e os escândalos ajudaram a tornar Chet um mito e também por destruir sua beleza. Mas o seu incrível talento cativou o mundo. Conhecer a vida dele é passar por uma experiência emocionante e devastadora. E certamente inesquecível!
Sofrendo com o medo de subir ao palco, ele tenta, às lágrimas, explicar a relação entre seu vício e tocar seu instrumento: "Isso me dá confiança", ele explica em um sussurro rouco. "O tempo se alarga, se expande, e eu posso entrar em cada nota."
Born To Be Blue é a história de amor que não conseguiu salvar Chet Baker.

IMDB: 6,9/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Born to Be Blue.
País: EUA
Ano: 2016
Direção: Robert Budreau
Roteiro: Robert Budreau

Elenco Ethan Hawke como Chet Baker, Carmen Ejogo, como Jane/ Elaine.
Chet Baker.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

OS 33



Faz pouco tempo o mundo se emocionou com o resgate de 12 meninos e de seu técnico de futebol, presos por 17 dias em uma caverna na Tailândia.
Isso me lembrou do desmoronamento de uma mina em Capiapó, Chile. onde ficaram presos 33 mineradores a mais de 700 metros abaixo do nível do mar. O fato ocorreu em 2010 e emocionou o mundo igualmente mas, acho que com o passar do tempo, ou a gente vai se esquecendo ou até não acompanhou todos os detalhes. Ainda bem que existem os filmes para nos lembrar!
Em The 33, o líder Mario Sepúlveda é interpretado pelo ator Antonio Banderas. Os 33 homens, presos em um lugar chamado refúgio, são surpreendidos, além da tragédia, com o fato de que o local não tem as escadas que deveria ter, os medicamentos são pouquíssimos e a comida armazenada mal dará para três dias. Em meio ao nervosismo, o pânico, começam a brigar e Sepúlveda toma a frente para racionar os alimentos e injetar ânimo nos colegas. Rodrigo Santoro tem uma ótima participação filme no papel do Ministro da Energia Laurence Golborne, que foi decisivo para o sucesso do resgate, que durou 69 dias. Gabriel Byrne como o engenheiro chefe faz o possível para conseguir que os mineiros sejam resgatados, enfrentando dificuldades técnicas e o próprio tempo. Juliette Binoche é Maria Segovia, irmã de um dos mineiros. Por decisão do Ministro, ela e todos os familiares são acomodados do lado de fora, com refeitório, atendimento médico e até uma escola provisória para as crianças.
Não há como não se emocionar como o filme que, no entanto, passa longe de ser piegas. Ótimas atuações e riqueza de detalhes.
Contra tudo e contra todos, eles resolveram ter esperança:
"Acredito que sairemos daqui porque escolho acreditar." (Mario Sepúlveda)

Embora sob os olhos do mundo, a negligência, movida pela ganância que quase matou 33 trabalhadores resultou em uma investigação sem culpados. Os mineradores também não foram indenizados. As condições de segurança não melhoraram. A verdade é que poucos se importam.
Para compensar os riscos e a má reputação da mina San José, os empregados recebiam salários mais altos que a média de seus colegas em outras minas. O soterramento dos 33 mineiros, ocorrido em 5 de agosto de 2010, às 14:00, é considerado o pior acidente do país nesse tipo de trabalho. O primeiro a ser resgatado foi Florencio Ávalos no dia 13 de outubro e o último foi Patricio Sepúlveda, encerrando assim, o maior resgate nesse tipo de salvamento no mundo. Os 33 mineiros resgatados são como irmãos até hoje.

IMDB; 6,9/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The 33
Outros nomes: Os 33, Los 33
País: EUA/ Chile.
Ano: 2015
Direção: Patricia Riggen.
Roteiro: José Rivera, Mikko Alanne.
Elenco: Antonio Banderas, Juliette Binoche, Rodrigo Santoro, Gabriel Byrne, Mario Casas, Lou Diamond Phillips , Bob Gunton.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

AMOR SEM PECADO




O filme é uma adaptação do livro As Avós, de Doris Lessing, que, por sua vez, parece que também foi baseado em uma história real.
Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, "bocejante", além do qual o "verdadeiro oceano rugia e roncava", é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria - e eles se tornam adolescentes encantadores. Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra. 
Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção. Temas como amizade, maternidade e sexualidade ganham novos contornos enquanto Doris Lessing esmiúça as complexidades e armadilhas da forte ligação entre essas duas mulheres, e retrata a força com que elas confrontam as convenções familiares e sociais de sua época.

O filme, altamente edipiano, segue a mesma linha, sem lições de moral. A diretora e roteirista francesa Anne Fontaine (Agnus Dei, Coco antes de Chanel, Gemma Bovery) procura o mesmo tom, leve e elegante e talvez por isso tenha sido criticada por tratar dessa maneira, para muitos leviana, um tema tão transgressor. A história possui várias reviravoltas e um final surpreendente. E deixa um questionamento: até onde vai a liberdade para amar?



IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,2/ 5



Ficha técnica:
Nome original: Adore.
País: Austrália/ França.
Ano: 2013
Direção: Anne Fontaine.
Roteiro: Anne Fontaine, Christopher Hampton, baseado na obra de Doris Lessing.
Elenco: Naomi Watts, Robin Wright, Xavier Samuel, James Frecheville.

22 DE JULHO





Com seu estilo realista de fazer lembrar a verdade, o mesmo diretor de Vôo United 93 e Capitão Phillips volta à direção para recontar o trágico episódio ocorrido na Noruega no dia 22 de julho de 2011.

Para quem não lembra, uma explosão junto aos prédios onde se situa o gabinete do primeiro-ministro da Noruega Jens Stoltenberg, danificando vários edifícios e provocando oito mortos e numerosos feridos, em Oslo, foi seguida por um tiroteio poucas horas depois, na ilha de Utøya, onde faziam seminário vários jovens do Partido Trabalhista Norueguês. Os atentados foram cometidos por Anders Behring Breivik, norueguês da extrema direita, 32 anos, em oposição à sociedade multicultural.

O balanço dos dois atentados resultou em 77 mortos e cerca de 200 feridos.

Adaptação do livro "One of Us", de Åsne Seierstad. A história de Anders Breivik e do mais chocante atentado terrorista da Noruega pelo olhar da autora de O livreiro de Cabul.
Investigadora de rara habilidade, correspondente internacional consagrada, Åsne Seierstad passou anos escrevendo sobre as pessoas envolvidas em conflitos violentos ao redor do mundo.

O filme, que foi exibido nos festivais de Veneza e Toronto e indicado ao Leão de Ouro, tem 133 minutos e li comentários sobre ser longo demais, cansativo, mas eu vi num fôlego só. A primeira parte do filme mostra os atentados, testemunhamos principalmente o pânico daqueles jovens, muitos adolescentes ainda, tentando escapar da chacina. As cenas são de um realismo gritante, só acho que ainda poderia ser melhor se em vez da língua inglesa fosse utilizada a língua norueguesa mesmo. A segunda parte foca nos sobreviventes e suas sequelas, principalmente em Viljar e no julgamento de Anders, mostrando a sua assustadora frieza. O filme não deixa de abordar também as possíveis falhas de segurança do governo do Primeiro Ministro, pois como uma pessoa compra aquela quantidade de material para confeccionar bombas e isso passa despercebido? Nos incomoda também a relação do advogado com o cruel assassino. Sabemos que todos têm direito à defesa, mas a reprodução das cenas no tribunal certamente vão enfurecer o espectador.



IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica: 

Nome original: 22 July.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Paul Greengrass

Elenco: Anders Danielsen Lies, Jonas Strand Gravili, Jon Øigarden.
O verdadeiro Anders Behring Breivik no julgamento.