Cinéfilos Eternos

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

MAIS UMA CHANCE


Sinopse: Na casa dos 40 anos, uma autora (Kathryn Hahn) se submete a várias fertilizações, pois deseja ser mãe. A situação acaba colocando em risco o relacionamento dela com o marido (Paul Giamatti), um produtor teatral e dono de um negócio, que está cansado de tentar ajudar a esposa a engravidar.


O filme tem várias camadas. A primeira é essa colocada aí na sinopse: com a intenção de formar uma família, às vezes o casal fica tão obcecado que isso interfere na relação deles. Rachel e Richard formam um casal com tantas qualidades, eles se respeitam, os dois são artistas, ela uma escritora, ele, um produtor teatral, eles têm uma vida razoável, não são ricos, mas têm uma vida confortável, podem viajar, se divertir, ... mas querem um filho, e Rachel, já na casa dos 40, não consegue engravidar. Já fez vários tratamentos, fertilização, já tentou adoção, mas tudo dá errado. E quanto mais errado, mais ela fica infeliz. O sorriso que ela dá é amarelo, como se pedisse desculpas ao mundo por ser incapaz de uma coisa tão simples: ser mãe! Richard vai na cola dessa infelicidade, tentando colaborar no que pode, sempre apoiando, não sei se ele deseja tanto assim um filho como a esposa, mas ele sabe que se ela não ficar feliz, ele também não ficará. 

Outra camada do filme são as limitações das mulheres, a fertilidade com prazo de validade. Às vezes, as mulheres precisam escolher entre a carreira e a maternidade. Rachel foi adiando seu desejo de ser mãe para seguir sua carreira e depois poder se dedicar mais. Já algumas mulheres guardam certa mágoa e cobram dos filhos o que deixou de fazer por eles. E quando eles crescem e vão embora, elas sentem um grande vazio. Rachel queria fazer diferente, mas agora seus óvulos estão velhos.


Não só seus óvulos. Quando Sadie, a sobrinha vai morar com eles, Rachel sente que sua juventude ficou para trás. Keyli Carter é conhecida por interpretar Sadie Rose na série de TV Godless e aqui ela tem o mesmo nome. Ela, que também quer ser uma artista, admira muito seus tios e mostra que não quer seguir a vida da mãe, embora seja insegura e também não se sinta muito capaz de seguir sua carreira.


Quando você quer muito realizar um sonho e nada dá certo, será que a mensagem do universo é para você desistir ou para lutar? Além dos bolsos vazios, os tratamentos são muito caros, o que restará? Uma coisa que eu não sabia era da dificuldade para doar óvulos. Eu achava que era só ir a uma clínica e colher. Mas é bem desgastante também e envolve alguns riscos. Há também a questão moral de você ser a mãe biológica de um filho que não vai criar.


Vamos nos apaixonar pelos personagens e seus dramas, Sadie querendo sair da "caixinha" em que foi criada, uma Rachel inconformada e Richard fazendo de tudo para manter a serenidade.


Talvez o filme seja um pouco longo, mas justifica para mostrar exatamente como eles se sentem, com uma história de tentativas que não têm fim, dias que não terminam quando esperam os resultados, todas as suas esperanças e temores. O espectador é atraído para situações pra lá de humanas, reais. Como disse a mãe de Sadie, Rachel não está morrendo e dependendo da doação de um rim. É verdade, mas são seus sonhos, são os sonhos reais de muitas famílias e a diretora Tamara Jenkins consegue captar isso e passar muito bem. Tamara também foi diretora e roteirista do ótimo A Família Savage com a Laura Linney o o saudoso Philip Seymour Hoffman.


Fora o drama, o filme tem momentos lindos, como as duas meninas cantando, para orgulho da mãe e os olhos compridos da Rachel, e no final a música Insensatez , de Tom Jobim, versão em inglês. Insensatez? Pode ser, mas o que é essa vida em geral?



IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5



Ficha técnica:
Nome original: Private Life.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Tamara Jenkins.
Roteiro: Tamara Jenkins.
Elenco: Paul Giamatti, Kathryn Hahn, Kayli Carter.



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

BYZANTIUM - UMA VIDA ETERNA.




Clara e Eleanor são duas vampiras. Sim, não sei o que está acontecendo comigo, agora dei pra ver filmes de zumbis e de vampiros! Clara é mãe de Eleanor. 
Pelas leis da irmandade, Clara não poderia ter filhos, ela pensou em matar Eleanor quando ela nasceu, mas então ela olhou para a filha e conheceu o amor.

A história é contada por Eleanor, que pensa que ela e a mãe são as únicas sobreviventes da irmandade. Eleanor está cansada da maneira de viver que acredita que sua mãe impõe a ela, da facilidade com que Clara mente. Está cansada de se mudar de cidade em cidade. Para desabafar, ela escreve e escreve sua história. Porque não pode contar para ninguém.
Fica claro no filme que elas fogem de alguém, Eleanor não sabe.
A história de Clara e de Eleanor não é muito diferente da história de muitas mulheres. Na verdade, eu penso que o filme é mais sobre as mulheres do que sobre vampiros, talvez por isso eu tenha gostado. É sobre o sentimento maternal e a força que ele traz. É sobre viver duzentos anos e mesmo assim os homens continuarem a tratar a mulher como um ser inferior. Quantos anos mais serão necessários para que as mulheres sejam mais valorizadas?
Eleanor queria ser uma adolescente normal. Principalmente quando conhece Frank (Caleb Landry Jones). Ela está muito cansada, ela convive com seu passado eternamente. É impressionante como a vida pode ser tão importante para alguns e um fardo para outros.
Não é o primeiro filme de vampiros do diretor, em 1994 ele dirigiu Entrevista com o Vampiro, com Tom Cruise, Brad Pitt e Kirsten Dunst. Mas Clara e Eleanor são umas vampirinhas bem diferentes, inclusive elas podem ver a luz do sol. Vocês vão se apaixonar por elas, apesar do sangue, muito sangue, envolvido no filme.

IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,2 / 5

Ficha técnica:
Nome original: Byzantium
País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Ano: 2012
Direção: Neil Jordan.
Roteiro: Moira Buffini.
Elenco: Saoirse Ronan. Gemma Arteton, Caleb Landry Jones,

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

ANIVERSARIANTES


No aniversário (44!) do ator norte-americano, lembrei desse filme. Não é nenhum filmaço, mas me intrigou na época, acho que é porque adoro filmes sobre tempo. Com Sarah Polley no elenco. Simon acaba de passar por uma experiência de quase morte. Ao despertar, o médico diz que ele permaneceu morto por dois minutos, mas ele não consegue se lembrar dos últimos dois anos de sua vida.
Aos poucos, ele percebe que é capaz de viajar no tempo.

FRASES DE FILMES


UMA PASSAGEM PARA A VIDA



Quem seria aquele homem misterioso que desembarcou do trem naquela pacata, quase dormente cidade francesa? O que ele poderia querer de lá? Até o hotel estava fechado quando ele lá chegou. Ninguém pelas ruas... Não, de jeito nenhum aquele homem parecia um turista. Expressão cansada, sombria, ele não era de muita conversa, ... mas isso não era nenhum problema para Manesquier, um professor de poesia aposentado. Ele era capaz de falar pelos dois e Milan, assim se chamava o cavalheiro solitário, despertou imediatamente sua curiosidade. E até seus devaneios. De onde teria vindo? Por quais aventuras teria passado aquele homem? Quais mais ainda tinha a intenção de viver?
Manesquier o convida para se hospedar em sua enorme e antiga casa. Onde viveu sua vida toda, cercado de livros e lembranças... Milan não tem outra alternativa. Mesmo não sendo de muitas palavras, simpatiza com o professor, a princípio resistente, aos poucos aceita de bom grado a companhia daquele bom homem. Também ele se imagina nessa vida, tranquila e sem tropeços.
Milan pede para ficar até sábado, no sábado precisará ir embora. Manesquier pensa "o que será que ele tem para fazer no sábado?". E diz para Milan que sábado ele também terá um compromisso. O velho professor acaba desconfiando das verdadeiras e escusas intenções do seu hóspede, mas isso não o assusta. Pelo contrário, o fascina! Manesquier sonha como sua vida poderia ter sido diferente se houvesse ousado mais.
"A doçura é muito perigosa" / "por quê?"/ "porque você se acostuma a ela".
Ele se acomodou com sua vida confortável e de poucos problemas e agora pensa "o que terei perdido?". Ele viveu talvez a vida de todos os romances que leu, de todas as músicas que tocou em seu antigo piano, comeu e bebeu bem, nunca lhe faltou um teto para dormir, teve seus amores, uma boa vida, ... mas agora algumas de suas certezas estavam caindo por terra, e ele se perguntava: "o que terei perdido?".
A amizade improvável que se formou entre aqueles dois é aquele tipo de experiência que, embora fugaz, a gente leva para sempre.
Os dois atores estão sensacionais em seus papéis. Por coincidência, os dois faleceram em 2017, grande perda para o cinema. Jean Rochefort foi um premiado ator francês, com mais de cinco décadas de carreira. Esse não é o primeiro filme do diretor Patrice Leconte que ele atuou, inclusive foi indicado ao Premio César de Melhor Ator por O Marido da Cabeleireira. Em 1978, ele já tinha recebido esse prêmio por sua atuação em Le Crabe-Tambour. Ele também era o escultor famoso em O Artista e a Modelo e acho que seu último filme foi Floride, de Phillippe Le Guay, que eu também adorei! Johnny Hallyday, nome artístico de Jean-Philippe Smet foi um cantor e ator francês de origem belga por parte do pai. Foi um dos principais astros do rock'n'roll francês. Atuou em filmes de Claude Lelouch, Guillaume Canet, Godard, Costa-Gravas, entre outros. A participação da atriz francesa Édith Scob (O Que está Por Vir, Holy Motors, Horas de Verão, Os Olhos Sem Rosto) foi pequena mas bem emocionante.
Patrice Leconte, premiado diretor, dispensa apresentações.
Imperdível!

IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: L'Homme du Train.
Outros títulos: Main on The Train.
País: França.
Ano: 2002
Direção: Patrice Leconte
Roteiro: Claude Klotz.
Elenco: Jean Rochefort, Johnny Halliday, participação Edith Scob, Isabelle Petit-Jacques.





Johnny Halliday, Patrice Leconte e Jean Rochefort, na Itália, em 2002, para apresentar L'Homme du Train na competição da Mostra de Veneza.











sexta-feira, 7 de setembro de 2018

AQUI EM CASA TUDO BEM




Quem não amaria comprar uma casa numa linda ilha na Itália? Alba (Stefania Sandrelli) e Pietro (Ivano Marescotti) puderam realizar esse desejo e seus filhos guardam uma boa recordação de Ischia: uma bela casa em um lugar encantador, cheio de ruelas românticas e com o mar maravilhoso como vista. Aposentados e já morando na ilha, o casal quer realizar outro sonho: reunir a família toda para comemorar suas Bodas de Ouro. A princípio, como toda reunião familiar, tudo são flores. O evento é marcado ainda com a volta de Paolo (Stefano Accorsi), um dos filhos, escritor reconhecido, que estava há muito tempo morando fora.

A balsa chega com os convidados, não falta alegria e coisas para lembrar e comemorar. Chegam os filhos, Paolo solteiro, Carlo (Pier Francesco Favino) com sua esposa e sua filha mais nova e Sara (Sabrina Impacciatori) com seu marido e filho também. A ex de Carlo também foi convidada e vem com a filha mais velha dele e um amigo da filha. Tios, tias, primos e primas, uma festa só.
O clima fica meio tenso quando acabam as comemorações e todos se encaminham para o cais para voltar para suas casas mas são surpreendidos com a notícia de que não haverá balsa, devido ao mau tempo.
É certo que sempre em meio aos parentes existem alguns que não são muito desejáveis, dá para se tolerar em um encontro familiar, mas agora, devido ao imprevisto, todos terão que ficar mais tempo na ilha napolitana. Há que se acomodar todos na casa, providenciar lençóis, comida, bebida e se preparar para lidar com os desconfortos e pior: os prováveis conflitos. A mulher atual de Carlo, por exemplo, não entende porque a ex dele foi convidada e não poupa alfinetadas e agressões. Não deixa nem mesmo ele se aproximar da filha adolescente. Um parente apresenta a mulher grávida e tem a visível pretensão de resolver seus problemas financeiros naquela reunião.
O cinema italiano gosta muito de se utilizar de questões familiares. Gabriele Muccino é um diretor italiano que também faz filmes americanos: À Procura da Felicidade, Sete Vidas, Pais e Filhas, entre outros. Stefania Sandrelli é uma atriz italiana que fez vários filmes dirigidos por Bertolucci, Ettore Scola, Mario Monicelli, muitos diretores famosos. Atuou em O Último Beijo, também dirigido por Gabriele Muccino, onde Stefano Accorsi era o protagonista. Gostei muito da atuação de Pierfrancesco Favino (As Crônicas de Nárnia).
Apesar dos "barracos", um filme agradável, tenso em alguns momentos, divertido em outros. E vamos ver que as adversidades e as verdades reveladas talvez tenham servido para consertar algumas coisas. Será? Eu sei que fiquei só imaginando dar uma festa e os convidados não poderem ir embora depois. Cheguei até a me arrepiar, hahaha.

IMDB: 6,1/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: A Casa Tutti Bene.
Outros títulos: There Is No Place Like Home.
País: Itália. 
Ano: 2018
Direção: Gabriele Muccino.
Roteiro: Paola Mammini, Paolo Costella, Paolo Genovese.
Elenco: Stefano Accorsi, Stefania Sandrelli, Pierfrancesco Favino, Carolina Crescentini, Elena Cucci, Claudia Gerini, Gianpaolo Morelli, Valeria Solarino, Gianmarcco Tognazzi.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O ÚLTIMO SUSPIRO




Confesso que esperava mais. Não que o filme não prenda a atenção. muito pelo contrário, mas acho que deixou algumas pontas soltas. Não aquelas pontas que ficam para conclusão própria ou para reflexão, mas algumas coisas mal explicadas mesmo.
Lembra um pouco alguns outros filmes, em especial o mais recente A Noite Devorou o Mundo. Paris é tomada por uma bruma que mata as pessoas. Mathieu e Anna conseguem chegar no andar mais alto do prédio, onde mora um casal de idosos e fugir da névoa. Por enquanto, porque ela está subindo. É necessário arrumar uma solução para sair dali, mas não há nenhum tipo de ajuda e eles têm um grave problema: precisam levar sua filha, que sofre de um tipo de doença rara e vive em uma espécie de bolha. Na bolha, ela está protegida da névoa, mas a bateria está acabando.

Não perderia por nada desse mundo o filme porque adoro o Romain Duris, que interpreta o Mathieu. Gosto daquela carinha antipática dele e do jeito um tanto desleixado. Foi por acaso que ele se tornou ator, aliás ele nem queria ser ator. Descoberto pelo diretor Cédric Klapisch, acabou atuando em vários filmes dele, tais como os filmes da trilogia O Albergue Espanhol, Bonecas Russas e O Enigma Chinês. Fea o David (Virginia) em Uma Nova Amiga, do Ozon. Por seu personagem no filme De Tanto Bater Meu Coração Parou, do diretor Jacques Audiard, Romain Duris recebeu diversos prêmios.
Já a atriz e modelo Olga Kurylenko foi descoberta aos treze anos por um caça-talentos, quando passava férias em Moscou. Ex Bond-girl , atuou ao lado de Daniel Craig, em Quantum of Solace e foi a Julia no filme Oblivion, dirigido por Joseph Kosinski .
"Daniel Roby lida com um tema interessante e consegue dar a ele um ritmo espetacular, aliando roteiro-catástrofe, suspense e intimidade. Um coquetel arriscado e pouco comum que funciona perfeitamente em todas as dimensões."
Jacky Bornet, Culture Box

Exatamente o final é surpreendente, mas não me convenceu muito. Mas deixa uma reflexão, a de quanto a liberdade pode ser relativa.
O filme participou do Festival Varilux de Cinema Francês 2018.



IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Dans la Brume.
Outros títulos: Just a Breath Away.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Daniel Roby
Roteiro: Guillaume Lemans, Jimmy Bemon.
Elenco: Romain Duris, Olga Kurylenko, Fantine Harduin, Michel Robin.