Cinéfilos Eternos

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O ÚLTIMO SUSPIRO




Confesso que esperava mais. Não que o filme não prenda a atenção. muito pelo contrário, mas acho que deixou algumas pontas soltas. Não aquelas pontas que ficam para conclusão própria ou para reflexão, mas algumas coisas mal explicadas mesmo.
Lembra um pouco alguns outros filmes, em especial o mais recente A Noite Devorou o Mundo. Paris é tomada por uma bruma que mata as pessoas. Mathieu e Anna conseguem chegar no andar mais alto do prédio, onde mora um casal de idosos e fugir da névoa. Por enquanto, porque ela está subindo. É necessário arrumar uma solução para sair dali, mas não há nenhum tipo de ajuda e eles têm um grave problema: precisam levar sua filha, que sofre de um tipo de doença rara e vive em uma espécie de bolha. Na bolha, ela está protegida da névoa, mas a bateria está acabando.

Não perderia por nada desse mundo o filme porque adoro o Romain Duris, que interpreta o Mathieu. Gosto daquela carinha antipática dele e do jeito um tanto desleixado. Foi por acaso que ele se tornou ator, aliás ele nem queria ser ator. Descoberto pelo diretor Cédric Klapisch, acabou atuando em vários filmes dele, tais como os filmes da trilogia O Albergue Espanhol, Bonecas Russas e O Enigma Chinês. Fea o David (Virginia) em Uma Nova Amiga, do Ozon. Por seu personagem no filme De Tanto Bater Meu Coração Parou, do diretor Jacques Audiard, Romain Duris recebeu diversos prêmios.
Já a atriz e modelo Olga Kurylenko foi descoberta aos treze anos por um caça-talentos, quando passava férias em Moscou. Ex Bond-girl , atuou ao lado de Daniel Craig, em Quantum of Solace e foi a Julia no filme Oblivion, dirigido por Joseph Kosinski .
"Daniel Roby lida com um tema interessante e consegue dar a ele um ritmo espetacular, aliando roteiro-catástrofe, suspense e intimidade. Um coquetel arriscado e pouco comum que funciona perfeitamente em todas as dimensões."
Jacky Bornet, Culture Box

Exatamente o final é surpreendente, mas não me convenceu muito. Mas deixa uma reflexão, a de quanto a liberdade pode ser relativa.
O filme participou do Festival Varilux de Cinema Francês 2018.



IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Dans la Brume.
Outros títulos: Just a Breath Away.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Daniel Roby
Roteiro: Guillaume Lemans, Jimmy Bemon.
Elenco: Romain Duris, Olga Kurylenko, Fantine Harduin, Michel Robin.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

PASAJE DE VIDA




Uma boa surpresa esse filme. Escrito e dirigido por Diego Corsini, é baseado nas histórias que seus pais contavam sobre a luta armada na Argentina, na época da ditadura militar.
Miguel está perdendo o que tem de mais precioso: sua memória. Mario, seu filho, não sabia que ele estava tão mal assim. Miguel tem alta no hospital e Mario o leva para sua casa, em um povoado no interior da Espanha. Mario não lembra de sua mãe, existe apenas uma foto, mas seu pai sempre se negou a falar dela e nunca o levou para conhecer a avó materna. Agora, doente, Miguel mal reconhece o filho, passagens de sua vida quando era jovem vem e vão e ele não consegue separar o passado do presente. Algumas coisas que ele diz fazem Mario ter mais vontade de descobrir o que aconteceu com sua mãe. Seus pais eram argentinos. O que os fez virem para a Espanha? Seu pai o chama de nomes que ele nunca ouviu falar. Quem são essas pessoas? Quem principalmente é Diana, que o pai menciona com aflição e diz que precisa encontrá-la. Essa obsessão impulsiona Mario a investigar a misteriosa e complexa história de seu pai.
O Miguel jovem ( Chino Darin) "viveu em um dos períodos mais obscuros da Argentina, que ocorreu na década de 70, denominado Processo de Reorganização Nacional, ou seja, a Ditadura Militar que pôs fim ao governo de Isabelita Perón, através de um golpe de estado.
Como no Brasil, o governo torturava e assassinava opositores, seja de esquerda ou de direita. O protagonista pertencia a uma organização de esquerda, mas não fica claro que tipo de estado ela pretendia implementar." (trecho copiado)

Através de recortes do passado, também nós vamos aos poucos conhecendo a vida de Miguel. Mario precisa ir fundo dessa vez, sua vida é incompleta, ele não tem a memória da mãe, precisa pelo menos saber a história dela.
Diana era de uma abastada família burguesa mas escolheu como propósito de vida defender as classes menos favorecidas. Ela trabalha em uma fábrica, onde tem oportunidade de ver de perto as precárias condições com que são tratados os operários. Para termos uma ideia, morria-se por dia 20 pessoas em acidentes de trabalho em uma única fábrica, além disso, os salários eram péssimos. Sua mãe não a entendia e ela não entendia como a mãe podia viver alheia a tudo isso. É lá que Miguel e Diana se conhecem.
Mas para Miguel, trabalhar na fábrica não era uma opção, mas questão de sobrevivência. A princípio, é mostrado no filme, um conflito ideológico entre eles:
– Espero que não seja um daqueles pseudointelectuais que não querem sujar as mãos.
– Espero que não seja uma daquelas pequeno- burguesas que querem acalmar sua consciência com armas.
Miguel e Diana fizeram parte de uma geração que descobriu que o caminho para a liberdade era cheio de restrições. Eles se juntam a um grupo de ativistas, onde a luta armada estava inserida. Mas os jovens eram completamente despreparados, o inimigo era muito mais forte.
No início dos anos 2000, o cinema argentino começou a ganhar o público brasileiro pela capacidade de contar histórias humanas em narrativas simples e profundas. Essa é uma dessas belas histórias. Tocante e reflexiva, com uma linda fotografia. Um filme melancólico, de aspirações não concretizadas, mas que mostra a importância de seguirmos nossas convicções e de não ficarmos surdos às injustiças. Pasaje de Vida é uma história de luta e de luto. E de amor!
Nosso continente guarda uma história comum de invasões, colonialismo e violências. Também temos as ditaduras em comum. Muitos cineastas latino-americanos têm tentado narrar esses fatos. O jovem diretor argentino nascido na Espanha faz talvez uma homenagem à sua própria história familiar. Sim, talvez o filme tenha traços autobiográficos, mas se não, pelo menos nos permite conhecer a história de outras pessoas da época. Presente e passado, Espanha e Argentina, memórias e esquecimento.

IMDB: 6,6/ 5
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Pasaje de Vida.
País: Argentina.
Ano: 2015
Direção: Diego Corsini.
Roteiro: Diego Corsini, Fran Araujo.
Elenco: Carla Quevedo, Chino Darin, Javier Godino, Miguel Ángel Solá, Alejandro Awada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A MEMÓRIA DA ÁGUA



Elena Anaya protagoniza esse drama sobre o luto. A atriz espanhola, vencedora do Prêmio Goya por sua atuação no filme A Pele que Habito, de Almodóvar, já tinha o seu talento reconhecido com o filme Lucía e o Sexo, de Julio Médem, no qual interpreta Belén, uma babá com jeito de "Lolita". Por esse trabalho, ganhou o prêmio da Unión de Actores de España e uma indicação ao prêmio Goya. Ou talvez vocês lembrem dela como a Doutora Veneno do filme Mulher Maravilha. Com seus lindos olhos expressivos, ela é Amanda no filme dirigido por Matias Bize. Uma mãe que acaba de perder seu filho de quatro anos e que retém na memória sua dor.

Ela era feliz com Javier, o pai de seu filho, mas com a tragédia, não consegue mais viver com ele. Javier (Benjamin Vicuña, A Linha Vermelha do Destino, Netflix) propõe que eles vendam a casa e viajem, mas Amanda está irredutível, quer se separar.
Acontece com muitos casais não conseguirem superar juntos a perda de um filho. Cada um tem uma maneira de reagir, às vezes um quer se apegar às lembranças, outro já quer seguir em frente. O conflito é inevitável. E logo na hora em que um mais deveria apoiar o outro. Javier diz para Amanda:
"Já o perdemos. Não podemos nos perder."
Javier e Amanda se amam, fica evidente, mas esse amor não basta para que sobrevivam juntos à tragédia.
Cada cena é o retrato do vazio que ficou. Adoro esse tipo de filme melancólico, com cores e belas paisagens melancólicas. Victor Hugo já dizia, "Melancolia é a felicidade de estar triste."
Matías Bize é diretor de cinema, produtor e roteirista chileno. Ele ganhou importantes prêmios de filmes independentes, incluindo o Espigo de Oro para En la Cama, mas ele considera que La Memoria del Agua é o seu melhor trabalho.
Um filme intenso e belo.



IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: La Memoria del Agua.
Outros nomes: The Memory of Water, A Memória da Água.
País: Chile.
Ano: 2015
Direção: Matías Bize.
Roteiro: Matías Bize, Julio Rojas.
Elenco: Elena Anaya, Benjamin Vicuña, Nestor Cantillana, Antonia Zegers, Alba Flores ( a Nairobi de A Casa de Papel).

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

PRETO E BRANCO




O filme não tem nada de extraordinário, mas é uma boa história, com bons atores e boas atuações. Eloise, uma garota muito fofa, perdeu a mãe na hora do parto. Foi uma dor muito grande para a família, a mãe dela tinha apenas dezessete anos e o pai é um viciado em drogas, que nem a procura. Por causa disso, Eloise foi criada com muito amor pelos avós maternos. Mas agora sua avó morre também. É aí que entra em cena a mãe do seu pai: Rowena (Octavia Spencer) acha que é hora de Reggie assumir a filha.

Elliot Anderson (Kevin Costner) e a família de Rowena vão para os tribunais. Lidando com sua dor ainda, Elliot anda bebendo muito e isso é usado contra ele. Aí a história vai descambar para uma discussão racista. O advogado de Rowena alega que Elliot não aceita que sua neta seja criada por negros. Fica claro que a família negra também não acha bom Eloise ser criada por um branco.
Mas o amor tem cor? Eis a questão. Um filme sensível e humano, que aborda esse tema. Há muitos sentimentos a serem superados e entendidos. Rowena quer salvar o filho, Elliot o culpa pela morte precoce da filha.
Nascido em Detroit, Mike Binder cresceu em Birmingham, um dos subúrbios da cidade,começando sua carreira como roteirista e comediante. A estréia de Binder na direção foi com o seu segundo roteiro, Cruzando a Fronteira de 1992. Seu filme independente Criei um Monstro ganhou "Melhor Filme" e Binder ganhou "Melhor Ator" no Comedy Arts Festival de 2001 em Aspen. Binder escreveu e dirigiu três filmes em meados dos anos 2000 em que também interpretou papéis coadjuvantes. O primeiro, A Outra Face da Raiva, estrelado por Joan Allen e Kevin Costner, que estreou no Sundance Film Festival em janeiro de 2005, treze meses depois, Um Cara Quase Perfeito, com Ben Affleck, foi visto pela primeira vez no Santa Barbara International Film Festival em fevereiro de 2006 e, após mais 13 meses, Reine Sobre Mim, com Adam Sandler, foi lançado em março de 2007.

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Black or White.
País: EUA
Ano: 2014
Direção: Mike Binder.
Roteiro: Mike Binder.
Elenco: Kevin Costner, Octavia Spencer, Jillian Estell, Andre Holland.

domingo, 26 de agosto de 2018

REAPRENDENDO A AMAR





Não vejo a Carol como uma pessoa que se fechou no seu mundinho. Aliás, que delícia de mundinho: nenhuma preocupação financeira, saúde, uma linda casa, amigas divertidas, bons vinhos, boa comida e bons livros. OMG, como eu gostaria de poder usufruir dessa "vidinha". Junte a isso bons filmes, de vez em quando uma viagem.
Carol tinha e exata consciência que as coisas passam. Viúva, filha crescida. Como muitas pessoas que tiveram a sorte de ter um bom casamento, ela não pensa em ter outro. Quando o seu cachorro morre, ela também entende como mais uma passagem da vida. Mas a faz se confrontar mais uma vez com a solidão, mas de uma maneira serena, nada de desespero. Eu considero que uma pessoa envelhece de verdade quando começa a correr agoniada atrás do tempo que considera perdido.
É verdade que algumas coisas que nos acontecem nos fazem ficar mais abertas para outras. Ou talvez tenha sido coincidência Carol ter prestado atenção no jovem limpador de piscinas (Martin Starr) e ter se iniciado ali uma amizade improvável. Uma amizade que a levou ao seu passado, quando cantava, e a lembrar de quando era jovem e cheia de vida e a ter vontade de ter momentos como aqueles novamente. Tem uma passagem no filme onde ela canta lindamente num bar de karaokê. O acaso a fez também conhecer outra pessoa. Bill (Sam Elliott) também é viúvo e está claramente flertando com ela.
A verdade é que a vida está cheia de oportunidades de amar, acho que o filme quer mostrar isso. Não necessariamente a pessoa precisa encontrar um novo relacionamento, se acontece é muito bom. Mas saber apreciar o que está em volta é também muito bom. As várias possibilidades de amar e de preencher sua vida. Não ficar presa ao passado, ruim ou bom, mas também não deixar pra trás a sua essência, porque você continua sendo a mesma pessoa, só que em outra fase da vida.
Um filme que faz refletir e bem humorado ao mesmo tempo. "Eu o Verei em Meus Sonhos" é o título original. Sim, sonhar é bom, mas fazer do dia a dia uma continuação dos sonhos é ainda melhor.

IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: I'll See You in My Dreams.
Pais: EUA
Ano: 2015
Direção: Brett Haley.
Roteiro: Brett Haley, Marc Basch.
Elenco: Blythe Danner, Martin Starr, Sam Elliott.

UMA NOVA CHANCE PARA AMAR





Depois de The Chumscrubber (Más Companhias, 2005), o cineasta e roteirista americano nascido em Israel, Arie Posin, arrisca-se no gênero romance. O par romântico é interpretado por Annete Bening e Ed Harris. O Harris faz dois papéis. Sim, ele é o marido de Nikki e eles vivem "felizes para sempre" até o dia em que ele morre afogado em uma praia mexicana. Cinco anos depois, Nikki vê um homem idêntico ao seu marido e, contra todas as improbabilidades, ela procura descobrir tudo sobre ele. Aos poucos, ela vai se envolvendo com Tom, que lhe diz que é viúvo e um outro vizinho e amigo, Roger (Robbin Williams), também viúvo, sente-se enciumado e comenta que achava que a relação dela com o marido era mais forte e que jurava que ela ainda era apaixonada por ele. Nikki lhe responde que nunca deixou de amar Garrett.
"Sempre te amei", diz ela para Tom.
Tom, por sua vez, está cada vez mais apaixonado por Nikki, ela o olha de um jeito especial, ela faz com que ele se sinta especial:
"Posso me banhar no jeito como me olha..."
Em meio a tantos romances adolescentes, um filme sobre o amor maduro. Mas a trama foge do estilo "água com açúcar" quando coloca elementos intrigantes no roteiro. Como assim, uma pessoa idêntica à outra? Nikki tem uma nova chance de amar, mas será que ela aproveita ou apenas revive o seu amor por Garrett? Será que Tom é tão parecido assim mesmo com ele ou é parte do delírio de uma mulher que ainda não superou a morte do marido? Nikki ainda terá que lidar com várias artimanhas para impedir que a filha e o vizinho vejam o Tom. A história promete reviravoltas e um desfecho é imprevisível.
O título original é A Face do Amor. O que me faz pensar: você se apaixonaria por uma pessoa se ela tivesse o mesmo rosto de alguém que você ama? Quero dizer, o quanto é importante o rosto? Estava pensando sobre isso quando vi outro dia uma reportagem sobre uma mulher que sofreu um transplante de rosto. Então, mudando a pergunta, se alguém que você ama, um companheiro (a) ou amigo (a) ou mesmo alguém da família mudasse de rosto, seria a mesma coisa? Até mesmo a própria pessoa que mudou o rosto, se reconheceria ou isso faria mudar sua personalidade?
Vale mais pelos atores do que pelo filme, mas é um bom entretenimento.

IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: The Face of Love.
País: EUA
Ano: 2013
Direção: Arie Posin.
Roteiro: Arie Posin, Matthew McDuffie.
Elenco: Annette Bening, Ed Harris, Robin Williams