Cinéfilos Eternos

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A MEMÓRIA DA ÁGUA



Elena Anaya protagoniza esse drama sobre o luto. A atriz espanhola, vencedora do Prêmio Goya por sua atuação no filme A Pele que Habito, de Almodóvar, já tinha o seu talento reconhecido com o filme Lucía e o Sexo, de Julio Médem, no qual interpreta Belén, uma babá com jeito de "Lolita". Por esse trabalho, ganhou o prêmio da Unión de Actores de España e uma indicação ao prêmio Goya. Ou talvez vocês lembrem dela como a Doutora Veneno do filme Mulher Maravilha. Com seus lindos olhos expressivos, ela é Amanda no filme dirigido por Matias Bize. Uma mãe que acaba de perder seu filho de quatro anos e que retém na memória sua dor.

Ela era feliz com Javier, o pai de seu filho, mas com a tragédia, não consegue mais viver com ele. Javier (Benjamin Vicuña, A Linha Vermelha do Destino, Netflix) propõe que eles vendam a casa e viajem, mas Amanda está irredutível, quer se separar.
Acontece com muitos casais não conseguirem superar juntos a perda de um filho. Cada um tem uma maneira de reagir, às vezes um quer se apegar às lembranças, outro já quer seguir em frente. O conflito é inevitável. E logo na hora em que um mais deveria apoiar o outro. Javier diz para Amanda:
"Já o perdemos. Não podemos nos perder."
Javier e Amanda se amam, fica evidente, mas esse amor não basta para que sobrevivam juntos à tragédia.
Cada cena é o retrato do vazio que ficou. Adoro esse tipo de filme melancólico, com cores e belas paisagens melancólicas. Victor Hugo já dizia, "Melancolia é a felicidade de estar triste."
Matías Bize é diretor de cinema, produtor e roteirista chileno. Ele ganhou importantes prêmios de filmes independentes, incluindo o Espigo de Oro para En la Cama, mas ele considera que La Memoria del Agua é o seu melhor trabalho.
Um filme intenso e belo.



IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: La Memoria del Agua.
Outros nomes: The Memory of Water, A Memória da Água.
País: Chile.
Ano: 2015
Direção: Matías Bize.
Roteiro: Matías Bize, Julio Rojas.
Elenco: Elena Anaya, Benjamin Vicuña, Nestor Cantillana, Antonia Zegers, Alba Flores ( a Nairobi de A Casa de Papel).

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

PRETO E BRANCO




O filme não tem nada de extraordinário, mas é uma boa história, com bons atores e boas atuações. Eloise, uma garota muito fofa, perdeu a mãe na hora do parto. Foi uma dor muito grande para a família, a mãe dela tinha apenas dezessete anos e o pai é um viciado em drogas, que nem a procura. Por causa disso, Eloise foi criada com muito amor pelos avós maternos. Mas agora sua avó morre também. É aí que entra em cena a mãe do seu pai: Rowena (Octavia Spencer) acha que é hora de Reggie assumir a filha.

Elliot Anderson (Kevin Costner) e a família de Rowena vão para os tribunais. Lidando com sua dor ainda, Elliot anda bebendo muito e isso é usado contra ele. Aí a história vai descambar para uma discussão racista. O advogado de Rowena alega que Elliot não aceita que sua neta seja criada por negros. Fica claro que a família negra também não acha bom Eloise ser criada por um branco.
Mas o amor tem cor? Eis a questão. Um filme sensível e humano, que aborda esse tema. Há muitos sentimentos a serem superados e entendidos. Rowena quer salvar o filho, Elliot o culpa pela morte precoce da filha.
Nascido em Detroit, Mike Binder cresceu em Birmingham, um dos subúrbios da cidade,começando sua carreira como roteirista e comediante. A estréia de Binder na direção foi com o seu segundo roteiro, Cruzando a Fronteira de 1992. Seu filme independente Criei um Monstro ganhou "Melhor Filme" e Binder ganhou "Melhor Ator" no Comedy Arts Festival de 2001 em Aspen. Binder escreveu e dirigiu três filmes em meados dos anos 2000 em que também interpretou papéis coadjuvantes. O primeiro, A Outra Face da Raiva, estrelado por Joan Allen e Kevin Costner, que estreou no Sundance Film Festival em janeiro de 2005, treze meses depois, Um Cara Quase Perfeito, com Ben Affleck, foi visto pela primeira vez no Santa Barbara International Film Festival em fevereiro de 2006 e, após mais 13 meses, Reine Sobre Mim, com Adam Sandler, foi lançado em março de 2007.

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Black or White.
País: EUA
Ano: 2014
Direção: Mike Binder.
Roteiro: Mike Binder.
Elenco: Kevin Costner, Octavia Spencer, Jillian Estell, Andre Holland.

domingo, 26 de agosto de 2018

REAPRENDENDO A AMAR





Não vejo a Carol como uma pessoa que se fechou no seu mundinho. Aliás, que delícia de mundinho: nenhuma preocupação financeira, saúde, uma linda casa, amigas divertidas, bons vinhos, boa comida e bons livros. OMG, como eu gostaria de poder usufruir dessa "vidinha". Junte a isso bons filmes, de vez em quando uma viagem.
Carol tinha e exata consciência que as coisas passam. Viúva, filha crescida. Como muitas pessoas que tiveram a sorte de ter um bom casamento, ela não pensa em ter outro. Quando o seu cachorro morre, ela também entende como mais uma passagem da vida. Mas a faz se confrontar mais uma vez com a solidão, mas de uma maneira serena, nada de desespero. Eu considero que uma pessoa envelhece de verdade quando começa a correr agoniada atrás do tempo que considera perdido.
É verdade que algumas coisas que nos acontecem nos fazem ficar mais abertas para outras. Ou talvez tenha sido coincidência Carol ter prestado atenção no jovem limpador de piscinas (Martin Starr) e ter se iniciado ali uma amizade improvável. Uma amizade que a levou ao seu passado, quando cantava, e a lembrar de quando era jovem e cheia de vida e a ter vontade de ter momentos como aqueles novamente. Tem uma passagem no filme onde ela canta lindamente num bar de karaokê. O acaso a fez também conhecer outra pessoa. Bill (Sam Elliott) também é viúvo e está claramente flertando com ela.
A verdade é que a vida está cheia de oportunidades de amar, acho que o filme quer mostrar isso. Não necessariamente a pessoa precisa encontrar um novo relacionamento, se acontece é muito bom. Mas saber apreciar o que está em volta é também muito bom. As várias possibilidades de amar e de preencher sua vida. Não ficar presa ao passado, ruim ou bom, mas também não deixar pra trás a sua essência, porque você continua sendo a mesma pessoa, só que em outra fase da vida.
Um filme que faz refletir e bem humorado ao mesmo tempo. "Eu o Verei em Meus Sonhos" é o título original. Sim, sonhar é bom, mas fazer do dia a dia uma continuação dos sonhos é ainda melhor.

IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: I'll See You in My Dreams.
Pais: EUA
Ano: 2015
Direção: Brett Haley.
Roteiro: Brett Haley, Marc Basch.
Elenco: Blythe Danner, Martin Starr, Sam Elliott.

UMA NOVA CHANCE PARA AMAR





Depois de The Chumscrubber (Más Companhias, 2005), o cineasta e roteirista americano nascido em Israel, Arie Posin, arrisca-se no gênero romance. O par romântico é interpretado por Annete Bening e Ed Harris. O Harris faz dois papéis. Sim, ele é o marido de Nikki e eles vivem "felizes para sempre" até o dia em que ele morre afogado em uma praia mexicana. Cinco anos depois, Nikki vê um homem idêntico ao seu marido e, contra todas as improbabilidades, ela procura descobrir tudo sobre ele. Aos poucos, ela vai se envolvendo com Tom, que lhe diz que é viúvo e um outro vizinho e amigo, Roger (Robbin Williams), também viúvo, sente-se enciumado e comenta que achava que a relação dela com o marido era mais forte e que jurava que ela ainda era apaixonada por ele. Nikki lhe responde que nunca deixou de amar Garrett.
"Sempre te amei", diz ela para Tom.
Tom, por sua vez, está cada vez mais apaixonado por Nikki, ela o olha de um jeito especial, ela faz com que ele se sinta especial:
"Posso me banhar no jeito como me olha..."
Em meio a tantos romances adolescentes, um filme sobre o amor maduro. Mas a trama foge do estilo "água com açúcar" quando coloca elementos intrigantes no roteiro. Como assim, uma pessoa idêntica à outra? Nikki tem uma nova chance de amar, mas será que ela aproveita ou apenas revive o seu amor por Garrett? Será que Tom é tão parecido assim mesmo com ele ou é parte do delírio de uma mulher que ainda não superou a morte do marido? Nikki ainda terá que lidar com várias artimanhas para impedir que a filha e o vizinho vejam o Tom. A história promete reviravoltas e um desfecho é imprevisível.
O título original é A Face do Amor. O que me faz pensar: você se apaixonaria por uma pessoa se ela tivesse o mesmo rosto de alguém que você ama? Quero dizer, o quanto é importante o rosto? Estava pensando sobre isso quando vi outro dia uma reportagem sobre uma mulher que sofreu um transplante de rosto. Então, mudando a pergunta, se alguém que você ama, um companheiro (a) ou amigo (a) ou mesmo alguém da família mudasse de rosto, seria a mesma coisa? Até mesmo a própria pessoa que mudou o rosto, se reconheceria ou isso faria mudar sua personalidade?
Vale mais pelos atores do que pelo filme, mas é um bom entretenimento.

IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: The Face of Love.
País: EUA
Ano: 2013
Direção: Arie Posin.
Roteiro: Arie Posin, Matthew McDuffie.
Elenco: Annette Bening, Ed Harris, Robin Williams

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES


ANIVERSARIANTES

Park Chan-wook é um aclamado diretor de dinema, roteirista e produtor cinematográfico sul-coreano. Formado na Sogang University em Filosofia. É famoso por filmes que envolvem, frequentemente, temas como violência e humor negro. Com A Criada (Ah-ga-ss) ele trocou a violência pelo erotismo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

OS AMANTES DO CAFÉ FLORE




Não tenho como não pensar como teria sido a vida de Simone de Beauvoir sem a presença de dois fatores: o primeiro, uma mãe oprimida pelo casamento (pelo menos na visão dela). A mãe (ou o pai, não lembro) chegou a dizer que "uma mulher é o que o marido faz dela". A outra coisa determinante foi a sua melhor amiga ter sido obrigada a fazer um casamento escolhido pela mãe, a perda da liberdade da amiga. Simone não teve o exemplo de um casal harmonioso em casa e tinha problemas com o pai, que a criticava o tempo todo. Ela decide que vai tomar as rédeas da sua vida, que nunca vai se casar, "lavar cuecas" e nem ter filhos. Dedica-se à sua carreira de professora e a escrever. De acordo com seu pai, era o que lhe restava, já que era feia e ninguém ia querer se casar com ela.
Quando ela e o jovem e rebelde Sartre se conhecem, forma-se um pacto aparentemente perfeito. Não, ele não a acha feia, muito pelo contrário, diz que ela é linda, a deseja. Mas, como ela, pretende uma relação baseada na realidade e na verdade. O casamento para eles é uma instituição burguesa, do que eles fogem.
Mas a proposta de Sartre é uma vida em comum onde seriam permitidos outros, outras aventuras amorosas. O importante é que eles contassem a verdade uma ao outro.
O que me parece é que Simone foi presa na própria armadilha. Ela não queria ser feita por marido nenhum! Mas ela também tencionava essa liberdade toda ou apenas a aceitou? Além disso, nem sempre houve verdades. Decepcionada, Simone desabafa com sua mãe:
"Achava que sabia de tudo e me sinto enganada, carente, rejeitada, como todas as mulheres".
A união intelectual, sim, essa era perfeita. Não sei dizer se um existiria sem o outro. Eles se desafiavam mutuamente, complementavam-se de uma maneira única.
Entendo que o filme, apesar do título, é muito mais sobre Simone do que sobre Sartre. O mundo todo conhece a lendária Simone de Beauvoir, uma das maiores intelectuais do século XX, figura de proa do feminismo e companheira de Jean-Paul Sartre. Mas o que sabemos sobre a mulher apaixonada e dividida que se escondia por trás do ícone?
Jean-Paul Sartre não foi o único amor de Simone, como ficaram eternizados. Ela conheceu o verdadeiro amor e até a plenitude sexual com o escritor americano Nelson Algren. Além da paixão arrebatadora, que durou mais de uma década, ele a inspirou a escrever diversos livros. Foi com Algren que Simone encontrou sua verdadeira identidade.
No livro “Beauvoir Apaixonada”, de Irène Frain, ela é apresentada como mulher apaixonada que, igualmente a qualquer outra, soluça e se aflige quando seu amor se despede e sobe em um avião.
Enquanto escrevia O Segundo Sexo, Beauvoir vivia um romance com o “amado homem de Chicago” através de carinhosas e perturbadoras cartas de amor. Primeiro ela nos diz que "a mulher apaixonada vive de joelhos” e "poucos crimes merecem piores punições do que a generosa culpa de se colocar inteiramente nas mãos de outrem”. Aqui nós vemos a luta contra a emoção pura que, de fato, colocou-a de joelhos. Essas cartas, de 1947 a 1964 estão reunidas no livro Cartas a Nelson Algren.

IMDB: 6,6/ 5
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Amants du Flore.
País: França.
Ano: 2006
Direção: Ilan Duran Cohen.
Roteiro: Chantal Derudder, Evelyne Pisier, Suna Syal.

Elenco: Anna Mouglalis, Lòrant Deutsch, Kal Weber, Robert Plagnol, Clémence Poésy, Caroline Sihol, Didier Sandre, Jennifer Decker, Julien Baumgartner, Laetitia Spigarelli.