Cinéfilos Eternos

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

MIELE




Filme cheio de camadas...
Primeiro fiquei surpresa ao ver que a protagonista é interpretada pela mesma atriz de Fortunata, do diretor Sergio Castellitto. Ela está completamente diferente. No outro, exuberante, muito maquiada, vestida de maneira vulgar, uma mulher pobre e sofrida. Nesse, magrinha, cabelo curto, vestida elegantemente com roupas estilo masculino mas que, ao contrário, lhe realçam a feminilidade. Mas linda nos dois.

Bem, vamos lá à história. Irene é Irene e também é Miele. Nome duplo, vida dupla. Quem é ela? A Irene é uma ex-estudante de medicina que mora sozinha, numa pequena casa de praia. Adora mergulhar e ouvir rock pesado.
Aliás, as músicas do filme são ótimas. Ela tem um namorado, nada que lhe exija muito compromisso. De vez em quando precisa se ausentar, porque seu trabalho exige. Mas qual é a sua profissão? Durante sua função, ela muda de nome, já que trabalha para uma organização clandestina. Seu namorado (?) não sabe o que ela faz. Nem seu pai (Massimiliano Iacolucci), que ela sempre visita, tem a menor ideia do que ela faz para viver. Irene acredita que ajuda as pessoas.

Sua convicção é abalada quando ela conhece um novo cliente, o engenheiro Carlo Grimaldi (Carlo Cecchi). É no conflito entre os dois que vai se alicerçar uma amizade e muitas dúvidas. Irene ajuda as pessoas, como diz, pelas pessoas ou pelo dinheiro que recebe? Que pessoas devem se utilizar do seu serviço? Quem decide isso? Ela? A organização? Ou as próprias pessoas? Quais as semelhanças e as diferenças entre os outros casos e o do engenheiro?
A atriz Valeria Golino (Respiro) estreia na direção com esse longa, com um tema bem ousado e polêmico. Assina também como co-roteirista, partindo do livro de Mauro Covacich: A Nome tuo.
A ética que Miele (Irene) achava que possuía é testada, a ordem que impôs à sua vida é jogada por terra. A estranha amizade que se forma entre ela e o engenheiro Grimaldi vai fazer com que ela repense em tudo e, certamente, também o espectador. Até onde vai a liberdade de cada um? É uma das perguntas que faremos. Qual o sentido da vida? Toda dor é visível? Quem tem direito de julgar ou opinar sobre a vida do outro? Esses e muito mais questionamentos farão parte dos noventa e seis minutos desse filme intrigante, que deixa sua marca.
Indicações: Prêmio David di Donatello de Melhor Atriz.
Prêmios: Nastro d'Argento de Melhor Atriz, Nastro d'Argento de Melhor Diretor. Foi vencedor também de uma Menção Especial do Júri Ecumênico do Festival de Cannes 2013
O filme evita de forma inteligente qualquer tomada de partido, conveniência política ou religiosa", escreveu Natalia Aspesi.
A nova diretora (e roteirista) italiana já está no seu segundo longa, o filme Euforia, de 2018, sobre dois irmãos de temperamentos completamente diferentes, mas que uma situação difícil vai fazê-los se aproximarem, unidos, num turbilhão de fragilidade e ternura, medo e euforia. Já quero ver!

IMDB: 6,8/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Miele.
Nome no Brasil: Mel.
País: Itália, França.
Ano: 2013
Direção: Valeria Golino.
Roteiro: Valeria Golino, adaptação da obra de Mauro Covacich.
Elenco: Jasmine Trinca, Carlo Cecchi, Libero de Rienzo, Massimiliano Iacolucci.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O BOSQUE




O BOSQUE.
Que bom que os franceses agora resolveram fazer essas séries de uma temporada só. Só acho que poderiam variar um pouco o gênero. São boas, mas sempre sobre crimes a desvendar. A fórmula é colocar a desconfiança em um personagem, mas aí não é aquele o culpado e por aí vai. Mas nem por isso deixam de ser interessantes.

O BOSQUE esconde muitos segredos, crimes e, por trás de tudo dramas familiares. Ambientado em uma pequena cidade francesa, cercada por um bosque, que teria tudo para ser encantadora, se não houvesse um assassino solto por lá.
Com Suzanne Clément (Laurence Anyways) no elenco, uma policial competente, mas que não enxerga o que está embaixo do nariz, na sua casa. A chegada do novo capitão da polícia (Samuel Labarthe) é tumultuada com o desaparecimento de uma adolescente. Forçado a assumir o seu posto antes do tempo, ele não é visto com bons olhos pela policial Virginie Musso, mas vai mostrar sua competência em todo o decorrer dos episódios, que são seis.
O sumiço de Jennifer mexe com toda a cidade. A professora Eve (Alexia Barlier) procura o capitão porque ela recebeu um telefonema da adolescente antes dela desaparecer e Eve vai ser parte importante em toda a investigação. Nada demais, com uma música envolvente e o jeito francês de contar uma história. A série está sendo comparada com Dark e Stranger Things, mas não acho que tenha nada a ver, a ambientação pode ser, mas as outras são ficção, essa é policial. É uma boa distração.

IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Forêt.
Outros nomes: The Forest.
País: França
Ano: 2017
Direção: Julius Berg.
Roteiro: Delinda Jacobs.
Elenco: Samuel Labarthe, Suzanne Clément , Alexia Barlier.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES




ANIVERSARIANTES


A APARIÇÃO




"Coincidências não existem"? Por que Jacques Mayano (Vincent Lindon), que está passando por um drama pessoal por ter perdido tragicamente seu amigo e companheiro de reportagens, foi o escolhido para investigar a veracidade de uma aparição santa em uma pequena vila francesa? Apenas por ser um jornalista talentoso e imparcial? Ou terá a vida o escolhido porque ele precisava passar por uma transformação pessoal? Sempre me pergunto isso: somos nós que fazemos nossas escolhas ou somos escolhidos?
É preciso ressaltar que Jacques não é uma pessoa religiosa, mas também não é um ateu. Ele é apenas alguém que tem como profissão procurar e revelar a verdade. Mas o que é a verdade? Será uma ilusão?
"O real não existe" ..."você sempre pode encontrar a verdade em outro lugar".
Quando comecei a ver esse filme, lembrei-me de outro, O Terceiro Milagre, e achei que podia ter alguma semelhança. Um padre (Ed Harris) é enviado para investigar um milagre. Frank, que é conhecido como "The Miracle Killer", se vê de repente em um conflito, já que percebe sua função de desiludir as pessoas e o quanto isso está fazendo mal para ele também. "Se Deus não existisse, era preciso inventá-lo", disse Voltaire. Substituir a fé à ciência, o sonho à experiência, o fantástico à realidade, pode ser uma coisa perigosa. Mas não, os dois filmes são bem diferentes.
Sim, o filme é bem longo, mas não me entediou em momento algum. Acho até que o diretor Xavier Giannoli conseguiu criar um clima de suspense o tempo todo, o que prende a atenção. Não gosto quando as pessoas resolvem comentar que a duração do filme não se justifica, ou "tal capítulo é mais longo do que deveria", gente, quem determina isso é quem dirige o filme. É se colocar muito acima da competência de um diretor reconhecido.
O filme mostra como a comunidade local se beneficia do suposto milagre, a grande repercussão, a atração de peregrinos, o comércio de lembrancinhas, enfim, a exploração turística.
Anna (Galatéa Belugi) realmente viu a Santa? Mas se não viu, o que ela ganha com isso? Estará ela sendo usada pelo Padre Borrodini e por aquele outro que está sempre ao lado dele? Mas é certo que Anna tem um segredo, embora doce e com respostas para tudo, percebemos que ela tem medo. Um medo que ela busca conforto na sua fé.
"Todos se beneficiam com o mistério. Os que acreditam e os que não acreditam também".
Xavier Giannoli (Marguerite) faz um grande filme, com sobriedade, sem grandes provocações, sobre o mistério, a dúvida e a fé. Uma busca conduzida com competência pelo ator Vincent Lindon. O cineasta, que também é roteirista e produtor francês, foi nomeado em 2010 um Chevalier na Ordem das Artes e das Letras.
O filme não se propõe a defender ou provar coisa nenhuma, mas antes a provocar uma compreensão interna, ao nos confrontar com o fato que não existe uma verdade absoluta, mas que sim, ela pode ser verdadeira se você escolheu assim. E isso é o que realmente importa. A mim causou paz, aquela paz que você encontra quando acredita que não precisa provar nada... só ser!
Enfim, talvez a verdade não seja tão importante assim, o que importa é o que fazemos com o que acreditamos ser verdade.
"Ter fé é uma escolha livre e deliberada".

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: L'Apparition.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Xavier Giannoli.
Roteiro: Xavier Giannoli com a colaboração de Jacques Fieschi.
Elenco: Vincent Lindon, Galatéa Bellugi, Patrick d'Assumçao.

PAIS E FILHAS




Só pelo elenco já vale a pena ver. A Katie, a filha do filme, é lindamente interpretada por Kylie Rogers em criança e por Amanda Seyfried adulta. Jake Davis (Russel Crowe) é o pai, um escritor atormentado pela morte da esposa com quem ele estava discutindo na hora do acidente que a levou.
Jake quer criar a filha, a quem chama carinhosamente de "batatinha". Como diz a música de Michael Bolton: "Fathers and daughters never say goodbye"! Prepare os lençois...
O médico aconselha Jake a se internar por um tempo, para o bem da própria filha. Ele a deixa então com a irmã de sua esposa (Diane Kruger) e o marido (Bruce Greenwood). Ele passa mais tempo que o previsto internado e aproveita para escrever o livro que sua editora e amiga (Jane Fonda) espera.
Mas as coisas não saem como ele previa, a ligação dele com a filha é muito forte, mas parece que tudo e todos querem separá-lo dela.
A Katie adulta guarda sérias sequelas de sua infância. Embora se ocupe tentando ajudar crianças com problemas, ela não consegue resolver os dela. Quando Katie conhece Cameron (Aaron Paul), tem por fim uma chance de se ajudar, mas será que ela vai saber fazer isso?
Gabriele Muccino é um diretor italiano que alterna produções americanas com italianas e que sabe muito bem construir um filme para emocionar. Sim, você pensou que era diretora? Eu também sempre me confundo com esses nomes italianos. Mas não no caso desse, porque já vi vários filmes dirigidos por ele, como Sete Vidas, À Procura da Felicidade. Ah, e um que achei muito delicado e interessante, com o queridinho ator italiano Stefano Accorsi: O Último Beijo. Acho que já postei sobre esse último. Muccino foca sempre nas relações humanas em seus filmes.
O ator Aaron Paul ficou conhecido por estrelar a série Breaking Bad, como Jesse Pinkman. Quem viu, não esquece jamais. Amanda Seyfried, de Cartas para Julieta, Querido John, O Preço da Traição, está de volta também às telas com o filme musical Mamma Mia - Lá Vamos Nós Outra Vez. Teve uma época que parecia que ela estava em todos os filmes, tinha virado a "queridinha" do cinema americano.
Enfim, voltando ao filme Pais & Filhas, é sobre perdas e como elas podem nos afetar. Algumas feridas parecem nunca cicatrizar. Tudo bem, pode ser clichê, concordo, talvez esquecível, mas é um filme que cativa. E apesar do clichê, algumas pessoas continuam não entendendo realmente o que o filme quis dizer. Por exemplo, li comentários sobre a Kate ser ninfomaníaca, que falta de sensibilidade! Principalmente pelo elenco e pelo diretor, eu recomendo Fathers and Daughters.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Fathers and Daughters
Outros títulos : De padres a Hijas, Lo Mejor de Mi Vida.
País: EUA, Itália.
Ano: 2015
Direção: Gabriele Muccino.
Roteiro: Brad Desch.
Elenco: Amanda Seyfried, Kylie Rogers,Russell Crowe, Aaron Paul, Jane Fonda, Diane Kruger, Bruce Greenwood, Octavia Spencer

terça-feira, 14 de agosto de 2018

PERFEITA PRA VOCÊ




Abbie e Sam conheciam-se desde crianças e agora queriam celebrar a união na Igreja e trocar juras de "ficar juntos até que a morte nos separe". O problema é que ela resolveu chegar muito cedo. "Cedo demais?", eles costumavam falar assim um com o outro. Gente, não é spoiler, o filme começa com a Abbie (Gugu Mbatha-Raw) contando o que aconteceu. Então, foge logo daquele tipo de história que a gente fica torcendo pra ela não morrer, porque já sabemos que ela morre.
O Sam (Michiel Huisman) é aquele noivo fofo, meigo, totalmente apaixonado. Abbie acha que ele está totalmente despreparado para seguir com a vida sentimental depois que ela se for, já que ele sempre esteve com ela e se preocupa em achar uma outra mulher que seja perfeita para ele. Mas no grupo de apoio em que ela frequenta ela faz amizade com Myron, interpretado por Christopher Walken, que vai tentar fazê-la entender que não podemos controlar as coisas.
“Eu pensei que se eu planejasse todo o seu futuro, não iria doer tanto que eu não fizesse parte dele”.
A proposta, eu acredito, é ser raso mesmo. Não é aquele filme que pretende te tirar lágrimas. É apenas uma história como tantas outras, mostrando que na vida podemos ter sorte ou azar. Ou as duas coisas. Por causa da sorte de Sam e Abbie terem vivido um amor tão lindo, tão profundo, o azar parece maior. Mas talvez a felicidade ou a falta dela seja aleatória... só isso!
“Você quer que eu fique bem depois que você for embora? Bom, novidades para você. Eu não ficarei bem, não importa o quanto você tente mudar isso. Você não pode me fazer ficar bem sem você.”
Eu tenho uma frase que sempre falo e que acho que se encaixa aqui que é "Ninguém é substituível." É claro que mais dia, menos dia, a vida de Sam vai seguir, mas de uma maneira diferente.
O filme deixa uma reflexão: afinal, o quanto dura o "para sempre"? Mas prefiro deixar para lá essa coisa que todo mundo repete que temos que falar sempre o quanto amamos as pessoas porque não sabemos o dia de amanhã. Você faz o melhor que pode todos os dias, se não vai existir amanhã, fazer o quê? Não sabemos nem se vai existir o minuto seguinte, vamos ficar fazendo juras de amor o tempo todo? A gente só sabe quando acontece, mas eu acho que se eu soubesse quanto tempo de vida eu tenho, continuaria vivendo do mesmo jeito. Porque se fizesse diferente, já não seria eu.
"Bunitinhu".

IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Irreplaceable You
País: EUA
Ano:m 2018
Direção: Stephanie Laing
Roteiro: Bess Wohl.
Elenco: Gugu Mbatha-Raw, Michiel Huisman, Christopher Walken.