Cinéfilos Eternos

terça-feira, 17 de julho de 2018

LUGARES ESCUROS




Baseado no livro de mesmo título da autora Gillian Flynn, responsável por trazer ao mundo o sucesso literário e de cinema: Garota Exemplar, Lugares Escuros é inferior ao outro longa, contudo a história intrigante e misteriosa de Flynn consegue prender do início ao fim, ainda mais devido à excelente atuação da atriz sul-africana, Charlize Theron.
A história parte de uma fragilizada mulher, Libby Day (Theron), que teve a infância marcada pelo assassinato de sua mãe e suas duas irmãs pelo próprio irmão. Traumatizada, falida e sem perspectivas de um futuro melhor, Libby Day é abordada por um jovem rapaz, Lyle (Nicholas Hoult), que participa de um grupo macabro conhecido como O Grupo da Morte, no qual fãs de histórias reais de assassinatos e assassinos investigam casos famosos na tentativa de descobrir a verdade. Lyle oferece dinheiro para que Libby participe de uma das sessões do clube, descrevendo sobre a noite do crime, já que ela fora a única sobrevivente, sem escolhas, Libby aceita participar e isso traz à tona uma história cheia de mistérios e contradições.
Infelizmente a adaptação peca na direção. Apesar da história prender a atenção por causa do mistério que é contado através de flashes-back ao longo de todo o filme, alguns momentos poderiam ter sido feitos de forma mais ágil, evitando deixar a história um pouco cansativa. E, em contradição com a edição e fotografia estilosa e moderna de Garota Exemplar, Lugares escuros é mais simples e contém alguns problemas, mas nada que comprometa a trama.
Há de se elogiar a história, que não é mérito tanto do filme, mas de um livro bem intrigante, o que facilitou na adaptação. Outro ponto positivo é a atuação de Charlize Theron, como sempre dando um espetáculo de interpretação. Chloë Grace Moretz também faz uma participação especial e mostra todo seu talento de forma bem madura.
No mais, este é um filme que vai agradar tanto aos amantes do suspense, como a quem gosta de um bom drama. Vale a pena!



Por: Tom Carneiro.
IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,1/ 5
Nota (Tom Carneiro): 6/ 10

Ficha técnica:
Nome original: Dark Places.
País: EUA. França, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2015
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiro: Gilles Paquet-Brenner, Gillian Flynn.
Elenco: Charlize Teron, Chloë Grace Moretz, Corey Stoll, Nicholas Hoult.

ANIVERSARIANTES


segunda-feira, 16 de julho de 2018

SUBMERGENCE




Em 1942, o comando aliado sabia que para derrotar Hitler deveria invadir o continente europeu e, para atingir esse objetivo, seria necessário um ataque à costa francesa. A questão era: seria possível capturar um porto francês durante os primeiros dias da invasão? A tentativa de capturar Dieppe serviu como um balão de ensaio, a fim de provar as mais recentes técnicas anfíbias para a Operação Overlord (O Dia D, na Normandia)e foi feita por seis batalhões e um regimento blindado da 2ª Divisão Canadense,desembarcando nas vilas de Puys e Pourville e também nas praias de Dieppe, que se situava entre os dois povoados. Nenhum dos principais objetivos do ataque foi alcançado.
"Cada um que morreu no caminho, morreu pela liberdade e justiça....Cada um que não conseguiu retornar morreu por repúdio à tirania e à opressão!"
Por que estou mencionando isso tudo? É um filme de guerra? Não, não desse tipo de guerra...
É no cenário dessa mesma praia que anos depois Danielle Finders e James Moore passeiam e descobrem, apesar das aparentes diferenças, que possuem muitas coisas em comum. O bunker na praia é como um monumento em memória de tantos que morreram na batalha travada ali. Danielle diz para ele:
"Eis o que eu queria lhe mostrar". Ele responde:
"E foi por isso que eu vim para cá. 5 mil soldados canadenses e mil soldados britânicos tentaram tomar essa praia. As armas naquele bunker mataram cada um deles. Foi um sacrifício incrível."
Dan e James também acreditam que precisam fazer seus sacrifícios pessoais. De maneiras diferentes, bem diferentes, aliás. Daniella é uma exploradora do oceano que descobre um novo desafio no abismo Ártico. Em breve, ela descerá em um submersível em uma missão muito arriscada, ela acredita que existam espécies microscópicas que podem mudar o mundo. James também trabalha com água, é um consultor, um especialista em transformar a água ruim em boa, evitando tantas doenças por contaminação. Mas isto serve apenas de fachada, na verdade ele é um espião infiltrado no combate aos jihadistas africanos.
Talvez por isto eles quiseram visitar aquela praia antes de descerem ao inferno. Ela, ao que chama de Hades, a região escura do fundo do mar. Ele, às mentes obscuras dos terroristas no Afeganistão.
Não sei por que criticaram tanto o filme e o Wenders. O diretor alemão, que hoje está com 72 anos, é uma das mais importantes figuras do Novo Cinema Alemão. Além de cineasta, dramaturgo, fotógrafo e produtor de cinema, é presidente da Academia de Cinema Europeu em Berlim. Diretor do premiado documentário Buena Vista Social, do poético Asas do Desejo e do inesquecível Paris, Texas, entre muitos outros. Quem faz uns filmes como esses, cria uma expectativa muito grande e quando o filme não é tão bom quanto, gera algumas decepções. Mas isso não faz um filme ser ruim.
Submergence tem locações deslumbrantes e "Mon Dieu", que hotel é aquele, hein? Tem uma história consistente, boas interpretações...
"Ousado, mas raso", foi um dos comentários que li. Raso por quê? De raso não tem nada, desde literalmente tratar-se de um filme de profundidades até abordar temas que envolvem a humanidade e suas mazelas, a transitoriedade da vida e a importância de se deixar uma contribuição e não apenas passar por ela. O termo "jihad" também pode se referir tanto a uma luta contra os inimigos do Islã quanto à luta interior na qual todo muçulmano deve realizar para atingir a plenitude como indivíduo. Bem profundo isso, não acham?
E no meio disso tudo um romance lindo, onde os protagonistas irão ao fundo de suas percepções e criam, apesar do pouco tempo juntos, uma conexão um com o outro que vai além da forma física.
Exibido no Festival de Toronto de 2017, o longa foi baseado no livro de J. M. Ledgard, ex-correspondente de guerra. Ao contrário de muitas críticas, para mim influenciadas umas pelas outras, eu achei o filme lindo e interessante. Uma pena esse descaso realmente. Acho que alguns críticos sentem-se bem por desmerecer diretores conceituados, é uma forma de terem seus dois minutos de glória. Enquanto isso, os mesmos dão várias estrelas para filmes bem inferiores.

Ah, esqueci de dizer que o filme presta uma homenagem a Jean Vigo, porque o nome do navio em que Dan viaja chama-se O Atalante.

IMDB: 5,4/ 10
Filmow: 2,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Submergence
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Win Wenders.
Roteiro: Erim Dignam, adaptação da obra de J.M.Ledgard.
Elenco: Alicia Vikander, James McAvoy.

sábado, 14 de julho de 2018

HANNAH




Hannah é um filme do diretor italiano Andrea Pallaoro, mas a produção é franco/ belga/ italiana. Existe às vezes uma certa dificuldade quando queremos classificar um filme, se ele é italiano, se ele é francês, ... Como o idioma do filme é o francês e a atriz já fez vários filmes franceses, vou enquadrá-lo aqui. Também não achei ele nada italiano.
Há filmes que entregam demais, mas esse não entregou de menos? Muito de menos? Ele diz tudo e não diz nada ao mesmo tempo. Será que não entendi, que dei umas cochiladas? O que foi que eu perdi? Ou quem sabe o objetivo do filme seja promover justamente a curiosidade?
O diretor explicou em uma entrevista porquê escolheu Charlotte para o papel:
"Escrevi o filme pensando nela, para ela. Se tivesse recusado, creio que não conseguiria fazê-lo com outra atriz. Teria de mudar de projeto."
O diretor admite que o filme é difícil. Hannah concorreu no Festival de Veneza do ano passado. Pallaoro lembra:
"Foi uma sessão tensa, porque reconheço que o filme é difícil. Um silêncio mortal, não dava para perceber se o público estava gostando ou não. E, então, no final, as pessoas levantaram. Recebemos uma 'standing ovation' de cinco minutos e Charlotte, no encerramento do festival, recebeu a Taça Volpi de melhor atriz."
Quem afinal é Hannah? Que segredo ela esconde? Não passamos nós pela vida também escondendo nossos segredos, testemunhas e observadoras de nossa própria existência? Quem somos nós também?
"Quando você joga o filme no mundo ele deixa de lhe pertencer, e o público é soberano para fazer sua interpretação."
Bem, é isso que Pallaoro faz e muito bem, o espectador precisa ser o roteirista da história de Hannah.
Seguindo a linha do cineasta, também vou ser bem minimalista e não vou postar a sinopse. Adivinhem!
IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Hannah.
País: Itália/ França/ Bélgica.
Ano: 2017
Direção: Andrea Pallaoro.
Roteiro: Andrea Pallaoro, Orlando Tirado.
Elenco: Charlotte Rampling, André Wilms.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

FRASES DE FILMES


UNSANE (DISTÚRBIO)

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Adepto das experiências, o cineasta americano Steven Soderbergh filmou Unsune com um iPhone.
"É uma época fascinante para fazer filmes. Gostaria de ter um objeto destes quando tinha 15 anos",
afirmou o realizador de Traffic, pelo qual recebeu o Oscar como Melhor Diretor, Erin Brockovich e Sexo, Mentiras e Vídeotape, esse último vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, quando ele tinha somente 26 anos. Soderbergh, hoje com 55 anos, vem alternando filmes de sucesso comercial com obras mais experimentais. Ainda adolescente, ele conheceu o cinema, dirigindo curtas-metragens com uma Super 8 emprestada.
Ele não é primeiro. Sam Baker já havia filmado Tangerine com a câmera de um IPhone 5S.
Unsane tem como protagonista a excelente Claire Foy, atriz britânica famosa por seu papel de Ana Bolena na minissérie Wolf Hall, pela qual recebeu nomeações para os prêmios BAFTA e para os Critics' Choice Awards e por interpretar a Rainha Elizabeth II na série de televisão The Crown da Netflix. Com este papel, Foy foi premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz em série dramática e Prémio Screen Actors Guild para melhor atriz em série de drama, ambos em 2017.
No filme, Claire é Sawyer Valentini, uma pessoa atormentada por um homem que a persegue. Ela vive mudando de endereço, de emprego, de perfil nas redes sociais, mas mesmo assim o pânico está constantemente tomando conta dela, como se ele estivesse sempre atrás das portas. O que não sabemos é se o que acontece com Sawyer é real ou se é tudo produto de sua mente. Quando ela procura o auxílio de uma psiquiatra para poder desabafar e amenizar sua ansiedade, ela se vê de repente internada em uma instituição psiquiátrica contra sua vontade.
O filme é mediano. É bem construído e a atuação da Claire Foy é um diferencial, mas achei a história previsível. Não entendi o que o Matt Damon foi fazer ali no filme, rsrsrs. Soderbergh também tornou-se famoso por executar várias funções dentro de um mesmo filme, como direção de fotografia, edição, direção e roteiro. Como a WGA proíbe que o cineasta exerça múltiplas funções dentro de um filme, ele assina sob diferentes pseudônimos. Em Distúrbio, ele assina a fotografia e a montagem do filme sob dois pseudônimos distintos.
Adorei a cena de abertura, um bosque inteiro em tons de azul, recurso do IPhone utilizado, e que tem a ver com a forma como o stalker (ou o suposto stalker) via a vida com a Sawyer e que também a presenteou com um vestido azul, tudo azul, no seu mundo idealizado azul.
Acho que a tensão maior que somos acometidos é a de ver como o sistema é frágil e que uma coisa dessas pode acontecer com a gente ou com algum familiar. O filme contém uma crítica ao sistema hospitalar e suas ganâncias.Um suspense psicológico que talvez tenha divertido mais o próprio diretor, ao utilizar os recursos de um smarthphone.

IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Unsane
País: EUA
Ano: 2018
Direção Steven Soderbergh.
Roteiro: James Greer, Jonathan Bernstein.

Elenco: Claire Foy, Amy Irving, Joshua Leonard, Juno Temple, Jay Pharoah, participação de Matt Damon.
Soderbergh filmando com seu IPhone 7



quarta-feira, 11 de julho de 2018

THE PLACE



Gentem, eu adorei esse filme. Ele se passa inteiro em um café - The Place - mais propriamente em uma mesa do café, mas você vai ficar hipnotizado. Nessa mesa, um homem misterioso (Valerio Mastandrea) passa seus dias, toma vários cafés, almoça, bebe, enquanto atende várias pessoas. Seus visitantes chegam e saem, contam-lhe o inconfessável, seus segredos mais ocultos ou seus desejos mais latentes. O objetivo é conseguir sua ajuda. O homem, de aparência sempre cansada, não julga e nem aconselha, anota tudo em uma grossa agenda e lhes propõe um acordo. Ninguém é obrigado a aceitar, ele deixa isso bem claro, mas as tarefas que essas pessoas terão que realizar em troca dos seus pedidos são além dos seus limites. "Quem é você?", eles se perguntam, muito embora prefiram não saber a resposta. "Como eu sei se você não é o Diabo?", arrisca alguém. "Não sabe", ele responde.
O filme é uma adaptação cinematográfica da série Booth at the End, que consiste em 5 episódios curtos dirigidos por Jessica Landaw, escrito por Christopher Kubasik e estrelado por Xander Berkeley e Kate Maberly. A série faz ao espectador uma pergunta: "quão longe você iria para conseguir o que quer?"
As espinhosas tarefas irão mexer com o valor moral de cada um. De fora todos nós praticamente iremos condenar quem as pratica ou que pelo menos cogita em praticar. Mas será que se estivéssemos na mesma situação, o que sentiríamos? O filme busca exatamente isso, nos questionar. Paolo Genovese quer testar não só os seus personagens, mas também o espectador. O filme propõe uma reflexão emocional e tão envolvente quanto possível sobre a natureza humana.
Os personagens revezam-se pelo café, cada um com seus dramas, com suas histórias, com seus desesperados anseios. Cada desejo revela alguma coisa de quem deseja. Alguns com propósitos mais simples, mas talvez não menos importantes para eles, quem somos nós para avaliar? O preço a pagar é proporcional e pode ser absurdamente alto. Algumas tarefas parecem não ter sentido algum.
Não se tratam de pactos para toda a vida ou para toda a existência. Cumpriu o acordo, o desejo é realizado. Podendo também desistir a qualquer momento. Exatamente nessa não obrigatoriedade está a questão, o tal homem funciona como um espelho de cada um, confrontando-os com seus valores e com suas reais necessidades.
Na verdade, a tarefa maior parece ser exatamente a dele, obrigado a testemunhar diariamente todas as mazelas humanas. Todos querem alguma coisa dele. A única pessoa que não pede nada e na verdade parece ter interesse em ouvi-lo, em conhecê-lo melhor, é Angela, a atendente do café.
The Place participou da 11ª Festa do Cinema Italiano. The Place é o primeiro longa do diretor Paolo Genovese depois do grande sucesso com Perfetti Sconosciuti, vencedor do prêmio David Di Donatello (considerado como sendo o Oscar italiano) e que tem uma versão espanhola na Netflix, dirigida por Álex de Iglesia.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 4,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Place.
País: Itália.
Ano: 2017
Direção: Paolo Genovese.
Roteiro: Isabella Aguilar, Paolo Genovese.
Elenco: Valerio Mastandrea, Sabrina Ferilli, Alessandro Borghi, Alba Rohrwacher, Marco Giallini, Giulia Lazzarini, Rocco Papaleo, Silvio Muccino, Silvia D'Amico. Vitoria Puccini, Vinicio Marchioni,