SUBMERGENCE - Cinéfilos Eternos

segunda-feira, 16 de julho de 2018

SUBMERGENCE




Em 1942, o comando aliado sabia que para derrotar Hitler deveria invadir o continente europeu e, para atingir esse objetivo, seria necessário um ataque à costa francesa. A questão era: seria possível capturar um porto francês durante os primeiros dias da invasão? A tentativa de capturar Dieppe serviu como um balão de ensaio, a fim de provar as mais recentes técnicas anfíbias para a Operação Overlord (O Dia D, na Normandia)e foi feita por seis batalhões e um regimento blindado da 2ª Divisão Canadense,desembarcando nas vilas de Puys e Pourville e também nas praias de Dieppe, que se situava entre os dois povoados. Nenhum dos principais objetivos do ataque foi alcançado.
"Cada um que morreu no caminho, morreu pela liberdade e justiça....Cada um que não conseguiu retornar morreu por repúdio à tirania e à opressão!"
Por que estou mencionando isso tudo? É um filme de guerra? Não, não desse tipo de guerra...
É no cenário dessa mesma praia que anos depois Danielle Finders e James Moore passeiam e descobrem, apesar das aparentes diferenças, que possuem muitas coisas em comum. O bunker na praia é como um monumento em memória de tantos que morreram na batalha travada ali. Danielle diz para ele:
"Eis o que eu queria lhe mostrar". Ele responde:
"E foi por isso que eu vim para cá. 5 mil soldados canadenses e mil soldados britânicos tentaram tomar essa praia. As armas naquele bunker mataram cada um deles. Foi um sacrifício incrível."
Dan e James também acreditam que precisam fazer seus sacrifícios pessoais. De maneiras diferentes, bem diferentes, aliás. Daniella é uma exploradora do oceano que descobre um novo desafio no abismo Ártico. Em breve, ela descerá em um submersível em uma missão muito arriscada, ela acredita que existam espécies microscópicas que podem mudar o mundo. James também trabalha com água, é um consultor, um especialista em transformar a água ruim em boa, evitando tantas doenças por contaminação. Mas isto serve apenas de fachada, na verdade ele é um espião infiltrado no combate aos jihadistas africanos.
Talvez por isto eles quiseram visitar aquela praia antes de descerem ao inferno. Ela, ao que chama de Hades, a região escura do fundo do mar. Ele, às mentes obscuras dos terroristas no Afeganistão.
Não sei por que criticaram tanto o filme e o Wenders. O diretor alemão, que hoje está com 72 anos, é uma das mais importantes figuras do Novo Cinema Alemão. Além de cineasta, dramaturgo, fotógrafo e produtor de cinema, é presidente da Academia de Cinema Europeu em Berlim. Diretor do premiado documentário Buena Vista Social, do poético Asas do Desejo e do inesquecível Paris, Texas, entre muitos outros. Quem faz uns filmes como esses, cria uma expectativa muito grande e quando o filme não é tão bom quanto, gera algumas decepções. Mas isso não faz um filme ser ruim.
Submergence tem locações deslumbrantes e "Mon Dieu", que hotel é aquele, hein? Tem uma história consistente, boas interpretações...
"Ousado, mas raso", foi um dos comentários que li. Raso por quê? De raso não tem nada, desde literalmente tratar-se de um filme de profundidades até abordar temas que envolvem a humanidade e suas mazelas, a transitoriedade da vida e a importância de se deixar uma contribuição e não apenas passar por ela. O termo "jihad" também pode se referir tanto a uma luta contra os inimigos do Islã quanto à luta interior na qual todo muçulmano deve realizar para atingir a plenitude como indivíduo. Bem profundo isso, não acham?
E no meio disso tudo um romance lindo, onde os protagonistas irão ao fundo de suas percepções e criam, apesar do pouco tempo juntos, uma conexão um com o outro que vai além da forma física.
Exibido no Festival de Toronto de 2017, o longa foi baseado no livro de J. M. Ledgard, ex-correspondente de guerra. Ao contrário de muitas críticas, para mim influenciadas umas pelas outras, eu achei o filme lindo e interessante. Uma pena esse descaso realmente. Acho que alguns críticos sentem-se bem por desmerecer diretores conceituados, é uma forma de terem seus dois minutos de glória. Enquanto isso, os mesmos dão várias estrelas para filmes bem inferiores.

Ah, esqueci de dizer que o filme presta uma homenagem a Jean Vigo, porque o nome do navio em que Dan viaja chama-se O Atalante.

IMDB: 5,4/ 10
Filmow: 2,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Submergence
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Win Wenders.
Roteiro: Erim Dignam, adaptação da obra de J.M.Ledgard.
Elenco: Alicia Vikander, James McAvoy.

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