Cinéfilos Eternos

segunda-feira, 2 de julho de 2018

CALIBRE



Sinopse: dois amigos de longa data vão para uma isolada vila na Escócia para um final de semana de caça, mas nada poderia prepará-los para o que aconteceria em seguida.
Nem você! Prepare-se para um clima de tensão do princípio ao fim. Você, como o Marcus e o Vaughn, vai ter vontade de sair cor-ren-do. Alías, esse filme também me lembrou aquele outro, o Corra. O lugar já tinha um clima de hostilidade, desde que os amigos chegaram. Eles conhecem duas moças da região, Vaughn não leva adiante, ele é casado e sua mulher está grávida, para decepção de Iona. Mas Martin embarca na aventura com a outra, mesmo sendo avisado que ela sempre traz problemas. A famosa "chave de cadeia".
Dirigido por Matt Palmer, o filme, embora não apresente nada de inovador, cenários em uma vila meio que abandonada pelo tempo, com um único bar onde todos se reúnem e se conhecem, onde os olhos são todos voltados para qualquer estranho que apareça, um valentão que tem ciúmes da mocinha, e tal, a diferença é que o espectador sentirá imediatamente uma empatia com os personagens e a vontade de gritar para eles correrem enquanto é tempo. Principalmente o Vaughn, que vai ser pai e que embarcou nessa aventura meio que para agradar ao amigo. Mas, justiça seja feita, Martin, embora assim meio babaca, meio que movido por impulsos, está sempre tentando proteger o Vaughn. Porque ele podia ter saído fora antes. Eu penso assim.
Com um final chocante, que levanta algumas questões éticas e morais. O que você faria? Eu acho que tudo o que a gente fala fora da situação não representa a realidade, só no momento que acontecem as coisas é que conhecemos as nossas verdadeiras motivações e limitações.

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Calibre.
País: Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2018
Direção: Matt Palmer.
Roteiro: Matt Palmer.
Elenco: Jack Louden, Martin McCann, Tony Curran, Ian Pirie.

domingo, 1 de julho de 2018

ANIVERSARIANTES








ANIVERSARIANTES

A atriz, que afirma ser tímida na vida real, tem um sonho desde criança e não era o de ser atriz, mas sim cantora de ópera. Hoje, ela torce por atuar em um musical.

ANIVERSARIANTES

Que ela é linda e filha do famoso vocalista do Aerosmith, todo mundo sabe. O que muita gente não sabe é que o Steven Tyler só a conheceu (e a reconheceu como filha) quando ela já tinha dez anos. Até então, Liv achava que era filha de Todd Rundgren.

sábado, 30 de junho de 2018

É APENAS O FIM DO MUNDO



Para quem curte um filme bem denso, esse é uma boa pedida. Que cara talentoso esse Xavier Dolan. Consegue extrair de cada ator a dramaticidade certa.
Louis se afastou da família há doze anos.

"É assim que após uns 12 anos de ausência, e apesar do medo, eu decidi voltar a vê-los".

Existe uma gama de motivações que vêm de nós mesmos, que não se relaciona a ninguém além de nós, que nos impulsiona a sair pela vida afora, a não olhar pra trás.
Da mesma forma, existe uma variedade tão grande de motivações quanto essa que nos fazem voltar.!"
A motivação de Louis era anunciar a sua morte iminente.

"Foi assim que após todos esses anos tomei a decisão de voltar atrás, de fazer a viagem, para anunciar a minha morte."

Seria justo isso? Depois de tantos anos privando a família do seu convívio, há tanta expectativa, tantas esperanças de retomar os laços, de talvez até recuperar o tempo perdido...
Mas não é por certo isso que Louis pretende:
"Anunciá-la eu mesmo e sentir o poder de dar a mim mesmo e aos outros a ilusão de estar até esse extremo senhor de mim mesmo."

Com um elenco fabuloso, fotografia e trilha sonora sensacionais, Dolan nunca me decepciona.
Apesar de receber o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Cannes de 2016, além de ter concorrido à Palma de Ouro, o filme foi vaiado em sua apresentação. Vai entender. Talvez por ser intimista ao extremo, nem todo mundo aprecia. Dependendo do gosto, sim, o filme pode ser exaustivo. Ele é composto o tempo todo de diálogos e nem sempre verbalizados. O personagem Louis quase não fala, balbucia e sorri. Mas é tão intenso, como não gostar?

Nathalie Baye, a mãe, que atriz! A princípio, parecia tão frívola, que fiquei em dúvida se era a mãe ou madrasta. Mas entendo ela, sou assim às vezes, entendo quando continuou terminando de pintar as unhas quando ele chegou. Sei como é, enquanto isso estava se preparando para o momento. E aquela cena em que ela passa perfume e chega perto dele e pede pra ele sentir o perfume, dizer se gosta? E então os dois se desarmam, se entregam naquele abraço que parecia não ter mais fim. E ela lhe diz: "Você pensa que eu não te entendo e não te amo. Eu não te entendo mesmo! Mas te amo muito!"
Léa Seidoux interpreta a irmã que quase não conviveu com o irmão, já que quando ele partiu ela ainda era pequena. Mas é tão carente dele, tão carente das coisas que poderia ter vivido com ele, das coisas que ele teve coragem de enfrentar e ela não tem.
Já Antoine (Vincent Cassel) é aquele babaca invejoso que disfarça sua frustração com ironias malvadas. Terá ele um pouco de razão? Sempre ficou ao lado da família mas parece que todas as atenções voltam-se para Louis. Também, Louis é um escritor, mora na cidade grande, ... Talvez Antoine seja o mais lúcido, aquele que percebe que Louis não voltou por ninguém, só por ele mesmo.
Catherine (Marion Cotillard) é a cunhada, de uma doçura, com aqueles olhos sempre ávidos de perceber a essência das coisas, das pessoas e ela mais que ninguém parece saber que Antoine sofre com isso tudo por trás de toda sua grosseria. Tem também aquele momento lindo em que ela e Louis se olham infinitamente e ela lhe diz com o olhar: "eu te entendo, também não pertenço a nada disso".

Adaptação de uma peça de teatro de mesmo nome, de Jean-Luc Lagarce, é o primeiro filme de Dolan com um elenco totalmente francês.
"Juste la fin du Monde" é daqueles filmes que você pensa: "preciso ver mais uma vez", há uma riqueza de detalhes que você quer rever, refletir, ou talvez haja tanta coisa que você deixou passar, é preciso voltar lá. É como se através do filme você pudesse talvez repassar sua própria vida. Quem sabe? Existem coisas sobre as quais pensamos poder ter controle. Mas não temos. Nem Louis.

IMDB: 
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Juste La Fin du Monde
Outros nomes: It's Only The End of The World
País: Canadá/ França
Ano: 2016
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan

Elenco: 
Gaspard Ulliel, Nathalie Baye, Léa Seydoux, Marion Cotillard e Vincent Cassel
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MOMMY



Antoine-Olivier Pilon é Steve, um rapaz ao mesmo tempo carinhoso e explosivo, em decorrência do TDAH.
Devido ao seu temperamento peculiar, ele tem vários problemas pelos colégios onde passa até que uma expulsão faz com que sua mãe (Anne Dorval) tenha que levá-lo para casa e cuidar dele integralmente, o que é um problema para ela. Die, como toda mãe, tem que se dividir entre o filho e outras tarefas mas além disso, ela é uma mãe peculiar, porque ela é tão perdida quanto Steve.

No meio de toda essa confusão, de onde menos se podia esperar ajuda, ela chega através de uma vizinha, Kyla ( Suzanne Clement), uma mulher com claros problemas emocionais.
O filme, embora de uma maneira confusa, mas ao mesmo tempo poética, é uma declaração de amor entre mãe e filho e talvez seja a redenção de Dolan por "Eu matei minha mãe" em 2009.
Dolan inclui nele uma fictícia lei, que permitiria aos familiares abandonarem os filhos problemáticos, que ficariam aos cuidados do Governo.Essa lei seria uma tentação e um conflito para diversas mães, com certeza.

Técnicamente, o filme usa de um recurso muito interessante e original, o formato quadrado, como a mostrar todos os sentimentos aprisionados e de repente, como numa explosão de emoções, vem a liberdade, e a tela se expande. E esse momento é tão bonito, ainda mais ao som de Wonderwall, de Oasis, que faz com que a nossa percepção se abra também, de uma maneira intensa e calorosa. 

Mommy é daqueles filmes que ao mesmo tempo que incomoda te encanta.
Recomendadíssimo!

*Prêmio do Júri, César de Melhor Filme Estrangeiro, entre outros.

IMDB: 8,1/ 10
Minha nota: 4,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Mommy
País: Canadá
País: 2014
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Antoine-Olivier Pilon, Anne Dorval, Suzanne Clement.

TOM NA FAZENDA



Depois da morte de seu parceiro em um acidente, Tom (Xavier Dolan) viaja até a fazenda da mãe do rapaz para o funeral, e mais que isso, em busca de conforto, talvez até de uma amenização para o seu sofrimento. O que ele não sabe é que a mãe de seu noivo falecido não tinha ciência de que o filho era homossexual. E o problema é ainda maior quanto ao outro filho da senhora que também mora com ela, o problemático Francis (Pierre-Yves Cardinal), machista e com um histórico de violência. Francis é o único que sabia da sexualidade do irmão e obriga Tom a mentir para a mãe, evitando que ela sofresse mais. Dai em diante, Tom se vê sufocado dentro dele mesmo e perseguido por um cunhado desequilibrado, representando uma verdadeira incógnita, o que faz a história prender o espectador à poltrona por não ter qualquer chance de prever o que vem a seguir.
O longa é baseado em uma peça de Michel Marc Bouchard (que também divide os créditos do roteiro com o Xavier Dolan) e representa um avanço na carreira do excelente Dolan. Acostumado, até o então, com certos exageros estéticos e visuais em suas obras, Dolan foca nos personagens em Tom Na Fazenda, contudo ainda deixa a desejar no roteiro que parece não seguir um rumo só, deixando a sensação de que faltou algo. Ainda sim, o longa tem seus méritos, em especial pelas atuações. Cardinal entrega um rapaz completamente doentio e desequilibrado. Sua atuação é tão visceral que chega a causar medo. Já Dolan acerta o que muitos diretores que também atuam em seus filmes erram. Ele sabe aparecer na medida certa na frente da câmera, não se expõe demais em detrimento dos outros personagens e sua atuação é angustiante.
A história gira em torno da dificuldade de algumas pessoas em se livrar se certos sentimentos, deixar ir certos amores, desilusões, paixões, traumas... O próprio Tom vai até a fazenda e permanece nela, se autoflagelando, porque possuía essa dificuldade. Já para Francis a situação é mais complicada, pois o personagem nem sequer se entende e passa, em determinadas cenas, a impressão de que lutava internamente por um desejo reprimido de ser aberto como o falecido irmão, como o próprio Tom. Há muito erotismo nas cenas, em especial na luta final entre os dois rapazes. Mas essas suposições são do campo especulativo e cabe ao espectador analisar e discutir com outros.
Extremamente angustiante e claustrofóbico, Tom Na Fazenda pode ser considerado um dos melhores filmes de Dolan.

(Comentários e sinopse de Tom Carneiro)

IMDB: 7/ 10
Nota do Tom (Carneiro, rsrsrs): 8/ 10

Ficha técnica:
Nome original: Tom à La Ferme
Outros nomes: Tom at The Farm.
País: Canadá
Ano: 2013
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: 
Michel Marc Bouchard, Xavier Dolan.
Elenco: Xavier Dolan, Pierre-Yves Cardinal, Lise Roy.