Cinéfilos Eternos

quarta-feira, 20 de junho de 2018

ANIVERSARIANTES


A LIVRARIA



"Quando lemos uma história, nós a habitamos".
Compartilho do mesmo sentimento de Florence Green, me envolvo com os personagens, me vejo nos lugares descritos, quanto mais grosso o livro melhor, mais eu mergulho na história. Ao ponto de em alguns livros, e em alguns filmes também, muito embora a minha ansiedade me leve logo até o final, eu deseje que se estenda mais. Às vezes tenho pena de "ir embora" daquela história. Também eu, como Florence, preciso de um tempo para absorver aquilo tudo, para refletir. Muitas vezes, gosto até mais do filme ou do livro depois. Dos filmes, principalmente depois que escrevo sobre eles, porque ao escrever, percebo detalhes que ainda não tinha assimilado.Por isso detesto ver um filme atrás do outro, ou um livro. A não ser que não tenha gostado muito, também eu continuo respirando no mesmo ambiente, me sinto uma personagem. Por exemplo, eu agora estou sorrindo como Florence Green, ajeito minha trança atrás da cabeça, meu olhar divaga, vai além, e eu tento enxergar, com clareza e indulgência, do jeito dela, o que se passa com os seres humanos em geral. Ah, como eu entendo a Florence... quantas vezes tomamos uma iniciativa que só vai trazer benefícios a todos, só queremos o bem, e eu penso que um sentimento bom ou uma ideia boa transbordam naturalmente, tocam os que estão próximos, ... mas infelizmente algumas pessoas não vêem isso com bons olhos. O despeito e a hostilidade tomam conta delas, que vão fazer tudo para apontar defeitos. Eu sou uma pessoa meio metida, onde eu vou começo a dar ideias, não é para aparecer, mas é que para mim fica tão claro que existem coisas que podem ser melhoradas, ... mas sempre tive que enfrentar, assim como a nossa livreira do filme, a resistência às mudanças. "Mas sempre foi assim", já ouvi muito essa frase.
Mrs Violet Gamart, acostumada a dar grandes festas e a ser o centro das atenções será a mais ferrenha opositora ao projeto de Florence de reformar a casa velha da cidade e instalar uma livraria. A comunidade é conservadora, do tipo "pra que ler?' Na época, foi lançado um livro novo, de Vladimir Nobokov, o hoje famoso Lolita e Florence decide comprar 250 volumes. Se hoje o romance já desperta tantas polêmicas, imaginem na época! Que ousadia da nossa Florence!
Fiquei apaixonada pela construção do filme, a reconstituição da época, os figurinos, as locações, que fotografia!, tudo me envolveu. O filme é muito mais do que mostrar a importância da literatura, não só como entretenimento, mas como forma de abrir a cabeça, expandir as ideias, mas também é uma história de resistência, de luta pelos ideais. Florence era uma mulher à frente do seu tempo e essas mulheres, reais ou fictícias, sempre me fascinam. A Livraria foi filmado em língua inglesa. A história se passa em 1950, em um vilarejo inglês, onde uma viúva decide reconstruir sua vida, abrindo uma livraria, apesar da oposição da população local.
Uma mulher sozinha, acho que até hoje, também é uma ameaça às outras. Olhares piedosos ou maledicentes nunca faltam nessas horas, difícil acreditar que a pessoa possa estar bem.
"Com um livro, nunca se pode se sentir só", disse ela.
Adaptação do homônimo livro, de Penélope Fitzgerald, The Bookshop recebeu o Prêmio Goya de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Isabel Coixet, diretora espanhola apaixonada por literatura, dedicou seus prêmios "a todos aqueles que ainda compram livros, abrem livrarias e amam cinema". Coixet está entre as minhas diretoras colecionáveis, aprecio o estilo dela e gosto demais do filme Minha Vida Sem Mim, também dirigido por ela.
Enfim, sou suspeita porque amo histórias assim e amo livros, mas o que eu tenho a dizer sobre o filme: encantador!
IMDB: 6,5/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Bookshop
Outros títulos: La Librería
País: Espanha, Alemanha, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2017
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet, Penélope Fitzgerald.
Elenco: Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Bill Nighy.
A diretora Isabel Coixet recebendo o Prêmio Goya.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A LINHA VERMELHA DO DESTINO



Esse filme me deixou com várias reflexões, nem tanto pelo próprio filme, mas pelos diversos comentários que li depois. Estou aqui a pensar o quanto as pessoas acreditam realmente no que dizem. A vida é tão simples assim, para elas? Saíram do útero da mãe para entrar em uma caixinha. Nessa caixa é permitido isso, não é permitido aquilo, isso é certo, aquilo é errado, ... tudo fora dos padrões deve ser julgado, deve ser apontado, quem não segue as regras deve ser banido. Ninguém se pergunta quem criou as regras. Ninguém questiona? E a ousadia, onde fica?
Manuel e Abril conheceram-se em uma viagem de avião. Sentiram uma forte ligação, beijaram-se apaixonadamente. Ele a convida para se encontrarem na saída, mas um contratempo os afasta, sem que tivessem tempo de trocarem os nome, os telefones. Sete anos depois o acaso, ou o destino, os coloca frente a frente. Só que eles estão casados e ambos têm filhos. Abril ama Bruno, seu marido, e Manuel ama Laura, sua mulher, nem um e nem outro pensavam em traí-los. Mas existe uma atração irresistível entre Abril e Manuel, eles não sabem explicar, mas é um sentimento de inevitabilidade.
O amor perfeito, no momento errado...
Eu sei como é isso,a gente sabe que vai acontecer , que não adianta resistir. Teria sido mais fácil para eles se nunca tivessem se reencontrado.
"Diz a lenda que uma linha vermelha invisível conecta aqueles que estão destinados a se encontrar, independentemente do tempo ou lugar. A linha pode esticar ou emaranhar, mas nunca se romper..."
Sim, claro que seria mais fácil ... aquele encontro no avião teria ficado apenas como uma lembrança boa, ninguém sofreria, nem Hugo, nem Laura, ... e nem eles próprios! Porque era doloroso para eles também. É muito fácil julgar, quando não se está no lugar do outro. "Não gostei do filme porque não gosto de traição", disse alguém. E eu fico com vontade de perguntar a essa pessoa: "mas você negar os seus próprios sentimentos também não é uma traição?" No caso, eu veria aí uma tripla traição: com você mesmo, com a pessoa que você ama e com a pessoa com quem você é casada. Porque você pode até não traí-la fisicamente, mas seu sentimento não é mais dela e você vai esconder isso dela.
"Nunca pensei que fosse me apaixonar de novo", diz Manuel para Abril.
A vida imita a arte? Durante as filmagens de El Hilo Rojo, o ator Benjamin Vicuña, casado há sete anos e a atria Eugenia Suárez apaixonaram-se. Vicuña e a mulher se separaram em meio às acusações de traição do ator. O escândalo durou alguns meses até Benjamin e Eugenia assumirem publicamente seu romance. Vicuña declarou que já estava separado e que tinha não só o direito, mas a obrigação de refazer sua vida.
María Eugenia Suárez Riveiro, mais conhecida como Eugenia Suárez, ou como "La China" Suárez, é uma atriz, cantora e modelo argentina. Ficou famosa por interpretar Jazmín na novela Casi Ángeles e por ter feito parte da banda Teen Angels.
O casal do filme é muito cativante, impossível não se envolver com eles. fora a versão de You Know I'm no Good, interpretada pela atriz/ cantora Eugenia Suárez. Segue o link.
E você? Já sentiu uma linha vermelha te ligando a alguém?

A LENDA DA CORDA VERMELHA:Vinda do Japão, a lenda da corda vermelha explica os mistérios da vida de uma forma muito romântica. Feche seus olhos e imagine um corpo trespassado por uma extensão grande de vasos sanguíneos que ligam todas as partes dele. Existe um canal especial que liga o coração ao dedo mindinho. De acordo com a lenda japonesa, esse fio não termina no dedo em questão. Ele se estende para fora do corpo de forma invisível e passa a entrelaçar com o fio de outra pessoa. Duas pessoas conectadas dessa maneira estão unidas pelo destino e se encontrarão cedo ou tarde e quando isso acontecer, o encontro afetará profundamente os dois.
IMDB: 5,2/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: El Hilo Rojo
Outros nomes: The Red Thread.
País: Argentina.
Ano: 2016
Direção: Daniela Goggi
Roteiro: Daniela Goggi.
Elenco: Eugenia Suárez, Benjamin Vicuña, Guillermina Valdez, Hugo Silva.
O casal, na vida real.