sexta-feira, 10 de agosto de 2018
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
SABERÁ O QUE FAZER COMIGO
Isabel conhece Nicolas, que é fotógrafo, em um hospital e ele a convida para sua exposição. Ela não dá importância mas o destino acaba levando-a lá, acompanhando uma amiga.
Começa um relacionamento entre eles. Isabel, sempre enigmática, não fala muito de sua vida. Entendo ela. Algumas dores são só nossas. Falar delas é como se minimizasse o seu valor. E diminuí-las é como querer livrar-se delas. E se desprender delas é como trair nossos sentimentos.
Mas Nicolas também esconde um segredo: sofre de uma epilepsia grave. Após uma crise testemunhada por ela, ele diz que quer terminar, que não quer que ela passe por isso de novo. Que não é justo dividir esse sofrimento com ela.
Isabel também vive envolvida com a depressão da mãe.
Tantos problemas. Qual será a solução? Apoiar o Nico é acumular mais uma chance de sofrer. Viver o seu amor ou ficar na superfície, não se deixar afetar de verdade?
O sofrimento e as perdas fazem parte da vida. Pelo menos foi como crescemos ouvindo. É um filme sobre perdas e ganhos. Sobre lutos. Sobre o que fazer com o que restou.
Filme delicado e sensível, ao mesmo tempo que profundo. Interpretações bem tocantes. Diálogos incríveis que nos levam a suspirar e refletir. A fotografia é linda também. As paisagens maravilhosas parecem nos mostrar que existe a feiura no mundo, mas também existe a beleza. O quanto conseguimos captar dessa beleza, da natureza e da vida, é o que nos sustentará. Ou nos derrubará.
IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Sabrás qué Hacer Conmigo
País: México.
Ano: 2015
Direção: Katina Medina Mora.
Roteiro: Katina Medina Mora, Emma Bertrán, Samara Ibrahim.
Elenco: Ilse Salas, Pablo Derqui
terça-feira, 7 de agosto de 2018
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
A PRINCESA DE MONTPENSIER
Filho do escritor e resistente nascido em Lyon, René Tavernier ( autor de escritos clandestinos sobre grandes escritores, como Aragon), Bertrand Tavernier começou sua carreira cinematográfica como assistente de Jean-Pierre Melville, realizando em seguida pequenos documentários, antes de ser encarregado das relações com a imprensa e começar seu trabalho de historiador do cinema. Essas atividades influenciaram profundamente o seu estilo. O diretor francês conta uma história de amor tendo como pano de fundo as guerras entre católicos e protestantes durante o período da Reforma do século XVI.
O filme baseia-se no romance de Madame de La Fayette. A primeira edição de La Princesse de Montpensier foi publicada anonimamente em 1662. Essa obra precede o grande best seller do século XVII escrito por Madame de La Fayette, La Princesse de Clèves, publicado em 1678. Desde que foi publicado, A princesa de Clèves jamais deixou o foco da polêmica.
Ocorrendo durante as guerras religiosas do século anterior, A Princesa de Montpensier é a história dos amores entrelaçados. Antes Marie de Mézières, bela jovem filha de um aristocrata local , a princesa se vê às voltas com um marido arranjado, o Príncipe Philippe de Montpensier, que não lhe dá muita atenção e com o Duque de Guise, um amante não muito confiável. Lutando contra seus próprios desejos para resignar-se e submeter-se ao marido, como devia uma mulher de sua época, Marie acaba despertando a paixão de outros dois homens igualmente próximos ao herdeiro de Charles IX: seu tutor e conselheiro, o Conde de Chabannes, e o também nobre Duque de Anjou, futuro Rei Henri III.
Marie vai assim tornar-se o objeto dessas paixões rivais e arrebatadas. Chabannes talvez seja o único que a conhece de verdade, já que passava muitas horas com ela, na ausência do seu marido, que o instruiu a lhe ensinar poesia e arte. Marie era viva, interessada, queria sempre ir além. Tinha capacidade argumentativa, contestava.
Conde de Chabannes: "A fé dá substância à nossa esperança e nos faz conhecer certas realidades que não podemos ver." (São Paulo, em Hebreus)
Marie de Montpensier: O mesmo poderia ser dito sobre o amor.
Porque para a princesa, o amor era muito importante. Tanto que em uma certa parte do filme ela, infeliz, diz para si própria que se o Conde de Chabannes desistiu da guerra, ela também ia desistir do amor. Quero dizer, ela colocou a satisfação dos seus sentimentos no mesmo patamar que o da guerra. Porque para ela não importava morrer se era para viver sem amor.
Acredito que o conde era o que mais a amava. Apaixonado pela princesa que não se importa com ele, ele perde-se em nome de um ideal ultrapassado. O amor, exaltado em qualquer outro lugar, aqui é descrito como um veneno que revela a hipocrisia social e conduz à tragédia: “aquele que está apaixonado é muito fraco”. E devemos ressaltar o caráter não apenas ingênuo e desprovido de culpa da princesa, porque ela de uma certa maneira é cruel com o conde, colocando-o em situações constrangedoras.
Tavernier optou por uma fotografia que faz o filme parecer pinturas da época, os costumes também foram retratados, inclusive a primeira noite de núpcias do casal sob o olhar atento da família à espera da mancha de sangue no lençol para provar que a moça era, de fato, uma virgem.O figurino de Caroline de Vivaise é impecável!.
Mas o destaque do filme fica mesmo com a atriz Mélanie Thierry, vencedora do Prêmio César de Melhor Atriz Revelação por seu papel em Um Novo Caminho (Le Dernier pour la Route). Com seus lindos olhos azuis e transparentes e os fartos seios, a ex-modelo hipnotiza não só os quatro nobres cavalheiros do filme.
Marie de Montpensier não existiu, é apenas a personagem de um romance. Talvez inspirada na Duquesa de Roquelaure, a Marie de Bourbon. Os outros personagens sim, fazem parte da história francesa, não precisamente nessa ordem. A repressão aos huguenotes, nome dado aos protestantes franceses pelos católicos e os reis eram católicos, culminou na famosa e trágica Noite de São Bartolomeu, um verdadeiro massacre dos protestantes, que aconteceu entre 23 e 24 de agosto de 1572, em Paris, no dia de São Bartolomeu.
Portanto, a linha entre a realidade e a ficção é secundária aqui. Devemos nos prender no conceito de que a personagem principal não é uma pessoa que existiu, mas que poderia ter existido. Uma síntese de possíveis tipos de pessoas que existiram e possíveis tipos de destinos - uma biografia do possível!
"A felicidade é uma perspectiva pouco provável na aventura da dura vida, para uma alma tão orgulhosa como a sua."
Marie é ao mesmo tempo vítima, amante, amada, carrasco, ... ela é a fêmea que sofre, sua grande beleza, realçada pelas suas maneiras, conquistaram muitos homens. Ela é aquela que provocou muito amor, mas sem jamais tê-lo vivido plenamente.
IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 2,9/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Princesse de Montpensier.
País: França.
Ano: 2011
Direção: Bertrand Tavernier.
Roteiro: Bertrand Tavernier, François-Olivier Rousseau, Jean Cosmos.
Elenco: Mélanie Thierry, Gaspard Ulliel, Lambert Wilson, Grégoire Leprince-Ringuet, Raphael Personnaz
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| A primeira edição do romance foi publicada anonimamente em 1662. |
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terça-feira, 31 de julho de 2018
O CONTO
Diretor: Jennifer Fox, roteiro: Jennifer Fox, personagem: Jennifer Fox. Sim, esta é uma história real, contada aqui corajosamente.
Incrível como a nossa mente cria mecanismos de defesa, eu mesma desenvolvi um quando preciso dormir, mas acordo toda hora preocupada com minha filha que está na rua: passei a sonhar que ela chegou!
Jennifer já está com 48 anos, quando sua mãe encontra um conto que ela escreveu aos treze. Jenny tenta tranquilizar a mãe, que ficou visivelmente perturbada pelo teor do conto. A mãe acredita que ela precisa lembrar e manda o conto para ela. Jenny começa a ler, mesmo convencida que aquilo faz parte do passado e que não teve tanta importância assim.
Mas aos poucos memórias vão surgindo, lembranças que incomodam. As percepções de uma época são traiçoeiras, principalmente as da infância, jamais conseguiremos lembrar e sentir sob a mesma dimensão.
Jenny tinha a Srª G, como um ídolo, para a adolescente ela era enorme, não só de tamanho, como de beleza, de elegância, de charme, impossível não ficar magnetizada ao olhar para ela. Jane Gramercy, a Srª G era sua instrutora de montaria. Depois veio Bill, o outro treinador da equipe. Jane e Bill lhe contaram que tinham um caso e lhe pediram segredo. Confiaram nela! Eles estavam sempre lhe dando atenção e elogiando. Pode ser bobagem, mas para a filha mais velha de uma família de seis filhos que se considerava quase invisível em casa era muito. Os acontecimentos que se seguiram estavam narrados no conto.
A Jenny adulta tenta boicotar a história verdadeira, achei demais quando a diretora coloca no filme as duas cenas, a primeira quando a protagonista se vê aos treze anos como uma moça feita. Na verdade, ela era pequena, pouco desenvolvida, quase uma criança. Como comentaram, chegava a parecer até um menininho!
O filme trata sobre um tema muito perturbador e sobre suas consequências. Jenny achava que não tinha esquecido, mas ela lembrava à sua maneira, romantizava, sentia mesmo um certo orgulho por ter virado a página, por ter transformado tudo em uma carreira brilhante, por ter até escrito um conto!
"Eu não sou uma vítima", ela dizia, "eu sou uma heroína".
Mas a mãe de Jenny, embora arrasada com a descoberta, sabia que ela precisava ir fundo nas suas lembranças para realmente se libertar e poder seguir adiante.
The Tale arrebatou aplausos após sua exibição no Festival de Sundance 2018.
IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: The Tale.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Jennifer Fox
Roteiro: Jennifer Fox
Elenco: Laura Dern, Isabelle Néllise, Ellen Burstyn, Elizabeth Debicki, Jason Ritter, Common.
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