Cinéfilos Eternos

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

SOBRE O FILME GREEN BOOK

Cena do filme Green Book, vencedor do Oscar 2019 Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, com Vigo Mortensen, indicado Melhor Ator e Mahershala Ali, vencedor Melhor Ator Coadjuvante.

Kareem Abdul-Jabbar:

nova-iorquino, lenda do basquete mundial



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Kareem Abdul-Jabbar: Por que as controvérsias

 de "Green Book – o guia" não importam.



À medida que os escândalos da temporada de premiações se acumulam, analisando suas inexatidões históricas ou a indicação (ou ações estúpidas passadas) de seu escritor e diretor, falta dar mais valor à um filme digno do Oscar, escreve o grande colunista da NBA e do Hollywood Reporter.



Filmes históricos nunca são sobre história. E eles nem são destinados a ser.


Filmes históricos atuais como O Primeiro Homem, A Favorita, Suprema, Vice, Bohemian Rhapsody, Infiltrado na Klan e Duas Rainhas pretendem nos contar sobre histórias e importantes pessoas e eventos, para apresentar os fatos que explicam porquê o assunto é tão relevante. No entanto, uma pesquisa no Google de cada um desses títulos produzirá uma longa lista de imprecisões factuais. E tudo bem - porque esses filmes não são sobre fatos, eles são sobre algo muito mais elusivo e importante: a verdade. Especificamente, eles são sobre como os eventos do passado iluminam as escolhas que enfrentamos no presente. É por isso que a confusão em torno da precisão histórica e perspectiva de Green Book – O Guia, um pequeno filme com um orçamento modesto ($23 milhões) e com uma história modesta que recebeu três Globos de Ouro e outros prêmios, é tão equivocada.

Parte da controvérsia gira em torno do retrato do Dr. Donald Shirley, um pianista negro de música clássica e jazz com vários doutorados e falante de oito línguas, e sua relação com Tony Vallelonga, seu motorista italiano-americano, sem instrução, durante uma turnê de oito semanas ao interior do sul dos EUA em 1962. Membros da família reclamaram que Shirley e Vallelonga não eram realmente amigos (embora no documentário de 2010, Lost Bohemia, Shirley diga diretamente que eles eram). Eles especulam que uma cena em que Tony para em uma unidade do Kentucky Fried Chicken (KFC) e convence o Dr. Shirley em tentar algo, nunca poderia ter acontecido, e sustentaram que Shirley não estava realmente afastado (o artigo usa alienado) de seu irmão. Embora essas discrepâncias possam irritar os membros da família, elas realmente não importam, porque os detalhes da trama são sobre chegar a uma verdade maior do que quaisquer que sejam os fatos mundanos.

O personagem de Shirley está distante (o artigo novamente usa alienado) de seu senso de auto-identidade como músico que quer tocar música clássica, mas é forçado a tocar música popular e como um homem negro que é educado demais para ser abraçado por alguns negros, mas ainda tratado por brancos menos que um humano. Ele também está afastado (alienado) de sua própria sexualidade. Ele tem muito a esconder do mundo exterior e criou uma personalidade aceitável para esse mundo. Mostrá-lo cortado e distante de sua família, quaisquer que sejam os fatos, é uma maneira eficaz de enfatizar a solidão e o desespero que pessoas como ele enfrentam.

A outra grande controvérsia é se o filme é negro o suficiente. Quase toda vez que um filme é lançado e que apresenta racismo, o projeto enfrenta o teste decisivo de “integridade à negritude”. Esse é um teste justo porque os filmes têm uma longa história de ser condescendente, reducionista e insultante quando representam pessoas negras ou a cultura negra, mesmo quando eles são bem intencionados. Com o Green Book – O Guia, os críticos culturais se perguntam por qual motivo ‘O livro verde do motorista negro’ - que listava lugares em todo o país onde pessoas negras poderiam comprar, comer e se hospedar com segurança - não foi apresentado com mais destaque como um ícone histórico. Resposta: O filme indica que não há lugar “seguro” para os negros, porque o país inteiro - da cozinha de Tony no Bronx a uma sala de concertos na Geórgia - está infectado pelo racismo, seja evidente, passivo ou institucional.

Alguns críticos se perguntam por qual motivo a história é contada do ponto de vista de Tony e não do Dr. Shirley. Isso não faz de Shirley apenas um artifício estereotipado, como o "negro mágico", que existe na história apenas para guiar o herói branco, Tony, através de seu arco de personagem? Resposta: Como em todos os filmes de amigos, seja Rain Man, Máquina Mortífera ou 48 Horas, ambos os homens são transformados por suas interações com o outro. Como Tony revela a Shirley, ele foi criado no mesmo bairro que seus pais e provavelmente morrerá naquele bairro. Embora certamente não na mesma medida que Shirley, Tony é aprisionado geograficamente, por falta de educação e falta de opções. A exposição a Shirley muda sua percepção. Shirley, que se forçou a ser tão cauteloso que está aprisionado em seu luxuoso apartamento, se permite sentir amizade e se engajar no mundo que manteve à distância.

O filme é muito mais efetivo do ponto de vista de Tony, porque o público que pode ser mais alterado ao assisti-lo é o público branco. Quando os negros assistem a um filme sobre o racismo histórico como O Nascimento de uma Nação, de Nate Parker, ou 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, sabemos exatamente que tipo de crueldade horrível vamos testemunhar. Nossa percepção do racismo não será mudada porque nós a vivenciamos diariamente. Também sabemos que depois de ver o filme, alguns brancos serão autocongratulatórios e desdenhosos ao dizer: “Bem, pelo menos não é mais assim”. Mas outros serão levados a ver como esses eventos na história moldaram nossos desafios atuais. Os negros que assistem a Green Book – O Guia reconhecerão a dolorosa jornada do Dr. Shirley e não serão mais inspirados por suas realizações e não menos do que se a história tivesse sido do seu ponto de vista.

Finalmente, há a questão em se a história deveria ter sido contada por três homens brancos: o diretor e co-roteirista Peter Farrelly, Nick Vallelonga (filho de Tony) e o co-produtor Brian Currie. Artisticamente, isso não deve fazer diferença. Um bom artista deve ser capaz de recriar personagens diferentes de si. Embora esteja ciente de que os negros da indústria cinematográfica precisam de maior representação - e defendo-os com veemência -, também estou ciente de que esse foi um projeto de paixão que talvez não tenha sido realizado, se não fosse o compromisso desses homens.

Complicando a situação estão alguns atos estúpidos de dois dos cineastas. Farrelly admite que em 1998 mostrou seu pênis como uma brincadeira para a estrela de Quem Vai Ficar Com Mary, Cameron Diaz, e para o produtor executivo Tom Rothman. Vallelonga confirma que em 2015 ele tuitou o apoio à falsa alegação de Trump de que milhares de muçulmanos americanos foram vistos celebrando as tragédias do 11 de setembro. Ambos os homens se desculparam e recriminam seu comportamento passado, o que eu considero sincero. Nenhum ato afeta o mérito do filme. Na verdade, a controvérsia abraça o argumento do filme de que podemos aprender com o passado para nos colocar em um caminho mais iluminado para o futuro.

Em 1897, um jovem Stephen Crane, já famoso por seu romance sobre a Guerra Civil, O Emblema Vermelho da Coragem, estava viajando da Flórida para Cuba quando seu navio atingiu um banco de areia e afundou. Ele sobreviveu por causa de um bote salva-vidas com outros três homens, embora um deles tenha se afogado posteriormente. O relato factual de sua provação foi amplamente lido. Não satisfeito, ele recontou os acontecimentos em um conto, “O Barco Aberto”, que se tornou uma das histórias mais respeitadas da literatura norte-americana. A razão pela qual ele escreveu o conto foi que seu relato jornalístico limitou-o aos fatos, enquanto o relato ficcional permitiu que ele se aprofundasse nas verdades mais profundas. A última linha da história revela a diferença: “Quando chegou a noite, as ondas brancas andavam de um lado para o outro ao luar, e o vento trouxe o som da voz do grande mar para os homens em terra, e eles sentiram que podiam então serem intérpretes. ”

 

A menos que estejam fazendo um documentário, os cineastas são intérpretes da história, não seus cronistas. Green Book – O Guia interpreta o mar de eventos históricos para revelar uma verdade relevante para os dias de hoje: resista àqueles que lhe dizem para conhecer o seu lugar. Isso é verdade, seja sobre raça, identidade de gênero, religião, nacionalidade, tipo de corpo ou qualquer outra coisa que pessoas odiosas e irracionais usem para envergonhar ou atrapalhar os outros em sua busca pela felicidade.


Fonte: The Hollywood Reporter, 14/01/2019.


Tradução: Tom CP



Link:
https://www.hollywoodreporter.com/amp/news/kareem-abdul-jabbar-truth-green-book-controversy-1175540?__twitter_impression&fbclid=IwAR14-RBsiWABB0yt-qgGVKXqCShibvIeHSW9u2Tmp08Z8dXZ_AdYBMoyT1c

FANNY ARDANT E TRUFFAUT


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

GIRL




Sinopse: Girl fala de uma bailarina transexual de15 anos que tem problemas de aceitação de seu corpo.

É baseado na história real de Nora Monsecour, uma menina cuja transição de gênero chegou às manchetes da Bélgica quando tinha 16 anos e que sonhava em seguir carreira como bailarina.

Um filme extremamente sensível e que retrata toda a angústia de Lara, seu sofrimento solitário.
 



O filme não explica desde quando Victor percebeu que não era um menino. Nem quando a família percebeu. Também não mostra o que aconteceu com a mãe dele/ dela. Lara, então com 15 anos, vive com seu pai, Mathias, e seu irmão de 6 anos, Milo. Lara é uma espécie de mãe para Milo. Cuida dele, dá carinho, o leva na escola... Lara tem todo o apoio do seu pai, ele a incentiva e tenta lhe dar o suporte necessário na sua transição, inclusive acompanhando-a em todas as consultas médicas. Seus professores e colegas de escola e do balé, mesmo sabendo, parecem não ter problemas em aceitá-la. É claro que sempre existe um bullyng, mesmo que velado. Mas o pior inimigo de Lara é o espelho, quando se despe e tenta encarar sua realidade.
O filme é de uma qualidade cinematográfica incrível, mesmo sendo a estreia do belga Lukas Dhont. Também é estreante o ator Victor Polster, que interpreta Lara. Confesso que ele estava tão perfeito que tive dúvidas em algumas cenas: se ele não era mesmo uma menina e que o corpo era montagem. Polster, que aprendeu a dançar na Royal Ballet School of Antwerp, recebeu louvores da imprensa internacional.
A obra, diretor e ator, receberam muitos elogios, prêmios e indicações. Foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro 2019 e ao Prêmio do Cinema Europeu de Melhor Filme 2018. O filme levou a Queer Palm no Festival de Cannes 2018. O prêmio é oferecido, desde 2010, à melhor produção com temática LGBT. Também ganhou o prestigiado Caméra d'Or, troféu destinado ao melhor longa de um diretor estreante. Victor Polster ganhou o prêmio do juri da Un Certain Regard (mostra paralela do festival) de melhor performance. Entre muitos outros prêmios e indicações.

Mas, como sempre tem os "chatos de carteirinha", Girl vem também recebendo reações negativas, por parte da comunidade LGBT. Tanto pelo fato do ator que encarna a personagem Lara ser um ator cis (cisgênero é o termo utilizado para se referir ao indivíduo que se identifica, em todos os aspectos, com o seu “gênero de nascença”) quanto por cenas consideradas violentas demais.
Em sua defesa, Nora Monsecour, que no filme se vê representada na personagem Lara, afirma que “Girl” conta a história da sua adolescência “de uma forma que não mente e também não esconde. Quem está criticando o filme está impedindo que outras histórias trans sejam compartilhadas com o mundo. Todos os dias vejo pessoas trans lutando por seus sonhos. Eles não são fracos ou frágeis. Dizer que a experiência da personagem não é válida por termos um ator cis ou por ter sido realizada por um diretor cis, acaba me ofendendo” escreveu ela, em carta aberta ao Hollywood Reporter.
Lara é então uma pessoa com um relativo padrão financeiro que permite que ela more em um apartamento com conforto, que possa estudar em uma boa escola e aprender a dançar, que tenha apoio médico e psicológico, que tenha em vista uma cirurgia que permitirá que ela realize seu sonho. E uma família bacana. Aliás, fiquei pensando o tempo todo no sofrimento daquele pai. Mas que nem de perto se compara ao sofrimento dela, porque como disse o diretor, Lara tem forças destrutivas dentro dela, ela é a sua maior antagonista. Voltando a falar do espelho, que é muito presente no filme todo, a Lara nua do outro lado é a sua pior inimiga. Mesmo que seu pai e todos a tratem como menina, que a vejam como menina, a Lara do espelho está lá, desmascarando-a. Para compensar, Lara tenta chegar à perfeição na dança, numa tentativa quase cruel com ela mesma de se ver no espelho da academia e aos olhos do mundo como uma bailarina, uma bailarina mulher.
A partir de 15 de março, o filme estará disponível na Netflix. Pelo que eu entendi, já era pra estar, mas houve uma polêmica após o serviço de streaming anunciar que cortaria uma das cenas do filme, que envolve nudez do ator de 15 anos Victor Polster. O diretor Lukas Dhont lançou uma declaração contra essa decisão. A versão de Girl que estreará na Netflix será então a mesma versão que foi exibida em Cannes e nos cinemas da Bélgica e outras partes do mundo.
(Por: Cecilia Peixoto)
IMDB: 7,2/ 10

Filmow: 3,8/ 5

Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:

Nome original: Girl

Outros títulos: Girl: O Sonho de Lara.
País: Bélgica.
Ano: 2018
Direção: Lukas Dhont.
Roteiro: Lukas Dhont, Angelo Tijssens.
Elenco: Victor Polster, Arieh Worthalter, Oliver Bodart.









Nora Monsecour, a bailarina retratada em "Girl"

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

BORDER






Baseado na história de mesmo nome de John Ajvide Lindqvist, da antologia Let the Old Dreams Die. No Festival de Cannes 2018 foi coroado com o prêmio Un Certain Regard. O filme foi selecionado como o concorrente sueco no Óscar 2019 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, no entanto foi nomeado apenas na categoria de Melhor Maquiagem e Penteados.
PREPARE-SE PARA FICAR INTRIGADO POR PRATICAMENTE OS CEM MINUTOS DO FILME!

Tina é uma guarda de fronteira com um faro especial, quase animal, para identificar contrabandistas. Ela nasceu com um problema nos cromossomos e talvez até por isso tenha essa habilidade. Mas quando Tina pede para revistarem Vore, nada é encontrado. Tina tem certeza que existe alguma coisa, mas pela primeira vez não consegue provar. Ao se aproximar mais de Vore, ela vai se confrontar com terríveis revelações sobre ela mesma.

Ao mesmo tempo que bizarra, a história é sensível , "o filme explora dicotomias entre o feio e o belo, a inocência e a experiência, o bem e o mal". E sobre o que se aproxima do significado de humano ou não.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Gräns
Título no Brasil: Fronteira.
País: Dinamarca/ Suécia.
Ano: 2018
Direção: Ali Abbasi
Roteiro: Ali Abbasi.
Elenco: Eva Melander, Eero Milonoff, Jörgen Thorsson






Os atores Eero Milonoff e Eva Melander.








terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

ADEUS CHRISTOPHER ROBIN




Quem viu o desenho do Ursinho Pooh talvez não saiba que existiu um verdadeiro Christopher Robin (no desenho em português, chamava-se Cristóvão). O filme explica como surgiu a história (não, não é um filme fofo) e como isso afetou toda a família.
Inglaterra, década de 1920, Alan Milne decide mudar-se para um local afastado a fim de encontrar inspiração para escrever. A. A. Milne, como era conhecido, já era famoso, mas estava em um período de estagnação.
Seu filho lembrava que nos seus primeiros anos de vida, a presença de seu pai era quase uma raridade. Ele estava sempre viajando e mesmo quando estava em casa, era sempre trabalhando. Sua mãe cuidava para que ele não atrapalhasse o pai. A mãe também não se ocupava muito com ele, Christopher Robin basicamente foi criado por sua babá, que era muito boa para ele.
Quando eles se mudaram para a casa nova, Robin ganhou um ursinho de pelúcia de sua mãe. Ganhou também outros bichinhos. Christopher batizou seu ursinho de Winnie-the-Pooh: Winnie em homenagem a um urso que sempre via no zoológico e Pooh, por causa de um cisne que haviam conhecido em um feriado. A residência era perto de uma floresta e ele começou a fazer alguns passeios com o pai e pela primeira vez Robin sentia-se em total felicidade, a mãe perto, o pai disponível e sua querida Nou, a babá, todos juntos.
"A minha infância foi maravilhosa, crescer é que foi difícil."
Nos passeios com o pai, Robin, como a maioria das crianças, não parava de tagarelar e de fantasiar, criava aventuras com seu ursinho, com o tigre que podiam encontrar na floresta e, aos poucos, uma história ia se montando na cabeça de seu pai. Até que finalmente foi lançado o livro "Winnie-the-Pooh", que se tornou um grande sucesso mundial. Pooh (Puff) foi nomeado por causa do ursinho de Robin. Outros brinquedos verdadeiros de Robin também emprestaram seus nomes para outros personagens, como Tigrão, Bisonho e Leitão.
Christopher se tornou uma celebridade instantânea pouco tempo depois que os livros de seu pai começaram a chegar nas mãos das crianças no mundo todo. Pessoas de todos os lugares escreviam cartas e vinham até sua casa visitá-lo. E, dessa forma, ele se tornou a estrela de uma campanha publicitária para promover o livro.
E, isso, claramente mexeu muito com a pequena criança. A história de Christopher Robin, que ficou conhecido como Christopher, mas que em casa era apenas Billy, e que queria apenas ser Billy, está, de fato, bem longe da magia e alegrias dos contos de seu pai.
" - Eu não sou Christopher Robin", se queixa, Billy, chorando.
A mãe, sempre formal com ele, a mesma mãe que falava que quase morreu para pari-lo e que dizia para a babá que ela tinha sido contratada para fazê-lo feliz, se isentando assim de sua responsabilidade, lhe diz :
" - Não chore, Billy, não choramos nesta casa."
Ele cresceu e sua relação com seu pai só piorava. Robin teria dito a ele que "quem iria imaginar que aquele ursinho iria nos engolir?" O pai lhe diz, tentando se desculpar: "- Aqueles dias que passamos só nós dois foram os melhores da minha vida." Billy responde: " - Sim, eu sei. Mas você os vendeu."
" - Eu só queria você, Blue." (era como ele chamava o pai)
.A única pessoa que parecia se importar com ele realmente em sua infância era sua babá, Olive, a quem ele se referia carinhosamente como Nou. Ela se preocupava com essa exposição toda do menino. Para Olive, "uma pessoa deve fazer aquilo que ama com a pessoa que ama..."
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Essa parte não está no filme. 
Robin em uma entrevista fez duras críticas a seus pais na frente de milhões de espectadores do mundo todo.

"Me pareceu, quase, que meu pai tinha chegado onde estava, por se apoiar em meus ombros infantis. Que ele roubou de mim meu bom nome e me deixou com nada além da fama vazia de ser seu filho." afirmou ele.
Sua mãe ficou tão chateada que pediu a seus funcionários para que enterrassem a estátua de Christopher para que ela não precisasse olhar mais para a imagem. Após, a morte de A.A. Milne, sua mãe ainda viveu por mais 15 anos e durante esse período apenas se encontrou com Christopher uma única vez. Quando sua mãe já estava bem debilitada, Robin tentou se reaproximar e até mesmo teria implorado para poder ver sua mãe uma última vez antes que ela fizesse sua passagem. No entanto, ela se recusou a recebê-lo.
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Por: Cecilia Peixoto

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Goodbye Christopher Robin.
País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Ano: 2017
Direção: Simon Curtis.
Roteiro: Simon Vaughan.
Elenco: Domhnall Gleeson, Will Tilston, Margot Robbie, Alex Lawther, Kelly McDonald, Stephen Campbell Moore.















segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

SE A RUA BEALE FALASSE




Adaptação do quinto romance do escritor norte-americano James Baldwin, cujo título, que é o mesmo, é uma referência à canção de 1916," Beale Street Blues ", de WC Handy, que, por sua vez, faz uma homenagem a Beale Street, no centro de Memphis, Tennessee .
Barry Jenkins, que dirigiu o filme vencedor do Oscar 2017, Moonligth - Sob a luz do luar, desbancando o favorito La La Land, escreveu e dirigiu a adaptação cinematográfica do romance Se a Rua Beale Falasse, estrelando KiKi Layne como Tish e Stephan James como Fonny, uma história de amor ambientada no Harlem no início dos anos 70.

Tish e Fonny conheciam-se desde quando podiam se lembrar, cresceram juntos, já admiravam-se e amavam-se e o romance já adultos aconteceu de uma forma natural, como se eles já tivessem nascido para isso. Estavam noivos e felizes, procurando um lugar para morarem juntos, quando Fonny é injustamente acusado de um crime. O romance explora as diferentes reações dos pais e irmãos dos dois jovens adultos e o destaque é para a mãe de Tish, interpretada por Regina King, vencedora de vários prêmios pelo papel e também indicada ao Oscar 2019, que sofre junto com a filha e tenta ajudar de toda forma.
Alternando o presente com as lembranças, em câmera lenta, em uma analogia poética ao estado quase de torpor de Tish perante tanta injustiça e impotência e à necessidade de não esmorecer na luta para libertar Fonny. "Levante a cabeça, irmã".
Ótimas atuações e uma belíssima fotografia. A forte presença do Harlem se traduz na trilha sonora assinada por Nicholas Britell. O Harlem é um bairro de Manhattan na cidade de Nova Iorque, conhecido por ser um grande centro cultural e comercial dos afro-americanosNo anos 20, o estilo musical que ganhou força lá foi o Jazz. Longas noites regadas a boa música levaram com que vários moradores do Harlem Nova York virassem ícones do Jazz pelo mundo a fora
Também nós ficamos aturdidos porque aparentemente Fonny só é preso pelo fato de ser negro, em uma alusão ao racismo presente nos EUA dos anos sessenta/ setenta e que, infelizmente, vemos até hoje e aqui mesmo, no Brasil.
Três indicações ao Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante (Regina King), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora Original.

W.C.Handy: Beale Street Blues.
https://www.youtube.com/watch?v=lIBz-HfRui8


(Por: Cecilia Peixoto)
IMDB: 7,5/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: If Beale Street Could Talk
País: EUA
Ano: 2018
Dirigido por: Barry Jenkins.
Roteiro: Barry Jenkins.
Elenco: Kiki Layne, Sthephan James, Regina King.