Cinéfilos Eternos

terça-feira, 21 de agosto de 2018

CAFÉ DE FLORE







O Café de Flore é um café situado na esquina do bulevar Saint-Germain com a rua Saint-Benoît, no bairro de Saint-Germain-des-Prés, na cidade de Paris, na França.É famoso por ter sido frequentado por importantes intelectuais e artistas ao longo de sua história. O café abriu na década de 1880. O seu nome foi retirado de uma estátua da divindade grega Flora situada no lado oposto do bulevar Saint-Germain. Da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) em diante, o café preservou sua decoração art déco com cadeiras vermelhas, mogno e espelhos. Os escritores Joris-Karl Huysmans e Remy de Gourmont foram as primeiras dentre as muitas personalidades célebres que viriam a frequentá-lo: Robert Desnos, Albert Camus, Pablo Picasso, ... Charles Maurras escreveu o livro Au signe de Flore no andar térreo do café. Jean-Paul Sartre era outro frequentador, sua relação amorosa e erótica com a escritora francesa Simone de Beauvois é contada no filme Os Amantes do Café Flore.
Incrível, não é, como um lugar pode reunir tantas histórias? A música também tem esse poder. O de unir lugares, pessoas, sensações, sentimentos, situações, ... passado e presente!
Antoine é um DJ recém divorciado, apaixonado por sua esposa Rose. Sua vida parece perfeita, exceto pelo fato de não conseguir esquecer sua ex-mulher, Carole. Vinte anos juntos, duas filhas. Ela esteve presente ao longo de toda sua carreira, de todos os seus momentos especiais, em quase todas as fotos suas, ela também está. Conheceram-se ainda bem jovens, o primeiro beijo veio natural e inevitavelmente.
"Nesse dia, nesse preciso momento, Antoine e Carole desejaram amar-se para sempre."
Algumas músicas o levam automaticamente à lembrança dela, causando em Antoine uma dor tão forte, uma estranheza tão grande por tê-la deixado.
O filme já valeria a pena ser visto pela excelente trilha sonora, com The Cure, Pink Floyd e outros. Os silêncios, os olhares, falam mais que tudo.
Paralelamente à história de Antoine e Carole e Rose, vamos conhecer a de Jacqueline, que vive em Paris dos Anos 60. Ela dá a luz um filho com Síndrome de Down, o pai da criança acha que eles não são capazes de lidar com isso. Lembrando que naquela época a expectativa de vida de pessoas portadoras com a síndrome era pequena. Jacqueline resolve dedicar sua vida ao amor por seu doce filho e a fazê-lo viver.
Vanessa Chantal Paradis, a Jacqueline do filme, é uma atriz e cantora francesa. Ela se tornou uma das cantoras mais conhecidas de sua geração aos 14 anos com seu primeiro single, "Joe le taxi", e desde então leva uma carreira consistente na música e no cinema.
O filme nos instiga no sentido que ficamos ansiosos para entender a conexão das duas histórias, o roteiro entrega pouco a pouco os detalhes. Para falar a verdade, já quase no final. E aí, quando acaba, dá vontade de ver tudo de novo, saborear cada sensação que o filme nos deixa...
♪♫♪
Respire, inspire o ar
Sem receio de se envolver
Vá, mas não me deixe
Olhe em sua volta e escolha seu próprio chão

Pois você terá uma vida longa e voará alto
E sorrisos você dará e lágrimas você chorará
E tudo que você tocar e tudo que você vir
É tudo que a sua vida sempre será. ♪♫♪


No céu, no céu, ... assim se sentia o pequeno Laurent enquanto sua mãe o empurrava no balanço. Voando alto, como na música de Pink Floyd, Breathe.
Senti como se o filme tivesse exatamente o mesmo ritmo dessa música:
"Respire, inspire, ..."
"A união das almas gêmeas é quando a alma encontra sua outra metade no caminho para casa, à fonte."
Prepare-se para continuar vendo e ouvindo o filme na sua cabeça por um bom tempo. É como se o filme dissesse que nem na música: "Vá, mas não me deixe".
O diretor canadense Jean-Marc Vallée já recebeu vários Prêmios Genie ( premiações entregues pela Academia de Cinema e Televisão do Canadá) pelo seu filme C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor e pelo curta Les Fleurs Magiques, além do Prêmio Emmy de Melhor Direção pela minissérie Big Little Lies. Foram dirigidos por ele também os ótimos Demolition, Livre, Clube de Compras Dallas, A Jovem Rainha Vitória.

IMDB: 7,4/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Café de Flore.
País: Canadá.
Ano: 2011
Direção: Jean-Marc Vallée.
Roteiro: Jean-Marc Vallée.
Elenco: Vanessa Paradis, Kevin Parent, Hélène Florent. Evelyne Brochu, Marin Gerrier, Alice Dubuis, participação de Jean-Marc Valée.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES


CAMINO A MARTE





Emilia (Tessa Ia, de Depois de Lucia) tem uma doença terminal mas não quer acabar sua vida em um hospital. Ajudada pela sua melhor amiga, Violeta (Bad Girls), elas resolvem fazer uma viagem. Não, não é aquele filme apelativo sobre os últimos dias de uma adolescente e as lições de amor que ela deixou, esqueça isso! Um contratempo impedirá talvez as duas amigas de chegarem à Balandra, o local pretendido: um furacão de grandes proporções se aproxima. O road movie ainda contará com um ingrediente inusitado: as meninas acabam conhecendo e dando carona para um cara que se diz um alienígena e que veio com a missão de acabar com a humanidade. Violeta não quer ele perto, acha que ele pode ser um louco perigoso, mas Emilia simpatiza com ele. Elas resolvem chamá-lo de Mark, o mesmo nome da tempestade tropical que se anuncia. "Mark" diz que seu trabalho é estudar a evolução planetária, que o ser humano é uma das poucas espécies inteligentes a experimentar emoções primitivas e que, pelo bem do universo, a humanidade deve desaparecer.
Indo para Marte ou para Balandra, a verdade é que o filme vai nos fazer embarcar juntos em uma agradável aventura. Cada momento da história é marcado pelos lugares mais belos da Península de Baixa Califórnia, situada a oeste do México, graças à fotografia de Guillermo Garza.
Mark verá sua convicção sobre os humanos abalada quando se apaixona por Emilia. Essa, por sua vez, tem a oportunidade de viver um amor antes de morrer.
De qualquer forma, a viagem se tornará uma jornada de auto-conhecimento para os três personagens.
Humberto Hinojosa Ozcariz é um diretor e roteirista mexicano, conhecido pelo seu filme Oveja Negra (2009) e o mais recente Paraiso Perdido (2016). Ele também é responsável pela série Luís Miguel, que virou febre na América Latina, sobre a vida do cantor mexicano com mãe desaparecida e pai vilão.

IMDB: 5,5/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Camino a Marte.
País: México.
Ano: 2017
Direção: Humberto Hinojosa Ozcariz
Roteiro: Anton Goenechea, Humberto Hinojosa Ozcariz.
Elenco: Tessa Ia, Camila Sodi, Luis Gerardo Méndez.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ANIVERSARIANTES


MIELE




Filme cheio de camadas...
Primeiro fiquei surpresa ao ver que a protagonista é interpretada pela mesma atriz de Fortunata, do diretor Sergio Castellitto. Ela está completamente diferente. No outro, exuberante, muito maquiada, vestida de maneira vulgar, uma mulher pobre e sofrida. Nesse, magrinha, cabelo curto, vestida elegantemente com roupas estilo masculino mas que, ao contrário, lhe realçam a feminilidade. Mas linda nos dois.

Bem, vamos lá à história. Irene é Irene e também é Miele. Nome duplo, vida dupla. Quem é ela? A Irene é uma ex-estudante de medicina que mora sozinha, numa pequena casa de praia. Adora mergulhar e ouvir rock pesado.
Aliás, as músicas do filme são ótimas. Ela tem um namorado, nada que lhe exija muito compromisso. De vez em quando precisa se ausentar, porque seu trabalho exige. Mas qual é a sua profissão? Durante sua função, ela muda de nome, já que trabalha para uma organização clandestina. Seu namorado (?) não sabe o que ela faz. Nem seu pai (Massimiliano Iacolucci), que ela sempre visita, tem a menor ideia do que ela faz para viver. Irene acredita que ajuda as pessoas.

Sua convicção é abalada quando ela conhece um novo cliente, o engenheiro Carlo Grimaldi (Carlo Cecchi). É no conflito entre os dois que vai se alicerçar uma amizade e muitas dúvidas. Irene ajuda as pessoas, como diz, pelas pessoas ou pelo dinheiro que recebe? Que pessoas devem se utilizar do seu serviço? Quem decide isso? Ela? A organização? Ou as próprias pessoas? Quais as semelhanças e as diferenças entre os outros casos e o do engenheiro?
A atriz Valeria Golino (Respiro) estreia na direção com esse longa, com um tema bem ousado e polêmico. Assina também como co-roteirista, partindo do livro de Mauro Covacich: A Nome tuo.
A ética que Miele (Irene) achava que possuía é testada, a ordem que impôs à sua vida é jogada por terra. A estranha amizade que se forma entre ela e o engenheiro Grimaldi vai fazer com que ela repense em tudo e, certamente, também o espectador. Até onde vai a liberdade de cada um? É uma das perguntas que faremos. Qual o sentido da vida? Toda dor é visível? Quem tem direito de julgar ou opinar sobre a vida do outro? Esses e muito mais questionamentos farão parte dos noventa e seis minutos desse filme intrigante, que deixa sua marca.
Indicações: Prêmio David di Donatello de Melhor Atriz.
Prêmios: Nastro d'Argento de Melhor Atriz, Nastro d'Argento de Melhor Diretor. Foi vencedor também de uma Menção Especial do Júri Ecumênico do Festival de Cannes 2013
O filme evita de forma inteligente qualquer tomada de partido, conveniência política ou religiosa", escreveu Natalia Aspesi.
A nova diretora (e roteirista) italiana já está no seu segundo longa, o filme Euforia, de 2018, sobre dois irmãos de temperamentos completamente diferentes, mas que uma situação difícil vai fazê-los se aproximarem, unidos, num turbilhão de fragilidade e ternura, medo e euforia. Já quero ver!

IMDB: 6,8/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Miele.
Nome no Brasil: Mel.
País: Itália, França.
Ano: 2013
Direção: Valeria Golino.
Roteiro: Valeria Golino, adaptação da obra de Mauro Covacich.
Elenco: Jasmine Trinca, Carlo Cecchi, Libero de Rienzo, Massimiliano Iacolucci.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O BOSQUE




O BOSQUE.
Que bom que os franceses agora resolveram fazer essas séries de uma temporada só. Só acho que poderiam variar um pouco o gênero. São boas, mas sempre sobre crimes a desvendar. A fórmula é colocar a desconfiança em um personagem, mas aí não é aquele o culpado e por aí vai. Mas nem por isso deixam de ser interessantes.

O BOSQUE esconde muitos segredos, crimes e, por trás de tudo dramas familiares. Ambientado em uma pequena cidade francesa, cercada por um bosque, que teria tudo para ser encantadora, se não houvesse um assassino solto por lá.
Com Suzanne Clément (Laurence Anyways) no elenco, uma policial competente, mas que não enxerga o que está embaixo do nariz, na sua casa. A chegada do novo capitão da polícia (Samuel Labarthe) é tumultuada com o desaparecimento de uma adolescente. Forçado a assumir o seu posto antes do tempo, ele não é visto com bons olhos pela policial Virginie Musso, mas vai mostrar sua competência em todo o decorrer dos episódios, que são seis.
O sumiço de Jennifer mexe com toda a cidade. A professora Eve (Alexia Barlier) procura o capitão porque ela recebeu um telefonema da adolescente antes dela desaparecer e Eve vai ser parte importante em toda a investigação. Nada demais, com uma música envolvente e o jeito francês de contar uma história. A série está sendo comparada com Dark e Stranger Things, mas não acho que tenha nada a ver, a ambientação pode ser, mas as outras são ficção, essa é policial. É uma boa distração.

IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Forêt.
Outros nomes: The Forest.
País: França
Ano: 2017
Direção: Julius Berg.
Roteiro: Delinda Jacobs.
Elenco: Samuel Labarthe, Suzanne Clément , Alexia Barlier.