Cinéfilos Eternos

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

PAIS E FILHAS




Só pelo elenco já vale a pena ver. A Katie, a filha do filme, é lindamente interpretada por Kylie Rogers em criança e por Amanda Seyfried adulta. Jake Davis (Russel Crowe) é o pai, um escritor atormentado pela morte da esposa com quem ele estava discutindo na hora do acidente que a levou.
Jake quer criar a filha, a quem chama carinhosamente de "batatinha". Como diz a música de Michael Bolton: "Fathers and daughters never say goodbye"! Prepare os lençois...
O médico aconselha Jake a se internar por um tempo, para o bem da própria filha. Ele a deixa então com a irmã de sua esposa (Diane Kruger) e o marido (Bruce Greenwood). Ele passa mais tempo que o previsto internado e aproveita para escrever o livro que sua editora e amiga (Jane Fonda) espera.
Mas as coisas não saem como ele previa, a ligação dele com a filha é muito forte, mas parece que tudo e todos querem separá-lo dela.
A Katie adulta guarda sérias sequelas de sua infância. Embora se ocupe tentando ajudar crianças com problemas, ela não consegue resolver os dela. Quando Katie conhece Cameron (Aaron Paul), tem por fim uma chance de se ajudar, mas será que ela vai saber fazer isso?
Gabriele Muccino é um diretor italiano que alterna produções americanas com italianas e que sabe muito bem construir um filme para emocionar. Sim, você pensou que era diretora? Eu também sempre me confundo com esses nomes italianos. Mas não no caso desse, porque já vi vários filmes dirigidos por ele, como Sete Vidas, À Procura da Felicidade. Ah, e um que achei muito delicado e interessante, com o queridinho ator italiano Stefano Accorsi: O Último Beijo. Acho que já postei sobre esse último. Muccino foca sempre nas relações humanas em seus filmes.
O ator Aaron Paul ficou conhecido por estrelar a série Breaking Bad, como Jesse Pinkman. Quem viu, não esquece jamais. Amanda Seyfried, de Cartas para Julieta, Querido John, O Preço da Traição, está de volta também às telas com o filme musical Mamma Mia - Lá Vamos Nós Outra Vez. Teve uma época que parecia que ela estava em todos os filmes, tinha virado a "queridinha" do cinema americano.
Enfim, voltando ao filme Pais & Filhas, é sobre perdas e como elas podem nos afetar. Algumas feridas parecem nunca cicatrizar. Tudo bem, pode ser clichê, concordo, talvez esquecível, mas é um filme que cativa. E apesar do clichê, algumas pessoas continuam não entendendo realmente o que o filme quis dizer. Por exemplo, li comentários sobre a Kate ser ninfomaníaca, que falta de sensibilidade! Principalmente pelo elenco e pelo diretor, eu recomendo Fathers and Daughters.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Fathers and Daughters
Outros títulos : De padres a Hijas, Lo Mejor de Mi Vida.
País: EUA, Itália.
Ano: 2015
Direção: Gabriele Muccino.
Roteiro: Brad Desch.
Elenco: Amanda Seyfried, Kylie Rogers,Russell Crowe, Aaron Paul, Jane Fonda, Diane Kruger, Bruce Greenwood, Octavia Spencer

terça-feira, 14 de agosto de 2018

PERFEITA PRA VOCÊ




Abbie e Sam conheciam-se desde crianças e agora queriam celebrar a união na Igreja e trocar juras de "ficar juntos até que a morte nos separe". O problema é que ela resolveu chegar muito cedo. "Cedo demais?", eles costumavam falar assim um com o outro. Gente, não é spoiler, o filme começa com a Abbie (Gugu Mbatha-Raw) contando o que aconteceu. Então, foge logo daquele tipo de história que a gente fica torcendo pra ela não morrer, porque já sabemos que ela morre.
O Sam (Michiel Huisman) é aquele noivo fofo, meigo, totalmente apaixonado. Abbie acha que ele está totalmente despreparado para seguir com a vida sentimental depois que ela se for, já que ele sempre esteve com ela e se preocupa em achar uma outra mulher que seja perfeita para ele. Mas no grupo de apoio em que ela frequenta ela faz amizade com Myron, interpretado por Christopher Walken, que vai tentar fazê-la entender que não podemos controlar as coisas.
“Eu pensei que se eu planejasse todo o seu futuro, não iria doer tanto que eu não fizesse parte dele”.
A proposta, eu acredito, é ser raso mesmo. Não é aquele filme que pretende te tirar lágrimas. É apenas uma história como tantas outras, mostrando que na vida podemos ter sorte ou azar. Ou as duas coisas. Por causa da sorte de Sam e Abbie terem vivido um amor tão lindo, tão profundo, o azar parece maior. Mas talvez a felicidade ou a falta dela seja aleatória... só isso!
“Você quer que eu fique bem depois que você for embora? Bom, novidades para você. Eu não ficarei bem, não importa o quanto você tente mudar isso. Você não pode me fazer ficar bem sem você.”
Eu tenho uma frase que sempre falo e que acho que se encaixa aqui que é "Ninguém é substituível." É claro que mais dia, menos dia, a vida de Sam vai seguir, mas de uma maneira diferente.
O filme deixa uma reflexão: afinal, o quanto dura o "para sempre"? Mas prefiro deixar para lá essa coisa que todo mundo repete que temos que falar sempre o quanto amamos as pessoas porque não sabemos o dia de amanhã. Você faz o melhor que pode todos os dias, se não vai existir amanhã, fazer o quê? Não sabemos nem se vai existir o minuto seguinte, vamos ficar fazendo juras de amor o tempo todo? A gente só sabe quando acontece, mas eu acho que se eu soubesse quanto tempo de vida eu tenho, continuaria vivendo do mesmo jeito. Porque se fizesse diferente, já não seria eu.
"Bunitinhu".

IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Irreplaceable You
País: EUA
Ano:m 2018
Direção: Stephanie Laing
Roteiro: Bess Wohl.
Elenco: Gugu Mbatha-Raw, Michiel Huisman, Christopher Walken.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA





Imagine um lugar adorável como a Ilha de Guernsey... imagine personagens também adoráveis... junte tudo com uma história encantadora, acompanhada de literatura e uma pitoresca torta de casca de batata...
Um pouco de história sobre a ilha: em outubro de 1855, Victor Hugo chegou a Guernsey, debaixo de chuva e vento, em busca de refúgio. "O exílio não me afastou só da França, mas sim do mundo", ele escreveu numa carta. 
Nesse retiro isolado e selvagem, uma dependência britânica a pouco mais de 40 quilômetros da Normandia, no litoral da França, Hugo passou o período mais produtivo de sua vida... 
Um lugar de contemplação silenciosa, caminhadas vigorosas à beira dos penhascos e baías sedutoras. "Mesmo com chuva e neblina, a chegada a Guernsey é esplêndida", ele escreveu numa carta à mulher. 
Hoje, os viajantes que chegam de balsa, vindos da Inglaterra, de Jersey ou da França, têm a mesma visão do porto, com os barcos pesqueiros balançando gentilmente e as fileiras de casas subindo as encostas das colinas. Hugo se instalou numa delas, na parte alta da cidade: uma mansão chamada Hauteville.

Mas nem tudo é glamour na história, que é adaptada do livro de mesmo nome e que tem tomadas em Londres também. Guernsey é uma das Ilhas do Canal invadidas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.
Juliet Ashton, interpretada por Lily James, que também faz parte do elenco de Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo, é uma escritora que mora em Londres. Seu editor, Sidney, é tipo sua única família. Juliet, mesmo conquistando aos poucos seu espaço no mundo literário, sente um certo desconforto, como se precisasse buscar algum fio solto que desse realmente significado ao seu trabalho.
Um dia, ela recebe uma carta de um tal de Dawsey Adams (o cativante Michiel Huisman de A Incrível História de Adaline e do mais recente Perfeita para Você, também da Netflix), que mora na tal ilha. Pela carta, ela fica sabendo de um clube do livro que foi fundado lá durante a guerra, o que a faz decidir visitar Guernsey. A princípio, pensando em escrever um artigo sobre os membros de A Sociedade Literária e A Torta de Casca de Batata e voltar. Mas Juliet acaba construindo uma forte ligação com eles...
“Acho que é possível pertencermos a uma pessoa antes de a conhecermos.”
...e querendo escrever um livro sobre as experiências deles na guerra. Em especial, Juliet se vê profundamente inspirada pela história de Elizabeth (Jessica Brown Findlay), a fundadora do clube de leitura, a única que não está na ilha. Mas que é cercada de mistérios. Ninguém quer falar sobre Elizabeth e a sua intenção de escrever sobre o clube não é bem-vista e até mesmo hostilizada por Amelia (Penelope Wilton).
Começamos a ver o filme pensando ser apenas mais uma história romântica. Delicadamente encantadora, isso já nos envolve. Mas no desenrolar se mostra muito além disso. A escritora insegura dá lugar a uma mulher que finalmente sabe o que quer, à medida que vai descobrindo a trajetória de Elizabeth. Não só seu lado literário aflora, mas seus verdadeiros sentimentos. O vazio que ficou de seu passado também conturbado é preenchido naquela ilha. Ela volta a sentir uma sensação de pertencimento.
Realmente, os personagens são lindos, até nós espectadores desejamos ficar com eles. Ainda tem as crianças adoráveis. Lily James transmite muita naturalidade no seu papel. O diretor inglês, Mike Newell, também dirigiu um dos meus filmes favoritos: Quatro Casamentos e Um Funeral, pelo qual recebeu o Prêmio Bafta de Melhor Filme e de Melhor Direção e também o César de Melhor Filme Estrangeiro. Além de O Sorriso de Mona Lisa, Harry Potter e O Cálice de Fogo, O Amor nos Tempos do Cólera e muitos mais.
Se você é como eu e gosta de um belo romance e de conhecer lugares encantadores, mesmo que seja na tela de cinema, recomendo fortemente.
IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA.
Ficha técnica:
Nome original: The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society.
País: EUA. Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Ano: 2018
Direção: Mike Newell 
Adaptação do livro de mesmo nome escrito por: Annie Barrows e Mary Ann Shaffer. 
Roteiro: Don Roos,Thomas Bezucha, Kevin Hood.Elenco: Lily James, Matthew Goode, Glen Powell, Michiel Huisman, Jessica Brown Findlay, Katherine Parkinson, Penelope Wilson, Tom Courtenay, Kit Connor.




Lar de Victor Hugo, Guernsey é ilha de baías e penhascos no Canal de Mancha.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

SABERÁ O QUE FAZER COMIGO




Isabel conhece Nicolas, que é fotógrafo, em um hospital e ele a convida para sua exposição. Ela não dá importância mas o destino acaba levando-a lá, acompanhando uma amiga. 

Começa um relacionamento entre eles. Isabel, sempre enigmática, não fala muito de sua vida. Entendo ela. Algumas dores são só nossas. Falar delas é como se minimizasse o seu valor. E diminuí-las é como querer livrar-se delas. E se desprender delas é como trair nossos sentimentos. 

Mas Nicolas também esconde um segredo: sofre de uma epilepsia grave. Após uma crise testemunhada por ela, ele diz que quer terminar, que não quer que ela passe por isso de novo. Que não é justo dividir esse sofrimento com ela. 

Isabel também vive envolvida com a depressão da mãe.

Tantos problemas. Qual será a solução? Apoiar o Nico é acumular mais uma chance de sofrer. Viver o seu amor ou ficar na superfície, não se deixar afetar de verdade? 

O sofrimento e as perdas fazem parte da vida. Pelo menos foi como crescemos ouvindo. É um filme sobre perdas e ganhos. Sobre lutos. Sobre o que fazer com o que restou.




Filme delicado e sensível, ao mesmo tempo que profundo. Interpretações bem tocantes. Diálogos incríveis que nos levam a suspirar e refletir. A fotografia é linda também. As paisagens maravilhosas parecem nos mostrar que existe a feiura no mundo, mas também existe a beleza. O quanto conseguimos captar dessa beleza, da natureza e da vida, é o que nos sustentará. Ou nos derrubará.


IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,7/ 5



Ficha técnica:
Nome original: Sabrás qué Hacer Conmigo
País: México.
Ano: 2015
Direção: Katina Medina Mora.
Roteiro: Katina Medina Mora, Emma Bertrán, Samara Ibrahim.
Elenco: Ilse Salas, Pablo Derqui