Cinéfilos Eternos: Nanni Moretti
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

O CROCODILO


Uma metáfora sobre a Itália contemporânea, tornou-se um êxito de bilheteria no país, tendo estreado dias antes das eleições que afastaram do poder Berlusconi.



Bruno Bonomo (Silvio Orlando) é um produtor de cinema que no passado fazia sucesso mas que atualmente está encontrando dificuldades.
Cai em suas mãos um roteiro de um filme sobre um primeiro-ministro desonesto, pelo qual ele se entusiasma e resolve ele mesmo dirigir, mas para isso necessita de financiamento.
O problema é que as semelhanças entre a história do personagem do filme e o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi podem fazer que os investidores desistam do projeto de Bonomo.
Que situação!


Mas Bruno não desiste e resolve levar até o fim o seu propósito de realizar essa película.


Il Caimano ou O Caimão ou O Crocodilo é um filme dentro de um filme, uma sátira à Itália em descalabro, dizia-se até mais, uma sátira a uma Itália Berlusconiana.


Além disso, é uma alusão ao declínio do cinema italiano, passando pelas dificuldades de um homem de meia-idade e suas dificuldades conjugais.

IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Il Caimano
Outros nomes: O Caimão, The Caiman, O Crocodilo
País: Itália
Ano? 2006
Direção: Nanni Moretti
Elenco: Silvio Orlando, Marguerita Buy.





O verdadeiro Silvio Berlusconi, suas garotas e
suas gafes

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A MISSA ACABOU



Don Giulio passou muitos anos em uma ilha, mas agora tem a oportunidade de pregar em uma paróquia no bairro onde nasceu, onde pode ficar perto da família e dos antigos amigos. Mas encontra tudo muito diferente e confrontado com os problemas da comunidade, vai se tornando a cada dia mais intolerante. Incapaz de resolver os conflitos dos mais próximos, começa a duvidar se tem alguma serventia para alguém dali. Sua fé nele mesmo como pároco é profundamente abalada. O diretor faz aí uma crítica sutil à utilidade da figura cristã, mais particularmente da Igreja Católica, para a humanidade.
Angustiado, Giulio, também ex-militante da esquerda, se depara com a sua própria vulnerabilidade e vai ser levado a refletir sobre o verdadeiro significado do amor, principalmente do amor universal que ele prega. Um sentimento de impotência toma conta dele, que começa a ficar até mesmo violento. Aqui o personagem não está viajando, ou montado em sua vespa, mas da mesma maneira, nos dá a dimensão de que há um longo caminho a ser percorrido por ele.
“De vez em quando, não dou a absolvição porque não estão mesmo arrependidos. Antes pelo contrário, às vezes apetece-me mesmo bater em alguns. Sim, é um pensamento que tenho cada vez mais. Mesmo bater-lhes. Não haverá outra maneira?”
Nanni Moretti costuma assumir o papel principal em grande parte dos seus filmes. Em La Messa è Finita, mesmo com os questionamentos e o lado dramático, ele consegue nos passar, como sempre, uma espécie de humor sarcástico, que me lembra bem outro diretor que gosta de atuar nos filmes que dirige: Woody Allen.
Destaque para a música composta por Nicola Piovani, que já recebeu o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original pelo filme A Vida é Bela e Prêmio David di Donatello de Melhor Música pelos filmes O Quarto do Filho e Caro Diário, esses dois últimos também dirigidos por Moretti.
O filme recebeu o Urso de prata do Festival de Berlim de 1986.
IMDB: 7,3/ 10
Minha nota: 3,9/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Messa è Finita
País: Itália.
Ano: 1985.
Direção: Nanni Moretti.
Roteiro: Nanni Moretti e Sandro Petraglia.
Elenco: Nanni Moretti. Marco Messeri, Vincenzo Salemme, Enrica Maria Modugno, Dario Cantarelli, Margarita Lozano, Ferruccio de Ceresa,