Cinéfilos Eternos

sábado, 14 de julho de 2018

HANNAH




Hannah é um filme do diretor italiano Andrea Pallaoro, mas a produção é franco/ belga/ italiana. Existe às vezes uma certa dificuldade quando queremos classificar um filme, se ele é italiano, se ele é francês, ... Como o idioma do filme é o francês e a atriz já fez vários filmes franceses, vou enquadrá-lo aqui. Também não achei ele nada italiano.
Há filmes que entregam demais, mas esse não entregou de menos? Muito de menos? Ele diz tudo e não diz nada ao mesmo tempo. Será que não entendi, que dei umas cochiladas? O que foi que eu perdi? Ou quem sabe o objetivo do filme seja promover justamente a curiosidade?
O diretor explicou em uma entrevista porquê escolheu Charlotte para o papel:
"Escrevi o filme pensando nela, para ela. Se tivesse recusado, creio que não conseguiria fazê-lo com outra atriz. Teria de mudar de projeto."
O diretor admite que o filme é difícil. Hannah concorreu no Festival de Veneza do ano passado. Pallaoro lembra:
"Foi uma sessão tensa, porque reconheço que o filme é difícil. Um silêncio mortal, não dava para perceber se o público estava gostando ou não. E, então, no final, as pessoas levantaram. Recebemos uma 'standing ovation' de cinco minutos e Charlotte, no encerramento do festival, recebeu a Taça Volpi de melhor atriz."
Quem afinal é Hannah? Que segredo ela esconde? Não passamos nós pela vida também escondendo nossos segredos, testemunhas e observadoras de nossa própria existência? Quem somos nós também?
"Quando você joga o filme no mundo ele deixa de lhe pertencer, e o público é soberano para fazer sua interpretação."
Bem, é isso que Pallaoro faz e muito bem, o espectador precisa ser o roteirista da história de Hannah.
Seguindo a linha do cineasta, também vou ser bem minimalista e não vou postar a sinopse. Adivinhem!
IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Hannah.
País: Itália/ França/ Bélgica.
Ano: 2017
Direção: Andrea Pallaoro.
Roteiro: Andrea Pallaoro, Orlando Tirado.
Elenco: Charlotte Rampling, André Wilms.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

FRASES DE FILMES


UNSANE (DISTÚRBIO)

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Adepto das experiências, o cineasta americano Steven Soderbergh filmou Unsune com um iPhone.
"É uma época fascinante para fazer filmes. Gostaria de ter um objeto destes quando tinha 15 anos",
afirmou o realizador de Traffic, pelo qual recebeu o Oscar como Melhor Diretor, Erin Brockovich e Sexo, Mentiras e Vídeotape, esse último vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, quando ele tinha somente 26 anos. Soderbergh, hoje com 55 anos, vem alternando filmes de sucesso comercial com obras mais experimentais. Ainda adolescente, ele conheceu o cinema, dirigindo curtas-metragens com uma Super 8 emprestada.
Ele não é primeiro. Sam Baker já havia filmado Tangerine com a câmera de um IPhone 5S.
Unsane tem como protagonista a excelente Claire Foy, atriz britânica famosa por seu papel de Ana Bolena na minissérie Wolf Hall, pela qual recebeu nomeações para os prêmios BAFTA e para os Critics' Choice Awards e por interpretar a Rainha Elizabeth II na série de televisão The Crown da Netflix. Com este papel, Foy foi premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz em série dramática e Prémio Screen Actors Guild para melhor atriz em série de drama, ambos em 2017.
No filme, Claire é Sawyer Valentini, uma pessoa atormentada por um homem que a persegue. Ela vive mudando de endereço, de emprego, de perfil nas redes sociais, mas mesmo assim o pânico está constantemente tomando conta dela, como se ele estivesse sempre atrás das portas. O que não sabemos é se o que acontece com Sawyer é real ou se é tudo produto de sua mente. Quando ela procura o auxílio de uma psiquiatra para poder desabafar e amenizar sua ansiedade, ela se vê de repente internada em uma instituição psiquiátrica contra sua vontade.
O filme é mediano. É bem construído e a atuação da Claire Foy é um diferencial, mas achei a história previsível. Não entendi o que o Matt Damon foi fazer ali no filme, rsrsrs. Soderbergh também tornou-se famoso por executar várias funções dentro de um mesmo filme, como direção de fotografia, edição, direção e roteiro. Como a WGA proíbe que o cineasta exerça múltiplas funções dentro de um filme, ele assina sob diferentes pseudônimos. Em Distúrbio, ele assina a fotografia e a montagem do filme sob dois pseudônimos distintos.
Adorei a cena de abertura, um bosque inteiro em tons de azul, recurso do IPhone utilizado, e que tem a ver com a forma como o stalker (ou o suposto stalker) via a vida com a Sawyer e que também a presenteou com um vestido azul, tudo azul, no seu mundo idealizado azul.
Acho que a tensão maior que somos acometidos é a de ver como o sistema é frágil e que uma coisa dessas pode acontecer com a gente ou com algum familiar. O filme contém uma crítica ao sistema hospitalar e suas ganâncias.Um suspense psicológico que talvez tenha divertido mais o próprio diretor, ao utilizar os recursos de um smarthphone.

IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Unsane
País: EUA
Ano: 2018
Direção Steven Soderbergh.
Roteiro: James Greer, Jonathan Bernstein.

Elenco: Claire Foy, Amy Irving, Joshua Leonard, Juno Temple, Jay Pharoah, participação de Matt Damon.
Soderbergh filmando com seu IPhone 7



quarta-feira, 11 de julho de 2018

THE PLACE



Gentem, eu adorei esse filme. Ele se passa inteiro em um café - The Place - mais propriamente em uma mesa do café, mas você vai ficar hipnotizado. Nessa mesa, um homem misterioso (Valerio Mastandrea) passa seus dias, toma vários cafés, almoça, bebe, enquanto atende várias pessoas. Seus visitantes chegam e saem, contam-lhe o inconfessável, seus segredos mais ocultos ou seus desejos mais latentes. O objetivo é conseguir sua ajuda. O homem, de aparência sempre cansada, não julga e nem aconselha, anota tudo em uma grossa agenda e lhes propõe um acordo. Ninguém é obrigado a aceitar, ele deixa isso bem claro, mas as tarefas que essas pessoas terão que realizar em troca dos seus pedidos são além dos seus limites. "Quem é você?", eles se perguntam, muito embora prefiram não saber a resposta. "Como eu sei se você não é o Diabo?", arrisca alguém. "Não sabe", ele responde.
O filme é uma adaptação cinematográfica da série Booth at the End, que consiste em 5 episódios curtos dirigidos por Jessica Landaw, escrito por Christopher Kubasik e estrelado por Xander Berkeley e Kate Maberly. A série faz ao espectador uma pergunta: "quão longe você iria para conseguir o que quer?"
As espinhosas tarefas irão mexer com o valor moral de cada um. De fora todos nós praticamente iremos condenar quem as pratica ou que pelo menos cogita em praticar. Mas será que se estivéssemos na mesma situação, o que sentiríamos? O filme busca exatamente isso, nos questionar. Paolo Genovese quer testar não só os seus personagens, mas também o espectador. O filme propõe uma reflexão emocional e tão envolvente quanto possível sobre a natureza humana.
Os personagens revezam-se pelo café, cada um com seus dramas, com suas histórias, com seus desesperados anseios. Cada desejo revela alguma coisa de quem deseja. Alguns com propósitos mais simples, mas talvez não menos importantes para eles, quem somos nós para avaliar? O preço a pagar é proporcional e pode ser absurdamente alto. Algumas tarefas parecem não ter sentido algum.
Não se tratam de pactos para toda a vida ou para toda a existência. Cumpriu o acordo, o desejo é realizado. Podendo também desistir a qualquer momento. Exatamente nessa não obrigatoriedade está a questão, o tal homem funciona como um espelho de cada um, confrontando-os com seus valores e com suas reais necessidades.
Na verdade, a tarefa maior parece ser exatamente a dele, obrigado a testemunhar diariamente todas as mazelas humanas. Todos querem alguma coisa dele. A única pessoa que não pede nada e na verdade parece ter interesse em ouvi-lo, em conhecê-lo melhor, é Angela, a atendente do café.
The Place participou da 11ª Festa do Cinema Italiano. The Place é o primeiro longa do diretor Paolo Genovese depois do grande sucesso com Perfetti Sconosciuti, vencedor do prêmio David Di Donatello (considerado como sendo o Oscar italiano) e que tem uma versão espanhola na Netflix, dirigida por Álex de Iglesia.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 4,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Place.
País: Itália.
Ano: 2017
Direção: Paolo Genovese.
Roteiro: Isabella Aguilar, Paolo Genovese.
Elenco: Valerio Mastandrea, Sabrina Ferilli, Alessandro Borghi, Alba Rohrwacher, Marco Giallini, Giulia Lazzarini, Rocco Papaleo, Silvio Muccino, Silvia D'Amico. Vitoria Puccini, Vinicio Marchioni,

terça-feira, 10 de julho de 2018

DEIXE A LUZ DO SOL ENTRAR




Tenho que confessar, fiquei bem decepcionada já que esperava um filme leve, gostoso, afinal com um título tão luminoso, a própria foto do poster dá a entender isso...
Mas não é nada disso, é bem deprimente, para falar a verdade. Eu devia ter lembrado que a direção é de Claire Denis, que tem uma filmografia marcada pelo estranhamento, a sexualidade, a intimidade, a subjetividade das relações, o desejo e o amor, em toda sua violência. Nascida em Paris, mas criada na África colonial, seus filmes também abordam temas como o estrangeiro.
Isabelle é uma artista que vive em Paris. Bonita, saudável, bem-sucedida profissionalmente e tem uma filha. Mas ela é divorciada e não desiste de procurar um amor que seja verdadeiro.
A solidão que ela sente, sua carência emocional, a faz se envolver em relacionamentos tóxicos, sempre na esperança de que aquele finalmente vai dar certo.
"Eu voltei com ele. E achei que estava feliz com ele, que tinha muita sorte, que minha vida era extraordinária!"
De frustração em frustração, de humilhação em humilhação, cada dia ela vê menos sentido em sua vida. O fato de já ter mais de quarenta anos a deixa mais insegura. Ele se entrega, mergulha de cabeça cada vez que conhece alguém. Ela anseia por encontrar a pessoa que vai fazê-la feliz, que vai aquietar o seu coração.
Isabelle não parece saber que quando as coisas não vão bem, melhor parar e deixar que elas sigam sozinhas. Mas também tem a qualidade de não desistir de ser feliz, ela cai, mas se levanta, corre atrás. Talvez de uma maneira equivocada. Mas é a que ela conhece. Ela tem a consciência que amar não é fácil. Ela é como tantas mulheres, pelo menos em algum momento de sua vida.
Deixe a Luz do Sol Entrar fez parte da Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes, onde saiu vencedor do prêmio de Melhor Filme.

IMDB: 6,1/ 10
Filmow: 3/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Un Beau Soleil Intérieur
Outros nomes: Let the Sunshine In
País: França.
Ano: 2017
Direção: Claire Denis.
Roteiro: Claire Denis.
Elenco: Juliette Binoche, Xavier Beauvois, Nicolas Duvauchelle, Bruno Podalydès, Alex Descas, Gerard Depardieu, participação de Valeria Bruni Tedeschi.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A CHEFA


Devolvida por vários lares de adoção, ela transforma a rejeição em sucesso, tornando-se milionária, uma mulher vencedora nos mundos dos negócios, ainda que inescrupulosa. Quando ela é presa por negociar informações confidenciais do mercado para ganhar dinheiro, perde tudo o que tem e terá que se reinventar. Para isso, ela conta com a ajuda de sua ex-assistente, Claire, e sua filha Rachel.
Michelle Darnell, figura central da trama, foi idealizada por McCarthy há mais de 15 anos. Habituada a não criar laços sentimentais e a mandar, ela transforma num inferno a vida dos que a rodeiam e em sucesso tudo que idealiza. Ingredientes perfeitos para ser invejada e odiada ao mesmo tempo.

Comédia previsível? Sim, mas cumpre o seu papel. O filme, dirigido pelo marido de Melissa e com a parceria dos dois no roteiro vai te tirar boas risadas. A atriz segue impecável nessa produção, que tem boas cenas com Kristen Bell e também com o anão mais famoso de Hollywood, Peter Dinklage. Com direitos a algumas cenas comoventes, por conta de Ella Anderson.
Ponto para as mulheres, que são as figuras principais do filme. Nada de mais, uma história simples para criar diversão, mas consegue.
IMDB: 5,4/ 10
Filmow: 2,8/ 5
Minha nota: 2,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Boss
País: EUA
Ano: 2016
Direção: Ben Falcone.
Roteiro: Ben Falcone, Melissa McCarthy.
Elenco: Melissa McCarthy, Kristen Bell, Peter Dinklage, Ella Anderson, Kathy Bates.

ANIVERSARIANTES

Ver um filme com ele é praticamente a garantia de ver um filme bom.
"Idiotas são os que fazem idiotices", e ele não faz na hora de aceitar os seus papéis.