quinta-feira, 25 de outubro de 2018
terça-feira, 23 de outubro de 2018
CHET BAKER - A LENDA DO JAZZ
Quando conheci o Chet Baker (não pessoalmente!), ele já era feio. Mas como todos que o conheciam, fui envolvida imediatamente pelo som doce do seu trompete e pela sua voz, que parecia sussurrar. Morreu aos 58 anos com a aparência de 80, velho, enrugado, faces encovadas, acabado pelo seu envolvimento com drogas, especialmente a heroína. Mas nem sempre foi assim, na juventude arrebatou corações também pela sua beleza física e era chamado o James Dean do Jazz. Era considerado o gênio branco do jazz.
“Cuidado, há um gato branco e pequeno na Costa Oeste que vai comer você”,
teria dito Charlie Parker, o famoso Bird, acerca de Chet para Dizzy Gillespie. Baker era apenas um jovem de 22 anos que acabara de desertar do exército.
O filme Born To Be Blue, ou Chet Baker - A Lenda do Jazz, foi uma agradável surpresa que encontrei na Netflix. A cinebiografia não mostra a infância de Chet, que foi criado até os dez anos numa quinta em Oklahoma, filho de pai guitarrista e de mãe pianista. Nem o seu final de vida, quando foi encontrado morto após cair ou se jogar pela janela do hotel onde estava hospedado, em Amsterdam. Mas mostra sua vida nômade e desorganizada, sempre precisando de dinheiro e de afeto. Teve muitas mulheres: Charlaine, Halema, Diene, Ruth, Carol, ... O filme optou por sintetizar toda sua vida amorosa em uma personagem só: Jane, interpretada pela atriz Carmen Ejogo.
Chet é magistralmente interpretado por Ethan Hawke. O filme começa com Chet em uma prisão na Itália e depois ele é convidado para fazer um filme, uma cinebiografia, que é quando conhece Jane, que no filme também é sua mulher. Chet Baker, como James Dean, era uma espécie de "bad boy" e Hollywood quis que ele interpretasse ele mesmo.
Mas aí ele foi preso.e eles mudaram a história um pouco, e colocaram Robert Wagner e Natalie Wood e chamaram o filme de All the Fine Young Cannibals.
Born To Be Blue alterna partes da vida real de Chet com cenas do filme que ele está fazendo, vai para trás e para a frente no tempo, do preto-e-branco para o colorido, então fica um pouco confuso se você não prestar bem a atenção. Há momentos em que não temos certeza de qual realidade estamos vendo, mas ficamos mesmo assim vidrados nas cenas.
Avesso às partituras, Chet preferia tocar de ouvido, um hábito que o acompanhou durante toda a sua carreira. O envolvimento de Chet com as drogas lhe trouxe todos os tipos de problemas familiares e profissionais. Ele foi preso muitas vezes, ficou em condicional. precisando arrumar um emprego fixo, como era a exigência. Passou por várias humilhações e sofrimento, porque era quase impossível tocar, após perder vários dentes em uma briga. Ele teve que acreditar e trabalhar duro. Ainda tinha que enfrentar suas crises de abstinência, que eram monitoradas por médicos e metadona.
A fotografia de Born To be Blue é linda e a forma como o Ethan se entregou ao personagem é comovente. Ele captou perfeitamente os pequenos gestos e sutilezas do grande astro do jazz, seu jeito melancólico e doce de falar e de cantar.
Baker alcançou grande notoriedade com sua primeira versão de My Funny Valentine.
♪ Stay little valentine. Stay. Each day is valentine's day♪
(Fique, namoradinha. Fique. Todo dia é dia dos namorados).
Ele ajudou a estabelecer o que viria a ser identificado como “cool jazz”: uma música econômica, de poucas notas, mais tranquila e fria, oposta ao bebop incendiário de Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bud Powell, cujos temas tinham ritmo veloz e fraseados cheios de notas.
As drogas e os escândalos ajudaram a tornar Chet um mito e também por destruir sua beleza. Mas o seu incrível talento cativou o mundo. Conhecer a vida dele é passar por uma experiência emocionante e devastadora. E certamente inesquecível!
Sofrendo com o medo de subir ao palco, ele tenta, às lágrimas, explicar a relação entre seu vício e tocar seu instrumento: "Isso me dá confiança", ele explica em um sussurro rouco. "O tempo se alarga, se expande, e eu posso entrar em cada nota."
Born To Be Blue é a história de amor que não conseguiu salvar Chet Baker.
IMDB: 6,9/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Born to Be Blue.
País: EUA
Ano: 2016
Direção: Robert Budreau
Roteiro: Robert Budreau
Elenco Ethan Hawke como Chet Baker, Carmen Ejogo, como Jane/ Elaine.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2018
OS 33
Faz pouco tempo o mundo se emocionou com o resgate de 12 meninos e de seu técnico de futebol, presos por 17 dias em uma caverna na Tailândia.
Isso me lembrou do desmoronamento de uma mina em Capiapó, Chile. onde ficaram presos 33 mineradores a mais de 700 metros abaixo do nível do mar. O fato ocorreu em 2010 e emocionou o mundo igualmente mas, acho que com o passar do tempo, ou a gente vai se esquecendo ou até não acompanhou todos os detalhes. Ainda bem que existem os filmes para nos lembrar!
Em The 33, o líder Mario Sepúlveda é interpretado pelo ator Antonio Banderas. Os 33 homens, presos em um lugar chamado refúgio, são surpreendidos, além da tragédia, com o fato de que o local não tem as escadas que deveria ter, os medicamentos são pouquíssimos e a comida armazenada mal dará para três dias. Em meio ao nervosismo, o pânico, começam a brigar e Sepúlveda toma a frente para racionar os alimentos e injetar ânimo nos colegas. Rodrigo Santoro tem uma ótima participação filme no papel do Ministro da Energia Laurence Golborne, que foi decisivo para o sucesso do resgate, que durou 69 dias. Gabriel Byrne como o engenheiro chefe faz o possível para conseguir que os mineiros sejam resgatados, enfrentando dificuldades técnicas e o próprio tempo. Juliette Binoche é Maria Segovia, irmã de um dos mineiros. Por decisão do Ministro, ela e todos os familiares são acomodados do lado de fora, com refeitório, atendimento médico e até uma escola provisória para as crianças.
Não há como não se emocionar como o filme que, no entanto, passa longe de ser piegas. Ótimas atuações e riqueza de detalhes.
Contra tudo e contra todos, eles resolveram ter esperança:
"Acredito que sairemos daqui porque escolho acreditar." (Mario Sepúlveda)
Embora sob os olhos do mundo, a negligência, movida pela ganância que quase matou 33 trabalhadores resultou em uma investigação sem culpados. Os mineradores também não foram indenizados. As condições de segurança não melhoraram. A verdade é que poucos se importam.
Para compensar os riscos e a má reputação da mina San José, os empregados recebiam salários mais altos que a média de seus colegas em outras minas. O soterramento dos 33 mineiros, ocorrido em 5 de agosto de 2010, às 14:00, é considerado o pior acidente do país nesse tipo de trabalho. O primeiro a ser resgatado foi Florencio Ávalos no dia 13 de outubro e o último foi Patricio Sepúlveda, encerrando assim, o maior resgate nesse tipo de salvamento no mundo. Os 33 mineiros resgatados são como irmãos até hoje.
IMDB; 6,9/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: The 33
Outros nomes: Os 33, Los 33
País: EUA/ Chile.
Ano: 2015
Direção: Patricia Riggen.
Roteiro: José Rivera, Mikko Alanne.
Elenco: Antonio Banderas, Juliette Binoche, Rodrigo Santoro, Gabriel Byrne, Mario Casas, Lou Diamond Phillips , Bob Gunton.
Marcadores:
Antonio Banderas,
Biografia,
Chile,
Década 2011- 2020,
Drama,
EUA,
Gabriel Byrne,
Juliette Binoche,
Mario Casas,
Patricia Riggen,
Rodrigo Santoro
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
AMOR SEM PECADO
O filme é uma adaptação do livro As Avós, de Doris Lessing, que, por sua vez, parece que também foi baseado em uma história real.
Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, "bocejante", além do qual o "verdadeiro oceano rugia e roncava", é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria - e eles se tornam adolescentes encantadores. Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra.
Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção. Temas como amizade, maternidade e sexualidade ganham novos contornos enquanto Doris Lessing esmiúça as complexidades e armadilhas da forte ligação entre essas duas mulheres, e retrata a força com que elas confrontam as convenções familiares e sociais de sua época.
O filme, altamente edipiano, segue a mesma linha, sem lições de moral. A diretora e roteirista francesa Anne Fontaine (Agnus Dei, Coco antes de Chanel, Gemma Bovery) procura o mesmo tom, leve e elegante e talvez por isso tenha sido criticada por tratar dessa maneira, para muitos leviana, um tema tão transgressor. A história possui várias reviravoltas e um final surpreendente. E deixa um questionamento: até onde vai a liberdade para amar?
IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,2/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Adore.
País: Austrália/ França.
Ano: 2013
Direção: Anne Fontaine.
Roteiro: Anne Fontaine, Christopher Hampton, baseado na obra de Doris Lessing.
Elenco: Naomi Watts, Robin Wright, Xavier Samuel, James Frecheville.
22 DE JULHO
Com seu estilo realista de fazer lembrar a verdade, o mesmo diretor de Vôo United 93 e Capitão Phillips volta à direção para recontar o trágico episódio ocorrido na Noruega no dia 22 de julho de 2011.
O balanço dos dois atentados resultou em 77 mortos e cerca de 200 feridos.
Adaptação do livro "One of Us", de Åsne Seierstad. A história de Anders Breivik e do mais chocante atentado terrorista da Noruega pelo olhar da autora de O livreiro de Cabul.
Investigadora de rara habilidade, correspondente internacional consagrada, Åsne Seierstad passou anos escrevendo sobre as pessoas envolvidas em conflitos violentos ao redor do mundo.
O filme, que foi exibido nos festivais de Veneza e Toronto e indicado ao Leão de Ouro, tem 133 minutos e li comentários sobre ser longo demais, cansativo, mas eu vi num fôlego só. A primeira parte do filme mostra os atentados, testemunhamos principalmente o pânico daqueles jovens, muitos adolescentes ainda, tentando escapar da chacina. As cenas são de um realismo gritante, só acho que ainda poderia ser melhor se em vez da língua inglesa fosse utilizada a língua norueguesa mesmo. A segunda parte foca nos sobreviventes e suas sequelas, principalmente em Viljar e no julgamento de Anders, mostrando a sua assustadora frieza. O filme não deixa de abordar também as possíveis falhas de segurança do governo do Primeiro Ministro, pois como uma pessoa compra aquela quantidade de material para confeccionar bombas e isso passa despercebido? Nos incomoda também a relação do advogado com o cruel assassino. Sabemos que todos têm direito à defesa, mas a reprodução das cenas no tribunal certamente vão enfurecer o espectador.
IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: 22 July.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Paul Greengrass
Elenco: Anders Danielsen Lies, Jonas Strand Gravili, Jon Øigarden.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
MAIS UMA CHANCE
Sinopse: Na casa dos 40 anos, uma autora (Kathryn Hahn) se submete a várias fertilizações, pois deseja ser mãe. A situação acaba colocando em risco o relacionamento dela com o marido (Paul Giamatti), um produtor teatral e dono de um negócio, que está cansado de tentar ajudar a esposa a engravidar.
O filme tem várias camadas. A primeira é essa colocada aí na sinopse: com a intenção de formar uma família, às vezes o casal fica tão obcecado que isso interfere na relação deles. Rachel e Richard formam um casal com tantas qualidades, eles se respeitam, os dois são artistas, ela uma escritora, ele, um produtor teatral, eles têm uma vida razoável, não são ricos, mas têm uma vida confortável, podem viajar, se divertir, ... mas querem um filho, e Rachel, já na casa dos 40, não consegue engravidar. Já fez vários tratamentos, fertilização, já tentou adoção, mas tudo dá errado. E quanto mais errado, mais ela fica infeliz. O sorriso que ela dá é amarelo, como se pedisse desculpas ao mundo por ser incapaz de uma coisa tão simples: ser mãe! Richard vai na cola dessa infelicidade, tentando colaborar no que pode, sempre apoiando, não sei se ele deseja tanto assim um filho como a esposa, mas ele sabe que se ela não ficar feliz, ele também não ficará.
Outra camada do filme são as limitações das mulheres, a fertilidade com prazo de validade. Às vezes, as mulheres precisam escolher entre a carreira e a maternidade. Rachel foi adiando seu desejo de ser mãe para seguir sua carreira e depois poder se dedicar mais. Já algumas mulheres guardam certa mágoa e cobram dos filhos o que deixou de fazer por eles. E quando eles crescem e vão embora, elas sentem um grande vazio. Rachel queria fazer diferente, mas agora seus óvulos estão velhos.
Não só seus óvulos. Quando Sadie, a sobrinha vai morar com eles, Rachel sente que sua juventude ficou para trás. Keyli Carter é conhecida por interpretar Sadie Rose na série de TV Godless e aqui ela tem o mesmo nome. Ela, que também quer ser uma artista, admira muito seus tios e mostra que não quer seguir a vida da mãe, embora seja insegura e também não se sinta muito capaz de seguir sua carreira.
Quando você quer muito realizar um sonho e nada dá certo, será que a mensagem do universo é para você desistir ou para lutar? Além dos bolsos vazios, os tratamentos são muito caros, o que restará? Uma coisa que eu não sabia era da dificuldade para doar óvulos. Eu achava que era só ir a uma clínica e colher. Mas é bem desgastante também e envolve alguns riscos. Há também a questão moral de você ser a mãe biológica de um filho que não vai criar.
Vamos nos apaixonar pelos personagens e seus dramas, Sadie querendo sair da "caixinha" em que foi criada, uma Rachel inconformada e Richard fazendo de tudo para manter a serenidade.
Talvez o filme seja um pouco longo, mas justifica para mostrar exatamente como eles se sentem, com uma história de tentativas que não têm fim, dias que não terminam quando esperam os resultados, todas as suas esperanças e temores. O espectador é atraído para situações pra lá de humanas, reais. Como disse a mãe de Sadie, Rachel não está morrendo e dependendo da doação de um rim. É verdade, mas são seus sonhos, são os sonhos reais de muitas famílias e a diretora Tamara Jenkins consegue captar isso e passar muito bem. Tamara também foi diretora e roteirista do ótimo A Família Savage com a Laura Linney o o saudoso Philip Seymour Hoffman.
Fora o drama, o filme tem momentos lindos, como as duas meninas cantando, para orgulho da mãe e os olhos compridos da Rachel, e no final a música Insensatez , de Tom Jobim, versão em inglês. Insensatez? Pode ser, mas o que é essa vida em geral?
IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Private Life.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Tamara Jenkins.
Roteiro: Tamara Jenkins.
Elenco: Paul Giamatti, Kathryn Hahn, Kayli Carter.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
BYZANTIUM - UMA VIDA ETERNA.
Clara e Eleanor são duas vampiras. Sim, não sei o que está acontecendo comigo, agora dei pra ver filmes de zumbis e de vampiros! Clara é mãe de Eleanor.
Pelas leis da irmandade, Clara não poderia ter filhos, ela pensou em matar Eleanor quando ela nasceu, mas então ela olhou para a filha e conheceu o amor.
A história é contada por Eleanor, que pensa que ela e a mãe são as únicas sobreviventes da irmandade. Eleanor está cansada da maneira de viver que acredita que sua mãe impõe a ela, da facilidade com que Clara mente. Está cansada de se mudar de cidade em cidade. Para desabafar, ela escreve e escreve sua história. Porque não pode contar para ninguém.
Fica claro no filme que elas fogem de alguém, Eleanor não sabe.
A história de Clara e de Eleanor não é muito diferente da história de muitas mulheres. Na verdade, eu penso que o filme é mais sobre as mulheres do que sobre vampiros, talvez por isso eu tenha gostado. É sobre o sentimento maternal e a força que ele traz. É sobre viver duzentos anos e mesmo assim os homens continuarem a tratar a mulher como um ser inferior. Quantos anos mais serão necessários para que as mulheres sejam mais valorizadas?
Eleanor queria ser uma adolescente normal. Principalmente quando conhece Frank (Caleb Landry Jones). Ela está muito cansada, ela convive com seu passado eternamente. É impressionante como a vida pode ser tão importante para alguns e um fardo para outros.
Não é o primeiro filme de vampiros do diretor, em 1994 ele dirigiu Entrevista com o Vampiro, com Tom Cruise, Brad Pitt e Kirsten Dunst. Mas Clara e Eleanor são umas vampirinhas bem diferentes, inclusive elas podem ver a luz do sol. Vocês vão se apaixonar por elas, apesar do sangue, muito sangue, envolvido no filme.
IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,2 / 5
Ficha técnica:
Nome original: Byzantium
País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Ano: 2012
Direção: Neil Jordan.
Roteiro: Moira Buffini.
Elenco: Saoirse Ronan. Gemma Arteton, Caleb Landry Jones,
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