quinta-feira, 26 de julho de 2018
quarta-feira, 25 de julho de 2018
LA TRÊVE
^
Heiderfeld, um lugar encantador...As Ardenas, em francês Ardennes, é uma região de colinas montanhosas partilhada principalmente pela Bélgica e Luxemburgo, mas estende-se também à França. Heiderfeld é uma pequena cidade nas Ardenas belgas. Perto de lá fica o rio Semois.
Poucos moradores, casas deliciosas, clima maravilhoso, até então tudo perfeito. O policial Yoann Peeters morou lá alguns anos quando jovem e sabe bem o que é isso. E é para lá que resolve voltar com sua filha, em busca de tranquilidade e mais proximidade com ela, após a morte de sua esposa, que o deixou profundamente abalado.
Mas duas coisas estão tirando a paz dos moradores. A primeira, é o tal progresso querendo chegar à força, com a construção de uma represa, que para se concretizar precisa desapropriar várias residências, moradores de muitos anos, cujo valor que a companhia deseja indenizá-los não cobre o preço do afeto e apego que têm pelas casas e fazendas. A outra coisa é a ocorrência de um crime inédito no local: o corpo do jovem jogador de futebol Driss Assani é encontrado no rio Semois e o que a princípio parecia suicídio revela-se como um assassinato.
A investigação da morte caberá ao policial recém-chegado, Yoann Peeters, acompanhado por Sebastian Drummer, um jovem e inexperiente policial.
O crime se revelará bem mais complicado do que parecia a princípio.
"Todos são capazes de matar", diz Peeters.
Os métodos de Yoann não são muito bem aceitos na comunidade. Fora isso, muitos segredos irão aflorar. O silêncio de alguns também não os torna responsáveis?
O caso promete muitas reviravoltas e vai abalar inclusive a sanidade de Peeters.
No elenco também como o jovem Kevin, filho da Prefeita, o também cantor Thomas Mustin, mais conhecido como Mustii, do álbum The Darkest Night e que atuou também recentemente no filme Raw e no Troca de Rainhas.
Não sei se terá continuação, mas o último episódio é conclusivo.
IMDB: 7,8/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Trêve
Outros nomes: A Treva, The Break.
País: Bélgica
Ano: 2016
Direção: Matthieu Donck
Roteiro: Matthieu Donck, Benjamin d'Aoust, Stéphane Bergmans.
Elenco: Yoann Blanc, como Yoann Peeters, Guillaume Kerbush, como Sébastian Drummer.
terça-feira, 24 de julho de 2018
JEAN DE FLORETTE e A VINGANÇA DE MANON
Um tema comum na vida atual, um dissimulado que se faz passar por amigo e que amarga qualquer vitória do outro, até que aquela inveja toda vai minando, vai envolvendo o invejado e conspira para tudo dar errado. Isso quando ele próprio, o invejoso, não resolve dar uma mãozinha ao fracasso do outro. Pessoas que querem tirar o brilho dos outros para poderem aparecer elas mesmas. E quanto mais você é bom com essas pessoas, mais elas te odeiam intimamente. Porque mais medíocre elas se sentem. São os famosos "espertinhos".
Jean de Florette (Gérard Depardieu) herdou a casa da mãe após a morte dela e resolve largar seu emprego burocrático na cidade grande e morar no campo com sua família, sua esposa e sua filha pequena. Ele tem vários sonhos de prosperar naquela localidade. Tem várias ideias que quer colocar em prática. Comer o que plantar, criar coelhos, são apenas algumas metas do fabuloso Jean, que, mesmo corcunda, não tem medo do trabalho e é sempre doce com sua linda família. Aimee Cadoret, sua esposa, o respeita e o apoia. Interpretada por Élisabeth Guignol, na época do filme casada com Gérard e de sobrenome ainda Depardieu, e com quem teve dois filhos: o ator Guillaume e Julie. A pequena Manon também ajuda como pode o adorado pai.
Ugolin, interpretado por um Daniel Auteuil impagável, é o vizinho invejoso. Feio e sozinho no mundo, tem apenas o seu padrinho César (Yves Montand), eles são os últimos descendentes da imponente família Soubeyran. Ele tem apenas uma paixão: criar cravos, ter um campo de cravos. Mas para isso ele precisa de muita água. Incentivado pelo padrinho, ele quer comprar o terreno de Jean, onde tem uma nascente. Mas o corcunda nem pensa em sair de lá, otimista, já se imagina rico, vivendo no meio de suas abóboras e coelhos. Para tentar dissuadi-lo da ideia e ainda conseguir pagar um preço inferior, Ugolin resolve bloquear a passagem da água da nascente que Jean desconhece. Sempre apoiado e incentivado pelo padrinho, que amarga, além de tudo, um fracasso sentimental.
A partir daí, o pobre Jean fica praticamente a mercê das chuvas, mas ele não desiste, trabalha de sol a sol, dá pena ver aquele homem tão trabalhador. E o Ugolin e seu Papi só rindo das desventuras dele. Jean é ingênuo e vê em Ugolin um amigo. Já a pequena Manon olha para Ugolin sempre com olhos desconfiados.
O filme de Claude Berri é uma adaptação da obra de Marcel Pagnol. Quando Marcel tinha 13 anos de idade, um camponês da sua Provence natal lhe contou a história de Manon. Manon teve a sua saga levada para o cinema pelo próprio Pagnol em 1952. Dez anos depois, insatisfeito com o resultado, Pagnol teve vontade de contar, por escrito, a história de Manon e de seu pai. O desejo deu origem a dois dos romances mais populares da França na segunda metade do século 20 – Jean de Florette e Manon des Sources, díptico reunido sob o título de L’Eau des Collines (A Água das Colinas). A Versátil lançou o box com o filme Jean de Florette e sua continuação A Vingança de Manon. um drama inesquecível com grandes interpretações dos astros Gérard Depardieu, Yves Montand e Daniel Auteuil. Com uma história envolvente, ótimos diálogos e linda fotografia, Berri realizou um filme memorável que traduz toda a riqueza do universo literário inconfundível de Marcel Pagnol.
Em A Vingança de Manon, ela já é uma moça com cerca de uns 18 anos. Bonita e tímida, ela está disposta a se vingar de Le Papet e Ugolin. Esse último apaixona-se irremediavelmente por ela, sem saber dos seus planos de vingança. Interpretada pela atriz Emmanuelle Béart, filha do poeta Guy de Béart, em sua estreia no cinema. Aqui também teremos na vida real um futuro casal: Emmanuelle foi casada com Daniel Auteuil de 1993 a 1995, com quem teve uma filha, Nelly Auteuil. Atuou com ele em outros filmes, como Une Femme Française. Por A Vingança de Manon, Emmanuelle Béart ganhou o César de Melhor Atriz Coadjuvante.
A continuação de Jean de Florette, focada agora em Manon, uma camponesa de modos quase selvagens, embora culta vai mostrar um Ugolin ainda asqueroso, mesmo que digno de pena. O personagem tem suas fraquezas às vezes e algumas (poucas) crises de consciência. Que são rapidamente dissipadas pelo tio, que quer que ele tenha sucesso e se case, para dar continuidade ao clã dos Souberayn. Há que se destacar que César e Ugolin não são os únicos vilões da história. O obstinado Jean de Florette, criado na cidade, inteligente e mesmo simpático a todos, nunca passou de um forasteiro na localidade e assim eles silenciaram, mesmo sabendo ou desconfiando dos planos dos Souberayn. Outra coisa é que a ignorância local e da época fez com que eles acreditassem que ter um corcunda perto dava azar.
O filme Jean de Florette foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme de língua não inglesa; no BAFTA, teve 10 indicações, vencendo os de melhor filme, melhor ator, Daniel Auteuil, melhor roteiro adaptado e melhor fotografia.
Uma adaptação cinematográfica digna de se ver e inesquecível, um deslumbre de cores e natureza com um roteiro que envolve o amoralismo, a hipocrisia e a torpeza ao lado do entusiasmo e bondade de Jean de Florette. A trilha sonora também é outra coisa a ser elogiada, com La Forza del Destino, de Giuseppe Verdi. E, claro, as excelentes interpretações. Uma grata surpresa para quem ainda não viu.
FILME 1: JEAN DE FLORETTE
IMDB: 8,1/ 10
Filmow: 4,4/ 5
Minha nota: 4,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Jean de Florette.
País: França, Austrália, Itália, Suiça.
Ano: 1986
Direção: Claude Berri.
Roteiro: Gérard Brach, adaptação da obra de Marcel Pagnol.
Elenco: Gérard Depardieu, Yves Montand, Daniel Auteuil, Élisabeth (Depardieu) Guignol, André Dupont, Margarita Lozano.
FILME 2: A VINGANÇA DE MANON
IMDB: 8/ 10
Filmow: 4,4/ 5
Minha nota: 4,2/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Manon des Sources
Outros nomes: Manon of The Spring.
País: França, Itália, Suiça.
Ano: 1986
Direção: Claude Berri.
Roteiro: Claude Berri, Gérard Brach, adaptação da obra de Marcel Pagnol.
Elenco: Yves Montand, Daniel Auteuil, Emmanuelle Béart, Élisabeth (Depardieu) Guignol, Hippolyte Girardot, André Dupont, Margarita Lozano.
Marcadores:
Claude Berri,
Daniel Auteuil,
Década 1981-1990,
Drama,
Élisabeth Guignol,
Emmanuelle Béart,
Franceses,
Gérard Depardieu,
Marcel Pagnol,
Yves Montand
ANIVERSARIANTES
segunda-feira, 23 de julho de 2018
CUSTÓDIA
Justamente na sexta, antes de eu assistir a esse filme, eu estava em um salão fazendo unhas e estava correndo de mãos em mãos um vídeo que um pai gravou de uma mãe falando baixinho para o filho: "você não precisa ir com ele", depois ele mostra o vídeo pra ela, que, nervosa, o agride. Alienação parental? Para quem não sabe o que significa: a alienação parental acontece quando o pai ou a mãe de uma criança faz com que esta repudie, rejeite ou sinta ódio do outro cônjuge. Este termo foi utilizado pela primeira vez por Richard Gardner, em 1985, designando o conceito da Síndrome de Alienação Parental. Para todas ali no salão, era isso que o vídeo mostrava, que a mãe estava jogando o filho contra o pai. Eu acho que era a única a contestar que era um julgamento precipitado, que talvez a mãe tivesse suas razões e só estivesse tentando proteger o filho. E que eu não tinha achado nada bonito ele expor a mãe do filho dele daquela maneira em redes sociais.
O filme Custódia começa com uma mãe pedindo a guarda exclusiva do filho Julien, 11 anos, após sua separação de um marido que ela acusa de violento. Sua outra filha já vai fazer 18 anos e já tem o poder de decidir que não quer ver o pai. Sabemos que muitas mulheres usam os filhos para se vingarem do marido, o que considero abominável. A criança fica em um conflito, tanto o pai ou a mãe deveriam sempre chegar a um acordo que fosse o melhor para os filhos. Há testemunhos de amigos e colegas de trabalho que afirmam que Antoine Besson é um homem calmo, tranquilo. A juíza encarregada do caso decide pela guarda compartilhada, pois considera o pai desrespeitado.
O ator, roteirista e cineasta francês de 39 anos, Xavier Legrand já tem em seu currículo um César de Melhor Curta Metragem por Antes de Perder Tudo (Avant que de Tout Perdre), pelo qual também foi indicado ao Oscar. Custódia é o seu primeiro longa-metragem e já recebeu o Leão de Prata 2017 como Melhor Diretor.
Denis Menochet, quem poderia esquecer o seu personagem em Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino? O ator faz uma ótima interpretação aqui como o pai de Julien, um menino que fica entre o "fogo cruzado" na disputa entre o pai e a mãe. Thomas Gioria é uma das revelações do drama francês. O jovem ator entrega uma atuação simplesmente extraordinária em seu primeiro trabalho no cinema ao interpretar Julien.
O filme entra em um clima de tensão, muito bem trabalhado. A cena do aniversário de Joséphine Besson, a filha do casal cantando em sua festa, enquanto seu olhar está atento, preocupado, querendo saber o que está acontecendo, é uma das melhores. Impossível respirar normal nas últimas cenas do filme.
É o bom cinema francês, combinando uma direção competente com atuações convincentes que te levarão a se sentir no centro da história, vivenciando tudo aquilo, em vez de espectador. Super indico!
IMDB: 7,7/ 10
Filmow: 4,3/ 5
Minha nota: 4/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Jusqu'à la Garde
Outros títulos: Custody
País: França.
Ano: 2017
Direção: Xavier Legrand.
Roteiro: Xavier Legrand.
Elenco: Denis Menochet, Léa Drucker, Thomas Gioria, Mathilde Auneveux.
sexta-feira, 20 de julho de 2018
SOUNDTRACK
Soundtrack (idem, 2017)
Na época de seu lançamento, eu li uma crítica ao filme que me interessou ainda mais em assisti-lo. Eis um trecho dela:
"Quando a política nos devolve à condição de vira-lata do mundo, não deixa de ser um alento notar que a tecnologia leva o cinema brasileiro a criar, com requinte, novas paisagens" (Naief Haddad)
Além desse mergulho no novo e diferente, que é feito com maestria já que o longa foi todo rodado no Rio De Janeiro em um estúdio lotado de papéis picados (Ao estilo do que fizeram com o longa Olga, 2004), as atuações de Ralph Ineson e em especial a de Selton Mello são excepcionais. A história também, com seus questionamentos filosóficos, existencialistas e as diferenças entre ciência e arte (que não se opõem de jeito algum), fazem de Soundtrack um tocante drama para se analisar e discutir.
A única ressalva é a falta de uma presença mais marcante da trilha sonora, já que o longa possui esse título. Mas talvez tenham feito de forma proposital, permitindo que o espectador exerça seu lado criativo e imagine as músicas nas cenas em que elas deveriam protagonizar.
Por mais aventuras assim na arte brasileira.
Sinopse:
Na trama, Cris (Selton Mello) é um artista multimídia que entra em crise de identidade quando passa uma temporada em uma isolada estação de pesquisa internacional na Islândia. Ele vai para lá com o objetivo de criar uma mostra audiovisual, mesclando fotografias de paisagens desoladas e música. Porém, acaba indo contra seus próprios conceitos e valores ao conviver com outros pesquisadores do local.
Comentários: Tom Carneiro
IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Nota (Tom): 4/ 5
Ficha técnica:
Direção e Roteiro – 300ml
Produção – Julio Uchôa, Isabelle Tanugi, Carlos Paiva, Selton Mello e Seu Jorge e 300ml
Coprodução – Orion, Globo Filmes, OM.art, Clan, FM Produções, Naymar/Cia Rio
Produção Associada – Mondo Cane, Cafuné, Suno Entertainment, MGP
Direção de Fotografia – Felipe Reinheimer
Direção de Arte – Tulé Peake, ABC
Fotos Cris – Oskar Metsavaht
Montagem – Felipe Lacerda
Elenco – Michael Cox & Thom Hammond
Som – Yan Saldanha
Figurino – Bia Salgado
Maquiagem – Juliana Mendes
Efeitos Visuais – Clã
ELENCO – PERSONAGENS
Selton Mello – Cris
Ralph Ineson – Mark
Seu Jorge – Cao
Lukas Loughran – Rafnar
Thomas Chaanhing – Huang
Gustavo Falcão – Amigo do Cris
J.G.Franklin – Nórdico
Assinar:
Comentários (Atom)






