Cinéfilos Eternos

terça-feira, 10 de julho de 2018

DEIXE A LUZ DO SOL ENTRAR




Tenho que confessar, fiquei bem decepcionada já que esperava um filme leve, gostoso, afinal com um título tão luminoso, a própria foto do poster dá a entender isso...
Mas não é nada disso, é bem deprimente, para falar a verdade. Eu devia ter lembrado que a direção é de Claire Denis, que tem uma filmografia marcada pelo estranhamento, a sexualidade, a intimidade, a subjetividade das relações, o desejo e o amor, em toda sua violência. Nascida em Paris, mas criada na África colonial, seus filmes também abordam temas como o estrangeiro.
Isabelle é uma artista que vive em Paris. Bonita, saudável, bem-sucedida profissionalmente e tem uma filha. Mas ela é divorciada e não desiste de procurar um amor que seja verdadeiro.
A solidão que ela sente, sua carência emocional, a faz se envolver em relacionamentos tóxicos, sempre na esperança de que aquele finalmente vai dar certo.
"Eu voltei com ele. E achei que estava feliz com ele, que tinha muita sorte, que minha vida era extraordinária!"
De frustração em frustração, de humilhação em humilhação, cada dia ela vê menos sentido em sua vida. O fato de já ter mais de quarenta anos a deixa mais insegura. Ele se entrega, mergulha de cabeça cada vez que conhece alguém. Ela anseia por encontrar a pessoa que vai fazê-la feliz, que vai aquietar o seu coração.
Isabelle não parece saber que quando as coisas não vão bem, melhor parar e deixar que elas sigam sozinhas. Mas também tem a qualidade de não desistir de ser feliz, ela cai, mas se levanta, corre atrás. Talvez de uma maneira equivocada. Mas é a que ela conhece. Ela tem a consciência que amar não é fácil. Ela é como tantas mulheres, pelo menos em algum momento de sua vida.
Deixe a Luz do Sol Entrar fez parte da Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes, onde saiu vencedor do prêmio de Melhor Filme.

IMDB: 6,1/ 10
Filmow: 3/ 5
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Un Beau Soleil Intérieur
Outros nomes: Let the Sunshine In
País: França.
Ano: 2017
Direção: Claire Denis.
Roteiro: Claire Denis.
Elenco: Juliette Binoche, Xavier Beauvois, Nicolas Duvauchelle, Bruno Podalydès, Alex Descas, Gerard Depardieu, participação de Valeria Bruni Tedeschi.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A CHEFA


Devolvida por vários lares de adoção, ela transforma a rejeição em sucesso, tornando-se milionária, uma mulher vencedora nos mundos dos negócios, ainda que inescrupulosa. Quando ela é presa por negociar informações confidenciais do mercado para ganhar dinheiro, perde tudo o que tem e terá que se reinventar. Para isso, ela conta com a ajuda de sua ex-assistente, Claire, e sua filha Rachel.
Michelle Darnell, figura central da trama, foi idealizada por McCarthy há mais de 15 anos. Habituada a não criar laços sentimentais e a mandar, ela transforma num inferno a vida dos que a rodeiam e em sucesso tudo que idealiza. Ingredientes perfeitos para ser invejada e odiada ao mesmo tempo.

Comédia previsível? Sim, mas cumpre o seu papel. O filme, dirigido pelo marido de Melissa e com a parceria dos dois no roteiro vai te tirar boas risadas. A atriz segue impecável nessa produção, que tem boas cenas com Kristen Bell e também com o anão mais famoso de Hollywood, Peter Dinklage. Com direitos a algumas cenas comoventes, por conta de Ella Anderson.
Ponto para as mulheres, que são as figuras principais do filme. Nada de mais, uma história simples para criar diversão, mas consegue.
IMDB: 5,4/ 10
Filmow: 2,8/ 5
Minha nota: 2,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Boss
País: EUA
Ano: 2016
Direção: Ben Falcone.
Roteiro: Ben Falcone, Melissa McCarthy.
Elenco: Melissa McCarthy, Kristen Bell, Peter Dinklage, Ella Anderson, Kathy Bates.

ANIVERSARIANTES

Ver um filme com ele é praticamente a garantia de ver um filme bom.
"Idiotas são os que fazem idiotices", e ele não faz na hora de aceitar os seus papéis.

DESOBEDIÊNCIA



"O Senhor fez três tipos de criatura: o anjo, o demônio e o ser humano.
Os anjos foram feitos inteiramente de Sua palavra. Anjos não têm o poder de fazer o mal. Não conseguem desviar por um momento de Seu propósito. 
O demônio tem somente instintos para o guiar. E também segue comandos de seu Criador.
Nós, de todas as criaturas, temos livre-arbítrio. Nós estamos entre a clareza dos anjos e os desejos do demônio.
O Senhor nos deu a escolha.
Que é tanto um privilégio quanto um fardo."

Com esse prefácio, pregado pelo rabino Krushka, antes de morrer, começa um filme delicado e forte ao mesmo tempo. É um filme sobre a desobediência? Sim, se pensarmos nas leis morais que o homem inventou, se pensarmos sob o prisma de uma comunidade ortodoxa, é um filme sobre a desobediência. Mas se o Senhor nos deu a escolha, nos deu a liberdade.
Quando Ronit (Rachel Weisz) volta à sua cidade natal para as cerimônias funerárias do pai, ela é olhada com desprezo e preconceito pela maioria das pessoas da comunidade, onde homens e mulheres não casados não podem nem se tocar. Ronit foi feliz lá no passado, eram inseparáveis os três, ela, Dovid (Alessandro Nivola), discípulo de seu pai desde os treze anos e Esti (Rachel Adams). Mas a paixão proibida entre ela e Esti causou um grande rebuliço e a fez ir embora, há anos não tinha mais contato com ninguém.
Ronit é recebida por Dovid e fica sabendo que ele e Esti casaram-se. Ela pensa que foi Dovid quem mandou avisá-la sobre a morte do pai, mas vai descobrir depois que foi Esti. Por consideração ou como uma forma de atraí-la para o pacato lugarejo, pela antiga amizade ou por um desesperado pedido de socorro. Por ainda não tê-la esquecido. Talvez por tudo junto.
O fato é que inevitavelmente o sentimento e o desejo delas vêm à tona. Ainda hoje é visto com preconceito o relacionamento entre duas mulheres, ainda mais em uma comunidade judia e sendo uma casada. Interpretações competentes, sensíveis. Um filme sobre escolhas. Mais que isso, um filme sobre a liberdade. A liberdade que envolve quase que sempre perdas, renúncias. A única vida que Esti conheceu foi aquela na comunidade.
"É preciso coragem para partir, ..."
Casada com o objetivo de ser curada, de uma certa maneira ela é feliz, ela gosta de Dovid, ela ama ensinar e as suas alunas. Para onde ela iria? E o que faria? Mas vivendo assim, ela também está desobedecendo a sua própria natureza, seus desejos, seus sentimentos.
Qual o caminho mais fácil? Esti representa tudo o que Ronit teria sido, tudo o que ela deixou para trás. Seus melhores amigos, sua família, sua casa, seu passado. Sua desobediência teve um preço alto.
Que você possa viver uma vida longa", eles se cumprimentam. Ronit escolheu viver uma vida livre.
"É preciso coragem para ficar..."
Ninguém está certo ou errado, por isso não vamos cobrar de nossas protagonistas decisões que só cabem a elas. A verdadeira liberdade é agir conforme queremos e não como esperam de nós.
Sebastián Lelio é é um cineasta, produtor e roteirista chileno. O seu filme Uma Mulher Fantástica ganhou o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano, entre outros. Disobedience, adaptado do romance de mesmo nome de Naomi Alderman, é o primeiro filme de Lelio em língua inglesa.

IMDB: 6,8/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 4,3/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Disobedience.
País: EUA, Reino Unido da Grã Bretanha, Irlanda do Norte,
Ano: 2018
Direção: Sebastián Lelio.
Roteiro: Naomi Alderman, Rebecca Lenkiewicz, Sebastián Lelio.
Elenco: Rachel Weiz, Rachel Adams, Alessandro Nivola

Os três atores principais com o diretor Sebastián Lelio.

sábado, 7 de julho de 2018

ANIVERSARIANTES

A atriz, casada com o cineasta Michel Hazanavicius e filha do cineasta argentino Miguel Bejo, nasceu em Buenos Aires e mudou-se aos três anos para Paris. Pelo filme O Artista, dirigido por seu marido, ela recebeu o Prêmio Cesar de Melhor Atriz.

ANIVERSARIANTES