Cinéfilos Eternos: Alessandro Nivola
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segunda-feira, 9 de julho de 2018

DESOBEDIÊNCIA



"O Senhor fez três tipos de criatura: o anjo, o demônio e o ser humano.
Os anjos foram feitos inteiramente de Sua palavra. Anjos não têm o poder de fazer o mal. Não conseguem desviar por um momento de Seu propósito. 
O demônio tem somente instintos para o guiar. E também segue comandos de seu Criador.
Nós, de todas as criaturas, temos livre-arbítrio. Nós estamos entre a clareza dos anjos e os desejos do demônio.
O Senhor nos deu a escolha.
Que é tanto um privilégio quanto um fardo."

Com esse prefácio, pregado pelo rabino Krushka, antes de morrer, começa um filme delicado e forte ao mesmo tempo. É um filme sobre a desobediência? Sim, se pensarmos nas leis morais que o homem inventou, se pensarmos sob o prisma de uma comunidade ortodoxa, é um filme sobre a desobediência. Mas se o Senhor nos deu a escolha, nos deu a liberdade.
Quando Ronit (Rachel Weisz) volta à sua cidade natal para as cerimônias funerárias do pai, ela é olhada com desprezo e preconceito pela maioria das pessoas da comunidade, onde homens e mulheres não casados não podem nem se tocar. Ronit foi feliz lá no passado, eram inseparáveis os três, ela, Dovid (Alessandro Nivola), discípulo de seu pai desde os treze anos e Esti (Rachel Adams). Mas a paixão proibida entre ela e Esti causou um grande rebuliço e a fez ir embora, há anos não tinha mais contato com ninguém.
Ronit é recebida por Dovid e fica sabendo que ele e Esti casaram-se. Ela pensa que foi Dovid quem mandou avisá-la sobre a morte do pai, mas vai descobrir depois que foi Esti. Por consideração ou como uma forma de atraí-la para o pacato lugarejo, pela antiga amizade ou por um desesperado pedido de socorro. Por ainda não tê-la esquecido. Talvez por tudo junto.
O fato é que inevitavelmente o sentimento e o desejo delas vêm à tona. Ainda hoje é visto com preconceito o relacionamento entre duas mulheres, ainda mais em uma comunidade judia e sendo uma casada. Interpretações competentes, sensíveis. Um filme sobre escolhas. Mais que isso, um filme sobre a liberdade. A liberdade que envolve quase que sempre perdas, renúncias. A única vida que Esti conheceu foi aquela na comunidade.
"É preciso coragem para partir, ..."
Casada com o objetivo de ser curada, de uma certa maneira ela é feliz, ela gosta de Dovid, ela ama ensinar e as suas alunas. Para onde ela iria? E o que faria? Mas vivendo assim, ela também está desobedecendo a sua própria natureza, seus desejos, seus sentimentos.
Qual o caminho mais fácil? Esti representa tudo o que Ronit teria sido, tudo o que ela deixou para trás. Seus melhores amigos, sua família, sua casa, seu passado. Sua desobediência teve um preço alto.
Que você possa viver uma vida longa", eles se cumprimentam. Ronit escolheu viver uma vida livre.
"É preciso coragem para ficar..."
Ninguém está certo ou errado, por isso não vamos cobrar de nossas protagonistas decisões que só cabem a elas. A verdadeira liberdade é agir conforme queremos e não como esperam de nós.
Sebastián Lelio é é um cineasta, produtor e roteirista chileno. O seu filme Uma Mulher Fantástica ganhou o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano, entre outros. Disobedience, adaptado do romance de mesmo nome de Naomi Alderman, é o primeiro filme de Lelio em língua inglesa.

IMDB: 6,8/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 4,3/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Disobedience.
País: EUA, Reino Unido da Grã Bretanha, Irlanda do Norte,
Ano: 2018
Direção: Sebastián Lelio.
Roteiro: Naomi Alderman, Rebecca Lenkiewicz, Sebastián Lelio.
Elenco: Rachel Weiz, Rachel Adams, Alessandro Nivola

Os três atores principais com o diretor Sebastián Lelio.