Cinéfilos Eternos: Mariana Lima
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sábado, 9 de março de 2019

O BANQUETE


Sinopse:
Na época do Impeachment de Fernando Collor de Mello, um grupo de intelectuais se encontra em um jantar: uma grande atriz, um jornalista famoso, um advogado e sua esposa, uma crítica de teatro, um colunista e uma jovem atriz e modelo. O jornalista Mauro escreveu um artigo contra Collor e corre o risco de ser preso naquela noite. No jantar regado a muito vinho, conforme a tensão aumenta com a iminência da prisão, vários segredos públicos e privados vêm a tona.
Com direção de Daniela Thomas, premiada cineasta, diretora teatral, dramaturga, iluminadora, cenógrafa e figurinista brasileira , filha de Ziraldo e irmã do compositor Antonio Pinto, o filme, apesar do delicioso vinho servido fartamente e das iguarias, não é de fácil digestão.
Em 2017, em seu primeiro trabalho solo (foi parceira de Walter Salles em filmes como “Terra Estrangeira” e “Linha de Passe” ), o filme Vazante provocou muitas polêmicas. O longa foi um dos concorrentes no 50º Festival de Brasília, no início do último mês de setembro, e, na noite seguinte à sua exibição, foi alvo de duras críticas, inclusive à diretora e a toda sua equipe de produção, durante um debate com outros nomes do cinema brasileiro, por levantar a questão da "fragilidade branca".
Em sua defesa, Daniela diz ter colocado nas telas a sua visão de mundo e que, em nenhum momento, quis defender qualquer tipo de militância, mas sim, contar histórias que ouvira de seus antepassados, enfatizando a questão da miscigenação violenta que formou a nossa sociedade. "Eu realmente não fiz o filme que seria um retrato do que o movimento negro quer ver representado na grande tela, hoje", pontua.
Em O Banquete, na minha opinião, a Daniela deveria ter se aprofundado mais no plano político. São os anos 90 presididos então por Fernando Collor. Mas ela não ousou. O jantar, que a princípio pareceu ser um agrado da anfitriã (Drica Moraes) ao casal de amigos que estava completando dez anos de casados, tem mais o objetivo de mostrar a futilidade e a decadência da elite brasileira. Mauro (Rodrigo Bolzan), o homenageado, está prestes a ser preso por ter escrito e assinado uma carta pública contra o presidente. Em uma clara referência a Otavio Frias Filho, diretor na época do Jornal Folha de São Paulo. Também inspirada em "O Banquete", de Platão, a conversa gira sobre a natureza e as qualidades do amor. Nora, a anfitriã, propõe mesmo aos convidados que naquela noite reflitam sobre o amor tendo “Baco como juiz”, embriagando-se de vinho. Será o amor um bom sentimento?
O filme é desenvolvido de forma teatral, com interpretações e diálogos exagerados, em um ambiente único e fechado, tendo como cenário uma linda sala e uma mesa arrumada de forma luxuosa. Maria, que foi acompanhada de Lucky, percebe logo ao chegar que aquele jantar é uma espécie de armadilha e quer ir embora, aflita. Mas Lucky se vê seduzido pelo caríssimo vinho e por Ted (Chay Suede), o chef de cozinha contratado, que é o único que destoa daquele ambiente que parece ter apodrecido. O casal aniversariante não percebe de início onde foi se meter. Quanto mais bêbados e alterados, mais "lavação de roupa suja", acentuadas com a chegada da stripper cat (Bruna Linzmeyer) e de Claudinha. Só o marido de Nora (Caco Ciocler) parecia não se surpreender com nada daquele jantar. É o absurdo e a decadência das relações humanas imperando.
IMDB: 6,3/ 10 Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,4/ 5
Ficha técnica: Nome original: O Banquete. País: Brasil. Ano: 2018 Direção: Daniela Thomas. Roteiro: Daniela Thomas.
Elenco: Drica Moraes, Caco Ciocler, Mariana Lima, Rodrigo Bolzan, Chay Suede, Bruna Linzmeyer, Gustavo Machado, Fabiana Gugli, Georgette Faddel.