Cinéfilos Eternos: Lesley Manville
Mostrando postagens com marcador Lesley Manville. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lesley Manville. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de maio de 2018

TRAMA FANTASMA



(Atenção: pode conter SPOILER, difícil falar do filme sem nenhum)


Paul Thomas Anderson foi indicado duas vezes ao Oscar de melhor roteiro original por Boogie Nights e Magnólia. É considerado um dos melhores realizadores da atualidade. Seu pai, Ernie Anderson, foi um conhecido narrador e criou o famoso Ghoulardi, que Paul utiliza como o nome de sua produtora há vários anos. Os filmes de Anderson freqüentemente lidam com o significado das relações familiares, ele interpreta as interconexões entre seus personagens como resultado das inconstantes circunstâncias que afetam suas frágeis vidas. Anderson é também conhecido por colocar em seus filmes um grande elenco.
Em Phantom Thread, ele escolheu para o papel de protagonista nada menos que o grande Daniel Day-Lewis, para interpretar um renomado costureiro, no glamour de Londres dos anos 50. Day-Lewis anunciou ainda que esse foi seu último filme, o que torna mais marcante ainda, se é que é possível, sua participação na película. Ao contrário do ator, que diz que pretende dedicar-se à sua vida privada, o personagem, Reynolds Woodcock, criou um império da moda, a Casa de Woodcock e respira sua profissão. Não tem hora para deixar de lado sua inspiração, se ela vem às 4 da manhã, mesmo que tenha ido dormir muito tarde trabalhando, ele se levanta prontamente. Woodcock tem também uma disciplina rígida. As mulheres vem e vão na sua vida de solteirão convicto, simples objetos para sua companhia e para iluminar o seu espírito criativo. Permanecem enquanto não interfiram na sua rotina e aceitem todas as suas exigências. 
As únicas mulheres fixas presentes na vida de Woodcock são sua irmã (Leslie Melville), que se dedica a ele e o assessora, e sua mãe já morta. Ele a pressente e a sente em todos os cantos de sua casa, admirando e aprovando o seu trabalho, que ele parece querer cada vez mais aprimorar para agradá-la. E como uma mãe possessiva, ela parece também não aprovar suas escolhas amorosas, colocando-se sempre em um pedestal, onde nenhuma delas está à sua altura. As mulheres com que Reynolds se relaciona passam a ser também como fantasmas, simples coadjuvantes em sua vida, somente devem ser notadas como uma sombra ou ao seu desejo.

Não é diferente quando ele encontra a jovem Alma (Vicky Krieps), ele faz dela mais um fantasma naquela casa. Seu tipo físico é o ideal para inspirá-lo e ela logo torna-se a musa de suas criações. Mas Alma (nome bem significativo) não aceita essa vida de submissão, ela quer mais dele, ela quer mais ele. Aos poucos, sua personalidade doce, mas forte, vai se infiltrando naquela casa, exigindo também aqui e ali, quebrando o equilíbrio e o controle que Woodcock criou para sua vida, conquistando espaços, conquistando aliadas. Ele a percebe, como a uma foice, que silenciosamente ceifa suas resistências, que ameaça colocar abaixo sua vida, tão minuciosamente planejada.
Sim, essa é uma história de manipulações. Alguns dirão que não é uma história de amor mas sim de poder. Mas eu com meu romantismo incurável, vejo sim muito amor. Como toda mulher que ama, Alma enxergava em Reynolds um lado doce, terno, nas poucas vezes que ela o viu desarmado. E é por esse Reynolds que ela ama que acredita que vale a pena toda sua luta. Não só por ela, mas também por ele, ela precisa resgatar a essência que ele não quer deixar aflorar. Como se abrisse as portas de sua prisão. Nem que para isso ela precise usar de recursos radicais! E ele? Ele sabe, ... e ele entrega-se... Como assim, isso não é amor?
"- Eu quero você de volta, desamparado, com ternura, aberto, onde só eu possa ajudá-lo. E então, eu quero você forte novamente. Você não vai morrer, você pode desejar morrer, mas não irá. Você precisa se acalmar um pouco.
- Beije-me, minha menina, antes que eu adoeça novamente."
Lindo, maravilhoso, interpretações fantásticas. Daniel Day-Lewis, se você abandonar sua carreira, vou entender, mas como vou lamentar!
IMDB: 7,6/ 10
Minha nota: 4,2/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Phantom Thread
País: EUA
Ano: 2017
Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps, Lesley Manville.