Cinéfilos Eternos: James Ivory
Mostrando postagens com marcador James Ivory. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador James Ivory. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de maio de 2018

ME CHAME PELO SEU NOME



Me chames pelo teu nome...porque cada vez que me chamares - pelo teu nome - será como se estivesses procurando por ti ... em mim! Me chames pelo teu nome porque meus ouvidos anseiam por escutar teu nome com a tua voz. Porque a cada vez que o fizeres deixarás um pouco de ti em mim...Me chames pelo teu nome, porque me dissolvo neste momento em ti e teu nome é como um bálsamo para minha alma, para essa minha alma, errante, que sente como se finalmente aportasse em casa, depois de tanto caminhar, como se os pés cheios de bolhas mas enfim descalços, desnudos, sentissem o frescor do assoalho conhecido ... Me chames pelo teu nome, porque pelo meu todos me chamarão, mas pelo teu, só tu, meu amor, me chamarás. Me chames pelo teu nome e eu te chamarei pelo meu... e será como se no meio da noite trocássemos de travesseiros, entregando um ao outro o nosso calor, o nosso cheiro, ... E a lembrança desses momentos únicos, que só pertencem a mim e a ti, me acompanhará indelével!

Pois é, o filme me deixou romântica, rsrsrs...Mas o que mais me tocou em tudo foi o respeito. Elio (Timothée Chalamet) está passando o verão com seus pais na bela casa de uma pequena e charmosa cidade italiana, quando chega um hóspede, na verdade um acadêmico que veio para ajudar seu pai em uma pesquisa. Elio está naquela fase de descoberta da sexualidade e Oliver (Armie Hammer) o intriga pela maneira de ser e pelo que desperta nele.
As incríveis paisagens são um convite ao amor e não pude deixar de refletir que um bom fotógrafo é também um poeta. Porque muitas vezes está tudo lá e não percebemos, cenas comuns talvez para um olhar distraído, mas o fotógrafo consegue captar a beleza, os detalhes ou a grandiosidade, e expressar, não através das palavras, mas das imagens.
Baseado no romance homônimo escrito pelo egípcio André Aciman e com uma linda trilha sonora assinada por Sufjan Stevens, o longa foi exibido em setembro no Festival de Toronto O diretor italiano Luca Guadagnino (100 Escovadas Antes de Dormir, Um Sonho de Amor) entrega não só um filme esteticamente primoroso, mas uma análise dos ciclos de amor e de perdas. Um rio não passa duas vezes pelo mesmo lugar, mas leva com ele cada lembrança de cada pedra por onde passa... Aos poucos, Elio e Oliver vão se aproximando. Não acho que podemos dizer que trata-se de um romance gay, é um encontro de almas, não importa o sexo. Daí sei que posso parecer preconceituosa, porque pareço aceitar só porque houve amor envolvido. Mas não é a isso que me refiro, o que quero dizer é que não foi somente uma atração física, mas uma catarse.
O filme não descambou para os conflitos, não é esse o foco e como já mencionei, havia respeito em todas as relações ali. O pai e a mãe de Elio eram intelectuais, na família falava-se várias línguas, mas principalmente a língua do coração. Desprovidos de tabus, valorizavam a liberdade e as experiências. Entendiam que por nos pouparmos tanto de sofrer ou de deixarmos de viver o que queremos por temer o julgamento alheio, o que no final talvez seja a mesma coisa, deixamos passar, deixamos para trás, o melhor de nós.
"Nós tiramos tanto de nós mesmos para nos curarmos das coisas mais rápido que vamos à falência aos 30 anos."
Sim, o filme é cheio de citações lindas, algumas verbais, algumas simbólicas: "Neste momento há tristeza. Dor. Não a mate...e, ao fazer isso, também a alegria que você sentiu". Na cena final, vemos uma mosca pousando em Elio e ele não a espanta, como também não espanta sua dor.
Não é apenas o florescer da sexualidade de Elio, mas o amadurecimento. Digo mais, é a descoberta da sensualidade, da arte dos sentidos, do mesmo prazer que temos ao mordermos uma fruta suculenta. ao passarmos a língua nos lábios ou ao chuparmos um dedo lambuzado de chocolate.

Call Me By Your Name pode até não trazer nada de novo, mas é impossível você ficar indiferente!
O filme Call Me By Your Name vence o Gothan Awards 2017,
um dos importantes termômetros do Oscar.



IMDB: 8/ 10
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Call Me By Your Name
País: Itália e outros
Ano: 2017
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: James Ivory, Luca Guadagnino, Walter Fasano.
Elenco: Timothee Chalamet, Armie Hammer, Amira Casar, Michael Stuhlbarg, Esther Garrel.