Cinéfilos Eternos: Federico Fellini
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

A DOCE VIDA



Impossível falar de Fellini e não lembrar de A doce vida.

Impossível falar de A doce vida sem lembrar da cena de Sylvia (Anita Ekberg) na Fontana de Trevi.
Roma, 1950, o personagem principal, Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) é um jornalista que passa os dias em festas,entrevistando celebridades, às vezes levando-as para a cama, mas se sentindo vazio e sem rumo.


É como se Marcello, com aquele seu olhar vago, estivesse sempre em busca de algo que pudesse revigorar uma existência que ficou anestesiada por excesso de estímulos.
Enquanto busca reportagens, ele cruza com personagens de sua própria vida, como a noiva obcecada, o pai doente e um amigo intelectual em crise existencial.


Em vez de uma história com princípio, meio e fim, A doce vida parece mais uma série de encontros. Personagens aparecem sem maiores apresentações e depois quase não os revemos mais. Conversas desconexas por vezes e muitos sorrisos e olhares. Pois o que Fellini nos oferece é um conjunto de fragmentos, uma bela imagem perdida aqui, um detalhe escabroso ali. A tarefa de encontrar um sentido é toda do espectador.


A vida é para ser vivida de que forma? É tão importante assim ser famoso? Ou, ainda, que importa saber sobre a vida de uma celebridade? Onde se encontra essa tão falada felicidade?
São questionamentos que o diretor nos deixa.


Na verdade de doce não tem nada o filme. O sagrado e o profano são colocados lado a lado o tempo todo. Na cena de abertura vemos um helicóptero carregando uma imagem de Jesus para o Vaticano, o Cristo sobrevoando Roma, enquanto os passageiros tentam fazer contato com umas mulheres que estão pegando sol em um terraço.
Os trejeitos dos personagens da alta sociedade romana são ironizados por Fellini em cenas longas e polêmicas.


Aos olhos de hoje, o escândalo que irrompeu na época do lançamento de La dolce vita pode parecer sem sentido. A Igreja e setores conservadores da sociedade italiana enxergaram no painel desenhado por Fellini uma mistura de ousadia, blasfêmia, afronta aos “bons costumes” e ode ao hedonismo e à amoralidade.

IMDB: 8,1/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 4,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Dolce Vita
País: Itália, França.
Ano: 1960
Direção: Federico Fellini
Elenco: Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée.