Quem seria aquele homem misterioso que desembarcou do trem naquela pacata, quase dormente cidade francesa? O que ele poderia querer de lá? Até o hotel estava fechado quando ele lá chegou. Ninguém pelas ruas... Não, de jeito nenhum aquele homem parecia um turista. Expressão cansada, sombria, ele não era de muita conversa, ... mas isso não era nenhum problema para Manesquier, um professor de poesia aposentado. Ele era capaz de falar pelos dois e Milan, assim se chamava o cavalheiro solitário, despertou imediatamente sua curiosidade. E até seus devaneios. De onde teria vindo? Por quais aventuras teria passado aquele homem? Quais mais ainda tinha a intenção de viver?
Manesquier o convida para se hospedar em sua enorme e antiga casa. Onde viveu sua vida toda, cercado de livros e lembranças... Milan não tem outra alternativa. Mesmo não sendo de muitas palavras, simpatiza com o professor, a princípio resistente, aos poucos aceita de bom grado a companhia daquele bom homem. Também ele se imagina nessa vida, tranquila e sem tropeços.
Milan pede para ficar até sábado, no sábado precisará ir embora. Manesquier pensa "o que será que ele tem para fazer no sábado?". E diz para Milan que sábado ele também terá um compromisso. O velho professor acaba desconfiando das verdadeiras e escusas intenções do seu hóspede, mas isso não o assusta. Pelo contrário, o fascina! Manesquier sonha como sua vida poderia ter sido diferente se houvesse ousado mais.
"A doçura é muito perigosa" / "por quê?"/ "porque você se acostuma a ela".
Ele se acomodou com sua vida confortável e de poucos problemas e agora pensa "o que terei perdido?". Ele viveu talvez a vida de todos os romances que leu, de todas as músicas que tocou em seu antigo piano, comeu e bebeu bem, nunca lhe faltou um teto para dormir, teve seus amores, uma boa vida, ... mas agora algumas de suas certezas estavam caindo por terra, e ele se perguntava: "o que terei perdido?".
A amizade improvável que se formou entre aqueles dois é aquele tipo de experiência que, embora fugaz, a gente leva para sempre.
Os dois atores estão sensacionais em seus papéis. Por coincidência, os dois faleceram em 2017, grande perda para o cinema. Jean Rochefort foi um premiado ator francês, com mais de cinco décadas de carreira. Esse não é o primeiro filme do diretor Patrice Leconte que ele atuou, inclusive foi indicado ao Premio César de Melhor Ator por O Marido da Cabeleireira. Em 1978, ele já tinha recebido esse prêmio por sua atuação em Le Crabe-Tambour. Ele também era o escultor famoso em O Artista e a Modelo e acho que seu último filme foi Floride, de Phillippe Le Guay, que eu também adorei! Johnny Hallyday, nome artístico de Jean-Philippe Smet foi um cantor e ator francês de origem belga por parte do pai. Foi um dos principais astros do rock'n'roll francês. Atuou em filmes de Claude Lelouch, Guillaume Canet, Godard, Costa-Gravas, entre outros. A participação da atriz francesa Édith Scob (O Que está Por Vir, Holy Motors, Horas de Verão, Os Olhos Sem Rosto) foi pequena mas bem emocionante.
Patrice Leconte, premiado diretor, dispensa apresentações.
Imperdível!
IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: L'Homme du Train.
Outros títulos: Main on The Train.
País: França.
Ano: 2002
Direção: Patrice Leconte
Roteiro: Claude Klotz.
Elenco: Jean Rochefort, Johnny Halliday, participação Edith Scob, Isabelle Petit-Jacques.
Johnny Halliday, Patrice Leconte e Jean Rochefort, na Itália, em 2002, para apresentar L'Homme du Train na competição da Mostra de Veneza.