Pensei, pensei, se deveria escrever sobre esse filme. Pelo mesmo motivo que talvez Michael Finkel não deveria ter escrito um livro e Rubert Goold não deveria ter feito um filme: dar publicidade a Christian Longo. Se bem que sou um pouco menos famosa, né, então acho que não tem problema, rsrsrsrs. Talvez, assim como o Finkel, eu tenha ficado obcecada, estou com necessidade de colocar para fora as minhas impressões. Baseado em uma história real, mas se você não lembra do crime, melhor não ler o que escrevo, antes de ver o filme.
Na verdade, o filme de deprimiu. Aquele olhar vazio do Christian (James Franco) me deixou gelada. Aquele olhar, vazio de tudo. Se existe um inferno, esse olhar é a janela para lá, ...
O filme baseia-se no livro escrito pelo jornalista investigativo Michael Finkel. Recém desempregado, ele descobre que um cara preso por assassinato estava se passando por ele no Mexico. A pergunta, claro: por que ele?
É isso que move Michael quando tenta e consegue uma visita ao Christian: "cara, por que eu?". Ele estava longe de saber a armadilha onde estava se metendo. Ele era um cara comum, com seus ideais, como tantos. Na época atual, com a autoestima lá embaixo, já que foi demitido sumariamente. Michael escrevia bem, era elogiado, mas uma demissão assim faz você questionar os seus valores. Talvez ele fosse um nada. Sua vulnerabilidade mais o carisma de Longo faz com que ele, involuntariamente, sinta-se atraído pela personalidade do outro. Além disso, quem sabe, pode ser sua chance de escrever uma boa história e esfregar na cara dos seus antigos superiores do New York Times. Inicialmente seria uma reportagem, mas Finkel reconheceu que tinha material para um livro. Por que ele? Quem sabe a vida estava lhe dando uma chance? Christian Longo enaltece seu trabalho, diz que leu tudo que ele publicou, está certo, é apenas um odioso e frio assassino, mas de uma certa maneira isso o envaidece, ele não sabe explicar, mas sente-se especial.
Forma-se mesmo uma camaradagem entre eles. Finkel começa a alimentar a esperança, como poderia ser de outro modo?, de que Longo vá lhe revelar algo que o inocente, ele terá o maior furo do ano. Felicity Jones interpreta a esposa de Michael, que acompanha e preocupa-se com a obsessão do marido pelo caso.
Christian era o principal suspeito pelo assassinato da esposa e dos três filhos, um crime que chocou os EUA e o mundo em 2001.
Quando Christian Longo conheceu sua esposa, Mary Jane, era uma história de amor ideal. Testemunhas de Jeová, eles se conheceram na igreja e Christian começou a fazer proselitismo de porta em porta com Mary Jane. Eles ficaram noivos, mas antes que pudessem se casar, Christian foi pego roubando de seu empregador, e eles não foram autorizados a se casar dentro do Salão do Reino das Testemunhas de Jeová. Em vez disso, um ministro os casou em um ginásio em Março de 1993. Em 1997, eles tiveram seu primeiro filho, Zachary, seguido por uma menina chamada Sadie e por último Madison. Em 1999, Mary Jane deixou o emprego e começou a vida que ela sempre sonhou - ser mãe em tempo integral e mulher. Christian parecia querer o melhor para sua família, mas ao invés de trabalhar duro para isso, ele começou com falsificação de cheques e roubou uma minivan. Ele também contraiu dívidas sob um nome falso e começou a vender equipamentos de construção roubados. Ele acabou sendo preso e expulso das Testemunhas de Jeová. Já em liberdade condicional, Longo vendeu seus bens e fugiu com sua família. No entanto, por causa de seus gastos extravagantes na fuga, a família ficou sem dinheiro, e Longo conseguiu um emprego em um Starbucks em Newport, Oregon. Mais uma vez, ele começou a viver acima das suas possibilidades, alugou um apartamento de luxo por US $ 1200 por mês, que era exatamente seu salário no Starbucks. Em 19 de dezembro de 2001, o corpo de 5 anos de idade, Zachary apareceu nas margens da Baia de Yaquina. Pouco tempo depois, Sadie 3 anos de idade, foi encontrada morta. Segundo a autópsia, as crianças se afogaram. Os corpos de Mary Jane e de Madison também foram encontrados em malas na mesma baía. Mary Jane havia sido espancada, e a menina tinha sido estrangulada. No dia em que os últimos corpos foram encontrados, Longo embarcou em um avião indo de San Francisco para Cancun, no México. Ele foi colocado na lista dos 10 mais procurados do FBI e foi reconhecido por uma mulher que se hospedara no mesmo albergue que ele.
Quando chegou a Cancun, ele adotou o nome de um jornalista do New York Times Magazine: Michael Finkel, até que o FBI finalmente o encontrou. Uma semana antes do Natal de 2001, Christian Longo saiu do trabalho e foi para casa. Foi a noite dos fatídicos acontecimentos. James Franco encarna com precisão o desafio de fazer o personagem, o que o deixou pela primeira vez desconfortável em sua carreira. O ator traz à cena um personagem obscuro, sem sentimentos, e sem dúvida alguma, manipulador. Já Jonas Hill encarna o jornalista Michael Finkel , num verdadeiro jogo que o deixa entre a cruz e a espada.
Numa noite de inverno em 2001, Penny Baker-Dupuie sentou-se no sofá na sala de estar de sua casa. Seus dois filhos, um recém-nascido e um de três anos, dormiam em suas camas e Penny observava em silêncio enquanto o marido, John, sentado do lado oposto, mostrava como carregar, esvaziar e depois recarregar a espingarda; devagar, meticulosamente. Apenas alguns dias antes, o cunhado de Penny, Christian Longo, havia matado toda a sua família: a irmã de Penny, MaryJane, tinha 34 anos. Seus três filhos pequenos, Zachery, Sadie e Madison, tinham quatro, três e dois anos, respectivamente. Se Longo pode fazer isso com sua própria esposa e filhos, ela tinha medo que pudesse fazer com sua família também. Penny foi a maior opositora ao fato de Michael escrever um livro sobre o cunhado e mais tarde haver um filme sobre o livro. Na opinião dela, estavam fornecendo combustível demais para uma pessoa que nem devia ser mencionada. Segundo Penny e a família, não há uma coisa no filme ou no livro que faça algum bem para o mundo. Nada. É apenas a história de um psicopata narcisista que quer, a qualquer custo, atenção.
Chris foi condenado à morte mas até hoje sua história é debatida, principalmente entre estudantes de direito. Porque ele quer doar seus órgãos, fato inédito entre os condenados. Ele diz que sabe que virar doador não vai corrigir o que fez, mas que precisa fazer a doação. Será? Estaria ganhando tempo ou fazendo o que sabe fazer melhor: chamar a atenção sobre ele mesmo? Ele teve a chance de preservar quatro vidas, qualquer que fosse seu limite em lidar com a situação da falta de dinheiro. Poderia simplesmente tê-los abandonado. E está preocupado em salvar vidas de quem nem conhece? Qual será a história verdadeira? Qual será a real história também de Michael Finkel, que construiu uma forte ligação com Longo? Em algum momento, ele acreditou na inocência dele?
É importante destacar o papel da mentira e da verdade na relação dos dois. Michael foi demitido por uma mentira que queria dizer uma verdade. Agora queria usar uma verdade que seria contada só para ele, por Christian, para se retratar. A verdade que o salvaria de uma mentira que o fez perder o emprego. Christian tem uma versão para Michael e no dia do julgamento tem outra.
É o tipo de história que te deixa com um gosto amargo na boca, fica uma sensação de que "True Story" podia ter se aprofundado mais, algumas coisas que senti e coloquei aqui foram frutos de pesquisa, mas, ao mesmo tempo, a história sustenta o filme e achei boa a interpretação do James Franco. Sabemos que existem pessoas como o Christian Longo por aí, mas conhecer os detalhes é bem assustador.
IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 3/ 5
Ficha Técnica:
Nome original: True Story
País: EUA
Ano: 2015
Direção: Rupert Goold.
Roteiro: David Kajganich, Rubert Goold, baseado no livro de Michael Finkel.
Elenco: James Franco, Jonah Hill, Felicity Jones.

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