TRANSIT - Cinéfilos Eternos

sábado, 3 de novembro de 2018

TRANSIT



Enquanto escrevo sobre um filme, procuro entender suas complexidades. Muitas vezes começo sem ter gostado tanto e acabo adorando. Algumas pessoas comentam que ficaram muito interessadas em ver depois do que eu expus, não sabem elas que eu também convenci a mim mesma da importância, ou da beleza, ou das duas coisas, do filme.
Petzold, Christian Petzold, faz parte dos diretores de cinema vivos por quem tenho admiração. O cineasta e roteirista alemão de 58 anos é considerado um dos principais expoentes do movimento cinematográfico contemporâneo conhecido como Escola de Berlim. Recebeu, entre outros prêmios, o Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim, em 2012, pelo filme Barbara.
Transit estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 17 de fevereiro deste ano.
A primeira coisa que quero entender é porquê ele usou a França da época atual para mostrar a ocupação da Alemanha nazista. Sim, a situação é a mesma, principalmente em Paris, as pessoas precisam fugir, negócios como hotéis são abandonados, famílias são separadas, na rua diversos homens com metralhadoras caçam suas vítimas, o desespero está instaurado! Como sei que é a época atual? Pelos carros modernos e todo o contexto. Talvez o diretor não tenha achado importante esses detalhes? Não creio. Ou talvez ele queira mostrar que a guerra continua, mesmo que invisível. O que vocês acham?
Georg (Franz Rogowski), o nosso personagem principal recebe uma missão de entregar uma carta para um escritor em um hotel próximo. Em troca de dinheiro e de um lugar em um carro para fugir de Paris. Chegando lá, ele toma conhecimento que o tal escritor se suicidou. De posso dos manuscritos e de seus documentos de identidade, ele consegue chegar em Marseille, mas deseja ir para o México.
Em Marseille, uma misteriosa mulher volta e meia passa por ele, chega a abordá-lo, talvez confundindo-o com alguém. Marie, na verdade, é a esposa do escritor e procura por ele. Georg começa a se apaixonar por ela. Quem interpreta Marie é a bela Paula Beer, com seus olhos expressivos, a mesma que fez a Anna, no filme de François Ozon, Frantz, lembram?
Bem, no meio a tantos problemas ocasionados por uma guerra, Petzold desenha esse drama. Marie não sabe que busca um fantasma. Georg está apaixonado por ela e quer tirá-la de lá e é o único que pode fazer isso, como o suposto marido dela. Mas como revelar isso para Marie?
Nem preciso dizer que me encantei com o filme, não é? Quem me conhece sabe que é exatamente esse tipo de história que me atrai, ainda mais feita com esse grau de experimentação. Só um diretor genial para ter essa ideia. Transit é baseada em uma novela de 1942. A história é a mesma da novela, os fascistas ocupando a França, mas não há carros blindados e sim policiais comuns pelas ruas do século XXI.
Uma história de fantasmas, amores, fugas e desencontros.
IMDB: 6,9/ 10
Filmow: ainda sem nota
Minha nota: 4/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Transit.
Pais: Alemanha
Ano: 2018
Direção: Christian Petzold.
Roteiro: Christian Petzold.
Elenco: Franz Rogowski, Paula Beer, Godehard Giese, Alex Brendemuhl (Um Instante de Amor, O Médico Alemão)

Um comentário :

  1. Caramba, não percebi que era a Marselha atual!Que grande sacada! Cheguei a entrar de novo no link para observar os carros (as roupas nem tanto, são bem básicas, atemporais, mas os carros sim, claro, são atuais). Bom, na verdade não observo muito carros, não presto atenção em modelos ou marcas, mas claro que os carros da época eram completamente diferentes.
    Gostei bastante, embora tenha achado um pouco confuso em alguns momentos. É uma história bela e triste. Gostei muito desse ator, seu olhar tristonho. E como Petzold filma bem, enquadramentos sempre bem pensados, cores também. Mais um bom filme.

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