Cinéfilos Eternos: Tim Kalkhof
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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O CONFEITEIRO







Aconselho a, antes de ver o filme, se cercar de  algumas guloseimas, ou você vai ficar, como eu, com água na boca. Também não sei se adiantará comer uma coisa pensando em outra. Um alemão, dono de uma confeitaria em Berlim, "o confeiteiro", viaja à Jerusalém e acaba se empregando em uma confeitaria lá, de uma viúva com um filho. Quando ele começa a mostrar suas habilidades, a princípio Anat se queixa que ele deve se limitar a realizar as tarefas que ela determina, mas quando ela começa a provar, ela muda de ideia totalmente. Cada vez que Anat coloca aquelas poções de gostosuras na boca, a expressão dela é de quem está nos céus. E nós ficamos hipnotizados, acompanhando cada movimento de deglutição.
“The Cakemaker”, primeiro longa do israelita Ofir Raul Graizer, foi premiado no Festival de Karlovy Vary e mostrado no Festival de Londres. Me perguntaram "ah, é aquele filme LGBT?" , mas eu considero que seja um filme sobre o luto.
Aos poucos, a viúva vai se rendendo não só aos cookies e cakes, mas ao próprio confeiteiro. Não quero me estender muito aqui, pra não contar o filme. Mas o que importa não é o que acontece, mas como acontece. O filme é de uma sutileza, de uma delicadeza só, cada olhar, cada gesto, isso sim, tem importância.
Ah, mas eu queria tanto falar sobre, rsrsrsrsrs. Quem já viu ou não se importa, continue a ler. Ou pare agora! Na verdade, o spoiler está em todas as sinopses e até nos posters do filme.
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Bem, como eu ia dizendo, Anat fica super envolvida com Thomas. O problema é que ele é gay. Se fosse só isso, mas a verdade é que Thomas teve um motivo muito forte para deixar Berlim e não foi por acaso que ele procurou o café de Anat: ele era o amante do marido dela em Berlim. E tudo o que restou dele, de Oren, estava lá em Jerusalém. Ficar perto das pessoas que ele amava era uma forma de se sentir perto dele. Ainda mais porque Thomas era um solitário, só tinha a cafeteria, seu apartamento e Oren.

Comentaram que ele se envolver com Anat era como admitir que existe a "cura gay". Eu entendo, até pensei nisso. Mas é que no filme existem muito mais coisas envolvidas. Thomas procura Oren em Anat. Oren sempre falava dela, como faziam amor, levava o seu bolo de canela pra ela, Anat já fazia parte de sua vida, mesmo sem conhecê-la. Existia uma grande afinidade entre eles, porque se Oren amava Anat e Oren amava Thomas, Anat e Thomas deveriam ter coisas em comum. E já tinham os dois as cafeterias.
Não pude deixar de lembrar de um filme franco italiano, com uma história parecida: Le Fate Ignoranti. Quando seu marido morre, Antonia acaba descobrindo que ele não lhe era fiel. Impelida a descobrir quem era a pessoa e os detalhes da vida do marido que lhe escaparam por tantos anos, sete na verdade, Antonia acaba sabendo que não era uma amante que ele tinha e sim um relacionamento homossexual com Michele. Michele divide o lugar onde mora com outros gays e uma transsexual e são uma espécie de uma família onde Massimo tinha um lugar de destaque. Antonia não sabia nem que o marido cozinhava, a estupefação dela cresce a cada dia. Aos poucos, ela mesma vai se envolvendo com aquela família diferente e também começa a surgir um interesse entre ela e o ex-amante do marido.
Né?
O que se segue é o retrato de duas pessoas profundamente machucadas por uma perda e como suas dores propõem uma aproximação.
E deixo aqui algumas palavras do filme Le Fate Ignoranti:
"Che stupidi che siamo, quanti inviti respinti, quante parole non dette, quanti sguardi non ricambiati... Tante volte la vita ci passa accanto e noi non ce ne accorgiamo nemmeno..."


IMDB: 7,2/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,7/ 5


Ficha técnica:
Nome original: The Cakemaker.
País: Alemanha/ Israel.
Ano: 2017
Direção: Ofir Raul Graizer
Roteiro: Ofir Raul Graizer

Elenco: Tim Kalkhof, Sarah Adler, Roy Miller, Zohar Strauss.