Cinéfilos Eternos: Emma Watson
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

AMOR E REVOLUÇÃO




O filme prende bastante a atenção e devo destacar aqui a interpretação de Michael Nyqvist, ator de Millennium, que infelizmente faleceu em 2017. Pelo papel de Paul Schäfer, um ex-militar nazista, ele foi indicado ao Prêmio do Cinema Alemão de Melhor Ator Coadjuvante.
"Chile, 1973. Em meio ao golpe de estado que derrubou o presidente eleito Salvador Allende e possibilitou a ascensão do ditador Augusto Pinochet, as massas estão nas ruas protestando, entre eles um casal alemão, Lena (Emma Watson) e Daniel (Daniel Brühl)".
Dirigido pelo alemão Florian Gallenberger, que teve seu filme "Quiero Ser" premiado com o Oscar de Melhor Curta de Live Action em 2001, Colonia (nome original) é, infelizmente para a humanidade, baseado em fatos reais.
"A ditadura chilena não é um tema desconhecido para o ator alemão que nasceu em Barcelona e cuja mãe é espanhola. Daniel Brühl conta que, “quando era criança (…) houve mesmo uma família de chilenos exilados que viveu lá em casa. Os meus pais estavam muito envolvidos nas questões chilenas e portanto tive uma relação com o Chile, com a sua cultura e a sua história desde tenra idade”."
Já a atriz britânica, nascida em Paris, explicou aos jornalistas os motivos que a levaram a aceitar o papel de Lena, a noiva de Daniel: “Muita gente me pergunta se escolhi esse filme por causa do meu interesse recente pela política. Mas, a verdade é que adorei o papel. Claro que é também uma época em que estou interessada, mas foi a personagem que me atraiu para este filme”.
Uma outra personagem que vai aparecer ao longo do filme e que eu sabia que conhecia mas custei a lembrar é a Ursel. A atriz é Vicky Krieps, a Alma de Trama Fantasma.
Bem, voltemos ao filme. "Quando Daniel é levado pela polícia secreta de Pinochet, Lena procura por ele e descobre que seu amado está em um lugar chamado Colonia Dignidad, uma suposta missão de caridade dirigida por um pregador (Michael Nyqvist), só que na verdade é uma prisão de onde ninguém nunca escapou. A fim de encontrar Daniel, a moça decide se juntar ao culto religioso da Colonia".
Amor e Revolução se centra mais na ação do que no contexto histórico. Gallenberger disse que o objetivo dele foi focado mais no entretenimento, em contar uma história fascinante, mas não deixando de despertar no espectador o interesse pela história da ditadura chilena.
O roteiro tem suas falhas e um certo exibicionismo no final. Acredito que o casal de protagonistas é ficcional, não encontrei nenhuma referência a eles. Mas a Colônia Dignidad é verdadeira e seu líder idem. Outra coisa que não gostei é que o filme se passa no Chile, Daniel e Lena são alemães, mas o idioma é inglês.
A Colônia Dignidade é um assentamento fundado no Chile em 1961 por Paul Schäfer, um ex-militar nazista, acusado de abuso infantil na antiga Alemanha Ocidental. Está localizada na comuna de Parral, província de Linares, na região do Maule. Se tornou famosa como centro de detenção e tortura nos tempos da ditadura de Augusto Pinochet, embora de fachada fosse apenas uma seita de "excêntricos inofensivos". Vídeos de residentes felizes em meio a celebrações e comemorações eram divulgados mas, lá dentro atrocidades e abusos eram cometidos.
O local era cercado por arame farpado, cercas e apresentava uma torre de vigia e luzes de busca, segurança máxima. Mais tarde foi relatado conter também armas secretas, que eram comercializadas. Poucas pessoas conseguiram escapar da fortaleza e denunciaram os abusos e o trabalho escravo.
Após décadas de abusos e torturas, Paul Schaefer foi preso em 2005, somente em 2005, vejam só! Depois de chegar no Chile, Schaefer transformou os 230 ‘colegas alemães’, que deixaram o país com ele, em escravos. Famílias foram separadas e crianças conduzidas a uma casa onde Schaefer mantinha um apartamento privativo. No local, meninas e meninos eram criados nos moldes da cultura germânica e abusados pelo soldado nazista. O isolamento da colônia permitiu que as torturas e os abusos permanecessem absolutamente em sigilo. Alguns torturadores escaparam ilesos, como o administrador do hospital de torturas Harmutt Hopp, que fugiu para a Alemanha.
Mais da metade dos antigos colonos voltaram para a Alemanha e o local se tornou um lugar de lazer e diversão. Muitos pedófilos e torturadores, no entanto, continuam vivendo normalmente na aldeia. Apesar dos esforços dos advogados das vítimas, ninguém foi indenizado até hoje.
Schafer morreu em 2010, em Santiago, Chile, aos 89 anos.Foi tarde, muito tarde!

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,9/ 5
Minha nota: 3,4/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Colonia.
País: Alemanha/ França/ Luxemburgo.
Ano: 2015
Direção: Florian Gallenberger
Roteiro: Florian Gallenberger, Torsten Wenzel.
Elenco: Emma Watson, Daniel Brühl, Michael Nyqvist, Vicky Krieps.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

BLING RING: A GANGUE DE HOLLYWOOD



Para quem não acompanhou, os fatos reais aconteceram entre 2008 e 2009. Um grupo de jovens com uma aparente boa situação financeira dividem seu tempo entre festas, muita curtição e idolatrando celebridades.
Katie Chang como Rebecca Ahn (Rachel Lee)
Israel Broussard como Marc Hall (Nick Prugo)
Emma Watson como Nicki Moore (Alexis Neiers)
Taissa Farmiga como Sam Moore (Tess Taylor)
Claire Julien como Chloe Tainer (Courtney Ames)

Já no princípio do filme, vemos Rebecca, a mentora do grupo, com Marc, que tinha problemas de autoestima, procurando carros de luxo que estivessem com as portas abertas, para roubar dinheiro ou cartões de credito que lá houvessem. Eles não arrombavam, já vemos aí como existem pessoas negligentes.
Fascinados pela fama, resolvem "visitar" casas de celebridades. Para isso contam com Marc, que acessava a "TMZ", site da internet, e facilmente descobria os endereços dos famosos e também o paradeiro deles, garantindo que a casa estivesse propícia à invasão.
O que a princípio era apenas uma exaltação da futilidade se torna uma atividade perigosa, em que eles roubavam dinheiro, jóias e principalmente objetos de grife e seus sonhos de consumo, como peças originais de Chanel, Bauman, Lanvin, Tiffany, entre outras. O dinheiro em espécie era gasto nos mesmos lugares que as celebridades frequentavam.
A autoconfiança deles era tanta que compartilhavam nas redes sociais fotos com os objetos furtados e também se gabavam entre os amigos, o que facilitou o trabalho da Polícia de Los Angeles.
Os alvos deles foram as residências de Megan Fox, Audrina Patridge, Orlando Bloom, Lindsay Lohan, Rachel Bilson e Paris Hilton. Impressionante a falta de segurança das casas, com tantos objetos valiosos dentro. Paris Hilton deixava suas chaves simplesmente embaixo do tapete, acreditem se quiserem, e sua casa foi assaltada várias vezes, inclusive ela até cedeu sua casa para as filmagens, mostrando pra quem quiser ver o que tem e onde guarda os seus pertences.
Toda a história foi publicada pela Revista Vanity Fair, que entrevistou os adolescentes e publicou o livro Bling Ring, que foi adaptado por Coppola.
Afinal, por qual razão eles invadiam e roubavam as mansões? Sofia foi criticada por alguns por não se aprofundar nas motivações do grupo. Eu penso que ela faz sim sua crítica, mas de forma velada, sem interferir muito, porque essa é justamente uma das qualidades que aprecio nessa cineasta, a capacidade de se distanciar e não fazer julgamentos, deixando ao espectador essa tarefa.
Filha de uma ex-coelhinha da Playboy, Alexis Neiers (Nicki) cresceu ouvindo da mãe que o importante era estar nas manchetes. Ironias a parte, durante os últimos dias na detenção, ela ficou ao lado de Lindsay Lohan.
Nick Proug (Marc) foi uma criança tímida e se envolveu com drogas na adolescência e roubava os próprios pais para sustentar o vício.
Suposta líder do grupo, Rachel (Rebecca) ia para a escola dirigindo um Audi A4 branco. Já tinha problemas com furtos em uma loja de cosméticos.
E mesmo com toda a punição, os jovens conseguiram atingir seus objetivos, que era a fama a qualquer preço. Bombavam nas redes sociais e Nicki, a patricinha sem noção, afirmava em alto e bom tom que tudo que que acontecera com ela havia sido obra do destino, provações que ela precisava passar para aprender e crescer como ser humano e chegou a declarar que pretendia ser Presidente do país.
Considerado o trabalho mais fraco da cineasta, eu vi sem grandes expectativas, mas o filme prendeu bastante minha atenção e confesso que mesmo com a direção sempre delicada da Sofia, me chocou até mais que As virgens suicidas, pelo roteiro forte, que mostra a decadência de uma geração, com total inversão de valores ou até mesmo ausência deles. 
A trilha sonora tinha que acompanhar o tema, então transitou de Crown on the Ground, do Sleigh Bells até Azealia Bancks.


IMDB: 5,6/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Bling Ring
País: EUA
Ano: 2013
Direção: Sofia Coppola
Roteiro, Sofia Coppola, Nancy Jo Sales (baseado no artigo "The Suspect Wore Louboutins")
Elenco: Katie Chang, Emma Watson, Israel Broussard, Claire Julien, Taissa Farmiga.

Fotos da gangue.