JOVEM MULHER - Cinéfilos Eternos

quarta-feira, 13 de março de 2019

JOVEM MULHER







A princípio é apenas uma história de uma jovem mulher que se encontra desorientada e perdida após haver terminado o relacionamento de dez anos. Mas vai ganhando contornos, força, a câmera sempre colada na personagem, mostrando sua inquietação, seu desamparo, a imprevisibilidade que a faz explodir a qualquer coisa... e de repente não é apenas a história de uma jovem mulher, é a história de Paula, de todas as Paulas, de todas as mulheres, que precisam se descobrir como pessoas, como mulheres que são, repensar as suas certezas, encontrar o seu lugar no mundo.

Eu disse "explodir a qualquer coisa"? Bem, simplifiquei demais a situação de Paula. Foram dez anos de relacionamento e ela não consegue se ver sem ele. O psiquiatra fala em liberdade e Paula mais uma vez explode, como um furacão. Quem disse que ela quer a porcaria dessa liberdade? À sua confusão sentimental, junta-se a falta de dinheiro e de um lugar para morar. E a incompreensão de como uma pessoa como Joachim Deloche, um fotógrafo famoso com um apartamento enorme, pode deixá-la assim na rua, como um saco de lixo. Ela pensa que não faria isso nem com um estranho que batesse em sua porta. Paula não tem família, apenas um relacionamento complicado com uma mãe de quem diz que se perdeu, não tem para onde ir, não tem emprego. ainda por cima nessa cidade que ela odeia: Paris. Quando ela conhece Ousmane, que tenta lhe dizer algumas coisas positivas sobre a cidade, ela replica que tudo que ele diz não faz nenhuma diferença para eles, não os ajuda em nada.

"Paris não gosta de nós", diz Paula.
O primeiro longa com Léonor Serraille na direção recebeu o Caméra d’Or na edição 2017 do Festival de Cannes e é um filme de uma mulher para as mulheres. Léonor soube fazer o retrato de uma jovem carente, que precisa amadurecer, controlar suas oscilações de humor, se adaptar à sua nova realidade, enfrentar sua solidão e encontrar seus espaços, não só fisicamente, mas emocionalmente, em uma Paris completamente alheia às suas necessidades. A atriz praticamente novata, Laetítia Dosch ( prêmio Lumiere e uma indicação ao César). exala talento, entregando perfeitamente uma personagem que sofre, que precisa se desconstruir e se reconstruir, mas sem abrir mão do bom humor. Ah, como eu entendo a Paula. geniosa e muitas vezes com razão, ela precisa procurar uma necessária placidez e fazer um exercício diário para não perder sua sanidade.
Mas no fim ela entende, mesmo que a duras penas, que nem sempre o caminho mais fácil e mais confortável é o mais seguro. Palmas para essa atriz!

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Jeune Femme ou Montparnasse Bienvenue.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Léonor Serraille.
Roteiro: Léonor Serraille, Bastien Daret, Clémence Carré.
Elenco: Laetítia Dosch, Souleymane Seye Ndiaye. Grégoire Monsaingeon.


(Por: Cecilia Peixoto)

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